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novembro 20, 2013

On the low flow

O que restava daquela tarde prosseguiu para uns quarenta minutos desnecessários de exercício, meus e do Du, movendo os móveis da sala de lugar. Só para no final odiar e trocá-los imediatamente de volta. De quem foi essa excelente ideia? Me larguei sobre o sofá assim que o colocamos na posição habitual. E o Du se jogou na poltrona, agora distraído, apertando masoquistamente o maior dos hematomas deixados pelo Gui em sua pele. Ainda dolorida – dava para ver na sua expressão. O Du tinha um São Jorge em estilo old school, tatuado mais adiante na sua costela. E um coelho esquisito abaixo, menor. Definitivamente um desenho não combinava com o outro – mas de alguma forma as suas tatuagens faziam sentido; nele, pelo menos.

Me apoiei na mesinha do centro, alcançando o “tijolo” que eu comprara com o amigo dos meninos na noite anterior. Tá. Exagerei. Eram só umas 40g – e eram para nós dois, então, 20g cada; não é tanto. Comecei a dichavar antes que o meu celular vibrasse. “Vc. tava certa... :(”, um SMS da Mia disse. Sobre quê?, pensei. E escrevi de volta, sem entender. Não era como se tivesse falado muito naquele domingo todo, à exceção de roupas e ideias muito erradas que héteros têm sobre sexo entre mulheres. Mas o comentário não me parecia fazer sentido. Sobre o que diabos eu poderia estar certa, meu?  Larguei o celular de lado e dei de ombros, voltando a bolar tranquilamente.

_Cê vai querer? – perguntei, já ajeitando a erva na seda.
_Quero. Mano, não tá passando porcaria nenhuma nessa TV...
_Coloca num desenho, sei lá – murmurei, sem prestar atenção –. E hein, você vai ficar se cutucando assim?! Não tá doendo isso aí, não??
_Tá. É que não consigo ver direito onde tá...

Olhei para ele como se aquilo não fizesse o menor sentido; e precisa ficar se machucando por causa disso? Lambi a beirada da seda. O Du tirou a mão das costelas e deixou o controle sobre o abdômen, pendendo as duas mãos agora sobre a cabeça. Podia sentir o tédio a metros de distância dele. O meu celular vibrou no assento. Terminei apressada o baseado, acendendo antes de checar a resposta, e dei um pega rápido. Passei para o Du em seguida. E olhei a tela – “a minha mãe estranhou... ouvi um monte, meu. Oq. tava fazendo aí, oq. rolou com o fe... serio, a noite vai ser um inferno ://”.

Hesitei por um instante. Mantive o dedo suspenso sobre o teclado, sem saber bem o que responder. “Que foi?”, o Du me perguntou, com o baseado esticado de volta na minha direção, estranhando a minha expressão. “A... mãe da Mia tá...”, expliquei num suspiro cansado, “...achando ruim, sei lá, que ela veio pra cá”. “Mas ela sabe?”. Peguei o fino das suas mãos e traguei, afundando no sofá. “Acho que sim”. Soltei a fumaça espessa no ar. “Tenso?”. “Não. Não sei, na real. Falei para a Mia que achava que ela nem sabia, que só não me curtia porque eu sou, tipo, ‘eu’ e tal”. “Mas agora cê acha que ela sabe...”. “É”. “Que merda, meu...”. “É, sei lá. Vamos ver...”, traguei mais uma vez e devolvi para o Du, começando a digitar. “E vc. está bem?”, mandei para ela.

A resposta demorou mais uma vez – e presumi que as duas ainda estavam discutindo. As imaginei falando baixo em algum canto de uma casa muito grande em Moema, tentando “evitar uma cena”. A Mia não se encaixava naquele contexto de família judia com grana até dizer chega. “To. So qria ta ai com vc. e o duuu lindo :)”, li e comecei a rir. E só ele merece o elogio? Contei para o metido e ele achou graça, mandando que eu retribuísse o favor. “Escreve aí: magnífica”, que era como ele a chamava. Eu me recusei – “não preciso de você fazendo a Mia hétero de novo”. “Meu bem, não faria nada...”, ele piscou para mim. E riu: “Não sem você, pelo menos”. Moleque folgado. Eu ri também. E joguei uma almofada na sua direção.

“Hum”, digitei, com um sorriso imprestável no canto da boca, “qria terminar o que a gnt começou hj... Qdo vc. vem dnv? ;)”.  Senti algo bater no topo da minha cabeça. E era o Du me tacando a almofada de volta, ele se divertia. “Assim q. der!”. Eu sorri. E antes que a Mia parasse de responder as minhas mensagens – para ir jantar –, escrevi: “ontem foi demais, viu garota...”. Guardei o celular no bolso de trás. Peguei o baseado sobre a borda do cinzeiro e o coloquei na boca, alcançando o controle na barriga do Du. Assistimos toda uma maratona de Coiote e Papa-léguas na TV, chapados na sala. Depois ligamos num delivery e pedimos toda comida que havia no cardápio. Matamos a larica. E então fumamos mais um pouco.

O Du falava animado sobre uma nova cena que ele estava preparando junto com a companhia. Empolgava-se, algo sobre Artaud. Eu o observava atuar já com os olhos pesados, caindo no sono. Era um sentimento estranho não ter os meus amigos para ligar, marcar uma cerveja; não poder conversar com alguém como o Fer. Não o ter na minha vida. Tentava não pensar na falta que ele me fazia. E como fazia. Mas me entretinha. Eu gostava de partes da minha nova realidade. Gostava de ter a Mia. E gostava de ouvir o Du proclamar frases que não faziam sentido algum para mim naquele momento – entenderia quando visse a peça toda, ele garantia.

Logo adormeci no sofá. Devo ter dormido umas dez ou onze horas até a manhã seguinte. Acordei mais cedo do que o usual, às sete. A segunda-feira começou desavisada do que estava por vir. Uma mensagem da Marina apareceu na internet, me marcando numa foto da sua nova tatuagem. Sorri, vendo-a, conforme comia uma tigela de cereal em frente ao computador. Me troquei então com indisposição. Preguiça de sair. Ainda tinha uma hora até entrar no trabalho e enrolei o bastante até estar atrasada para poder ir a pé – é claro. Peguei o metrô. Ouvindo Jurassic 5 no fone e cantarolando baixinho – like dah dah, dah-dah, bah dee dee dee dah dah (...).

Eram apenas duas estações até a Brigadeiro. Desci e fumei um cigarro na porta da produtora antes de entrar. Devia ser umas nove quando o meu celular tocou. Tirei os fones e o atendi sem muita educação. Odeio gente que liga e pergunta ‘quem está falando’, como se não fosse óbvio. Devolvi a pergunta e joguei aceso o cigarro no meio-fio, já indo na direção da porta. “Eu sou mãe da Mia”, disse.

22 comentários:

Anônimo disse...

FM vai tomar um esporro da sogra. hahahahahaha

Anônimo disse...

LÁ VEM BOMBA!!

Camyla disse...

Ligação da sogra :::: Fodeu

P.s.: Estava meio atrasada nos posts, mas já coloquei a leitura em dia. Estou apaixonando-me cada vez mais por FM e Mia. O romance delas tá muito fofo (:

Anônimo disse...

ih, fudeu! hahahahaha

Ianca' disse...

"Vou mandar a policia federal atrás de você, não chegue perto da minha filha! Exclua ela da sua vida, não ligue mais, você não sabe com quem está falando!" HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Anônimo disse...

VISH!!!!!!!! Tive um mini ataque cardiaco hahahaha :x

Anônimo disse...

"Eu sou a mãe da Mia... e estou revoltada pq vc tá comendo a minha filha em vez de mim."

Anônimo disse...

cade o gif do rei do camarote ligando na maquininha de passar o cartão pra ilustrar esse final de post? HAHAHAHAHAAHA.

Pathy disse...

GENTEEEEEE???????
Ai não, lá vem treta :(

Anônimo disse...

nooo veyy..fudeu..sogra ja é um cu..qnd a filha dla vira sapatao ..e ela dscobre..vamos nem comentar ne

Gabs disse...

Agora f... ferrou, gente. Haha Ai.

Thays disse...

OMFG! O.O'

Anônimo disse...

HAHAHAHAHAHA genial

Anônimo disse...

Ai to c o cu na mao aqui do medo que deu

Anônimo disse...

Hahaha!
Sensacional, Mel! Adoro essas surpresas de fim de post.

Anônimo disse...

Oi sogrinha querida hahaha

Bárbara Batista disse...

Nossa ! Acho q vai ser bem assim ... Haha

Anônimo disse...

Oww...sensacional. Quem nunca passou por isso?

Anônimo disse...

"EU SOU A MÃE DA MIA" http://31.media.tumblr.com/8ff788aa1349285b97632e9cad6e7abf/tumblr_mvp6bwEHZ41rcotivo4_400.gif

Anônimo disse...

eita porra....

Anônima disse...

HAHAHAHA Parecendo minha ex sogra... Trauma eterno.

Thais Figueiredo Palma disse...

Noossaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa assim eu morro de curiosidade!!
E depois?!?!?!?!