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novembro 02, 2013

As ilhas, plurais.

E a segui. Por toda aquela noite. Pelas frestas aventurosas, inconsequentes da madrugada. Via-a passar dentre os carros, os faróis. As luzes de São Paulo. Inquietas. E o seu corpo andava, sempre adiante. Entre a névoa que eu mesma criava, a fumaça dos cigarros que acendia. À distancia. De mim, eu a observava. Uns passos atrás. Extraordinária. Como um som que se vê, ainda que não se ouça de imediato. Vê-la era assim. Antecipar. O mero estar em sua presença, imaginá-la era senti-la. Podia senti-la – juro –; mesmo sem tocá-la. Sem vê-la. Mas a via agora. Como o sal e a umidade e o vento. De uma brisa que se dissipa no ar ao quebrar das ondas na praia. Um leve movimento sob o luar, aquele momento. Um respiro. E o som. As gotículas brancas que restavam, suspensas no breu. Ela era uma violência da natureza, um instante. O rebentar. Ela era a força da água e o irremediável, um sentimento. Os pés na areia fria. A minha pele, a dela. E o oceano, ensurdecedora. A Mia era todas as sutilezas juntas. E as contradições. Massiva. Algo nela me fazia esquecer. A mensagem do Fernando, o peso dentro de mim; tudo. Como pequenos grãos que dançam com o vento, por cima das dunas, em coreografias magníficas e macias; como se em constante canto, nuns sons encantadores, codificados. Me inebriava de repente. Indecifrável, a minha sereia. Os seus cabelos curvavam-se no ar, em câmera lenta; nas ruas meio iluminadas de Pinheiros. Ela. Me atraindo; os pés descalços agora molhados, salgados. O vai e vem das ondas – um tanto frias. Eu a seguia. Ao mais profundo. E ela me mantinha aquecida – no banco de trás de um táxi, enfim; na volta para casa. A cabeça em seu colo morno; os meus olhos embriagados, atravessados pela janela aberta, distraíam-se. E inventavam desenhos nas estrelas, mapas, rotas, absurdos, causos de marinheiros, irrealidades; furtivos, os meus caminhos até ela. Vênus. Estrela d’alva. Seus dedos vinham e deslizavam pelos meus fios loiros, esparramados sobre as suas coxas descobertas. O seu toque, aquela maresia. Entoavam harmonias secretas, as suas mãos. Sempre intencionadas. Cada olhar, agora; as pupilas em tons castanhos; como nas minhas fantasias, os seres míticos; por que eu devia confiar em você, garota? A observava de volta. E ela sorria. Eu me afundava de vez, envolvida em seu canto; afogava-me sem objeções. Sem revidar ou questionar. Deixava-me engolir pela imensidão, pela quietude de estar por fim com ela. De ser. Plena. E incompleta, ao mesmo tempo. Irracionais. Subíamos as escadas do prédio. Destrancávamos portas. Desbravávamos cômodos, corredores. Como mulheres piratas com histórias incríveis, pela madrugada. Navegávamos entre lençóis agora, à deriva; fluíamos entre as velas brancas de um barco imaginário. De tecido e peripécias, de algodão. Os mares agitados. E embarcações, emoções, que conduzíamos, trancadas no meu quarto; no silêncio do apartamento. Um vazio, um nada. Não havia ruído algum. Apenas o som das ondas. Dos sussurros. Dos suspiros. Dos gemidos. E vai-e-vens. Quebrando na praia. Eu a explorava. Assim. Nós duas explorávamo-nos; descobríamo-nos estreitos e continentes inteiros. Ela era o meu Norte, de repente. De repente? Não. Sempre fui na sua direção, garota. Atraquei sem âncoras. Sem certezas. As dispensava. A Mia guiava o meu coração, aquele que desacelerara num beco sujo horas antes. E o sol amanhecia, em toda metrópole. Do lado de fora. A eternidade passava e não havíamos dormido – protegidas do lado de dentro. Os seus olhos nos meus; piscou lenta e em descompasso. Com peso nas pálpebras, de sono. Correntes marítimas ternas. E vagarosas. Beijei a sua testa e os meus lábios encontraram, em buscas inconscientes, os seus. Apoiou então a cabeça em meu ombro. E aninhou o corpo em meus braços. Menos sereia e mais pérola, tímida. Aconchegada entre conchas, pedras e areia – meu deus, quanta areia. Aqueles pedaços ínfimos e infinitos de rocha, arrebentadas. Despidas. E as nossas respirações em sincronia. Sem bússola. As rotas cruzadas. Aquele calor de corpos próximos e lisos, em águas frias. O som dos garotos passando ao fundo no corredor, os passos e os risos contidos, o retorno da balada. E então, mais uma vez: o silêncio. Espalhava-se pelos cômodos. Contíguo. Os raios do sol atravessavam a janela. Entreaberta. E ela também. O seu âmago. Exposta a mim por um instante. Efêmera. As pontas dos seus dedos desenhavam curvas sobre a minha pele, agora arrepiada. E ela me encarava – apreensiva. Numa luta para manter os olhos ainda abertos. Moveu os lábios.

_Eu falei sério, antes.
_Hmm. Quando?
_Quando disse que lembrava, de tudo – murmurou – Do que você falou, do que fez. Eu memorizei cada segundo do seu lado – here, I saw – todos eles – e eu podia sentir os seus cílios oscilarem sobre a minha pele descoberta; something I couldn’t over look E às vezes, doía tanto. Mas eu... – I am yours now – Eu nunca te deixei de verdade, os meus pensamentos sempre voltavam para você e não me deixavam esquecer; de um jeito muito estranho – eu a escutava, so now –. E agora – I don't ever have to leave –, fica cada vez mais difícil lembrar de qualquer outra coisa... I've been found out – ...que não seja você.

34 comentários:

Anônimo disse...

Meus Deeeeeeeeus, que linds! Onde acha uma dessas?

Débora Brito disse...

awn que Linda a Mia *-*

Anônimo disse...

meu deus, acho que esse é o post mais lindo que vc ja escreveu, mel. uau!!! <3333

Anônimo disse...

Meu deus, eu não sei se admiro a musa inspiradora ou a poetisa inspirada! PQP! Fiquei sem fôlego, li tudo de uma vez, absorvendo cada palavra, e imaginando a fascinação da FM.

Caralho de post Mel,vai pro top 10, com certeza!

Marta Campos disse...

Poooooooo, pra fechar com the xx , chorei agora!

Anônimo disse...

incrível

Marcella disse...

<3

Mylena Azevedo disse...

EXTASIADA!!
Que descrição de amor... coisas que só sentimos quando estamos muito apaixonadas, sensíveis mesmo "os cilios roçando a pele". Que isso? Tô encantada, esse post acabou com meu final de semana de ORGIAS!

Anônimo disse...

Perfeito! Daqueles que você lê imaginando a cena e não consegue parar até que acabe, se "afogando" nas palavras.
E com The XX no final <3 Lindo demais!!

Anônimo disse...

MORTA ,PERFEITO.

Anônimo disse...

Ahhhhhhh como não amar!? Perfeito!
Quero uma Mia! Now!!!

Lu disse...

Parabéns, Mel! <3

Ianca' disse...

As vezes me pergunto se a FM é assim tão poética quanto a Melissa. O post mais lindo do mundo.

Bárbara Leão disse...

Que amor esse post!!!
=D

Anônimo disse...

Q bunitinho!
e finalmente: the xx <3

Anônimo disse...

Perfeitoooooo ai ainda mais com XX ♡♡♡♡♡

Anônimo disse...

Mais lindo de todos sem dúvida!!
Esse sentimento que elas estão vivendo é a coisa mais gostosa do mundo.. é oq faz tudo valer a pena!!
Sensacional Mel!! Obg pela "viagem" que esse post me proporcionou!!
(Mari Curi)

Anônimo disse...

caralho, esse foi realmente um post foda! =O

Como eu ja suspeitava, Mia is the new Capitu. Em outras palavras, a mulher mais linda e encantadora e fascinante e apaixonável desse mundo. <3 Nesse post ficou claro, não teve como não lembrar dela, minha musa da literatura. hahahaha.

Enfim, belas palavras, bela construção! Que arraso! A declaração da Mia no final foi... espetacular! Que delicadeza.

Parabens, Mel!! Se toda vez que vc demorar seculos pra postar vc ressurgir com um desses, puta merda... be my guest! ;)

Anônimo disse...

and the oscar for the-best-comment-ever goes to: "esse post acabou com meu final de semana de ORGIAS!"

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAAHHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHA.... amazing!

Anônimo disse...

Geeeente...
Não tem como não comentar este post poético, lindamente escrito e que certamente é o melhor de todos.
É por momentos como este que todas nós esperamos desde o começo, nós que torcemos pela Mia (#Team Mia, claro!) e, principalmente pela FM, sofrendo apaixonada há meses/anos.
Essa declaração de amor no fim é simplesmente sensacional! Obrigada, Mel!!

Anônimo disse...

AI AGORA SÓ VAI MIA E FM PELO AMOR DE DEUS <333

Cris F Santana disse...

Nossa Mel.. .-.
Onde estava a sua inspiração para escrever essa postagem.. .-.

#linda

Abraço

Anônimo disse...

R: na menina linda que comentou um coração ali em cima. ^^ rsrsrs

( the girl fucking Mia ) disse...

Hahaha, sim! Nela mesma. ;)

Anônimo disse...

"Seus dedos vinham e deslizavam sobre meus fios loiros (...)"

hahahahahahahaha.. fez questão de reforçar, né? =) acho q pra mim o q sempre deixou claro de q a FM é loira ajudou a corroborar ao longo de todo esse tempo, é essa "sua" foto aí no perfil, q sempre aparece qnd vc comenta.

Anônimo disse...

alias, tava revendo o album de Mias e FMs lá na pag do blog no fb ontem. Tem cada uma que... PQP!!!

Pathy disse...

Cara, esse post está maravilhoso! Muito lindo todas essas palavras Mel.. MDS eu não consigo nem descrever em palavras esse post.
PARABÉNS, cara.
Existe amor em São Paulo!!!!! <3

Anônimo disse...

melhor post <3 parabéns mel

Beatriz Alves disse...

Meeeeeel, que perfeito! Eu amei!
Pode mandar embrulhar que quero a Mia pra viagem, quente e com amor... Por favor (((: que lindas aiaiai

Babaloodeuva disse...

Lindo

Rebecca Bittencourt disse...

Eu nem li tudo, estou relendo e babando na primeira parte. Que lindo e apaixonante! <3

Rebecca Bittencourt disse...

Li tudo e acabei com lágrimas nos olhos. Realmente, acho que é o melhor post que você já escreveu nesse blog.
Lindo e sensível! Me faz desejar ter um sentimento assim.

Juliana Nadu disse...

Caralho! POr que mais que eu leia e saiba o que é, ao mesmo tempo não faço a minima ideia de como deva ser, sacou?

bru disse...

Esse foi o post mais......... não sei a palavra... denso? que eu já li aqui. É tanta metáfora pra explicar, não sei, algumas horas do final de uma noite. Já passei pela experiencia de se perder no momento de tão inebriante que ele é. Mano, eu amo esse blog.