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agosto 22, 2010

Então...

_Você quer falar de outra coisa, não é? – eu perguntei, achando graça no sofrimento dela em me confessar as circunstâncias que permearam o nosso primeiro beijo.
_Nossa, por favor... – ela começou a rir, aliviada.

Olhei para ela e balancei a cabeça, rindo. Concordei. Aí me levantei rapidamente, curvando o corpo por cima da mesa até o outro lado e lhe dei um beijo na bochecha. Me sentei de novo e nós rimos, mais uma vez, ao cruzar nossos olhares. Aquilo me bastava; só aquilo e eu já me sentia mil vezes melhor, mais leve, descomplicada. Além disso, àquela altura, a nossa comida já havia tido tempo de esfriar consideravelmente.

Aos poucos, tornamos a intercalar garfos e colheres com sorrisos e aquele bla-bla-bla extasiado, bobo, gostoso. Meia hora depois e estávamos as duas, na maior cara de pau, implorando tentando convencer o garçom a nos oferecer gratuitamente a sobremesa pela qual nos recusávamos a pagar R$ 14,90 – apesar de, neste caso, com base nas minhas memoráveis experiências anteriores, eu secretamente concordar com a justificativa custo-benefício que ele tentava nos prestar.

Após o nosso inevitável fracasso, pagamos a conta e saímos para fumar – idéia minha, claro – na porta do estabelecimento. O frio havia piorado exponencialmente com o tempo, como era de se esperar, e a Mia pulava na minha frente, reclamando num tom bem-humorado sobre como o vento incomodava sua tatuagem nova. Eu ria, entre uma tragada e outra, achando graça no drama.

_Ôôô coitada, hein... – eu fazia careta para ela, sendo irônica.
_Cala a boca, meu... Essa porra corta! Arde muito, meu! – ela choramingava, exagerando, e depois ria também – não, é sério.
_Sei... – eu ria e colocava o cigarro na boca, olhando para ela.
_Vai à merda! – ela empurrou meu ombro para trás, inutilmente, uma vez que eu me encontrava encostada na parede, observando-a saltitar na minha frente bem no meio da calçada – vai, termina logo aí e vamos embora.
_Mano, é pior andar contra o vento... relaxa, a gente já vai. Você também não acabou aí ainda.
_É, mas são sei lá quantas quadras até a casa de vocês, né... a gente podia já ir agilizando o sofrimento que nos aguarda.
_Espera, você vai para o apê?! Mas o... – me contive, na mesma hora, caindo na real e me arrependendo de ter aberto o bico.
_É, eu... eu... – ela me olhou, conforme as palavras saíam sem muita confiança da sua boca, e lamentou – ...eu prometi. Tinha dito pro Fer que ia passar lá hoje, ele queria comemorar comigo... e aí como o estúdio... era...

Vi ela se atrapalhar para explicar, letra atrás de letra, nitidamente nervosa com o surgimento repentino do assunto, então forcei um meio-sorriso, fazendo um sinal discreto com a cabeça, como se indicasse que entendia e que não tinha problema. Ela se acalmou, parando aliviada de falar, e eu sorri brevemente. Aí abaixei o olhar até as pedras da calçada, tentando disfarçar como podia, sentindo um aperto horrível no peito. Merda. Respirei fundo, engolindo o incomodo a seco, e coloquei o cigarro de volta na boca.

3 comentários:

catarina disse...

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH, EU QUERO MAIS.

Marina disse...

"Amor é um fogo que arde sem se ver"
Olhe como a gente fica e coisas q faz por amor =z

Anônimo disse...

A mia é MUITO sem noção!!!!