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maio 23, 2013

No terraço

_Difícil, hein... – ela sorriu para mim, em intimidade.

Eu desviava de um último grupo de pessoas para conseguir chegar até onde a Mia estava, ali perto do bar e entre as transeuntes moderninhas. A minha mão a segurou inconscientemente pela lateral do pescoço, entrelaçando os meus dedos no cabelo em sua nuca, num beijo sem comedimento no seu rosto. A minha pele parecia procurar a dela – acho que é o risco que se corre quando acostuma-se a tocar alguém assim, como nós perigosamente o fizemos nas semanas que se antecederam ao Flamingo. Repetidas vezes, na minha cama e nas paredes do apartamento.

_E aí? Demorou, pô. Estava perto mesmo ou tava em Higienópolis, querendo me ver? – brinquei, com uma autoconfiança metida.
_Ai, besta. Estava do outro lado da Bela Cintra, na casa de uma amiga.

Revirou então os olhos para mim e a minha descrença e eu franzi as sobrancelhas – “aham!” –, fingindo acreditar. Nós rimos. Ela estava bonita, tinha os cabelos presos numa trança lateral longa e com alguns fios soltos.

_E você já tinha vindo aqui?
_Acho que não.  Ei, aquela ali não é a sua ex? – a Mia olhou sobre o meu ombro e eu me virei, encontrando a Marina a metros de nós, fofocando com as outras na varanda; todas elas olhavam em nossa direção, sem sequer disfarçar o "assunto".
_É... – infelizmente, murmurei.

E as fuzilei com a força da mente. O que diabos vocês pensam que estão fazendo, mano?! Peguei a Mia pela mão e a “convidei” a conhecer o andar de cima, bem longe delas, onde um terraço se abria para o céu paulistano. Entre pequenas mesas e luzinhas penduradas nas muretas. A área externa estava tomada de gente. Mas logo encontramos um cinzeiro e um canto, em pé frente a um dos parapeitos de concreto. “Adorei o lugar, meu...”, a Mia disse e eu sorri, acendendo um cigarro. A noite estava morna e agradável. Eu a observava impulsivamente. Em partes, era um tanto estranho estar com ela em um bar sapatão – e assim, tão em público. A Mia roubou o filtro das minhas mãos e o tragou, lentamente, conforme um garçom se aproximava.

_Vamos pedir alguma coisa?! O que você está bebendo?
_Não comecei ainda. Tomei uma cerveja só.
_Nossa... – pareceu surpresa, para um sábado à noite.
_Ahh, é que a Marina tá aí. E aí ela fica me regulando, tive que “comer antes” – eu ri, como se repetisse as suas exatas palavras para mim –, mas de boa. Vamos começar agora...
_Espera. Vocês terminaram quando mesmo? – a Mia me zoou – Achei que você já fosse dona das suas bolas de novo.
_Idiota. Eu posso beber se quiser, tá. Eu só não vejo motivo pra causar estresse, ela fica toda preocupada comigo...
_Sei.
_E ninguém aqui precisa de bola, não, viu... – me aproximei dela, lhe garantindo.

Estou vendo”, ela me observou de volta, rindo. E então pedimos. A primeira dose acabou seguida logo por uma segunda. Dois runs. E eu a acusei então de tentar me embebedar, o que me rendeu uma resposta tentadora – e sensualíssima – dela. Que sussurrou, num canto do Flamingo: “Eu gosto quando você perde o limite comigo”. E aí deu de ombros, voltando a tragar, apoiada na mureta do terraço: “Pelo menos assim você esquecia essa babaquice de ‘só amigas’ por uma noite”. É. Talvez. Por enquanto, todavia, eu permanecia em controle absoluto das minhas ações e opiniões – e não ia liberar um beijo sequer enquanto ela estivesse namorando o Fernando. 

Convencia-me disto. Ainda que, tudo o que eu queria agora era a porra de um beijo dela, puta que pariu. Mas a noite se desenrolava divertida, não obstante. E descontraída. Com sutis investidas minhas e irresistíveis insinuações dela. Eu a entretia agora com minhas habilidades, fazendo descrições detalhadas de cada relacionamento lésbico que se manifestava naquele terraço – observando os casais e garantindo que a Mia risse dos estereótipos visíveis envolvidos nos namoros entre meninas. Como as que se apaixonam por si mesma; a machinho dominante; as que se tornam uma à outra, vestindo a exata mesma roupa; os relacionamentos abertos da Augusta, modernos; e as ciumentas, fechando a cara para cada garota que passava ao lado da sua. 

Já lá pelas tantas da conversa, agora dividindo uma cerveja comigo, a Mia me perguntou: “E qual destes, então, é você?”. De repente. E eu não pude evitar senão sorrir, antes de lhe responder. “Depende de quem é a sortuda...” – a olhei direto nos olhos. Sugerindo sutilmente que se voluntariasse como exemplo. E ela me encarou por alguns segundos. Balançou a cabeça então, rindo, e mudou de assunto: “enfim...”. Eu fiquei sem jeito por um instante. E me senti exposta, como se o meu coração inflasse doído. Engole essa. Mas antes que a Mia indecisa de sempre me puxasse de volta para a realidade, a Lê surgiu ao final da escada.

17 comentários:

Anônimo disse...

Essa FM sempre esperando o que não vem :\, tadinha

francielli# disse...

climinha bom esse ..tomara q permaneça

TekaSak disse...

posta o segundo!!!

Anônimo disse...

Sinceramente... a Mia não tá colaborando! :(

Anônimo disse...

ah, achei drama sapatão ela ficar boladinha com a mia só pq ela peidou pra falar "eu". =P

@livia_skw disse...

Não sei qual das duas está com mais "cu doce", haha.

Anônimo disse...

Drama, drama...FM fofa esperando a Mia se voluntariar pra namorada hahaha
Mesmo assim tá legal o clima.
Mas e o shorts indecente?

Anônimo disse...

Ahhh... eu tô curtindo... quero ver até qdo a Mia vai tentar e até qdo a FM vai resistir...
Posta Mel...please...
E obg viu... já estava c sdd dos seus textos...
(ANA CURI)

Ianca' disse...

Caralho, posta o segundo! Obrigada, está foda o/

Juliana Nadu disse...

Nossa!! A Mia ta soltinha que só!!! Delicia demais ver ela bancando a "new sapata" hsaushuahsa

ps: espero que a FM consiga segurar o beijo, eu agiria da mesma forma......mas em se tratando de doses de runs e afins e principalmente de uma Fucking Girl filha da puta o plano não vai dar muito certo!

Anônimo disse...

Não tem uma pista de dança nesse bar ai nao? quero as duas possuídas pelo ritmo ragatanga!

Anônimo disse...

Impressão minha ou a Mia ta se fazendo de difícil? Ah, qual é --'

Anônimo disse...

impressão sua. qm tá se fazendo de dificil é a fm!

Flavs disse...

Que post mais gostoso de ler. Apesar desse final um tanto quanto tenso hahahaha

Anônimo disse...

ai caralho, ja dei mais f5 aqui do q no dia da venda do rock in rio... CADE POST? larga essa pizza ae!

Anônimo disse...

quero maaaais

Anônimo disse...

"“Pelo menos assim você esquecia essa babaquice de ‘só amigas’ por uma noite”."

Mia surpreendendo e sentindo falta! FM tá sendo muito forte em não dar brechas. .. hahaha