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maio 15, 2013

Last day of magic, where are you?

Instantes depois, a Marina surgiu na porta do apartamento para avisar que tinham ligado da portaria. O Fer desceria logo em seguida – para tirar o carro e voltar a Santo Amaro. Graças ao meu descontrole emocional, eu estava agora em maus lençóis. Pior do que começara. Tinha que lidar com um amigo ultracompreensivo pelos próximos dias, tentando compensar o mau que não havia me causado para começo de conversa. Como eu consigo me pôr numa destas? A atenção dispensada comigo pelo Fernando me fez sentir ainda pior quanto ao rolo todo com a Mia.

Ela, por sua vez, sumiu. Por algum tempo, pelo menos. Duas manhãs após a ida dele ao apê, enviei um SMS para ela do trabalho. Estava descansando ao lado do galão de água – que eu e o estagiário, com muito esforço, fracassamos em colocar na máquina sem encharcar o resto do cômodo –, quando então decidi lhe escrever os meus anseios. Algo breve como: “O Fer foi lá anteontem. Me senti mto mal, a gnt precisa resolver essa merda...”. Toda a minha delicadeza foi, claro, ignorada. Três ou quatro dias depois e ela ressurgiu, de repente. Me ligando. Eu estava no supermercado, aquele do shopping Frei Caneca, junto com o Du, fazendo as compras para a casa.

_Posso ir te ver?
_Como assim? Você quer conversar? – perguntei distraída, me curvando sobre a seção de enlatados.
_Não. Não quero conversar. A gente não pode deixar isto de lado um pouco?! Eu só quero te ver, porra.
_Mia, eu... – suspirei, olhando na direção do Du, que fez a sua melhor cara de “mais um drama sapatão”; o afugentei com uma lata de milho que segurava em mãos – ...olha, eu também quero, eu tô louca te ver. Mas eu realmente acho que a gente devia esperar, sabe. Decidir as coisas antes...

Os créditos pelo meu recém adquirido discurso (“maduro”) eram todos da Marina. Na noite de sábado, ainda no apê, ela me disse exatamente – palavra por palavra – o que eu devia falar caso sentisse vontade de ver a Mia. E naquele instante, eu sentia. Puta merda. Ela desligou pouco depois, me garantindo que entendia, mas soou rancorosa com a minha firmeza no assunto. Parte de mim se contorcia, eu a queria aproveitar antes que se decidisse de vez pelo Fernando. Vê-la todos os dias, que se dane, confusa e sem tomar qualquer decisão; como sempre fora. Deixar passar. Fazia quase uma semana que eu não a via – nem ela e nem mais ninguém. Gastara minhas noites no Skype com o Fer, tagarelando com o coração ainda doído, ou praticando arremesso de amendoim na sala com o Du. Enchemos um sofá e o chão inteiro antes de acertarmos a boca um do outro.

Mas não cedi. E tão logo já era sábado novamente. Me encontrei com as meninas no Clube Flamingo, umas quadras acima na Augusta. Vieram a Lê e a Marina, inclusas no pacote; a Ana, a Flavinha, a Ju e também a Camila, que chegou um pouco mais tarde.  A última vez que as vira eu estava com a Clara, na casa da Lê e da Ana. E tive certo receio de ter que me explicar, agora sem ela – mas logo notei que a Marina já se encarregara daquilo. Não disseram nada. Apenas me olharam com aquela expressão de “sinto muito, cara!” ao me ver entrar. Foi bem pouco confortável. Podia ouvir, entalado, nos lábios da Lê – “como você foi deixar aquela garota escapar?”. Argh. Pensar na Clara ainda me machucava.

Estavam ali sentadas, na varanda do segundo andar do Flamingo. O clima moderninho e levemente sapatão do bar se traduzia na clientela ao nosso redor. Assim que pedi um dos famosos hambúrgueres da casa, a Marina se aproximou do meu ouvido e me confidenciou, por cima do ombro – “a Vivian falou que vem!”. Ela queria que a bola da vez nos conhecesse. Ficava explicada, agora, toda a atenção que a minha ex dera ao seu celular nos primeiros vinte minutos em que ficamos ali. Isto mudava tudo. Não que eu tivesse ciúmes da Marina em si, eu achava ótimo que ela estivesse transando e amando e o que fosse com outras mulheres. Eu tinha um problema era com o seu coração desprotegido, isto sim. E vê-la gostar de alguém não era fácil para mim. Eu ficava automaticamente na defensiva.

A garota chegou nem meia hora depois e logo me ajeitei na cadeira:

_Oi – ela disse, com seus ares de advogada, meio careta como a Marina era –, tudo bem? – sorriu; tinha os cabelos claros e castanhos, quase na altura dos ombros.
_Prazer – a cumprimentei no rosto.

O inquérito todo durou cinco minutos. E rapidamente as garotas acharam algo novo sobre que fofocar. A Marina se encasulou num canto a meio metro de mim, com a Vivian, e de lá não saiu mais. Trocavam cochichos, o tempo todo, e se beijaram numa ou noutra ocasião. Então o meu bolso vibrou. Tirei o celular para fora e era uma mensagem da Mia: “Vc tá no apto?”. “Não”. E ela logo retornou: “Mas tá perto da Augusta?”. Não ousei responder. Cutuquei a Marina com o pé, que agora se entretia mais adiante com a atual companheira de idas e vindas amorosas, e  ela me olhou. “A Mia está me chamando”, anunciei meio hesitante.

_Fala o que eu te falei pra falar naquele dia...
_Quê?! – a Vivian riu da frase, sentada ao seu lado.
_Eu já disse tudo aquilo...

A Marina me lançou um olhar materno – “então, já sabe, né?”. Argh. Respondi o SMS, perguntando por que ela queria saber. E a Mia disse que estava à toa na rua ao lado, sozinha. “Sem nada para fazer...”. À toa, sei, num sábado à noite – arqueei as sobrancelhas. Ninguém sai sozinho assim, não para vir à Augusta. Muito ardilosamente, aquele pedaço de mau caminho tentava me corromper – e para ser sincera não precisava muito mais do que isto. “Onde vc ta, fala vai?”. “E como vai o namoro?”. “Deixa de ser besta! Fala!”. “Ñ, porra!”.

A minha insistência a fez calar por algum tempo e me vi, de repente, sozinha – a Marina “ocupada”; Flávia e Ju iniciando uma DR na porta; a Lê e a Ana em sua dinâmica própria, falando asneiras; e a Camila concentrada no seu lanche, um hot dog gigantesco –. Fiquei olhando para a tela do celular e esperando, ali. Nada. Minutos se passaram até que eu escrevi: “cara, vc é cruel...”. “Eu??”, ela logo retornou, ressurgindo das cinzas. “Me diz, pra q mexer com quem ta quieto?”. “Rs rss, é q tava pensando em vc...”. “Sei”. “Ce nunca acredita, ne?”. “Ñ, rs”. “Me conta onde vc ta, vai. Eu vou ate ai :)”. Podia sentir o nome do bar já formigar nos meus dedos, querendo lhe falar. Droga. Cutuquei mais uma vez o pé da Marina.

_Mááá – choraminguei, como se lhe pedisse permissão –, ela quer vir aqui, meu.
_Flor, cê sabe que não é uma boa.
_Mas eu quero ver ela, porra...

A Marina deu então com as mãos para cima, abdicando-se da responsabilidade dos meus atos. “Tá”, respondi para a Mia, ansiosa, “mas sério a gnt ñ pode ficar!!”. “Prometo”. “É SÉRIO!!”. “Ok”. “Msm. Vc precisa resolver as coisas antes com o Fer, meu...”. “Tá, kct!”. “Só vou fzr isto pq mto qro te ver, mto”. “s2 Qto ta pra entrar ai?”. “20 consuma”. “Ok”. “Mas ñ tô de brincadeira, Mia. Somos só amigas hj”. “Fala logo”. “Affe, olha lá, hein...”. “Eu vou te matar. FALA!”. “E qro conversar com vc tb, saber oq vc pensou esta semana...”. “Sem bad hj, na boa”. “Mia, ñ é isto, vc sabe...”. “Zzzzzzzzz... deu até sono!”. “Eu to falando mto sério!!”. “Velho... PQP”. “Que?”. “Me lembra de te dar uns tapas qdo chegar ai? FALA LOGO ONDE CE TA!!”. “Ta, ta. Tô no Flamingo”. “Aleluia, hein. Chego ai em 10!”.

Em quinze minutos – e não dez –, ela surgia da escada do bar. Em um shorts jeans meio rasgado e irrecusável.

32 comentários:

TekaSak disse...

S2

Anônimo disse...

aiii ñ.. sinto q o blog ta prestes a acabar :(((

Anônimo disse...

fica, mia e fm <3333

Anônimo disse...

Mas essa Mia é mesmo muito pilantrinha, né?! Hahaha!

Ju disse...

Gostando tanto dessa última, nova fase que elas estão.

Anônimo disse...

in love com essas duas. s2

Anônimo disse...

The Kills e Alison Mosshart são demais pro meu pobre coração! S2

Anônimo disse...

Que troca de msgs fofaaaa! HahahaHahah

"Em um shorts jeans meio rasgado e irrecusável"
Será que a FM vai resistir? ??

Anônimo disse...

isso vai durar até a FM ver a Clara em algum barzinho por ai, certeza.

Marta Campos disse...

nada melhor que ler o post ouvindo o album todo do the kills.. haha

francielli# disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

ai essas sms :3

francielli# disse...

Senti uma tentaçao nesse irrecusavel <3 a FM nao vai resistir bravamente..

Anônimo disse...

Ai... esse post, parece me descrever... Ameeei!

Ianca' disse...

"Aleluia, hein" hahahahahah Ai que gracinha, achei bonitinho a troca de sms's... Mas não sei o que pode rolar, o improvável seria o que?

Anônimo disse...

pq ela n larga o fer logo?

Sabrina disse...

"Em um shorts jeans meio rasgado e irrecusável." Aiai essa Mia.

Anônimo disse...

Mia <3

Pathy disse...

Cara, tanta mulher junta é uma benção! <3

E lá vem coisa boa por aí.. hehehe

Anônimo disse...

Ahhhhhhhhh ♥ ♥

Anônimo disse...

que inédito esse diálogo delas nas msgs. =) achei diferente. agora pó pará de palhaçada, FM. Vc sabe q nao vai conseguir resistir ao short. ("shorts" é coisa de paulista! =P )

.* disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Aaaaaah, amei, amei, AMEI!
Coisa linda essa troca de msgs, fofas demais.
Go Mia!

Anônimo disse...

Argh! Fodastico!!

Anônimo disse...

QUE LINDAAAAAAASSSSS

Anônimo disse...

por que dois comentários foram "removidos pelo autor"?

( the girl fucking Mia ) disse...

A pessoa provavelmente apagou, às vezes eles vêm duplicados! Não sei. Não fui eu :) hahaha

Anônimo disse...

Mia sabe fazer qualquer um cair de amores por ela, até a mim que sou teamClara. Adorando! Quero ver todas as meninas babando quando vê-la.

Bruna disse...

Por SMS é mais fácil recusar... mas agora já era! hahaha...

@livia_skw disse...

Um dos comentários apagados era meu! Publiquei com o perfil errado, haha, desculpa.

Então, a Mia tá com muita desenvoltura né? Indo pra boteco cazamiga sapatão da FM, hahaha...

Anônimo disse...

"We're two parties, two parties ending" Acho que é uma mensagem subliminar logo no começo hahaha.
E por favor, The Kills ♥

Anônimo disse...

Bom, bom, bom...
Acho que está muito na hora de examinar mais de perto o tal shorts irrecusável, não é?
Aguardando o próximo post.