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agosto 03, 2013

Do it with a rockstar

É, porra. Vem então. Acenei com a cabeça, me fazendo de muito porralouca – numa daquelas ideias imbecis que só se tem completamente bêbada. Com a música no último volume, acordadas às seis da manhã. E a Mia me olhou, como se me testasse, me desafiando, dando dois passos para trás.

_Você é uma babaca, às vezes. Você merece... – achou graça na minha audácia.
_Mereço? – ri.
_É. Você fala muita merda, sabia, garota...
_Muita m... É? Tipo, o quê... – sorri, observando-a, com a cabeça agora apoiada contra uma das prateleiras – ...quer saber quem eu comi na semana do seu aniversário? Quando fomos na Sarajevo, no estúdio?
_O-o quê? Sua filha da...

Ela veio na minha direção, como se fosse me bater. E trombou contra o meu corpo, achando graça. “FODA-SE”, eu a encarei, “cê tava lá dando pro Fernando!”. Disse, rindo. E ela me virou outro tapa, tão forte quanto o primeiro. Puta merda. Perdi o chão por um instante, cambaleando uns milímetros involuntariamente pro lado. Nós duas nos olhamos por um momento e começamos a rir, imediatamente. “Que merda. Porra. Vem, mano! Bate de novo então”, me ergui. “Não”, ela achou graça, “eu vou te machucar, chega”. “Bate logo, caralho!”. E ela me virou outro, desta vez um puta tapa, no lado oposto. Dos que fazem a pele ficar vermelha por minutos.

_CARALHO! PORRA!! – não me contive, competindo com o som do rádio, que gritava na sala.
_D-doeu? – ela ria, mas um tanto preocupada.
_Nãããão, qué isso... – eu zombei, ainda abrindo a boca ocasionalmente para esticar as bochechas e aliviar a dor, ria de nós duas – ...quase nada, imagina.
_D-desculpa! Ai, me perdoa.
_Vem. Quer que eu te mostre o quanto doeu?
_Nã-ão. SAI PRA LÁ!
_AH, VÁ! – comecei a gargalhar, indignada – PORRA! Nem UM?!
_Não. V-vai... vai doer. Eu não quero.
_MANO! CÊ É MUITO BICHA, CARALHO! Eu já tomei um monte, vai dizer que cê nunca levou um na cara... – ri – ...aí toda tatuada e o caralho a quatro, pagando de rata da Augusta, cê tá me tirando?!??
_M-mas... dói.
_Lógico que dói! PUTA MERDA!! Precisa ser gênio agora?
_Tá. Um. Um! Você pode me d...

Antes que ela terminasse a frase, eu, completamente bêbada, virei o maior tapa que todos aqueles anos conseguiam reunir em uma mão só. Num estrondo – que doeu até em mim. A minha mão toda formigou, de repente. Caralho. E a Mia voltou o rosto, e o olhar, de novo para mim, vermelha de raiva comigo. Puta da vida. “E-eu vou te matar”, ela riu, me ameaçando. E eu comecei a rir também. E então me contive, agora quase tremendo de nervosismo – esticando o rosto para que ela revidasse, com o cu na mão de medo, fechando os olhos apertados. E o próximo dela quase me derrubou. Não que, no meu evidente estado de embriaguez, fosse lá muito difícil. A tarefa estava pronta para ela. Mas quase caí, me equilibrando contra a estante. Puta merda, ESSE doeu. Eu ri. Cada sacodida da minha cabeça parecia me deixar mais fora de mim. Sentia o álcool todo subindo, junto com o calor contra a minha pele, absolutamente tudo fervia.

Ela me bateu então no ombro e nos braços, de leve. Senti o corpo da Mia contra o meu, os seus antebraços me pressionavam os ombros contra as prateleiras. Agora mais pesada. Mal havia me recuperado – ela riu, me virando outro tapa – e tomei mais um, fraco, do outro lado. Nos trombávamos ali. Eu ria também. Esfreguei as mãos contra o rosto, tentando me livrar da ardência na pele. E então a olhei, ali tão próxima, e tentadora. E as minhas mãos a alcançaram, segurei o seu rosto e a beijei. Ela me beijou de volta. E começamos a nos agarrar compulsivamente, no calor da porra toda, daquela confusão bêbada, e a Mia me puxava, agora, contra si. Me largou a boca e riu. Dando dois outros tapas, consecutivos, mais leves. Rápidos. Eu franzi as sobrancelhas de dor e a beijei mais uma vez; ela me empurrava. Outro tapa. Colocava então os braços sobre meus ombros, me abraçando por cima. E me apertava. Deixava-se tomar, no meu colo.

_Você é muito cara de pau...

Ela ria e me beijava. Desceu as mãos e foi subindo a minha camiseta. Arrancou-a do meu corpo. E eu desatei da estante, dando uns passos na direção dela. Segurava-a pela cintura, ambos os braços ao seu redor, fortes. Fomos até o sofá. Aos trancos – nuns beijos contínuos, sem ver direito aonde íamos. Todas as almofadas, onde se sentava, estavam fora do lugar quando nos deitamos ali. Não duramos nem cinco segundos. E fomos de volta para o chão – junto com a garrafa de rum e as almofadas molhadas, tortas. Fica aqui, garota, deixa eu te olhar. Empurrei o sutiã da Mia por seu corpo acima. Lentamente. Era quase mágica a forma delicada como aquele pedaço de pano descobria as suas curvas. Os meus olhos embriagados a acompanhavam em uma obsessão, das que molhavam a minha boca – e outras partes. Num magnetismo óbvio. Previsível.

Recuperei o meu fôlego. Ou – mais ou menos. Abrindo as suas calças e descendo os jeans pelas suas pernas; foi então também a sua, a sua calcinha, em câmera lentíssima, num observar contínuo, e ah, como aquele algodão deslizava por sua pele, adiante, revelando-a, cada vez mais, mais nua e mais vulnerável. Aberta, mais e mais. A mim. A velocidade do mundo parecia reverter a sua direção. Indo agora em vagarosa sintonia. Beijei-a aos poucos, os meus lábios umedeciam o interior dos seus joelhos, o começo da sua coxa. A tocavam ora suaves, ora brutos. Indo contra todo o tempo que já se passara, numa lassidão delirante. Perdi completamente a noção de onde estava. Tudo era ela, aquele momento. Nos conectávamos, mais, conforme eu descia por sua coxa. E então separei os seus lábios com a minha língua. Ali.

As suas pernas me pressionavam, apoiadas sobre os meus ombros. Lambendo, cada centímetro da sua pele molhada, ao passo que colocava os meus dedos dentro dela. Subi apenas o meu dedão por fora, deslizando-o até encontrar a minha língua. Mais acima, pressionando-a com ele, enquanto a lambia. Chupar aquela mulher era como comer um banquete com os deuses, sem nunca se saciar; meter boca adentro todas as adegas de Baco. Ao som gritante da voz da Amanda Palmer – do you wanna? do you wanna? do you wanna? – no rádio. Havia algo de enlouquecedor – e surreal –, toda vez. Toda maldita vez. Era ela. E eu podia fazê-la por um dia inteiro. Por uma semana; e que se dane. Estava para ser inventado sentimento mais viciante, inebriante, do que ter gosto dela, a Mia se contorcendo nos meus dedos, na minha boca. Nos meus ombros. Nos movíamos por puro e absoluto impulso. Cruas.

Em curvas ritmadas. Eu tentava me conter – mesmo bêbada, cada movimento daquela garota me fazia perder o fôlego, o controle. Queimando dentro dos meus jeans. Era ridículo. Mas continuei. Fechava a boca pausadamente e a chupava, repetidas vezes, para então abrir e começar de novo. A sua mão penetrava os fios do meu cabelo e me segurava contra ela. Agora era o meu dedo que desenhava círculos nela, a minha língua a pressionava. Até sentir que eu não aguentava mais, até sentir que ela não aguentaria muito mais. E então chutei as minhas calças pra longe; parei por um instante. As calças adiante no chão da sala. Sentada, ali, a menos de um metro dela. Observei a Mia inquieta, nua e pulsante, a forma como o corpo todo dela parecia ansiar pelas minhas mãos. A sua pele pela minha língua, por mim. Pela porra do serviço incompleto. Para que eu a tocasse; e logo. E acabasse com aquilo.

Mas a deixava sozinha, olhando-a à curta distância, perdendo a cabeça nos segundos que a consumiam ali. A espera florescia visivelmente nela. Podia sentir a sua respiração no ar. Engatinhei na sua direção, o meu cabelo solto escorregava pelos ombros e braços. O seu corpo inteiro tremia. O meu ansiava por ela. Passei uma das minhas pernas sobre a sua e a outra por debaixo da coxa esquerda, me colocando. Nela. Ou sobre ela. Senti-a me molhar. Progressivamente. Num deslizar mútuo, uma das minhas mãos cravadas em sua cintura. Tirei o meu sutiã com a outra. Enquanto movia o quadril em cima dela, num movimento que fazia dobrar a pele das minhas costas.

Começando intenso e lento – para então ir crescendo em nós duas, aumentando em força. E velocidade. Podia ouvi-la gemer, enquanto eu ofegava cada vez mais, e mais, me movendo contra ela. Em cima dela. O rádio continuava aos berros – competindo conosco, acordando todos os malditos vizinhos. Era um prazer quase doloroso. Apoiei uma das mãos centímetros acima do seu ombro e me abaixei, beijando-a. Indo cada vez mais forte. Os nossos beijos eram interrompidos pelo seu fôlego. Não havia uma porra de chance que eu a deixasse gozar assim. Nem fodendo. Saí de cima dela – sem tirar a minha boca da sua – e passei a outra perna por cima dela, ficando a milímetros sobre seu corpo. A beijava continuamente. De quatro no chão e sobre ela. As suas mãos me forçavam para baixo, me agarrando pela cintura. Me mordia a boca – em plena ansiedade.

Quando subitamente o som desligou. Mas que m...? Abri os olhos – e a luz estava acesa. Tudo o que pude ouvir foram os passos deixando a sala; e pressupus ser o meu mal-humorado colega de quarto, acordado por aquela barulheira toda. Estávamos completamente nuas. Sim. Mas – completamente bêbadas. Também. E tudo o que conseguimos fazer foi começar a rir, gargalhar. Com o nariz apoiado na bochecha uma da outra. E então a Mia ergueu parte do corpo sob mim, recuperando o fôlego, e me pegou pela lateral da cabeça. Antes de voltar a me beijar. “Bem, obrigada por acender a luz...”, sorriu, prestes a continuar.

37 comentários:

Anônimo disse...

CARAAAAAAAAAAALHO!!!!!!!!!!!!!!

Anônimo disse...

PELAMOOOOOOOOOOR!
Tá demais de bãoo isso aqui, minha gente!!!

(Imaginando se foi realmente o Du quem acendeu a luz =S)

Anônimo disse...

ah mia..

Anônimo disse...

MEU DEUS.. Me senti ali junto com as duas.

Anônimo disse...

Admito que esperei por muito, muito tempo por um post assim entre elas. E foi sensacional.

Que calor, ehn?

Anônimo disse...

"Vem. Quer que eu te mostre o quanto doeu?". FM DIVA!

Anônimo disse...

Putamerda velhoo..
MUITO BOOOM.
"Obrigada por acender a luz.."

A continuação ja vai sair?

Anônimo disse...

MANO, MAAAAAAAAAAAAAAAAANO ISSO FAZ PARTE DE UM PLANO PRA ME MATAR DO CORAÇÃO?! Na boa, você fode com minha cabeça com esses posts, como diabos escreve tão bem?!?!? Puta que pariu!

Felipe disse...

nossa, Mel, quer matar os leitores com um post desse né?

Anônimo disse...

PERFEITOOOO!!!! Só não podia ter parado assim... meu coração quase parou junto gente....
Mel promovendo a insônia da maior galera hj...kkkkk
Arrasou viu...obg.. ;)
(Mariana Curi)

TekaSak disse...

QUE QUE IIIISSSSSOOOOO!!!!!

Anônimo disse...

Essa foi a descrição mais deliciosa q já rolou no blog td PQP!! Foi demais ler elas se estabefando e o dialogos e principalmente o fnal!!

Anônimo disse...

Não sei QUEM é mais a rockstar do titulo... a mia ou a fm... ufa!!!! QUE QUE FOI ISSO?? INTENSO!!!

Anônimo disse...

Muito TOP esse post, FM diva.

Anônimo disse...

OMG. relendo eternamente. a mel quer me matar. kk

Gabs disse...

Chésus, assim eu morro dona Melissa!
Você é má, muito má, por parar justo agora.
Esperando ansiosamente pelo próximo post, ai, ai.

Anônimo disse...

tentando fazer uma análise um pouco mais profunda, achei esse post BEM mais.. ahn... direto do que todos os que vc já escreveu com 'cenas' de sexo. vou confessar q um dos pontos que eu mais gosto da sua história, do seu blog, é justamente o modo como vc aborda o sexo entre as personagens. é muito diferente de todas as historias que eu já li por aí. é mais...ahn, suave! ADORO o fato de vc não mencionar nenhum nome pras partes em si, de deixar tudo meio no ar, de uma forma sensual. esse post eu já achei bem mais explicíto, mas eu curti pq vc ainda manteve esses ares de sensualidade que eu citei..
acho q o tal texto sobre os caras se pegando no banheirinho q vc andou escrevendo teve influência nesse aqui! hahahahaha.

Juliana Nadu disse...

C A R A L H O!!

"QUE CALOR EHN"

Eu preciso mesmo dizer o quanto gostei!?!?

( the girl fucking Mia ) disse...

Ois :)

Obrigada pelo comentário! Amo, AMO comentários analíticos, haha. <3

Então, decidi fazer esteve mais "explícito" por ser a primeira vez delas de fato juntas, sem o Fer ou qualquer outra pessoa estar entre elas. Achei que "devia", ao menos uma vez, algo assim às personagens! E existe certa simbologia leve na forma crua e explícita como elas estiveram retratadas em sua primeira vez juntas como duas garotas solteiras, livres. Quis que fosse assim... Achei que seria "bonito".

(ODEIO nomear as partes, haha! É mais interessante achar caminhos de circulá-las!)

Todavia, acho que o texto dos meninos (vou postar no OBC amanhã) teve certa influência. Ele é bem menos explícito, não é como esse, é mais focado em emoções e pensamentos do que no desenrolar dos fatos em si. Mas foram aí algumas semanas de exercício como-escrever-sobre-sexo que me fizeram explorar novos caminhos e talvez tenha mesmo refletido aqui :)

Adorei o fato de você adorar o blog pela "sutileza" sexual. Muita gente reclama disso e eu, como já falei para algumas meninas que lêem, detesto escrever sobre sexo explicitamente. E não pretendo fazer disso um hábito, haha! Esse foi particularmente legal de construir, porque vinha depois de uma cena que, pra mim, é muito excitante (as duas se batendo, bêbadas e rindo, #mejulguem) <3

Falei demais? Haha!

Obrigada a todas pelos comentários LINDOS! (:

( the girl fucking Mia ) disse...

*este

Anônimo disse...

(vc sempre responde os meus comentários! hahaha)

entao, ficou super claro pra mim o pq de justamente esse ter sido assim mais intenso, detalhado. achei justo tbm. =)

só sou a favor de menos foco na putaria e mais foco no drama/sentimento/CAPSLOCK/emoções. é mais facil eu ter um orgasmo lendo um post como aquele em q vc fez uma poesia genial com os pensamentos da fm ("volto sã. volto lã") do q com esse. hahahaha..

mas sei lá, acho q só eu penso assim. =P

Anônimo disse...

obs: já são 13 posts sobre um mesmo dia. é isso mesmo, produção? hahaha

ok, eu sei, é o clímax do blog, podem ter 30! hahahaha não tô reclamando, foi só uma obs msm! =)

Bruna disse...

Post alucinante!
Que maneira mais linda de escrever Mel, vc consegue fazer algo extremamente sexy e bonito ao mesmo tempo... sério, inspirador!
Vc é foda, nada mais a declarar! hehe... ;P

Anônimo disse...

Post delicioso, a simbologia desse sexo livre de culpas foi de uma delicadeza sexual refinadíssima. O leve tom violento de encrencas mal resolvidas, a embriaguez que surgere uma leveza nas duas. Genial!

( the girl fucking Mia ) disse...

Ai, vocês todas lindas, gente. Sério. Obrigada! ♥

E...

Anônimo 1: Acho digno!
Anônimo 2: Eu contei 12, rs. Guilty as charged! Mas isso é meio comum no blog... É que as pessoas não reparam (e eu fico quieta, haha!), mas tipo, os 10 primeiros posts do Fucking Mia por ex. são todos do mesmo dia! :x

Anônimo disse...

A Mel nos deixar assim no meio de tudo na expectativa.. Pode isso produção?
P-E-R-F-E-I-T-O

Anônimo disse...

Acho incrivel a maneira que voce descreve essea momentos, parabens Mel!

Anônimo disse...

Cadê a continuação?

Pathy disse...

E eu que só li ontem a noite?! Eu já não tenho mais palavras pra descrever quão maravilhosa é a escrita da Mel.. Esse post hein.. <3 666'



Anônimo disse...

kkkkkkkkk...perfeito gente....

Anônimo disse...

Coisa mais linda, minha gente!
Concordo com a Anonima que gosta da linguagem mais soft do blog. Mas valeu este post mais "explícito" pra comemorar o que todas nós estávamos esperando deeeesde o primeiro, FM e Mia juntas, inteiramente uma da/com a outra.Pelo menos eu estava rsrs
Parabéns e OBRIGADA Mel!

Anônimo disse...

so uma pergunta essa historia é baseado em fatos reais?ou é ficcional?

Anônimo disse...

Guilty as charged só me lembra Tegan and Sara <3

( the girl fucking Mia ) disse...

Anônimo das 14:19,

É ficcional. Toda sucessão de fatos e personagens aqui são inventados :)

Claro que muitas das experiências, sentimentos, filosofias e até algumas cenas se inspiram na minha experiência e de conhecidas(os), mas nada específico o suficiente! rs

Anônimo disse...

kd mais post...?:(

Anônimo disse...

Meeeelllll pelo amor de Deus,to entrando no blog de 5 em 5 min,cade a continuação????

Anônimo disse...

(vou confessar que: prefiro q a continuação seja um pouco dps de onde parou. elas gozaram gnt, vida q segue.)