- »

junho 20, 2013

22:37:58

Adivinha?! :-D”, um SMS da Marina anunciava. E eu sabia o que aquilo queria dizer – ela está namorando de novo. Que inferno. Não que esta fosse a minha maior preocupação por vir na semana, mas era quase. Digo, a notícia chegou aos meus olhos ao entardecer do domingo e não foi exatamente a “luz” do dia. O qual seguiu com uma ressaca leve e muito videogame. A Mia também escreveu horas antes, avisando que chegava em casa e ia enfim dormir. “Adorei hoje, mto!”, me mandou, numa mensagem de texto. Para alguém que dormira às oito da manhã, ter me levantado assim às três da tarde era um fato que ainda me surpreendia. Mas acabei virando a madrugada seguinte, insone – como era de se esperar –, dormi de novo só lá pelas cinco da manhã. E acordei atrasada, às nove passadas.

_Que carro atropelou você no caminho até aqui, hein? – disparou o Renan, meu colega bicha na produtora,  rindo ao me ver entrar pela porta.
_Não enche! A patroa já tá aí? – eu disse afobada, correndo.

Tinha uma roupa amarrotada qualquer contra o corpo, os cabelos mal presos. Ele deu uma resposta negativa para mim, achando graça. Menos mal assim, pensei. E iniciei o computador da minha estação. O Renan e a estagiária sapatão – com quem eu trocava vez ou outra comentários sobre a nossa chefe – eram os meus companheiros mais estáveis na empresa. Ele jogou verde: “E essa olheira aí, me parece bucha...”, disse, sentado num laptop mais adiante. E eu, que nunca falava sobre a minha vida pessoal, por algum motivo retruquei.

_É. Uma de uns dois ou três anos já aí... – ri, descontraída.

O Renan rolou a cadeira imediatamente até as proximidades da minha mesa, interessado. E eu o empurrei de volta com o pé. “Pode sair”, achei graça. Olhei para a tela. Aguardava as atualizações do computador se completarem. Ele então ligou no ramal da nossa amiga de mútua sexualidade, recrutando ajuda imediata. Ela soltou um “desembucha!” de cima do mezanino, assim que soube que a fofoca seria sobre a minha pessoa.  E eu olhei para cima, ainda rindo. Espiei ao redor, não havia ninguém. “Tá”. Me coloquei então a contar com receio, sem muitos detalhes – porque isto me custaria um dia inteiro –, a minha história com a Mia. Os encontros e desencontros infindáveis, as nossas brigas.

_...e no dia que a gente tava empacotando tudo, acabamos sozinhas na sala; e não sei. Eu sei que parece babaquice, mas... – eu revirei os olhos e sorri, pressionando as mãos contra o rosto – ...cara, aquela mina... – argumentei em voz baixa para o Renan, no meio da produtora; ele ouvia tudo atento –  ...sabe, era outro sentimento agora. E ela deu em cima. Eu também queria e... aí rolou, sei lá.
_Mas vocês voltaram pra valer?
_Ah, não sei. Sim. Mais do que antes, pelo menos. Tipo, é estranho, porque ainda parece muito a gente e o que a gente sempre foi, saca, o que é incrível, mas ao mesmo tempo já foi tanta coisa que também é diferente. Sei lá, meu! É bizarro. A gente se viu direto essas semanas e aí ficamos meio nessa, mas ela vai ver... Ah, é! E no fim de semana a gente foi no Flamingo...
_Humm... – ele arqueou as sobrancelhas, como se aquilo indicasse sapatonice, e eu comecei a rir.
_É, então...

Na hora do almoço, algum tempo depois, ele sentou na frente da nossa colega e resumiu tudo com um “olha, você não quer saber...”. Ela riu. “É um puta rolo, de verdade“, eu reforcei, antes de morder o meu hambúrguer. Complicado. Era complicado. E a minha sina na vida eram os relacionamentos assim, difíceis de explicar. A resposta se repetia – A Clara? Ah, é complicado. A Dani? É complicado. A Mia? É extremamente complicado. Até a Marina já fora complicada em algum momento – e eu sabia que a culpa era inteira minha. Por todas elas. “Mas estou tentando fazer algo certo, uma vez na vida...”, eu disse a eles, sentados na mesa de um McDonald’s da Paulista.

_É. Assim, você não me parece ter muita aptidão para conseguir, desculpa aí – a estagiária me zombou e eu concordei com a cabeça, lamentavelmente.

Argh. Como queria fazer dar certo com a Mia. Depois de todos aqueles anos. E – em algum cenário imaginário, estranho – aquilo parecia minimamente possível para mim. Sem que a minha amizade com o Fernando fosse afetada. Magicamente. E ok, não passava de uma mísera perspectiva de soluções meio nebulosos dentre todos os pensamentos concretos que me tomavam de ansiedade, mas quem sabe? A nossa amizade era algo sem o qual nós dois não sabíamos viver. Tinha que haver um jeito. Simplesmente tinha.

A terça-feira passou rápido, tão rápido quanto aquela segunda. E antes que desse por mim, já era o meio da semana. Havia marcado um jantar-relâmpago com a Marina naquela quinta, antes de um show que ela iria com a Vivian. E agora, um dia antes, me encontrava caminhando com duas sacolas pesadas do supermercado, adquiridas ali mesmo na Frei, em minhas mãos. Uma delas com latas de chá gelado para a noite seguinte. O tempo parecia um pouco mais frio naquele dia. Talvez vinte ou dezenove graus. E por volta das onze, fui surpreendida por uma mensagem incomum da Mia.

Era uma foto. Eu ouvia um álbum do Clash, entediada no meu quarto quando a abri. Estranhei. Aquele era o rascunho de um dos seus desenhos para a faculdade, ou assim eu presumi. O projeto de uma casa, um sobrado, feito sem medidas ou régua de escala. Parecia descolado, boêmio. Apenas o desenho à mão. Observei e os traços me atraíram. Eram diferentes. De uma maneira despretensiosa – alguns círculos e setas indicavam os materiais e cores usadas. Mas não todos. E ali num canto do papel, aproximei a imagem e li escrito a lápis:

Roubei este: Some places draw us to them for reasons beyond the feelings derived from the five senses...some deeper recognition is at work, felt through an unextinguishable animal sensibility.”

Lhe escrevi de volta. “É maravilhoso. O projeto, o poema. O que é?”, perguntei. E alguns segundos depois, o meu celular começou a tocar em cima da mesa. Abaixei a música no computador. E observei o seu nome no visor por um instante, sem entender a necessidade da ligação. Eram 23:36. Me ajeitei na cadeira e então atendi:

_Você gostou então?! – ela parecia animada e me fez sorrir, espontaneamente.
_Gostei. Ficou sensacional, porra! Foi você mesma que fez?
_Foi. Quer dizer, o desenho só, né. A frase eu copiei, mas não é um poema. Foi um casal de arquitetos que disse, sempre gostei dela.
_E é pro TCC? Ou pra que é?
_Pra nada. Comecei na época do seu aniversário e acabei deixando de lado; mas aí ontem tive mais algumas ideias. Fui mudando, rabiscando um pouco. A ideia era te dar ele umas duas semanas atrás. Mas é que aí aconteceu tanta coisa! O projeto ficou, sei lá... é meio Hundertwasser. Me lembra você.
_Eu?! – ri.
_É. Arquitetura orgânica. Os traços desalinhados, meio caóticos; as curvas, não sei, eu acho feminino. De alguma forma, isto é.
_Quer dizer então que eu sou caótica e desalinhada?
_Não! – ela gritou – Pára! Eu não sou boa com essas coisas, meu, não faz isso! Tá, tá. Eu sei que não tem nada a ver – a Mia riu, junto comigo –, mas enfim. Não se compara ao poema que você me deu, ok? Eu só pensei que, pelo menos, podia cobrir a minha parte da conta de água desse fim de semana, sei lá. Talvez você possa vender como projeto para uma multinacional e ficar rica em um só dia, nunca se sabe.
_Ahh – fiz graça –, eu bem sabia que toda aquela dor de cabeça um dia ia valer a pena...
_Velho, calada! Que você AMA a dor de cabeça. Você vive por isto. Se pudesse, você marchava contra fábrica de aspirina...
_Falou a que está fazendo fortuna com a doença alheia.
_Besta – ela riu e me afundei na cadeira, com o celular em mãos.
_Eu amei. De verdade. De verdade, Mia.


*Em tradução: Alguns lugares nos atraem a eles por razões que vão além de sentimentos derivados dos cinco sentidos... Há nestes casos uma forma mais profunda de reconhecimento, perceptível através de uma sensibilidade animal inextinguível. – Peter & Alison Smithson

25 comentários:

Anônimo disse...

Como assim MARINA NAMORANDO e essa não é a noticia ruim da semana???????? Ela é minha. :((

Juliana Nadu disse...

Ahahahaha que delicia essas duas... gente eu fiquei pensando na dificuldade desse chão de banheiro ai!! aahhahah

mas que presente ehn! Eu sempre acho que um desenho é o melhor presente do mundo... hahahahaha

eu já tava sentindo que a Marina ia começar a namorar... pra falar a vdd a Marina é o tipo de garota que nunca deveria estar sozinha, ela é simplesmente incrível!

Anônimo disse...

Meu reino pra quem fizer esse desenho e por no grupo ♥

Anônimo disse...

o titulo é 22:37:58. é pela hora, certo?

mas a FM olho o relógio antes de atender a Mia 23:36. é isso mesmo, nao era 22?

hahaha

( the girl fucking Mia ) disse...

Haha, boa tentativa, mas não é! Mais alguém? ;x

Anônimo disse...

tá muito LOST esse título aí... hahaha

Ianca disse...

Pede pra Má rabiscar D:

Anônimo disse...

uma dica pro título? nao fez o menor sentido pra mim...

( the girl fucking Mia ) disse...

22 + 37 + 58 = 117
1 + 1 + 7 = 9

2 + 2 + 3 + 7 + 5 + 8 = 27
2 + 7 = 9

9 + 9 = 18
1 + 8 = 9

Logo, tem a ver com 9! Tá, brincadeira. Não é nada disso HAHAHAHAHAHAHAHAHA

Anônimo disse...

CARALHO! é muita vontade de procurar mensagens ocultas! HAHAHAHAHA

Anônimo disse...

é tipo latitude e longitude? hahahaha

( the girl fucking Mia ) disse...

Pior que esta conta não foi planejada, eu é que sou NATA em descobrir sinais alienígenas infiltrados no blog. Gente! :O

Anônimo disse...

eu chamo de: MALUCA.

hahahahahahaha

Pathy disse...

Tô com a Ianca, pede pra Má desenhar u.u
Eu não sei o título, mas essa conspiração sua Mel, tá de viver. HAHAHAHAHAHA

( the girl fucking Mia ) disse...

Hahahaha, é bem mais simples que isto, prometo. A resposta estará nos próximos.

Anônimo disse...

vc tá fazendo isso de maldade, só pq nao teve um cliffhanger no final! hahaha

com meu sétimo comentário por aqui, e sem uma dica satisfatória, me retiro.
=P

Anônimo disse...

vou deixar um oitavo comentário, meio revolts: o povo só comenta no grupo. bando de preguiçosa!

( the girl fucking Mia ) disse...

O cliffhanger É o título. Você vai entender em breve. O post é apenas o meio (nossa, profundo!).

Tá, não vou falar mais nada aqui. Parei, prometo.

Anônimo disse...

Não sei se viajo mais no post, na tentativa de descoberta do título ou nos comentários! Hahaha

Seria o titulo o tempo de ligação? Minutos, segundos e milésimos de seg? Hahaha

francielli# disse...

Que clima gostoso esse .. Q cntinie assim e que de certoo p FM e a mia .

Diii disse...

Aeeee post
Tava com saudades de ler já.
Reli td o blog semana passada. Tinha uns lances q eu mal me lembrava, rs.
Amei

Parabéns, Mel.

Aléxia Carneiro disse...

Im so in love!

Anônimo disse...

Impressionada com os detalhes mínimos desse post com relação ao título. Melissa, você escreve MUITO bem,meudeus

Anônimo disse...

Apaixonada por este post e por estas duas...
Que coisa fofa a FM querendo que dê certo com a Mia. Vamos torcer, né? Afinal, todo mundo cresce um dia, acho que FM está bem mais madura agora. Ou não...rsrsrs

Anônimo disse...

ahhh, amiga do post de 20 jun 22:13, não faz a que entendeu sozinha, nao! HAHAHAHAHAHAAHAHAA =P