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dezembro 28, 2013

Empate

_Não!! NÃO! A minha ganha fácil!!
_Me dá essa porra... eu que vou beber!

Tentei tomar a garrafa do Du, que me afastava com a mão que lhe restava livre. Brincávamos no sofá da sala. Num jogo perigoso – valendo uma dose para cada arrependimento. Não demorou muito para ficarmos completamente alcoolizados, isto é, claro. Começara bem, como uma tentativa de animá-lo; relatei todas minhas merdas e péssimas decisões amorosas pelas sarjetas paulistanas a caminho do supermercado e na volta para casa. Agora nós competíamos. É – com histórias.

Uma pior do que a outra e todas pessoais. Das que não compartilhávamos com ninguém – os barracos; as trepadas de vingança; uma D.R. gritada em plena calçada da Augusta, às seis da manhã; o tapa que a Dani me virou na Kraft; os pais dum caso antigo dele e a ameaça de chamar a polícia ao pegá-los juntos, uns anos antes. Virávamos doses com absoluta desconsideração pelo trabalho no dia seguinte – bebia quem contasse algo pior. Nós mesmos éramos os juízes. O Du me passou a garrafa e cedeu, a contragosto:

_Mas você tava chapada e na balada ainda, meu. Não conta!
_E daí? Era a Marina, caralho! – argumentei – Que espécie de ser humano ESCROTO trai uma mina que nem a Marina??

Qualquer mina, aliás, pensei na Clara por um breve momento, já com a Bacardi nas mãos.

_Mas cê já tinha uma história com a outra, a Dani lá, porra, e foi uma vez só! Esse cara que eu falei não só eu que fui lá e comecei a parada toda, como ainda rolou mais de uma vez durante a viagem. Debaixo do mesmo teto. DO MESMO TETO, mano! Não. Eu bebo. Dá aí! – o Du puxou a garrafa de volta para si –. Velho... – balançou a cabeça, embriagado, por um momento – ...eu saía da suíte que eu tava com o Guto e ia jogar carta com o Di no andar de baixo, a madrugada toda, depois a gente se comia no sofá – ele se apoiou os braços nos joelhos, os seus olhos fundos não condiziam com o meio sorriso que ele forçava na minha direção, completamente arrasado –. Num dos dias eu fiz o Guto desistir de ir comigo no supermercado, só pra poder agarrar o Di numa rua afastada da praia.
_E aí... Chegou uma hora depois, sem sacola nenhuma?
_É. Mais ou menos isso... – ele riu – ...e o pior é que eu sofri quando ele soube, nossa, como sofri. Eu fui um idiota, sabe... Não percebi realmente o quanto gostava dele até ver ele se machucar. E aí já não tinha como voltar atrás, nem eu queria, acho. Eu quis que ele me odiasse – lamentou –. Eu fui um porco, meu.
_Eu sei. Eu entendo bem – toquei no seu ombro e completei o meu copo, derrubando um pouco na almofada que estava abaixo –. Às vezes eu também tenho um momento de lucidez e sei lá, meu, eu me envergonho. Pelas pessoas que me viram agindo assim, principalmente na época da Má; ou quando eu e a Nana tínhamos brigas gigantescas. Com a Clara já foi um pouco diferente, mas ainda assim. Sei lá...
_Hum? – ele me incentivou.
_Tipo, às vezes, eu me pergunto o quanto a Mia vai ser capaz de confiar em mim e eu nela. Depois de tudo que já rolou, saca? E o pior é que eu nem sei se ela deveria... – passei a mão no rosto – Puta merda... Sabe? A gente sai por aí e se relaciona de um jeito tão fodido, a vida toda. Todo mundo. 
_É, não sei se existem exceções...
_Ah, existe. Para isso sempre tem a Marina – eu ri e ele concordou.
_Você não merece ela. Não a julgar pelo que foi falado na última hora – me zombou –. Então deixa a coitada fora disso...
_Tá brincando? – eu ri e me indignei – Eu não quero nada com a Má, não. Nem se ela fosse a última garota do planeta, meu. Eu sei disso.
_É. E você tem a Mia...
_Sim. Às custas do Fernando, mas... Enfim... – tenho; coloquei mais um pouco de rum no copo, começando a passar do limite – ...te contei que a gente trepou na última noite dele aqui no apê? Empacotando as coisas na sala, meu. E ele dormindo lá no quarto, olha que merda.
_E que é essa cara aí? – ele me observou, achando graça.
_Me arrependi já, só de ter falado em voz alta... Que bosta. Eu sou uma nojenta.
_Bom, bebe mais aí. Que eu acho que não tenho mais nada à altura... – ele riu.
_E isso tá te fazendo sentir minimamente melhor? – duvidei da eficiência do meu método, largados lado a lado no sofá da sala, às nove horas já passadas – Não sei se ajuda alguma coisa.
_Um pouco – ele arqueou a sobrancelha e abaixou a cabeça, entrepassando os dedos no cabelo, com o cotovelo apoiado nas pernas; a sua voz estava carregada –. É a vantagem de se estar solteiro, eu acho. Ser plenamente porralouca, manja, sem se preocupar... Sei lá.
_Ah. Acho até que dá para ser de outro jeito, mesmo junto, mas precisa achar alguém que tem uma puta sintonia com você, meu; com quem você possa ser você mesmo, ser livre. O foda é isso, é chegar lá.
_Sem ninguém se machucar? Não sei, não.
_Ah. E afinal, me explica – joguei um verde, já embriagada o suficiente – Quem você pode ter machucado, se está solteiro desde o Guto. Isso não foi anos atrás?
_Não estou exatamente solteiro desde o, ah... sei lá – suspirou – é mais complicado do que isso.
_Mais complicado como?
_É que não chegou a ser um relacionamento, eu e o Martin... Continua não sendo.
_Esse é o cara com quem você estava no telefone?
_É.
_Mas... O que rolou entre vocês?

11 comentários:

Amanda Salgado disse...

disputa ferrenha essa, parece eu conversando com umas amigas inclusive

Cris FSantana disse...

Curiosa!

Anônimo disse...

"às vezes, eu me pergunto o quanto a Mia vai ser capaz de confiar em mim e eu nela. Depois de tudo que já rolou, saca? E o pior é que eu nem sei se ela deveria... – passei a mão no rosto – Puta merda... " --->> achei mt sincero :/// mas confesso q fiquei preocupada. apenas amando a conversa dos dois, eh bom ver a fm se abrndo e refletindo sbre as açõesdela.... foda!!

Anônimo disse...

Eu já peguei uma amiga numa viagem com a minha ex e uma galera rsrss

Pathy disse...

Esses dois nasceram um pro outro. :/ hahahahhahaha
Se eu for fazer essa brincadeira ai, fico bebâda em dois minutos..

Ianca' disse...

Pelo menos a FM é sincera, nem ela sabe o que pode acontecer, pq a louca é de momento

Karla disse...

Ai meu Deus,essas disputas de confusões me lembra tanto as minhas conversas de bar com meus amigos(4 ~machoes~) num inesgotavel corrida de quem já aprontou mais ,Mel por diós deixa a Clara quieta,longe das minhas linda :(

Anônimo disse...

É, de fato, empatou. A FM faz merda demais pra se ter um relacionamento sério. Foda confiar em alguém como ela. Muito foda! Ainda mais se a Clara estiver por perto. Hahaha. Traz ela de volta!

Anônimo disse...

A FM e o Du são uns lindinhos juntos, mas eu sinto falta do Fer. Tipo, e a FM parece pensar pouco sobre isso, mas, meu, ela perdeu/tá perdendo o melhor amigo dela pra uma mina, uma MINA. Tipo, saudades Fer, saudades amizade eles.

Anônimo disse...

Tão engraçado como a FM sabe exatamente as merdas q faz e na hora de cometer o prx não se controla.
Parece um instinto autodestrutivo.. meio que me identifico..
Obg Mel!! Post delicioso!!
(Mariana Curi)

Liv disse...

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