junho 08, 2010

A calma antes de chover

O elevador subia eternamente. Em silêncio. Os olhos dela em mim e os meus nela, invariavelmente, cada uma num canto oposto daquele espaço restrito. Os andares passavam, um a um, e a nossa respiração se intensificava. Sem tirar os olhos uma da outra nem por um segundo. A tensão crescia.
 
Nisso, a Mia se apoiou no espelho e encostou a cabeça levemente para trás, cruzando as pernas naquele vestido desgraçado. Tão curto que eu podia ver uma das flores de cerejeira tatuadas na sua coxa – só o comecinho duma pétala. Das que desciam pelas suas costas até o seu quadril. Cacete. Ela estava maravilhosa ali. Com ares de fim de rolê, sabe, como se tivesse cambaleado para fora do boteco mais decadente da Augusta às seis da manhã, bêbada e tatuada, os braços descobertos e o cabelo levemente bagunçado, jogado meio de qualquer jeito sobre o ombro.
 
O tipo de garota que eu gostava.
 
O meu corpo inteiro pendia na sua direção, com sede, numa vontade de estar logo com ela. E a Mia provocava de volta, numa sacanagem de leve, sem dizer nada. Nós duas sabíamos o que ia acontecer e puta merda, garota, por mim a gente se comia aqui mesmo. Mas aquele jogo silencioso entre nós me empurrava de volta para a parede do elevador. E talvez eu devesse estar mais nervosa, depois de tanto tempo a querendo, mas não estava. Me sentia totalmente presente. Ali. Com ela. Só essa porra de andar que não chega nunca, caralho. Respirei fundo e...
 
De repente, a porta se abriu. Nos despertando daquele estado embriagado de tesão expectativa. Andamos em direção ao seu apartamento e a Mia se agachou em frente à porta, desamarrando o cadarço do coturno para pegar a chave que ela tinha “guardado” presa ali. Achei graça na estratégia e entrei atrás dela na sala. Todas as luzes estavam apagadas. Ela se dirigiu até a cozinha, acendendo apenas uma lâmpada sobre a mesa.
 
_Olha, eu sei q-que... – falou arrastado – ...e-eu não preciso beber mais n-nada... p-por um mês... – fez graça, enquanto abria a geladeira e debruçava-se rapidamente dentro dela – ...mas é q-que tem... cerveja... em a-algum... lugar... p-por aqui.
 
Eu ri, me sentando em cima duma bancada. Logo atrás dela. A Mia fechou a porta da geladeira com o pé, meio desequilibrada, e se virou na minha direção com duas latinhas nas mãos:
 
_Você bebe também, né?
_Manda.
 
Sorri.
 
Ela me entregou uma das latinhas e eu a abri, apoiando os cotovelos nas pernas, ainda sentada na bancada. Ganhávamos tempo. A Mia encostou na pia, me observando. E o clima entre nós voltou. Cacete, como cê é gata. Podia ver ela se mover milimetricamente, com os olhos em mim, intrigada. Colocou as mãos perto de onde eu estava, esbarrando na lateral dos meus joelhos, enquanto eu dava o primeiro gole. Como se o seu corpo confiasse em mim – e nossas peles não pudessem esperar para se encostar de novo. Bebemos a cerveja inteira assim, quietas, nos olhando e sorrindo, entre um gole e outro. Nós duas sabíamos onde aquela tensão toda ia dar – com sorte, é, na cama.
 
Matei o último gole, uns minutos depois, e fiquei em pé no chão. E olha, a minha vontade era de colocar aquela garota contra a primeira parede que visse pela frente. Mas, então, a Mia perguntou se eu não queria “deixar minhas coisas” lá no seu quarto e foi indo em direção ao corredor. Que coisas, Mia?, achei graça, com a carteira e o maço enfiados no bolso de trás da calça e ambas as mãos livres, mas tá. Observei ela caminhar no escuro, descalça e com os coturnos na mão.
 
E a segui.
 
A Mia entrou primeiro no quarto, abrindo a porta e acendendo a luz, caminhando até o armário para guardar as botas. E eu entrei segundos depois, fechando a porta e apagando a luz, de novo, caminhando até onde ela estava. Encostei a mão na sua cintura, deslizando os dedos sobre seu vestido. E pude sentir a sua respiração acelerar no breu. Foi o suficiente para nos prender naquele instante. Aproximei o meu corpo das suas costas e beijei o seu ombro, deliberadamente devagar. Sua pele estremeceu. Senti em cada poro, como se a minha pele arrepiasse junto. E fui subindo a boca. Pelo seu ombro, pela curva do seu pescoço. E pela sua nuca, levantando o seu vestido – despindo-a continuamente até tirá-lo por inteiro.
 
Arranquei a minha regata, em seguida, e encostei nela de novo. A Mia suspirou assim que os meus peitos tocaram as suas costas. Virou instintivamente o rosto e apoiou a cabeça para trás, me beijando. Seus dedos se entrelaçaram no meu cabelo, me segurando. Com uma vontade intencionada. Escorreguei as mãos pela sua cintura e pelas dobras na sua barriga, tocando cada centímetro da sua pele descoberta. Sentindo o seu corpo pesar contra o meu, sua cabeça apoiada no meu ombro. Nossa respiração oscilava. E nuns beijos cada vez mais fortes, num só movimento, desci meus dedos para dentro da sua calcinha, acompanhando suas curvas até o meio molhado das suas pernas. Grosseria, é.

28 comentários:

  1. Traduz bem, porque eu também já estou de saco cheio de ser educada.

    Ai meus sais! Você ainda me mata, ok?!

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  2. *babando muitooo* COMO È Q VC ME PARA NESSA PARTEEEE T_T
    CONTINUAAAAAAA PELAMORDEDEUS

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  3. Ahaaaaaaaaaaaa....incrivel !!!!!

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  4. hot, hot, hot, adoro *-*
    "caminhar não-muito-bem-intencionada até ela'

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  5. Nussaa senhora, uii arrepiei, rsrs
    continua, continuaaaa.....

    rsrsr muito bom!

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  6. AAAAAH, ADOREI! Finalmente elas tao se resolvendo sem ninguém no meio \o/
    E a Mia vai ser iniciada no lado bom da vida... hahahaha
    Quero mais :)

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  7. meu deus... deixa eu ir lá tirar isso da minha cabeça, que não vai ser tão fácil

    aaahhh adorei demais o post :O

    *-*
    ;)

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  8. Mochi Choco Diz:

    ah paro pq? pq paro? D:
    logo nas melhores partes x3

    eu quero mais meeeel


    melhor blog de todos *--* <3

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  9. "Aí eu disse:
    Tchuruptchru, Tchuruptchru,
    Tchuruptchru..."

    *---------*

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  10. para expressar como eu fico quando leio os posts, vai o comentário do meu irmão, perante à minha atitude: "Andrea, você é boba?" Ai, Guto... se você lesse o que eu tou lendo...

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  11. Parou na melhor prate...
    parece os dias q se acorda no meio daquele sonho maravilhoso...
    continuaaaaa......

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  12. posta maaaaaaaaaaaaais! :x
    fico super nervosa, super na estiga aqui pra saber o que vai rolar HAHHAHAHA

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  13. "estou prestes a me dar tão bem"
    "por mim te comia aí mesmo"

    realmente, saco cheio de educação!

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  14. Eu volto e sinto tudo de novo! Mas a visão muda, a Mia parecia mais indefesa dessa vez - dá até dó dela no elevador nem sei pq - , a Devassa mais calculista e elas duas juntas mais intenso!

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  15. Parar aí não é muito legal, rs. Acompanho o blog há um tempo, resolvi comentar agora... Incrível, escreve super bem e me mantém cada dia mais presa na leitura.

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  16. morri x.x
    quero mais! quero mais! quero mais!

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  17. adoro filmes X-rated
    amo livros X-rated
    adoro poemas X-rated
    adoro uma mulher x-rated
    adoro quando o blog fica x-rated.

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  18. Não sei o que você tem na escrita...que prende tanto a atenção, me esqueço de respirar...cada vez melhor,parabéns!

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  19. acabou O.o . isso é tortura .!! =/

    posta mais .. to adorando ..

    Bjo, tá de parabens!

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  20. agora imagina esse "meio molhado" das coxas da Mia. e a coxa esquerda dela na sua buxexa direita. vice-versa! aquelas loca HAHAHAHAHA

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  21. Mano, uma amiga indicou o blog... (eu viciada pouco que sou) li tudo em 2 dias kkkkkkk, não conseguia parar de ler... foi sinistro, enfim..

    Mel, vc escreve muito bem. Meus parabéns, sério! Deixa sempre o gostinho de quero mais e isso é fascinante.

    Juro que quando crescer, quero saber escrever igual você.

    beijos e tô indicando o blog pra geral =]

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  22. Depois de toda insinuação no elevador a Mia já sabia o que esperar no quarto, fala a verdade! Resolveu dar aquela passadinha na cozinha só pra provocar, né?
    E olha a Devassa com um super autocontrole. Aí entra a famosa frase: “os fins justificam os meios” Ah os finss... hahaha

    Comentário curto só pra esperar o post novo! ;)

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  23. Essa é a Devassa que eu conheço! Adoro! :x

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  24. Que delícia de história!

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