dezembro 15, 2010

Conforto antigo

A Consolação estava absolutamente parada. Nenhum automóvel andava e o Fer começou a ficar nervoso com aquele trânsito improvável num domingo à noite. Repetiu mil vezes, paranoico, sobre como tinha uma blitz imaginária mais para frente na Av. Dr. Arnaldo e como ele ia, porque ia, perder a carteira. “Dá pra você relaxar, porra?!”, eu me irritava com ele e nós dois discutíamos num tom amigável mais alto do que o rádio barulhento do carro. Depois de muita encheção, me dei por vencida e tentamos ir por dentro para fugir do trânsito. Aí nos perdemos. Merda.
 
Quando finalmente notei que estávamos perto da padaria que a Marina ia, guiei o Fer pelos últimos quarteirões, tentando fazer o melhor que podia com a minha memória de pedestre. Após duas ou três viravoltas, meio-perdidos, enfim acertamos a droga da rua. Desci do carro e o Fer me desejou boa sorte. Não posso te desejar o mesmo, encarei-o com a porta ainda nas mãos e certo peso no coração, em pé do lado de fora. No fundo, eu não queria que a Mia visse o Fer – não queria que ficasse tudo bem, não queria que ela desse bola para o seu ato bêbado de ir lá acertar as contas com ela. Não queria e me sentia um lixo por isso. Sou a pior amiga do mundo, pensei, batendo a porta do carro, com raiva de mim mesma. E caminhei até a portaria da redação onde a Marina trabalhava.
 
Salas de espera de prédios comerciais são sempre tão desconfortáveis – seja por culpa das cadeiras ou do silêncio irritante que as habita. E lá estava eu, sozinha, sentada há mais de vinte minutos numa. Me tornando progressivamente impaciente. Domingos eram um inferno em São Paulo, aquele “nada” todo e aquela calmaria que contaminavam os muros pichados e as paredes de concreto não combinavam com a cidade. Ah, que se foda, tirei o maço do bolso e acendi um cigarro, já inquieta, encarando propositalmente o aviso de não fumar estampado na parede daquela recepção vazia do caralho.
 
E claro, logo no minuto seguinte a Marina saiu do elevador.
 
Fez a cara mais feia do mundo ao me ver ali, desrespeitando a ordem pública, e eu apaguei o cigarro imediatamente nas pedrinhas de um vaso ao meu lado. Com toda a boa intenção do mundo, juro – mas tudo que conquistei foi mais um olhar reprovador à distância. Observei ela vir na minha direção. Parecia um pouco melhor, mais calma, mas a sua expressão escondia um cansaço angustiado por trás daqueles óculos pretinhos dela. Eu te conheço, garota.
 
_Ei, como você tá? – perguntei baixinho, conforme a abraçava e ela me segurava de volta, demoradamente.
 
Não disse nada. Por segundos a fio só nos abraçamos, apertadas, de um jeito reconfortante mesmo para mim – que não tinha nada além da possibilidade de um entendimento entre o Fer e a garota que eu amava para ser reconfortado. Mas né. Nos seguramos ali até ela se soltar de mim e murmurar um “vamos pra casa”, já pegando as chaves numa sacola de pano, naquele piloto automático emocional pós-horas de choro. A Marina sempre foi muito sensata, racional, e eu sabia que ela não devia estar muito satisfeita consigo mesma por ter desmoronado ao telefone. Algumas garotas fazem isso com a gente e tudo bem, queria lhe dizer. Mas só segurei a sua mão e ela me olhou, por instante. Então suspirou.
 
_É um saco, né?!
_Sempre é – respondi – Mas sempre passa também, Má.
 
Ela abaixou a cabeça, sem querer demonstrar o quão triste realmente estava. Aquele era o seu jeito. Fomos o caminho todo até a sua casa em silêncio. Chegando no apartamento, ela logo jogou a bolsa no sofá e foi até a cozinha “preparar um chá”. Perguntou se eu queria e quando eu disse que não, ela se dirigiu para o outro cômodo – mais para ficar sozinha por uns minutos do que pelo chá em si.
 
Voltou pouco depois. Sentou-se ao meu lado, afundando-se contra o encosto e segurando a caneca cheia com ambas as mãos. Respirou fundo. Ainda quieta, deixou o olhar e o pensamento irem longe, encarando a fumaça que saía do chá, sem dizer nada. Coloquei os pés apoiados contra a sua mesinha de centro, afundando-me também ao seu lado. E assim ficamos por uns bons minutos. De tempos em tempos, a Marina levantava a caneca lentamente até a sua boca, a assoprava e dava um gole. E eu observava-a se mover, ali, sem vontade alguma de existir. Os seus olhos se enchiam de lágrimas, silenciosamente. Aquilo me partia o coração. Voltou a caneca sobre as pernas e então deslizei a minha mão até a sua, entrelaçando os meus dedos nos seus.  Que merda, né?

24 comentários:

  1. Putz... sempre passa. Mas dói =[

    Ai gente, que vontade de dar colo pra Marina o.o

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  2. Ainda pouco eu disse no Twitter:

    Ainda bem que bons amigos são a melhor coisa do mundo!

    Criss Hush

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  3. Nhaa, espero q a FM se controle e mantenha seus pensamentos na mia e longe da marina, nessa noite ela nao pode ser nada mais do q um ombro amigo pra ela
    *abraça marina*
    Bjs mel:*
    Ps: ca estou eu fazendo loucuras via blackberry de novo haha

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  4. Coitada da Marina
    Mas cadê a Miaaaa ? :'(

    Blog FAN-TÁS-TI-CO ! Parabéns :)

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  5. Acho linda também a amizade FM e Marina. Mais linda que a com o Fer, claro. Mas não acho que seja só amizade... Tem coisa que parece que nunca acaba de verdade, vai entender.
    Mas acho que ela tem que se comportar, a FM. A Mia tá quietinha, eu espero, e a Marina já tá perturbada demais.
    Quero mais!!

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  6. É tão bonitinho como ela se importa com a Marina, como mesmo sem palavra nenhuma elas com certeza sabem o que a outra ta pensando. A amizade delas é demais.

    Saudades da Mia já hahah

    Pots ótimos pra variar, adoro essa riqueza de detalhes! Beijos

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  7. Putz... sempre passa. Mas dói =[ +1

    Eu não acho que a FM tem que se comportar coisa nenhuma. Acho que ela tem que ficar com a Marina e ver que ainda mexe com ela. AAAAAAAAAAH, sei lá. AUSDHIAUSDHAS. Sinto que ainda vai ter muita história dessas duas pra contar.

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  8. Amigo que é amigo não precisa dizer nada, ficar falando palavras de consolo e etc. A presença é o mais importante.

    E a Devassa sempre infringindo as regulamentações de não fumar... Adoro! hahahaha

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  9. Pra que falar?
    muitas vezes precisei só da presença de pessoas que amo pra me sentir melhor, me sentir segura.. *-*
    Quero mais Mel poxinha ><, muito saudade da Mia nesses posts, muita saudade, ela tá doente é? vai ter que esplicar isso *rum

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  10. Queria muito que essa história fosse real! Queria vê (fisicamente) a marina nessas horas..
    apesar de encontrar tantas outras por ai no dia-a-dia =D

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  11. Mel, quer me matar nessa espera looooooooonga?! :( Mas foi bom acordar cedo e, como rotina, vir aqui conferir e encontrar mais alguns posts! *-*

    E que liiiiiiindo... >< adoro a Marina, e está me partindo o coração 'ver' ela assim, poxa :/ E a FM pelo menos dessa vez, tem que esquecer a Mia... Por uma noite! u.u

    Como sempre, está maravilhoso o seu blog!

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  12. Fiquei o FDS sem net e hj venho aqui e o Blog já fez 1ano??!!
    Parabéns.. suuperr Atrasado!! ^^

    Voltando ao post.. Coitadinhaaa da Marinaaa!! Ainda bem que ela tem a FM pra consola-la.. =D
    Eu só espero que a Devassa não ultrapasse o limite, Pq neh.. huahauhauh

    P.S.: CadÊ a Mia Gostosa??!! *__*

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  13. quero que a FM pegue a Marina, só uma vezzzz, vai Mel :(

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  14. To chorando com esse "sempre passa". Não aguente. =~

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  15. Putz... sempre passa. Mas dói =[ +1

    ai mel, essa semana inteira sem posts foi tipo desesperadora D: hahaha
    mas by the way, parabéns pelo 1 aninho e que venham muitos ainda *-*
    e eu posso ir junto com a FM bater na ex da marina? posso né? oba :D hahaha
    beijo

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  16. Tá bom que a Marina é a maior gracinha mais Putz kd a Mia ...É tão tão aiii a FM e a Mia juntinhas tó c/ saudades.

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  17. Putz... sempre passa. Mas dói =[ +2

    Own, espero que a Marina fique bem logo logo e que a FM a ajude de verdade, seja como for que ela vá fazer isso. hahahah

    Blog lindo ♥

    P.S. Sinto falta da Mia também. :(

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  18. FM linda né, nhaw. Eu aposto que elas vão se pegar. E isso seria bom. Eu acho, hm. AUHAUAHUUAH

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  19. meu... é foda isso neh??

    eu me sinto mal sempre, quando eu sou a consoladora e quando eu sou a consolada...
    tsc tsc

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  20. Psss todas contra a Bia? Então terei que defender a pobre, se ate os nardoni’s e o Bruno tiveram direito a defesa pq a Bia não teria?
    Ou,super concordo com ela,o único erro dela foi terminar por MSN,mas vai? Por mais bizarro e insensível que isso pareça,já é uma coisa normal nessa era virtual,terminar por MSN,e-mail ate sms rs
    Ta todo mundo vendo pelo lado da marina sofredora e Devassa “A” super amiga mimimi,mas ninguém ta vendo pelo lado da bia,poxa,marina seeeeeempre corria quando a amiga e EX namoradinha chamava.Vai?quem não teria ciúmes?E nem adianta falar que da ultima vez ela negou ir ao encontro da Devassa,pq uma recusa não justifica centenas de idas,e outra,a questão em si não é nem a devassa,é a disponibilidade da Marina pra atender a ex,mesmo que sejam só amigas agora,ainda assim. E tipo,ta nos sabíamos que não rola nada,mas ela não sabe,que nem a mia que ficou levemente enciumada,e a bia não sabia que ela a pediria em namoro e blabla, só digo que, Bia to com vc *-* se a Devassa te bater eu te levo pra dar DP humpf u_u
    #TeamBia
    #TeamMia
    #TeamClara #VoltaClara

    IPC: eu sei que escrevo muito,nao consigo eitar =[ damn!

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  21. esse é o momento em que eu falo o que não pode acontecer: a Marina não vai perceber que gosta mesmo da FM e elas não vão se pegar. entendido o recado? better now. qualquer dia eu te ligo sem querer de novo, mas espero ouvir uma voz mais saudável, tá?

    beijinhos =*

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  22. uui
    a marina é a minha favorita!
    mas é MINHA! ahahhaha
    a FM pode ficar com a mia.

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  23. Concordo com a Rayssa! Cara, a Bia não tava afim, pô! ;P

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  24. cadeiras são boas, o silencio e a espera q fazem das salas desconfortáveis ;D

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