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dezembro 11, 2013

Indução

Apressei o passo. Ao passar pela porta da sala em que estava, dei uma leve corrida adiante no corredor, agora sozinha, e na recepção retomei os passos de antes. Ainda em ritmo rápido. Saí na calçada: e lá estava ela. Com as pernas de fora num shorts pin-up, de cintura alta. A puxei pela mão e a fiz virar a esquina, comigo, colocando-a contra um muro qualquer. Em um beijo impulsivo, quase automático, e correspondido. Tão correspondido. Dos que terminam o que não pudemos acabar no bar do Mackenzie. Naquele frenesi de recentes absurdos.

Os seus braços me abraçaram e a Mia correu os lábios pela lateral do meu rosto. Nuns beijos breves. Disse, no meu ouvido: “fala que é uma emergência”. “Oi?”, indaguei, sem entender. Entre os meus próprios beijos nela – na sua pele, no seu pescoço. E ela emendou: “quero ir pra sua casa...”. “O quê?”, eu ri. Beijei-a. Agora a sua boca. Intensamente. Queria consumir cada instante de quem ela se tornava. Livre. E ao meu lado. “Vamos”. “Não posso”. “Diz que é uma emergência”. “Não posso mesmo. Se pudesse eu iria, meu...”, sorri e a olhei, imprestável, “cê acha que não?”. “Só vamos! Vamos?”. E como queria – puta merda. Ô, inferno! “Não posso, mano”. “Então eu te espero”, murmurou, no efêmero espaço entre os nossos corpos. Nos beijávamos, falando em respiros. “Ainda levo uma hora pra sair, porra, cê vai cansar de esperar aí...”. “Vamos agora, então, vai”, pedia, “por favor!”. “Não posso”, eu ri.

O seu olhar me desafiava – entre um beijo e outro, uma frase e outra. “Diz que é um problema familiar”, sugeriu, se divertindo em me provocar. “Da sua família, só se for...”. “De qualquer uma”. “Não... É você que não quer voltar para casa e olhar na cara da sua mãe”, fiz graça, “aí fica aí, com essas vontades espontâneas de passar tempo comigo...”. A zombei, colocando-a mais apertada contra a parede. “Não é isso”. “Ah, não?”, eu a segurava, deslizando as mãos pela lateral das suas coxas e a beijando. Que garota incrível. “Não”. “Cagona”, eu a agarrava, deliberadamente; inebriada pelo cheiro da sua pele, do seu cabelo. Pelas suas liberdades recentes. “Tá. Talvez tenha um pouco a ver...”, riu, ela admitia. E eu achei graça. Arregona. Nos beijamos então, de novo, como se já não o tivéssemos feito cem vezes antes.

Foi quando a olhei, realmente de perto. A Mia tinha a cabeça apoiada contra o muro. Os seus cabelos morenos se agarravam ao concreto, a apenas um centímetro mais acima. A franja bagunçada. E os olhos castanhos, enormes; as suas linhas de expressão mais sutis. Me olhava de volta, numa imobilidade tranquila e confiante. Mas que desgraça.

_Tá – soltei dela, como se desse um passo para trás – Que se dane. 

Abandonei-a por um instante e voltei à produtora. Prestes a me meter numa das minhas merdas de praxe. A atribulada saída da sala coletiva contribuía para o meu disfarce; assim como a minha incapacidade de justificar o meu atraso, horas antes. Os sorrisos, afundada na cadeira e com o celular na mão, todavia, me atrapalhavam um pouco. Não sabia se os tinha visto. Encarei com desgosto as suas calças caquis e menti – descaradamente – ao meu superior: tinha um grave, inadiável problema. “É pessoal”. Do tipo imaginário. O mesmo que me fizera perder hora no almoço. E eu precisava, é, não dava, precisava mesmo, sair uma hora antes. Compenso-em-dobro-amanhã-,-faço-o-que-quiserem-,-me-desculpem-,-ah-,-por-favor--me-perdoem-,-vou-compensar-,-prometo-que-vou, declarei, quase que ensaiado. E acabei sendo liberada.

Ótimo.

Juntei as minhas tralhas e encontrei a Mia do lado fora. Só tornamos a nos beijar, mais uma vez, quando passamos pela porta do apartamento, que estava vazio. Sem Du – ainda é cedo. Largamos tudo na sala. E eu a beijei com voracidade, das reais, num tesão que nos tomara naquela tarde, as energias em sincronia. O sol, aquele calor nas ruas de São Paulo, e os acontecimentos recentes; tudo se misturava. Ela mordeu o meu lábio e me beijou de volta – ainda mais. Mais minha do que antes. Antes da ligação, das voltas na Maria Antônia. Nos dirigimos ao quarto sem combinar uma palavra. E ela fez que me segurava o rosto com as mãos, assim que a porta bateu por detrás do meu corpo, mas eu a afastei. Ela me olhou. Fez de novo que vinha na minha direção e eu a recusei. Repetidamente. Dei um passo para trás, então. E a encarei com seriedade – “tira a sua roupa”.

Ela não me perguntou, nem relutou a obedecer. Com os olhos fixos nos meus, tirou. Toda.

24 comentários:

Anônimo disse...

Sem mais. Os posts da madrugada são os melhores.

Anônimo disse...

nossa, não previa que vinha putaria! hahahahaha. hooooot! a fm é mt inconsequente e impulsiva, né? larga a porra pro alto e vai viver, desse jeito vai ser demitida. louca! hahaha.

ps: achei "arregona" muito tubby. :P

Anônimo disse...

Desde o As ilhas, plurais a intensidade só aumenta. Tá foda !!

Anônimo disse...

A Mia tá muito sapatona! <3

Anônimo disse...

"tira a roupa". Ela não perguntou nem relutou a obedecer. Com os olhos fixos nos meus, tirou. Toda.

é agora que vem o lance do smartphone, mel? hahahahahahahaha

( the girl fucking Mia ) disse...

HAHAHAHAHA Não! Sacanagem. Sem revenge porn no Fucking Mia, issaquê é casa feminista, ô... ;)

hahahahahahahahha boa.

Anônimo disse...

sabia do risco que corria com a piada polemica. hahahaha

Anônimo disse...

Estou morta.

Pathy disse...

Deu uma "quentura" lendo esse post não?! 66'
FM e seu "altocontrole", que só durou alguns minutos. hahahahaha

Pathy disse...

Autocontrole*
Plmdds Patricia :/

Anônimo disse...

MEU DEUS oq é esse post, meeeeel
Aiai essa mia.. super pude imaginar a cena ;)

Anônimo disse...

Quando vem o próximo?Já estou anciosa haha

Anônimo disse...

Esse post me excitou Hahahaha Gente????

Anônimo disse...

Irrul. Kkk o proximo promete. Mel, como vc consegue parar essas coisas bem nessas partes que.... TEM que continuar?

Anônimo disse...

E quem tá na seca.. como faz depois de ler isso? D=

Anônimo disse...

E quem ta na seca? (2) D:

Ianca' disse...

Quem tá na seca é pra se molhar HAHAHAHAHA

mila disse...

Desde a Postagem de "As ilhas plurais" fiquei em duvida se a FM seria loira. Mas, isso negaria um post de Janeiro de 2010 - Armário - que ela diz nao ser loira. Entao... Seria uma morena de fios loiros? rs

( the girl fucking Mia ) disse...

Ela é loira, sim. A Mia que é morena hehehe :)

Anônimo disse...

Simplesmente nao faz HAHA. Simplesmente morre rs

Anônimo disse...

Rsrsrsrsrs vdd! Tô morrendo

Cris FSantana disse...

Sem dó hein Mel?!
Que post delicioso *-*

Ai ai

Anônimo disse...

Uuuuui, louco de bom, agora queremos a continuação, né Mel? Pleaaaaase! :)

Beatriz Alves disse...

Vai fm *---* só lar o trampo mais uma vezinha..