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dezembro 18, 2013

Bad girls

(M.I.A.)


“Agora fecha os olhos”. E ela o fez.  Ergueu os antebraços em seguida, apoiando-os sobre a cabeça – nua e recoberta em tatuagens. A sua liberdade provocava a minha. Fica. A minha boca não se movia, eu não o disse, mas o seu corpo sabia o que fazer. Estava imóvel. E linda – porra. Essa mulher. Tinha as roupas largadas a seus pés. E o meu coração pisoteado, pulsando sob os seus dedos. De certa forma os seus poros hesitavam, vulneráveis; o corpo aberto à incerteza dos meus próximos passos. Dei mais dois deles, para trás, lentos. E ela suspirou, inquieta. Encostei na porta para olhá-la. Ela ficou – no centro do cômodo, o vazio a seu redor. Os seus braços seguiam erguidos e a pele exposta. O silêncio prolongava o momento de maneira excruciante; e deliciosa.

Me agachei então. Com os olhos ainda fixos nela e a cabeça apoiada contra a porta, tirei o maço do bolso e coloquei um cigarro na boca. Mantinha uma calma calculista. Ah – você vai esperar, garota. Apoiei os cotovelos na pernas agachadas. E o som do isqueiro se fez nítido no quarto. Ela entreabriu a boca, respirando com vulnerabilidade. Eu a observava. Sem saber onde estava; e despida. Tornava-se realmente inquieta. Os olhos fechados, à minha espera. O calor de fim de tarde entrava pela janela do meu quarto, andares acima da Frei Caneca. E ainda que não houvesse vento, podia ver o seu corpo arrepiar. Solto assim no vazio e ali, em pé.

Ia – pouco a pouco –, num arrepiar; em pequenos relevos sobre os seus poros, que lhe recobriam a pele e vinham, deslizando pelo seu colo, pelo ombro, pelos seios, como uma onda de reações sensoriais. Subiam pelas suas pernas e escondiam-se sob os seus pêlos, um pouco mais acima. Era fascinante. Traguei. A primeira vez. E soltei a fumaça lentamente na direção das suas coxas, descobertas. Estava a menos de um metro. As curvas mornas formavam-se no espaço entre nós e se chocavam contra ela; a sua pele reagia. E eu assistia. Encarava a sua respiração, a acelerar. 

 Submetida aos meus jogos. 

A Mia permanecia. Em pé, ali. E torturada instigada pelo não saber. Numa vontade de mim, e em desamparo, que se tornava visível. Quase palpável. Desceu uma das mãos até a coxa, deslizando-a na perna esquerda arrepiada. O seu toque amenizava os relevos em sua pele. Foi quando os seus dedos se soltaram e dedilharam então o ar, esticando-se no vazio. À minha procura. “Vem” – ela murmurou – “por favor”. A sua respiração estava atormentada, ansiosa. Me implorava. Não. O seu corpo fazia esforço para se conter, ainda no lugar.
 
Por infindáveis sessenta segundos inteiros, eu fiquei em silêncio. Não tragava, não me movia – em absoluto. Abandonando-a no vazio, no breu das suas pálpebras. As palavras morreram no ar. E eu o fazia de propósito. A sua pele assumia aos poucos a ausência de calor, de roupas, de mim. Gelava-se. Os movimentos do seu corpo pareciam questionar se eu ainda estava lá. E onde. Observava os caminhos do ar na superfície do seu corpo. Num espetáculo quase imperceptível. O arrepiar e os ínfimos gestos que se revelavam na sua pele. Estava logo à sua frente – mas ela não me via.

Eu me ergui. Dei mais um passo e desencostei da porta, então para frente – e o som fez a Mia estremecer. Me aproximei. Em passos esparsos e vagarosos, na sua direção. Mas a passei. Ultrapassei. Pequenos movimentos da sua cabeça me acompanhavam, escutando atenta. Fui até a janela, do lado oposto à porta. Deixando-a ali. E encostei contra parapeito. Traguei mais uma vez, ainda a observando; de costas para o vidro erguido. E bati as cinzas uma única vez, no ar – fora do prédio. Caminhei de volta, na sua direção. A Mia me sentia ali, próxima. Quer? Contorceu os ombros, os seus olhos ainda fechados. Cheguei perto, muito perto. A minha boca ensaiava um beijo, na curva que ia do seu pescoço ao seu braço, mas sem nunca realmente tocá-la. Apenas a respiração. Esta, sim, a tocava. E estimulava. 

Filhadaputamente.

Uma das suas mãos ainda restava sobre a cabeça. Escorregou a outra pela lateral do corpo, sutilmente à minha procura. E dei um passo para trás. Me afastando de novo. Ela me ouvia. E suspirava – a respiração inquietava-se e a sua frustração tornava-se cada vez mais sonora. Agora sem disfarçar. Excitava-se. Num hesitante movimento no ar. Caminhei a seu redor, tragando algumas vezes. E a observando, numa tranqüilidade irritante. Os pêlos entre as suas pernas pareciam soltos no abismo do cômodo, do vazio à sua frente; os seus seios despidos. A tensão se insinuava na forma como ela contraía a boca, entremordendo os lábios. Era sutil. Apaguei o cigarro na mesa e soltei a fumaça uma última vez, antes de ir até ela.

Me posicionei à sua frente, nem trinta centímetros de onde estava. Admirava-a de perto; e a Mia podia sentir-me ali. Ela se contorcia. Os seus lábios se preparavam agora para um beijo – ainda que incerto –, as suas expressões a traíam. Eu apenas assistia. Levei uma das mãos até os seus arredores, seguindo os contornos da sua pele a um centímetro dela. Sem nunca encostar. E fazendo na minha cabeça tudo o que os meus dedos não ousavam. Eu a provocava. Deliberadamente. Ela sentia a minha presença e sorria, com o canto da boca. Breve. Antes de tornar se frustrar, a respiração funda e trêmula e em crescente expectativa. Me odiava, detestava. Eu não dava a mínima. Continuava. Sem dizer nada.

Porque a ordem era implícita. Não se mexe. Eu me abaixei. E ajoelhei à sua frente. A sua respiração disparou. Sabia onde eu estava. Observei as suas pernas se contorcerem. E me aproximei. O rosto. Dela, lentamente tocando os seus pêlos. Quase sem me fazer sentir. Deslizando o nariz, a boca entre eles, suavemente. Ainda que leve cada toque agora potencializava-se – como um estrondo em uma Igreja vazia. Eu me afastei. E a respiração da Mia invadiu todo o espaço, o quarto inteiro. Ainda em pé, intocada e exposta, ali, vulnerável. Inspirava e expirava. E eu me erguia. Voltei, cada vez mais no controle. Agora próxima dos seus lábios.

Sim. Fiz que ia beijá-la. E observei atentamente como movia-se inconsciente na minha direção. Eu não a tocava. Realmente perto da sua boca. Podia quase ouvir a sua fome. Mas a negava. E quando afastei, deixei a ponta dos meus dedos deslizar sobre os seus seios. Foram dois milésimos. O suficiente para que o seu corpo todo arrepiasse, em estado de alerta. A boca da Mia se entreabriu. Respirava sem qualquer contenção agora, inquieta e acelerada. Suscetível a mim. E aos meus passos, que eu articulava a seu redor. Com calma, calculadamente. Estava a apenas dez, oito centímetros atrás dela. As sensações ganhavam dimensões gigantescas àquela distância; e ela estremecia. 

Fiquei alguns segundos assim, em suas costas; a minha respiração chegava ao alto da sua coluna. De onde as suas pétalas de cerejeira desciam, ocultadas em sua pele pela minha sombra. Brotou um sorriso, não contido. Meu. E foi quando a beijei, enfim. Na nuca. Molhei a sua pele. E logo me retirei. Em alguns segundos, a Mia parecia prestes a explodir. O seu corpo e braços tremiam, ainda contidos no lugar. Numa espera violenta, o seu corpo todo parecia me xingar. Em pé, completamente úmida; as suas pernas se contorciam. Escorreguei as pontas dos meus dedos pela lateral do seu corpo, pela sua costela. A arrepiando intencionalmente. E num começo de beijo, agora sim, a mordi no pescoço. O resto dela permanecia. Ultrassensível, intocado. Em ansiedade. Deslizei as minhas mãos para o meio das suas pernas. E a senti. 

Completamente suja. Cacete. Foi a vez da minha respiração acelerar.

Live fast – die young, bad girls do it well.

30 comentários:

Anônimo disse...

CARALHO!!!!!!!!!!!! qRO ser igual a FM quando crescer!! HAuHAUAHS

Anônimo disse...

Uooooooooooooooooooooooooooooooooooooouu

Pathy disse...

PUTA QUE PARIU MELISSA! QUE POST FOI ESSE? CARALHO, VC É FODA!!!!!!!
VOU ALI RESPIRAR E JÁ VOLTO

Anônimo disse...

PUTA QUE PARIU, MANOOOOOO!!!!! QUE POSSSSSSSST, MEEELLLLLLLLLL

Anônimo disse...

Vou ter um orgasmo primeiro que a mia! PQP MEL

Anônimo disse...

Esqueci de respirar...

Sabrina disse...

Foi de tirar o meu fôlego aqui, que post...

Anônimo disse...

suja? rsrsrs do tipo, molhada?

( the girl fucking Mia ) disse...

Sim. Dirrrty, hahaha!

Anônimo disse...

Gente, que tortura! Mas amei. No post passado disse: e quem tá na seca, como faz? Agora digo: morri. Vou ali dar uma aliviada. hahahahaha

lika disse...

Perfeito

Anônimo disse...

É tanta coisa linda nesse post que não dá nem para comentar tudo! Filhadaputamente imprestável, apenas.
"A sua liberdade provocava a minha.", "Tinha a s roupas largadas a seus pés. E o meu coração pisoteado, pulsando sob os seus dedos.", "o corpo aberto à incerteza dos meus próximos passos."

Anônimo disse...

Nossa, to boba, eu SUPER faria esse comentário da anônima das 14:16! Fiquei mega curiosa pra saber quem escreveu. De qualquer forma, tô contigo, amiga, sublinharia as mesmas frases, foram exatamente as que me chamaram atenção! Inclusive o advérbio! <3

Esse é um post que eu ia amar ler sendo narrado pela Mia, mas as descrições da FM tão incríveis! Mandou bem, menina!

ps: suas leitoras são mt taradas, mel! hahahahaha

Anônimo disse...

Melhor post ever!!!

Anônimo disse...

Arrepiei inteira!!!

Ari disse...

Vim aqui elogiar porque ficou lindo e tão sensual <3

Anônimo disse...

MAS PUTA QUE PARIU, MEL
Meu deus eu to sem folego aqui, nossa
Perfeito

Anônimo disse...

ah, e só pra constar, eu adoro essa música! ler ouvindo ela dá um ritmo sensacional pro post.

Anônimo disse...

Eh.. foi uma cena tudo. Sexy, sensual, tesuda, gostosa, asmatica, fodaaaaaaaa! Ui....

Bárbara Leão disse...

CARAAAAAALHO!!
Acho que TODO MUNDO AQUI ficou sem ar!
Nossa!!
Sem comentários!!

Anônimo disse...

PUTA QUE PARIU ,QUEDE FOLEGO MEO DEUS? SENHOOOR !!!!

Anônimo disse...

E eu te respondi, mas mudei minha opiniao, morri agora, com esse post HAHAHA

Anônimo disse...

Partiu fazer isso ae bem agora aqui em casa. Kkkkkkk

Anônimo disse...

Puta merda, que post mais perfeito. ~le respirando finalmente ~
Mel qlqr dia meu coração vai estar por sp. Porque se antes dava com o coração na mão, agora ele ja pulou e correu..
Comentario anonimo 14:16 super apoiado

Anônimo disse...

Olha, acompanho esse blog há no minimo dois anos e meio, e poderia salvar esse post como meu favorito! Mel, você está de parabéns! Alimentou a imaginação dessa sapataiada toda! Hahaha. Perfeita!

Obs: Já pensou em escrever um post com a Mia de narradora? Seria muito interessante saber o que ela pensa, ainda mais em um momento desses..

Beijão e continue assim! :)

Anônimo disse...

Fumei um, coloquei a música e li o post. WOW
Sem palavras!
Demais! Do caralho!

Anônimo disse...

sem querer desmerecer esse, mas tem posts BEM melhores. acho que a galera se empolga com as sacanagiiiis. hahahaha

Juliana Nadu disse...

respira... respira...

Anônimo disse...

ooooowwww!
Quando a gente pensa que tá tudo MUITO bom, vem a Mel com um post destes?
oooooowwww parte 2!
Continuação assim neste nível de presente de Natal, pode ser? hahaha

Anônimo disse...

Anônima das 14:51 - São, definitivamente, as melhores partes <3