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agosto 21, 2013

Hematomas e a ferida aberta

Estava na frente da casa do Fer por mais de uma hora e quarenta, quando ele enfim virou a esquina. Do ponto de ônibus, na rua de trás. Eu tragava o meu terceiro cigarro da noite. Seu pai – muito simpático – não me deixara entrar. “Não sei que horas ele volta”, argumentou de longe, sem vir até o portão me receber. E emendou um agradável: “o que você quer?”, em tom de desconfiança pelo horário. “Nada”. Disse e me sentei naquela calçada escura, à espera. Talvez a Marina tenha razão – mas – voltar pra casa pra quê? Não pra ficar sozinha, numa sexta à noite, com essa culpa filha da puta dentro do peito. O Du não vai estar lá, duvido; vou ser só eu e a porcaria de um baseado numa brisa muito, muito errada. Soltei o cigarro no chão, me erguendo apressada assim que o avistei.  

_Fer... – caminhei em sua direção, sem acreditar de fato que o encontrara.

Ele levantou a cabeça, só então me notando ali. E eu o vi – estava completamente destruído, parte do rosto inchado; o sangue seco da noite anterior na Augusta se revelava em cortes, na cara e nas mãos. Aquilo, somado às tatuagens, e parecia um delinquente descendo a rua. Seu babaca – você vai perder a porra do seu emprego, cara, de novo. Me aproximei dele, preocupada. “O-o que aconteceu?”. Ele desviou de mim, irritado, sem intenção de conversar comigo. “Não aconteceu nada”, resmungou já com raiva, a caminho do portão. “Cai fora!”. Ordenou e tirou a chave dos bolsos para abrir o cadeado.

_Fer, por favor, me escuta. Vamos conversar! – implorei.
_Eu não tenho nada pra falar com você. Vai viver a sua vida, porra.
_Eu me sinto uma MERDA, POR FAVOR! Tá todo mundo sabendo que nós brigamos e-e eu não sei o que falar pros nossos amigos. Eu só quero que essa merda acabe!! Olha pra mim – segurei o seu braço, num impulso – ...e-eu não dormi um puto essa noite, e... e OLHA PRA VOCÊ! Não está tudo bem. NÃO TÁ!! A-a Marina disse que eu devia ficar em casa, te dar um tempo, mas, mas você só, você só vai me detestar mais. E mais. Por favor!! Eu não posso ficar em casa, eu preciso tentar ALGUMA coisa. QUALQUER COISA. Eu te amo demais, porra, pra ficar aqui parada e te ver destruído, saber que você me odeia assim. Só me diz o que fazer. Por favor, eu faço. Eu conserto essa merda. SÓ ME FALA!!
_E VOCÊ VAI FAZER O QUE?!? VAI LARGAR D... – ele gritou comigo e logo se conteve, retomando a seriedade – ...vai embora. Some daqui.
_Não. NÃO. POR FAVOR! – olhei para ele e as lágrimas começaram a correr pelo meu rosto, em desespero – FER, SE VOCÊ QUISER QUE EU RASTEJE, EU ME RASTEJO. SÓ ME OUVE. VAMOS CONVERSAR! TEM QUE TER UM JEITO. Eu... – a minha tristeza engasgava na minha garganta, em soluços violentos – ...eu não sei viver sem você. Eu não POSSO. Fer... – segurava o seu braço com ambas as mãos, a testa apoiada contra o seu ombro, chorando despida de qualquer orgulho – ...e-eu sou uma idiota, me perdoa. Me perdoa, me perdoa. Por favor. Eu preciso de você. E-eu nunca quis te machucar, me desculpa. Por favor – soluçava –, por favor, não me manda embora. 

Ele ficara quieto. Parecia abalado. Senti a sua outra mão, por um instante, sobre a minha cabeça. Eu chorava no alto de seu braço. A sua respiração pesava com o processar de tudo aquilo, com dificuldade. Mas logo se desvencilhou, agora visivelmente perturbado, e se apressou em abrir o portão. Tinha os olhos vermelhos, marejados. “Eu não quero te ver”, encerrou, com seriedade. E eu apoiei as mãos entre a grade do portão, que ele agora fechava entre nós – “Cinco minutos, Fer, só senta comigo por cinco minutos e eu respondo o que você quiser, eu falo o que você quiser”, ainda chorava. Ele surtou.

_OLHA PRA MIM! OLHA PRA PORRA DA MINHA CARA!! – eu o ouvi gritar, do nada; os seus olhos enfurecidos e magoados, o rosto completamente destruído de uma briga – EU NÃO QUERO ESCUTAR MERDA NENHUMA, V-VOCÊ JÁ NÃO FEZ O BASTANTE, CARALHO?!?? OLHA PRA PORRA DA MINHA VIDA!! – ele chutou o portão e eu me retraí, do outro lado – EU VOU VOLTAR TODOS OS DIAS PRA ESSA PORCARIA, PRA ABSOLUTAMENTE NADA. VOCÊ ENTENDE ISSO??

14 comentários:

Pathy disse...

aí gente </3
Como é que se resolve uma situação dessa?? ou não resolve?!
:'(

Anônimo disse...

Tô com o coração partido, sério <\3

Anônimo disse...

:(

Anônimo disse...

que tenso
e cade a Mia bonita nessa historia??

Anônimo disse...

Ñ sei, mas senti uma abertura qdo ele colocou a mão na cabeça dela. O Fer ta magoado, mas ainda gosta dela <333 eles vão se acertar, eu sei q vão....

Juliana Nadu disse...

Nossa!! Que foda mano!! Ele esta sem nada!! ='( que triste!

Thays disse...

aiai :/

Ianca' disse...

Não imagino uma saída. Coitado do Fernando :(
Como que vai sair dessa, F.M?

Anônimo disse...

Ah, seguinte, ele se magoou, com razão, tá sofrendo,OK. Mas TEM QUE DAR UM TEMPO, porque diabos a FM não entende/aceita isso, porra??
Deixa ele elaborar as perdas e daqui a algum tempo eles poderão se entender de novo. TEMPO!

Anônimo disse...

achei drama do fernando.

@livia_skw disse...

Não sei se eles vão se entender. Amizade traída dói mais do que amor traído, pode ter certeza.

Anônimo disse...

"pra absolutamente nada" que pesado isso ):

Anônimo disse...

É!! Não sei se tem perdão p isso não viu! Concordo com o que a Lívia disse.
Acho q nem se a FM nunca mais olhasse p a Mia teria como arrumar o estrago feito. Massss tenho a sensação q é bem isso q a FM (cabeça dura mor) vai tentar.
Obg Mel... vlw a espera!! ;)
(Mariana Curi)

BiaC disse...

Eles precisam voltar e o Fer precisa enxergar que a Mia... A Mia gosta mesmo da fm! E que elas são lindas juntas :P
Mas falando sério, não queria que a amizade deles acabasse não ó.