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setembro 19, 2013

As Marias do bairro

Entrei rapidamente de volta no quarto e a Mia estava sentada na ponta do colchão, como uma semi-boa moça e apreensiva. Toda vestida, o cabelo preso às pressas em uma trança. Larguei na escrivaninha os itens recolhidos – um dichavador, duas pontas e as roupas que estavam largadas pela sala – e ri, olhando para ela naquele estado de tensão. Relaxa, garota. “Eu vou me livrar deles em menos de cinco minutos”, eu disse, achando graça. E ela acenou com a cabeça, muda – como se falar àquela altura denunciasse a sua presença no apartamento. Revirei os olhos, rindo. E a campainha tocou.

“Vou lá”, saí, fechando a porta do quarto atrás de mim. E a Mia ficou do lado de dentro. Passei os olhos rapidamente pela sala e certifiquei-me de que nada incriminador restara por ali, então virei a maçaneta. A minha mãe estava sozinha – ué, mas cadê? –. Espichei o pescoço, colocando a cabeça para fora, e não o vi no corredor. “E onde t...?”, antes mesmo que eu terminasse a frase, ela foi entrando e já tirando uma bolsa de couro enorme dos ombros, despejando-a na mesa da sala.

_O seu pai esqueceu o celular no carro, pra variar. Ele já vai subir...
_E está tudo bem? – ela se sentou na poltrona e eu continuei em pé, detrás do sofá, cobrindo a passagem para o quarto corredor – Vocês tinham alguma coisa importante pra falar? – apoiei os antebraços no encosto do sofá, olhando-a.
_Não. Não é nada. Só...

Claro.

_...que eu encontrei com a Vilma ontem, no ponto lá perto da padaria, sabe? – e então eu entendi tudo aquilo – E ela, bem, acho que você sabe.
_Mãe, olha... deixa que eu resolvo as coisas com o Fer sozinha...
_Mas pelo o que ela me diss...
_A mãe do Fer me detesta, é lógico que ela disse...
_Você nem me deixou terminar. E ela não te detesta! – a minha mãe contra argumentou; porque as duas eram amigas, ela vivia esta ilusão – Ela só está preocupada, parece que o Fernando resolveu brigar agora, está agindo mau com ela e o Carlos, saindo pra beber.
_E você veio de Santo Amaro só pra me dizer que o Fer está bebendo? – eu ri.
_Não é isso. É que nos ficamos apreensivos. E ele não conversa, você sabe...
_Não. Não sei mesmo! – revirei os olhos, o assunto me enfadava – Vocês precisam deixar o Fer em paz. Faz cinco dias ou nem isso! Eu não entendo por que todo mundo está surtando e vindo pra cima da gente com fofoca, com “ele está assim” e “ela fez isso e aquilo mais”.
_Porque vocês nunca brigam, oras...
_Claro que brigamos! – eu ri, de novo – Eu e o Fer brigamos o tempo todo. Qual é a novidade?!
_Mas vocês são amigos há tantos anos, isso é diferente, filha. Você sabe que é. E a gente se preocupa, a gente quer que vocês fiquem bem.
_E eu não?!
_Mas vocês precisam tentar resolver... Ele é um menino tão bom, eu gosto do Fernando.
_Acredite, mãe, eu adoraria resolver – suspirei, achando graça nela dizendo “bom menino” para alguém como Fernando –. Mas não cabe a mim... Fui eu que errei. É ele que precisa me perdoar e não o contrário. Eu tentei falar com ele e só piorou as coisas...
_E é, o que aconteceu, afinal? – cada vez mais dava-me conta de que o Fernando não estava falando a respeito da Mia, com ninguém, fosse por raiva ou talvez vergonha do que eu fiz e isso me deixava ainda pior.
_Não importa. Não faz diferença agora...

Ouvi a porta da frente abrir e o meu pai entrou, com o celular na mão e umas sacolas de compras, provavelmente para deixar no apartamento. De bom grado. Sorri aliviada – a presença dele tirava o foco do assunto, enfim. “Ô pai, não precisava!”, agradeci, encontrando-o na porta para ajudar a carregar parte das coisas. “A sua mãe não queria comprar a cerveja”, ele piscou para ela, todo bonachão como era.  

_Ainda bem que eu tenho você, então – eu ri e ele empurrou a porta com o pé, batendo-a para fechar.

Assim que o barulho ecoou pelo apartamento, ouvi a do quarto abrir quase instantaneamente e vi os olhos da minha mãe se surpreender. Ainda sentada de frente para o corredor, na poltrona. Deixei as  sacolas sobre a mesa e me apressei uns passos adiante. “Isso é, eu não sabia que tinha gente aqui”, a minha mãe soou confusa, “olá”. Argh. Excelente. “Oi”, ouvi a Mia murmurar de longe, “b-boa tarde, eu...”. Alcancei-a, ela estava parada sem saber o que fazer em meio ao corredor. Como uma criança perdida e eu me senti responsável.

_Você disse que ia mandar eles emb... – ela sussurrou, quando me aproximei dela – ...eu ouvi a porta fechar, a-achei que...
_Foi o meu pai. Desculpa. Me desculpa.
_O-o que eu faço? – arregalou os olhos, aflita.
_Vai cumprimentar eles, linda, não sei...
_Não. Não! Eu não quero ficar na sala, lá com vocês.
_Então, sei lá... – eu ri, falando baixo – ...fala que está de saída, que ia tomar um banho, não sei.

A Mia acenou com a cabeça para mim e fiz um carinho rápido em seu braço.

_E você é...? – ouvi a minha mãe quase gritar do outro lado da sala, num jogo verde.

14 comentários:

Anônimo disse...

Eita Mia!!!

Anônimo disse...

VIRJ MARIA!! Corre Mia, corre!

Anônimo disse...

Mas nao tem paz nesse blog ne ! Hahahha

Ianca' disse...

AH, MÃES... "E você é?" HAHAHAHAHAHAHAHAH
Que post gostosinha, cara. Manda o outro, amei este :D

n.martins disse...

UAHSAUSHUAH eiiiiita kkkk, amei amei, maaais

Anônimo disse...

xent, to amando. maaais :}

Anônimo disse...

ahshauhaushaushuahs que foda, ein mia. Muito afobada kkkkkkk
Posta maaaaais, fiquei tensa por ela.

Anônimo disse...

Aaaahhhhhhhhhhh!!!! Que teeenso!!
Hahaha, fiquei curiosaa!
Que dó de imaginar ela perdida no meio do corredor, haha.

Anônimo disse...

Kkkk, adorei o pai da FM!

Anônimo disse...

Pq amigos não podem brigar e ficar tudo em paz? Tipo, as pessoas ao redor. Todo mundo quer meter o bedelho, velho. Chato demais. Pq ainda tem que suportar o drama daqueles que fazem parte da vida social... Enfim, pelo menos parcialmente ela se livrou do papo chato com a mãe, mas chegou a Mia, e agora? hauhauhauhaua

Anônimo disse...

Eita... Corre Mia, corre! shuashuash
To amando <3

Anônimo disse...

Hahahahaha q bonitinho esse post =)
Não tirei o sorriso da cara lendo

Anônimo disse...

SABIA que era sobre o Fer! =) hahaha

Anônimo disse...

Mia conhecendo os sogros hehehehehe