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dezembro 15, 2010

Tendência à estupidez

A Consolação estava absolutamente parada. Nenhum automóvel andava e o Fer começou a ficar nervoso com aquele trânsito improvável num domingo à noite. Aí repetiu mil vezes, paranóico, que devia ter uma droga de uma blitz imaginária mais para frente ali na Av. Dr. Arnaldo e que ele ia, porque ia, perder a carteira. “Relaxa, porra!”, eu me irritava com ele, bêbada, e nós dois discutíamos amigavelmente (ou quase...) a um tom mais alto do que o rádio barulhento do carro até que eu o convenci a ir por dentro do bairro.

_Tá. Mas o que rolou com a Marina, afinal de contas? – perguntou, agora já mais calmo, conforme entramos numa rota alternativa segura.
_Ah, mano... Uma filha-da-puta imbecil terminou com ela – acendi um cigarro, revoltada, e abri a janela para deixar a fumaça sair.
_É, isso deu pra sacar pela conversa... mas elas tavam namorando?
_Não, mas é como se fosse já... – disse e dei um trago.
_Ahn. Achei que você que estivesse com ela... – ele riu.
_Fer, cala a boca, claro que não. É a Marina, porra!
_Ué, e daí?!
_E daí que... que não, oras. Eu não pego a Marina.
_Ah, vai saber... vez ou outra a Rô aparece lá em casa, vem a Lê "visitar".
_Eu não peguei a Lê... – repeti, tragando novamente, já cansada da milésima insinuação a respeito só naquele fim de semana – ...e com a Roberta eu nunca namorei. Eu só, tipo, pego ela de vez em quando. Não tem nada a ver com o meu lance e da Má.
_Sei... – ele riu – ...mas, e aí? O que você vai fazer lá com ela?
_Conversar, sei lá, tentar animar ela um pouco. Não sei... Na real, queria que ela me desse o endereço dessa garota aí para eu ir lá bater um papo com ela – ironizei, nervosa.
_Bater um papo ou só bater? – ele continuou rindo, achando graça.
_Nossa, se eu pego essa vadia... juro, não sobra nada.
_Violência, garota, não resolve naaada – me provocou.
_Falou o que sempre resolve tudo com palavras, né... – eu ri da absurdíssima cara-de-pau do meu melhor amigo – ...e fora que a minha intenção não é resolver essa porra. É só dar umas na cara daquela vagabunda. O que eu preciso resolver é a cabeça da Marina, isso sim; a outra que se dane... podia morrer que não ia fazer falta.
_Ihh, já tô até vendo os coxinhas me acordando três da matina pra te buscar na DP com um olho roxo... – ele se divertia comigo.
_Você acha, meu... a Má nunca ia me passar o endereço da garota – eu ri – ela não é tão idiota. Nem tão vingativa assim. Fora que, né, vai saber por que motivo, mas ela gosta da menina... ela tá mó mal lá, não vou ir e piorar tudo, né. Ah! E outra coisa, viu... – traguei mais uma vez, orgulhosa – ...quem ia estar com o olho roxo não ia ser eu.
_Ah, disso eu não duvido... – riu.

Ok, admito. A idéia, mesmo que improvável, de colocar aquela anta sem tamanho que havia feito a Marina chorar em seu lugar, de fato, me entretia. Mina escrota, pensei, vingativa. E, então, notei que estávamos perto. Guiei o Fer pelos quarteirões seguintes, tentando acertar o caminho, enquanto as vias de mão única não colaboravam com a minha memória de mera pedestre. Após duas ou três viravoltas, meio-perdidos, enfim acertamos a droga da rua.

Desci do carro e o Fer me desejou boa sorte em ir consolá-la. Não posso te desejar boa sorte de volta, encarei-o com a porta ainda nas mãos, com certo peso no coração, em pé do lado de fora. No fundo, eu não queria que a Mia visse o Fer. Não queria que ficasse tudo bem e que ela desse bola para o seu ato bêbado de ir lá acertar as contas com ela. Não queria e me sentia um lixo por isso.

Ótimo, eu sou a pior amiga do mundo, pensei e revirei os olhos, conforme batia a porta do carro, com raiva de mim mesma. Me virei e apaguei a bituca do cigarro no asfalto, caminhando até a porta do prédio onde localizava-se a redação na qual a Marina trabalhava.

7 comentários:

R. disse...

Confesso que a ideia de ver a FM batendo na infeliz que deixou a marina triste seria interessante :x
Mas oq eu realmente espero é q a marina fique bem logo, eu gosto da personagem dela
E tbm espero q o fer e a mia nao se resolvam tao logo assim :x
Bjs e melhoras mel :*

Cris Ferreira disse...

"As vias de mão única não colaboravam com a minha memória de mera pedestre" .. Super me identifiquei xD

Amanda disse...

Own, gosto tanto da amizade FM e Fer. Mas sempre tem mulher no meio pra atrapalhar, que infortúnio. Se ele não tivesse sido tão idiota a ponte de trair a Mia, eu até torceria pra eles ficarem juntos e a FM com a Marina. Mas aí a história se bagunçou e eu nem sei o que quero mais, vamo ver...

Pri Araújo disse...

Marina, por favor, passe o endereço da Bia pra Devassa.

Bom, será que a Mia vai querer ficar bem com o Fer? Eu tô ansiosa pra saber como foi a conversa deles, isso sim.

Agora vou pro próximo post...

Ianca' disse...

A FM agora tem um rosto, isso é um avanço para a minha imaginação, podem crêr *-*
Queria tanto ver ela batendo em nessa mina, cuspindo na cara, xingando, ia ser excitante...
Confesso que quero ver a Mia correr um pouco, ela bem que deveria ter um remember com a marina #prontofalei
Indo pro próximo ;*

Clara disse...

Mel, acabei de entrar como quem não quer nada no perfil "da FM" (o dono do blog) E li o que tu escreveu nos "interesses".. sério, demais! Não sei como tu consegue pensar nessas coisas, nesses detalhes, mas dá pra ver ela pensando exatamente assim, afinal todas nós acabamos conhecendo bem a fundo a cabeça dela heheh... vim falar isso porque fiquei impressionada mesmo, muito bom, adorei! beijos

Marina disse...

mas alguem alem d mim (mesmo q inexistente), tem problema com a mão das ruas pro andar a pé (YYY)