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outubro 16, 2013

Fried my little brains

Os porraloucas começavam a se acumular na calçada. Em meio a Pinheiros. Conforme esperávamos na fila do Emme, a garrafa de vodka do Gui se esvaziou. “É ele!”, alguém gritou ao meu lado e outra voz respondeu: “ela!”. “Ele! Ele, certeza!”. “É ela!”. “CALA A BOCA, É UM CARA!”. “NÃO É!”. Olhei por cima do meu ombro e vi duas garotas, já trêbadas, discutindo a identidade de uma pessoa parada mais adiante, perto do meio-fio. Até uma quarta cortá-las – entre o “ele” e “ela” esgoelados – e perguntar à terceira, em questão. “Sou os dois...”, piscou para uma das que começara o assunto, de longe. Indicando que já as ouvia antes disso. E ela sorriu em resposta.

Até eu sorri, meu, como eu amo São Paulo. E toda sua pansexualidade.

Quarenta minutos depois e a garota se agarrava à tal pessoa da calçada, já do lado de dentro, num canto escuro qualquer do Emme. O Gui havia sumido com um dos funcionários – que ele conhecia há alguns meses e quem nos colocara para dentro de graça. Provavelmente noutro canto bem escuro. E em plena luz (ou luzes) da pista, por outro lado, estávamos a Mia e eu embriagadíssimas, concentradas no maior amasso de toda a nossa vida pública. Completamente alucinadas, depois de termos nos voluntariado para acabar com a garrafa, antes que acabasse a fila.

_Alguma sorte? – ri e olhei por cima do meu ombro, os braços ao redor da Mia.
_Não, tá osso... – o Du resmungou, se aproximando de nós na muvuca e competindo com o som alto – Ou já peguei, ou não quero pegar. Ou pior ainda, é hétero...
_Ei! – protestou.
_Sem ofensas, Mia.
_Bom... – a beijei então e disse, entre um beijo e outro, a segurando pela cintura – ...já não é tão hétero assim.

E começamos a nos pegar, inebriadas. Ao que o Du logo contestou – “vai, esfrega mesmo na minha cara!”. Ele gritava. “Não é justo! Isso devia ser ilegal com os amigos!”. As suas mãos tentavam nos separar, comecei a rir ainda mais. E ele puxou a Mia para perto dele – “você”, disse bêbado, enroscando os braços e todo o corpo no dela, “vai dançar comigo, sua magnífica!”. A Mia o encarou, encantada. E os dois se encaixaram, em meio à pista de dança. Eu meio dava carta branca, avisei-os que ia ao banheiro. Ok. Talvez deixá-los sozinhos não fosse a melhor das ideias, de fato. Mas não era nada comparável ao que viria a seguir – o que me fez voltar às pressas, segundos após sair.

_Mia! – voltei, chamando-a; o meu coração estava acelerado – O Igor... ele tá aí!
_O... ahn?! Quem? – ela pareceu confusa, ainda sorrindo e sem entender.
_O Igor, caralho! O IGOR!!
_Que Igor? O Igor, “Igor”?! O Ig? – arregalou os olhos, subitamente.
_Hum.... “Igor”. Ele é gay? – o Du se intrometeu.
_Não! N-não. Não é! Ele... – respondi, aflita – Ele é amigo do Fer! Meu amigo. Sei lá! Ele anda com todo mundo, ele, mas que merda. Ele não podia estar aqui!!
_Mas você acha que ele viu a gente?
_Não sei...
_ACHA?! Onde ele está?!?
_E-ele está num dos camarotes, eu n-não... eu não sei! Não sei! Ele NÃO PODE ter visto. Isto vai dar merda... – o fluxo em minhas veias disparou – ...vai, vai dar merda... – eu comecei a surtar, a minha antecipação misturava-se a todo o álcool de forma não muito saudável – ...caralho! O Fer não pode saber d-disso, de nada disso. MAS QUE PORRA! O QUE ESSE BABACA TÁ FAZENDO NO EMME??? QUE MERDA ELE TEM PRA FAZER AQUI???
_Hum, e então... ele é gay, né?

O Du emendou, completamente alheio ao teor da situação. Rindo. E eu mandei que calasse a boca. A Mia – sabe se lá por quê – desatou a rir junto. “Bonito!”, comentei, irônica. Como se isso não te afetasse, né? E ele achou ainda mais graça. “Deixa de ser paranoica, velho! Relaxa”, o Du gritou na minha direção, “qual a chance dele ter visto vocês?”. “Como assim? Faz VINTE minutos que a gente está se pegando aqui!”. “E daí?”, argumentou e eu revirei os olhos.

Os dois riam. Tinham álcool demais no corpo para se manterem sérios – e eu os encarava indignada, era revoltante. “Vocês são um par de idiotas, sabia?”, argumentei, “isso é muito tenso! E se ele vier falar alguma coisa??”. Pronto. Começaram a gargalhar ao meu lado. Eu desisto, eu não entendo. Zero empatia.

_E-eu... – a Mia tentava controlar o riso, em meio à pista – ...eu sei que é... – o Du ria tanto que cambaleava, se apoiando nela – ...sério, e-eu... – eu observava os dois, começando a achar graça também naquele absurdo – ...eu não sei por que eu tô rindo! Eu não sei! É uma merda, é o... o Ig, cara!
_Você é uma besta. Nós vamos nos ferrar, você vai ver... – ri.
_E-EU SEI!

Àquela altura já havia me rendido. Idiotas, eu ria. A Mia me puxou, então, dedo a dedo pela camiseta. E eu balancei a minha cabeça – mas nem pensar. A última coisa que eu queria era dar motivo para o Igor vir tirar satisfação comigo, conosco. Mas admito que meus pés já estavam bêbados demais para resistir à sua direção. A Mia começou a subir pelo meu corpo. Desgraçada. Ela me olhava com aqueles olhos castanhos, tentadora. E me beijava o pescoço, deslizando as mãos camiseta acima.

Eis a velha Mia que eu conheço.

Eu seguia imóvel, enquanto ela me causava problema, sutilmente. A Mia se divertia. Comecei a olhar em volta e nem sinal do Igor – onde o maldito se meteu? Enquanto isso, o Gui ressurgia das cinzas ao lado do promoter, um moreno magro e alto, sem tatuagens. E onde vocês estavam? Bem – não tinha certeza se queria a resposta para esta pergunta. Havia de envolver banheiros e detalhes desnecessários da vida sexual alheia. “O que está acontecendo aqui?”, ele percebeu a movimentação, se aproximando. “Ela está me rejeitando!”, a Mia sorriu para o Gui, com os braços ao redor do meu pescoço. “Não estou!”, ri. “Está, sim”, ela então me encarou e insinuou um beijo. Provocando. E eu recusei.

_Viu?! Está negando, porra! – a Mia se divertia, tocando o foda-se na situação.

O Du virou-a então na sua direção e lhe tascou o beijo mais bicha que já vi na minha vida. “Eca. É noite da heterossexualidade no Emme ou o quê?”, o Gui fez uma cara de nojo e eu ri. “Sai de cima dela, vai, ô”, empurrei o Du para longe, “PANACA!”. A Mia apertou o passo para o meu lado e deu-me um beijo. Este sim, de verdade. E no meio disto tudo, o Du tascou outro beijo no Gui. Dos não tão bichas assim. O promoter ficou olhando sem entender porra nenhuma. Claro! Eu notara os dois com o canto de olho e rapidamente comecei a rir – o Gui arqueou a sobrancelha para o Du ao se afastar. “Você tem problemas”, balançou a cabeça. E o Du achou graça.

“Meu problema é falta de homem decente nessa porra”, resmungou.

14 comentários:

Anônimo disse...

The Kills *-*

Anônimo disse...

Acho que o Fer vai acabar aparecendo ai... E o Du tem todo o meu amor hahahah <3

Anônimo disse...

FM foi guerreiraaa ao ignorar essa Mia-tentação! Hahaha. E não sei não... mas se o Igor ta na balada, a chance do Fer estar tambem aumentaaaahhhhhhhh!

Anônimo disse...

Quem não queria ter uma Mia, por mais problemático que seja, né <3

Pathy disse...

Eu disse, essas viados me matam de amor <3
Melissa, Melissa.. pega leve no próximo post, nada do Fer na balada hein. :/

Já tô é com medo.. CORRE TODO MUNDO,CORREEEEEEEE

Anônimo disse...

"Meu, como eu amo São Paulo. E toda sua pansexualidade." <333

Anônimo disse...

Eu ADORO como eles se divertem juntos e ñ tem porblema.... ja vivi relacionamentos q ñ permitiam nd e era um saco!! =/

Anônimo disse...

GENTE QQ O FER IA TA FZENDO NA BALADA GAY?? Acho q o amigo vai confrontar a fm.......

coxiba disse...

ai q aflição ... o Fer n pode aparecer e estragar td, ta tão lindos eles assim juntos *-*

Anônimo disse...

Leva logo a Mia pra cama que resolve rs

Anônimo disse...

Chocada que toca The Kills na emme :O
kkkkkkkkkkkk esses meninos são demais

Anônimo disse...

pegaçao coletiva!!!! ahahahahaahaaha

Anônimo disse...

como nao ser Team Mia? <3

Juliana Nadu disse...

Amor eterno pelo Gui e pelo Du!! só digo isso!

Tava mais do que na hora de se tocar o foda-se pra toda essa lamentação toda... Já aconteceu não adianta ficar choramingando.. Tem que enfrentar logo! Aceitar que todos irão ficar do lado do Fer e tocar a vida.