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novembro 25, 2010

A tal cafeína

_Ô, gostosinha aquela Mia, hein...

A lasanha quase engasgou na minha garganta. Caralho. Olhei para a Lê em absoluta desaprovação quanto ao seu último comentário e ela riu, bebendo uma cerveja do outro lado do sofá, enquanto assistíamos a qualquer merda na televisão. Como se não bastasse a Marina..., revirei os olhos e voltei a comer, ainda inconformada. Ela já havia terminado e agora se espaçava, despreocupada, em cima de uma almofada.

_Não vai pensando que te dei essa liberdade toda, não, hein... – brinquei, sem tirar os olhos do prato, já quase terminando.
_Relaxa... – ela riu – ...não tô interessada na tua mulher.
_Se ela fosse “minha”, pelo menos... – comentei, entre uma garfada e outra.
_Cara, mas e essa história com o teu amigo? – a Lê se ajeitou no sofá, agora me olhando – o que você vai fazer?
_Não sei... não sei, mano... – lamentei, suspirando.
_Mas você acha que ela não te assumiria?
_Quem? A Mia?! – eu comecei a rir.
_É, ué... vocês não estão saindo aí todo dia?
_Não, Lê... a gente “saiu” – enfatizei, colocando o meu prato vazio em cima da mesinha de centro e me reacomodei no meu canto do sofá – na boa, se eu beijei ela mais de dez vezes esse tempo todo é muito.
_Tá me tirando, né?! – ela me olhou assustada.
_Não, meu, sério. Quer dizer, bom... –  passei a mão na nuca, enquanto contabilizava mentalmente – talvez tenha sido mais de dez vezes. É que, sei lá, é tudo meio complicado, meio mal-conversado... sabe? Não sei nem se tem algo a ser assumido, não sei o que ela pensa disso tudo.
_Mas, vem cá, você já...? – ela me olhou, com segundas intenções.
_O que?
_Você sabe.
_Se eu comi? – eu ri de novo e a Lê confirmou com a cabeça – Que foi, meu? Decidiu economizar palavrão?
_Ah, sei lá, porra... tô tentando ter respeito.
_Sexo não é falta de respeito – argumentei.
_É, só que você encanou com o meu “gostosa” não faz nem dois segundos, né... Quer dizer, de agora em diante, só me refiro à sua garota como “vossa senhoria”.
_Babaca! – joguei uma almofada nela, rindo.
_Tá – ela ignorou o ataque e continuou, interessada – mas, e aí?
_Comi – respondi, sem fazer grande caso –, comi duas vezes.
_E ela? – seguia, curiosa, me encarando como se eu soubesse do furo do século.
_Ela, o que? – perguntei, dando uma de desentendida.
 _Mandou bem? Tipo, ela nunca tinha dormido com uma mina antes...  ou tinha?
_Não, eu fui a primeira – enrolei.
_Então, meu... deve ter sido, sei lá, estranho... não? Não foi uma merda?!
_Não – eu ri – Lê, na boa, não tinha nem como ser uma merda. Cara, foram meses... meses, mano, de preliminares; só olhando ela e imaginando... tem noção do que é isso? Meu, quando chegou a hora... eu estava subindo pelas paredes. Bastava ela encostar em mim! Nem isso! Porra, eu nunca estive tão fácil... – suspirei, brevemente, com calor só de lembrar – E fora que... ela, também... – me incomodou um pouco, sei lá; nunca fui de dar muito detalhe dos meus casos – ...meu, ela é... – pensei com cuidado – ...“intensa”.
_Intensa?!

A memória da noite que passamos juntas voltou, de repente, vívida e indecente, à minha cabeça. A nossa sincronia, o calor que transpirava de mim e dela, o jeito bonito como a Mia se contorcia em mim... puta que pariu. O nosso ritmo parecia correr novamente pelas minhas veias, mesmo sentada ali, sem ela, na sala.

_É que... sei lá, nós... nós não nos largamos um segundo. O tempo todo sentia as mãos dela me apertando, amassando o corpo dela contra o meu, sentindo cada movimento que eu fazia... tão... sabe... compenetrada naquilo. Nossa, foi impressionante – suspirei, passando a mão na cabeça – e ela me beijava com tanta vontade, Lê, acho que não teve um centímetro de mim que a boca dela não percorreu e vice-versa. Sério, meu... perdi a conta de quantas vezes me faltou ar.
_Pára, mano... eu tô quase suando aqui só de assistir você falando dela!
_Tonta... – eu ri.
_“Tonta” eu, é? Precisava ver só a sua cara... aí, toda derretida pela mina, morrendo de tesão.  
_Qual é?! Você não pediu para eu contar?! – me irritei, de birra.
_Pedi, pedi... – ela riu.
_Na boa... – olhei para a Lê como se fosse lhe confessar um segredo – ...ela é máximo. Ela... ela pode não ser nenhuma... digo, não ter  aprendido tudo... ainda... mas, cara, ela... ela é demais.
_Ai, ai... “É o amooor...” – ela começou a cantar, rindo, só para me provocar – “...que mexe com a suuua cabeeeça e te deeeixa assiiiim...”.

E, claro, sucedeu-se o segundo ataque violento de almofadas.

9 comentários:

Guíh Romano disse...

Coisa már linda ela contando os detalhes, o quanto ela acha a Mia o máximo, dá pra imaginar a cara dela! Cada dia mais e mais apaixonada por essa história linda!
Mel, meus parabéns!

Dê disse...

Caraaaaaaaaaaaca, Mel... super entendo a situação da Devassa, geral fica anojando querendo saber de detalhes e qndo contamos tiram sarro... imagino o quão linda foi a transa delas, sexo por si só já é bom e qndo rola com quem amamos então nem se fala... adoro essa energiaaaa kkkkk

Anônimo disse...

Imaginei BEM as duas juntas... ai ,q calor. *-*

Ianca' disse...

Aaah Devassinha toda apaixonadinha contando os baphos e ainda zoam ela, típico kkkkkkkkkkkkkk
Detalhar é o que á, imaginei a carinha dela, um pouco de gagueira, tentando encontrar palavras certas...
Aaaaah poxa, eu amo demais a FM ♥
ótimo post, gerra de almofadas me lembrou a Morango e a Cacau :S
era a cara delas hahahaha
beijo ;*

Nah disse...

mew eu não tinha percebido que tava tão quente aqui,hahahaha

R. disse...

nao consegui ser a primeira hoje :(
tava na paulista com uma amiga haha
mas ao comentario...

almofadas vem mto bem a calhar em certas situaçoes e é exatamente por isso q eu evito dar detalhes. As pessoas pedem, vc conta e aí dão risada ou reclamam...

Monica disse...

PQP...conversa decenteee ;)

vms pro prox pq taah oteemo hj!

#significa

francielli# disse...

cara cada vez mais me apaixono pelo fuckingMia .. a tua riqueza dos detalhes é coisa de outro mundo .. faz a gente entrar na história junto .. mto bom ..

Rayssa disse...

Ui é assim? entao neah ,ei Mia,vemk?