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agosto 03, 2013

Pode vir!

Tínhamos medo de ir dormir. E não era para menos. A manhã seguinte nos aguardava com todas as doses de realidade e dores de cabeça existentes. Não estávamos ansiosas por isso. Então desafiávamos a porra da madrugada, conscientemente – ou quase conscientemente, sei lá. Que se foda. Acordadas. Rindo compulsivamente, completamente chapadas de tanta erva consumida no escuro. A sala estava em silêncio, desde que o CD do Arctic Monkeys terminara. Só os nossos gritos ocasionais cortavam o breu, junto com a conversa. Constantes. Seguíamos em ritmo frenético. Tateei o meu caminho até a cozinha, em determinado momento, e regressei com uma garrafa quase ao final de rum dourado, tropeçando nas tralhas por toda a volta. Bebi um gole.

A Mia se ergueu do chão, do outro lado do sofá, subindo nas almofadas e escalando-o descalça em seu jeans rasgado. Caralho, essa mulher. Eu adorava vê-la mover. Puta que pariu. Me encontrou na metade do caminho – em movimentos mais deliciosos que o rum. As suas mãos subiram desinibidas, ávidas pelo meu corpo e ela arrancou o Captain Morgan dos meus dedos, me beijando em retribuição, numa pegada forte. A maconha lhe subia à cabeça, misturávamos nada saudáveis. Os nossos gestos ficavam imprecisos. Imprevisível, toda essa porra. Era perceptível: na forma como nos movíamos pelo cômodo – passei uma das pernas por cima do encosto, de qualquer jeito, ansiosa para chegar nela. Os seus beijos me atordoavam. Subindo no sofá, indo sem muito tato em sua direção.

Puxei a sua camiseta. E não enxergava merda nenhuma naquela sala apagada. Inferno. A garrafa soltara-se da sua mão e agora molhava parte do sofá, caída. Nos desequilibramos, ao passar da minha segunda perna, e meio caímos também contra um dos braços do sofá – tudo parecia um tanto em câmera lenta, em um downtempo ensurdecedor – e eventualmente a metade superior do nosso corpo deslizou até o chão. Impressionante como gente embriagada não sente um puto contra a pele. “Porra, velho!”, a Mia berrou, rindo. E me puxou para mais perto ainda dela. Nuns beijos intensos. Cacete. Tinha algo na combinação daquela garota com uns baseados e muito, muito álcool de madrugada que me fazia perder a porra da cabeça. Eu saía do sério. “Vem aqui, mano!”, eu dizia, achando tanta graça quanto ela. A admirava. E nos agarrávamos; a cabeça contra o piso de madeira, tortas e invertidas, atracadas uma na outra. Era adolescente. E ridículo.

O ritmo seguia frenético, não obstante. Começamos involuntariamente a empurrar o sofá com os nossos pés, ainda descalços. Cada vez caindo mais no chão. Em determinado momento, a Mia escorregou propositalmente para o lado, abaixando enfim as pernas, e cambaleou para se levantar. O que você tá fazendo, caralho?! – eu ri. “Quero ouvir alguma coisa”, declarou, “cadê seus CDs bons?”. Vem aqui, porra. Eu larguei a cabeça no chão, encarando o teto, indignada. E aí a olhava, completamente fora de mim, o mundo parecia uma realidade paralela e instável –os arredores meio escorregadios, não sei explicar. Tudo fluía. Numa consciência gelatinosa. Faz sentido? Não? Apoiei uma das mãos no tapete adiante, levantando o torso com certa relutância física. Argh. Controle dos próprios membros, pra quê, né. Era algo supervalorizado – me convenci. E me divertia, ainda sozinha. Ela ao longe.

Me apoiei contra o sofá já totalmente torto – metade das almofadas fora do lugar –, sentada, tentando acender o último cigarro do maço. Levemente amassado – filha-da-puta, xinguei a mim mesma. Aquela porra não ia funcionar. Desisti. A Mia observava, atonteada, cambaleando nos próprios pés, os meus discos, até encontrar algum. Sorri, observando-a. Eu também estava caindo de embriaguez, mas me entretia ali sozinha. Foi quando meteu um CD no rádio, virando o áudio quase no máximo. Tomei um susto. Puta que pariu. O som grave atravessou o meu coração, desavisado, e ergui o corpo na velocidade que deu, partindo na direção do rádio. Enlouquecida. Meio em cima dela.

_VOCÊ TÁ LOUCA, PORRA?!? –eu ria, tentando alcançar o maldito controle.

A Mia segurava as minhas mãos, relutante – tentando me impedir, com certa petulância, proposital. “MIA, CARALHO!”, eu gritava com ela, os meus ouvidos estourando. O Du vai me matar, o Du vai me matar. Ela segurou os pulsos então com força, obrigando-os para trás do meu corpo, e me beijou. Num beijo violento. Preso. Deixei-me carregar pelo momento – como recusar essa porra dessa garota? – e a empurrei contra a estante de CDs, ainda que as beiradas de madeira amassassem os seus braços, o seu corpo todo. Me pressionei contra ela. Beijando-a até perder o fôlego. Soltei as minhas mãos, tomando-a obsessivamente para mim. As tranqueiras todas da estante, os CDs soltos, as caixas fora do lugar, todas começaram a escorregar, com o movimento do nosso corpo contra as prateleiras.

Parte das coisas caíam, outras saíam do lugar. A Mia ria, eu também – numa inércia disparada e inconsequente. Àquela altura, que importava? Comecei a tirar a sua blusa, desta vez de vez, e ela se virou. Me pressionando contra a estante no lugar dela. Agora só de sutiã. Continuei. E ela segurou a minha mão, se afastando – e me olhou sorrindo. Está de brincadeira, né, porra. A puxei de volta para mim. E ela me beijou, completamente na minha. Até se soltar de novo. “Não”.

_Oi?! – eu ri.
_Você está bêbada demais e é minha primeira (vez) solteira, quero que você se lembre dessa.
_Vai à merda. A Clara não regulava assim – vomitei as palavras, inconsciente, brincando.

E, bêbada, ela me virou um tapa na cara. Um tapa de verdade. Fiquei meio sóbria, no mesmo instante. Mas que... porra?!, pensei, de repente. Foi do tipo que arde a merda da sua bochecha inteira. E ela começou a rir. Completamente ofendida, mas completamente bêbada. Fora de si – e assim que notou o que tinha feito, arregalou os olhos, mudou completamente de atitude. E veio implorando na minha direção, na mesma hora, agora curvada, abaixando a cabeça – “desculpa, desculpa”. Ela pedia e achava graça simultaneamente, ainda chapada.

_Orra. Cê tá violenta hoje, hein?
_Não! – ela ria, caindo em cima de mim, e eu era forçada a cambalear para trás, instável também, contra a estante.
_Vem, então. Que bater, bate!
_Cala a boca, sua idiot.... – ela se jogava embriagada em cima de mim, me agarrando a blusa com as mãos cerradas, numa vontade louca de me beijar.
_Pode bater. Cê bate que nem mina, porra – aumentei o tom, com um tesão absurdo, encarando-a –. Acha que dói?!

Mentira. Doeu pra caralho.

_Ah, é?! – ela riu, mais ofendida.

22 comentários:

Aléxia Carneiro disse...

alguém pediu um sexo violento? pra já.

Aléxia Carneiro disse...

Li o post ouvindo umas músicas do Admirável Chip Novo da Pitty, e olha <3

Anônimo disse...

Pqp!! A fm curte uns tapas, né velho! Primeiro ca Dani, dps a Clara na briga kkkk agr Mia bateu e a outra ja ta morrendo de tesao... AMANDO. APENAS. s2 s2 s2

Anônimo disse...

Qr dizer.... a mel deve curtir uns tapas! Kkkk '6

TekaSak disse...

CONTINUUUUAAAAA MEL! E NADA DE PULAR OS DETALHES SÓRDIDOS ! PLMDDS

Anônimo disse...

Eeita porra! Essa vai ser boa, heim?!

Nah Jereissati disse...

Porrada de amor não dói. Ainda mais de amor bêbado. <3 Mas ou a FM é fraca ou a Mia tem a mão pesada, hein? hahahahahah

Juliana Nadu disse...

Aaaaaaaaaaiii gente!! sem comentários!! to impossibilitada!! ahahhaah

Lyly Silva disse...

Ai foi tão Maria da Penh... brincadeiraaa. Adorei, continue Nelson, o Rodrigues.

Anônimo disse...

COISA MAIS LINDA DO MUNDOOOOOOOOO

Anônimo disse...

Era adolescente e completamente apaixonante e maravilhoso. FM me fazendo amar cada vez essas duas.

Marianna disse...

A Mia Ahazou no tapa.. Amo esse clima delas.

Anônimo disse...

"A Clara não regulava assim" NÃO FAZ MERDA FM, NÃO FAZ MERDA FM, NÃOOOOO PORFA!
ah, e noffaaaaaa that was wild! hahahah
Sério, continuação, cadêeeeeeeeee?

Tá mega de parabéns como sempre Mel!

Anônimo disse...

Putz!! Sorriso de canto de boca aqui... kkkkkkkkkkkkkkkk
(Mariana Curi)

Anônimo disse...

mel, nao entendi essa frase da mia:

"_Você está bebada demais e é minha primeira solteira, quero que você se lembre dessa"

faltou a palavra "noite", é isso?

( the girl fucking Mia ) disse...

Ois :)

A frase seria referente à minha transa delas, a Mia estando oficialmente solteira (as duas solteiras!). Digo, a primeira em que elas estariam agindo livremente, não pelas costas de ninguém. Enfim, de fato uma com a outra!

Seria "dessa vez", ao final. Deixei implícito propositalmente, mas talvez outras meninas também não tenham captado e seja melhor reformular :) vou reler tudo e pensar como fica melhor!

Obrigada por comentar :)

Anônimo disse...

"Mentira, doeu pra caralho" sensacional! hahahaha

Anônimo disse...

Perai, fiquei confusa... elas estão no quarto ou na sala? Porque no segundo parágrafo fala em quarto, mas o resto do texto fala que estão na sala.

Anônimo disse...

(obrigada pela explicação)

( the girl fucking Mia ) disse...

Na sala! Ops! Vou corrigir, obrigada :)

Anônimo disse...

e em que posição elas estão? preciso de uns quadrinhos ilustrando em várias partes! HAHAHAHAHA

Anônimo disse...

Confesso que depois da Clara eu n estava mais curtindo a fm ficar com a Mia, até pelo Fer e tal. Mas porra como não amar esse casal?kkkkkkkkkk Duas lindas, esse clima delas é muito amor <3