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novembro 03, 2013

O significado de verdadeiras amizades

Eu sorria, rindo, entre uma tragada e outra. E a observava. Ali em pé, dançando. A Mia se entretinha sozinha. Os pés descalços sobre a cama. As mãos acima da cabeça, em curvas ritmadas. Ela pulava algumas vezes, então, e rodava ao redor de si mesma; eu soltava a fumaça e ria. Ambas tínhamos camisetas velhas no corpo e as calcinhas eram minhas, as duas. Last night or the night before that…, o rádio cantarolava um Billy Bragg & Wilco naquela tarde de domingo.

_...and I won't say which night! – rompi então o verso, a plenos pulmões, mas ainda deitada.

A Mia riu, dançando. E continuou: "A seaman friend of mine...", arqueou a sobrancelha na minha direção. E eu ri também.

_...and I'll not say which seaman... – completei, acompanhando a música.
_Walked up... – ela começou o verso e eu me juntei em seguida, aumentando o tom – ...to a BIG OLD BUILDING.

And I won't say which building, Billy Bragg & Wilco seguiram sozinhos. Achava graça naquilo. Coloquei o cigarro entre os lábios e me ergui, apoiando as mãos no colchão. Me levantei. Os pés também descalços sobre o lençol; e me juntei a ela, sacodindo o corpo e a cabeça, rindo. A música continuava (“...not to say which stairs...”) ao fundo e a Mia cambaleava, meio pulando, desequilibrada pela minha presença ao seu lado. Dançávamos uma com a outra num estilo meio rockabilly – não que tivesse algo a ver com a música. Eu a segurava, de um lado para o outro, e a rodava desajeitadamente; if there had not have been two girls, nós ríamos. A Mia colocava as mãos ao redor do meu pescoço. E nos olhávamos.

_Leaving out the names of those two girls... – dissemos ao mesmo tempo e começamos a rir, de novo.

Os nossos corpos seguiam em sintonia, num desempenho fenomenal prejudicado apenas pela instabilidade do “piso” macio. O meu colchão, isto é. A Mia retirou então o cigarro da minha boca, encarando os meus olhos, e o tragou por um instante, soltando a fumaça logo em seguida. E num impulso, eu beijei-a. Meio caíamos contra a parede, ainda em pé sobre a cama e agora um tanto atrapalhadas, entre aquele beijo. Puta merda. Aquela garota me tirava o fôlego – como eu te amo, caralho. Nós sorríamos. Minha vida agora era uma sucessão de dois estados completamente opostos, em que estar ou não com ela fazia toda a diferença. Como numa ilusão deliciosa. “E você não está com fome, não?”, sugeri e a Mia acenou. “Faminta”, riu. Segurei-a então pela mão e descemos da cama, em direção ao canto da escrivaninha, onde estava o rádio. Aumentei ainda mais o volume – estava no trecho da música que dizia, “and I can mention which lap”. Queria que o som alcançasse a cozinha.

Saímos e fomos até lá. A Mia sentou-se com as pernas cruzadas despidas e espetaculares sobre a mesa; enquanto eu preparava umas torradas com ovo frito por cima. Tinha visto a TV da sala ligada, conforme passamos pelo corredor. E logo o Du apareceu na cozinha, com uma cara destruída, completamente de ressaca. O cabelo despenteado e amassado, numa regata rasgada com uma abertura funda nas laterais, revelando uma marca de mordida na altura das costela em um dos lados. Olheiras descomunais. “Você parece bem, hein...”, comentei e ri, com ironia. Ele me ignorou. E subiu na mesa, deitando atrás do corpo da Mia, numa concha ao seu redor, largando metade de si para fora daquele metro quadrado de tampo.

_Você sabem que eu paguei menos nessa mesa do que nessa frigideira, né? – comentei por cima dos ombros, brincando – Sério. Ela vai quebrar em dois segundos com vocês aí em cima.
_Cala a boca... – o Du remungou – Não vai, não.
_Me surpreende é essa sua observação. Porque eu sinceramente achei que era proibido usar cadeira nessa casa – a Mia me zombou –, cê que me ensinou assim.

Os dois riam. É. Vai nessa... E continuaram ali em cima, abusando da resistência das quatro pernas de metal barato. Logo, logo a comida ficou pronta. Incluíra uma torrada a mais para o Du, a pedido dele, e servi as três num mesmo prato. Sentamos – agora devidamente nas cadeiras – na lateral da cozinha e começamos a comer. “Acabou a Coca mais cedo...”, o Du disse e se levantou, para checar o que mais tinha para nós na geladeira. Uma lata de cerveja e nem um litro de água – o resto consumimos no esquenta da noite anterior. Precisamos ir ao supermercado, urgente.

“Me dá a cerveja”, pedi. E a Mia logo contestou: “Ei!”. “Quê?”. “É assim?! Você não vai nem oferecer?”. “Não”, ri, “só tem uma, porra! O outro aí acabou com a Coca”. “Tá. Mas eu sou a visita, não tenho preferência, não?”, ela se fez de ofendida. Mas é claro que não. Lancei um olhar de você-só-pode-estar-brincando na sua direção. E ri: “você deixou de ser visita uns dois anos atrás, garota, fica quieta...”. Ela apertou os olhos para mim e dei de ombros. “Tudo bem!”, disse então, em tom de desafio, “Mas agora eu sou a mina que você está comendo, não tenho preferência por isso?”. Eu a olhei de volta. E disse, com toda certeza: “não mesmo”.

Ela me retrucou o olhar, indignada, e eu ri. O Du me entregou então a latinha, se divertindo com a discussão.

_Tá. Me dá então a porra da água, por favor... – ela pediu para ele e se dirigiu a mim, brincando – E nossa, você que me aguarde, sua babaca.
_Que que é isso, meu. Deixa de ser besta! Água faz bem para você!
_Faz, é?
_Claro! Só quero melhor pra você...
_É, né. Sei.

Dei um gole na minha Itaipava, trincando de tão gelada, e a encarei; me divertia. Os meus olhos distraíram-se por um momento com o Du, que agora sentava numa cadeira na ponta da mesa. Ele colocou a garrafa d’água adiante de si. E observei umas marcas menores no seu tórax, além da que vira antes na costela, ali do seu lado direito. Uma vermelhidão revelava a sua pele machucada. “E essa mordida aí...”, sorri para ele, “...é de quem, do Gui?”. Ele olhou por um instante para o próprio corpo, mal coberto pela regata rasgada. E respondeu: “É”. Prosseguiu então em comer parte da sua torrada com o ovo, emendando, de boca cheia – “ou acho que é, sei lá”. A Mia riu. “Espera. Você não lembra da pessoa ou da mordida?”, perguntou e ele a empurrou com o cotovelo, ainda segurando a comida nas mãos e tentando não rir. “Da mordida, né, cacete!”, murmurou, com a boca um pouco menos cheia.

_Assim, não que eu possa falar muito, mas eu não entendo como você pode ter pegado o Gui ontem, sério... – comentei.
_Que tem? 
_Sei lá. É o Gui.
_E daí, não tinha ninguém interessante naquela porra de balada...
_Ainda assim. É o Gui! É estranho.
_Não, oras. São só dois amigos se ajudando.
_Não sei se dá para classificar como “ajuda” ou amizade , se você pode resolver seu "problema" sozinho... – a Mia o provocou, alcançando o sal ao lado do prato.
_Ah, dá... – o Du piscou para ela e sorriu – Porque o que ele fez comigo ontem, eu não consigo fazer sozinho...

17 comentários:

Anônimo disse...

Pode até ser injusto com a amizade que a FM tinha com o Fer, mas não queria MESMO que ele voltasse pra atrapalhar as coisas, está tudo tão lindo assim, deixa ele lá quietinho na dele rs
A Mia por si só já faz o blog MARAVILHOSO!

Anônimo disse...

Que linda a música. E que lindas essas duas! =) Eu AMO o Du com todas as minhas forças kkkk

Ianca' disse...

"Pq o que ele fez cmg ontem, eu não consigo fazer sozinho" hahahahaha inspirado na postagem que vi no grupo?? Foda!

Liv disse...

Porra, Itaipava? Eca! Hahahaha...

Enfim, amigo é aquele que te aceita como você é... eu não consigo acreditar que as coisas voltem a ser como antes entre a Fm e o Fer...

Término de amizade é mais pesado que termino de namoro, fica um sentimento ruim de intimidade ferida...

Anônimo disse...

Queria um domingo assim, heim. q delicinha! qm vai fazer minha torrada com ovo? hahahaha

( the girl fucking Mia ) disse...

Ianca, qual postagem? Haha! Não sei. Foi inspirado na amizade de uns amigos meus aí, rs.

E eu não bebo cerveja, Liv, eu vou pelo que meus amigos bebem! No apê da F.M. sempre tem Itaipava ou Stella.

Sobre o Fer, eu não sei ainda o que vai acontecer... :/

Obrigada pelos comentários, suas lindas! <3

Anônimo disse...

Continua sem saber o que vai acontecer com o Fer então, Mel. As coisas estão indo muito bem, deixa assim. Obrigada!

Anônimo disse...

Que delícia elas dançando no colchão! <333

Anônimo disse...

Kkkkkk quero amizades assim!! Eu adoro o Du tb! e a fm e a mia estao uns amores juntas mas qro ver o circo egar fogo kkkk ñ acho q a fm vai desistir do fer....

Anônimo disse...

Ai. Esses 3 juntos <3

Pathy disse...

Como ela consegue ainda beber? Eu já estaria morta. Hahahahaha
A Mia as vezes é tão "inocente" que chega ser até engraçado. haha

Anônimo disse...

Porran, eu acho Itaipava tao boa hahahaha
enfim, acho o Du um fofo, apenas!

Ianca' disse...

Mel, a do "are you gay because you don't have a strong male figure in your life?
no, i'm gay because i want a strong male figure in my ass." HAHAHAHAHAHAHA Achei o contexto parecido.

Anônimo disse...

hahahahahhahaha. pertinente o comentário acima

( the girl fucking Mia ) disse...

Iana, hahaha! Nem pensei nisso, mas pode ser. O Du na real é um personagem muito sexual. <3 eu parto sempre disso, como quando ele perguntou se o Fer dava a bunda ou quando comeu a ruivinha, o beijo na Mia, a sua tirada de roupa no banheiro, a trepada com o Gui. Tudo flui para ele... ;) rs

( the girl fucking Mia ) disse...

Aliás, ele é parcialmente inspirado num amigo meu, hahaha! Meninos que lêem o Fucking Mia fiquem espertos... <3

Ianca' disse...

Hahahahahahaha me dá esse amigo, por favor! Eu adoro o Du <3
Obrigada pela resposta, quase tinha esquecido hauhauaha