Ainda assim, a ideia não saía da minha cabeça.
Argh, não. Nem pensar. Eu é que não ia
enlouquecer por culpa daqueles dois mal-amados. Me recusava, que se fodam.
Eles e as suas teorias de merda. É, chega, decidi – e
aí passei a noite atormentada pela quantidade de vezes que a Marina acertara antes
sobre a minha vida amorosa. Tentei jogar um pouco de videogame com o Fernando
para me distrair, me convencendo entre uma pista e outra de Mario Kart de que a
Mia não tinha influência alguma em quem eu queria ou deixava de querer. Isso
é ridículo, eu revirava os olhos. Eu já superei essa merda.
Lá pelas duas, o Fer foi dormir e eu segui ali sozinha. Essas eram,
afinal, as minhas primeiras “férias” em muito tempo – se não contar os três
dias lá para meados de dezembro em que eu simplesmente não apareci no trabalho porque
estava a 100 km de São Paulo fodendo a Dani na casa dos pais dela em Campinas. Um
pequeno deslize em meio a uma fossa colossal, esta, sim, impulsionada na
época pelo meu coração partido pela Mia.
Mas agora eu já tinha superado. Águas passadas.
Acordei pouco depois das 14h no dia seguinte com a cara amassada
no sofá e saí correndo para chegar a tempo no exame admissional, nas redondezas
da praça da Sé. Merda. O calor
abafado que impregnava o ar paulistano me deu uma dor de cabeça, conforme eu
balançava naquele metrô suado – mas cheguei, intacta e a tempo. Ufa. De lá, fui direto ao meu antigo trampo,
resgatar a carteira de trabalho que tinha deixado para assinarem.
A Patti me enviou uma mensagem enquanto eu estava na linha verde e
eu só li uns quarenta minutos depois, quando terminei de assinar toda papelada
e saí do estúdio. Por algum motivo, agora, eu não conseguia a responder. Filhos-da-puta.
O Fer e a Marina estavam fodendo com a minha cabeça. Caminhei pelas ruas
estreitas da Vila Madalena e o calor começou a me irritar, baixando minha
pressão. Minha mente dava voltas na Patti. Num bloqueio emocional estúpido. Comecei
a pensar que estragaria tudo e senti a respiração apertar o meu peito.
Não sabia por que gostava assim dela, com tanta facilidade – mas a
verdade é que, sim, gostava. Com Mia ou sem Mia. Peguei então o celular
e disquei para ela, tirando os fones de ouvido. I really hope my new star doesn't
turn to dust, o som do Those Dancing Days se afastou. Em poucos instantes, ela atendeu e eu
sorri. Parecia feliz em me ouvir, ali, competindo com o tráfego de ônibus e
carros barulhentos que se enfileiravam na hora do rush.
_E aí, já desistiu do nosso encontro hoje?
_Olha, estranhamente não... – a Patti riu, do outro lado da linha.
_Olha, estranhamente não... – a Patti riu, do outro lado da linha.