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dezembro 05, 2013

Na Maria Antônia

Começou aos poucos. Ela colocou a sua mão no apoio da minha cadeira, atrás de mim. Com certa intimidade. O assento era um desses “dobráveis” de metal, bem típico de boteco. Ali éramos nove, sentados em uma mesa para seis. Num caos a que eu me acostumara, vivendo nas redondezas da Augusta e das garrafas de cerveja; era ali que me sentia confortável. Ao todo: as duas garotas de antes e outros cinco caras. Os amigos da Mia tinham tatuagens subindo pelos braços; todos lá em seus 22, 23 anos – eu era certamente a mais velha –. E como eram barulhentos. Eu me encaixava entre eles. Já falando mais do que a Mia e tomando liberdades na rodinha, como se nada fosse; um palavrão atrás do outro para ofender amistosamente os mackenzistas.

_E o seu pai? Pagou por essa sua tatuagem “máscula” aí... – ergui o queixo para o mais playboy deles, a julgar pela carpa japonesa rabiscada no seu braço – Ou só pela sua faculdade de um pau e meio o mês?
_Ô, Mia... Controla sua amiga aí! – ele riu, me dando o dedo.
_É. Quem te convidou pro rolê?!??
_Falou a que fez USP, né... – eles se atropelavam, me atacando um por cima do outro, divertindo-se.
_Não fiz. Na real, acho uma bosta essas intriguinhas de universidade. Foda-se! Que porra de diferença faz? Mas é que – ri e pisquei para eles – vocês são fáceis demais de tirar uma com a cara...
_Eu pago as minhas contas, beleza?
_Ah! Tá bom... – revirei os olhos, enchendo ainda mais o copo.

E a Mia riu com eles. A amiga simpática de minutos antes era a única que não achava graça, metida debaixo do ombro de um dos alunos, incomodada com a minha presença tagarela. Os demais se divertiam. Um deles – o Caio – era o que mais me enchia de perguntas, interessado no que eu fazia da vida. “Teta, culo o caca”, respondi e dei mais um gole, “uma vez conheci um maluco no Bexiga que dizia que, em Barcelona, a vida se resumia a ‘teta, culo o caca’; e faz sentido”. “Teta, cu e merda?”. “Mulher, trampo e fazer merda”, expliquei. E ele concordou, rindo e balançando a cabeça. “Boa. Vamos brindar que essa valeu!”, sugeriu e nós dois viramos o copo num só tacada.

_Ei. Manera aí no beer shot... – a Mia colocou a mão automaticamente na minha perna – ...cê não tem que trabalhar hoje ainda?
_Foda-se – dei de ombros e ri, olhando para ela, de repente me sentindo realmente tentada a beijá-la –, acho que essa é a “caca”, não?  
_É. Acho que sim... – ela me encarou de volta; e podiam ser as cervejas ou talvez a leveza daquele não-tão-almoço, mas eu podia jurar, jurar, que havia um senso de gravidade intrínseca que transpirava de cada milímetro daquela mulher, dos seus cílios mais curtos, no cantinho do olho, aos mais longos, das curvas sobre as suas pálpebras e cada uma das linhas e poros na sua pele e existência imperativas; queria tocá-la como nunca antes, que desgraçada. Mas que porcaria ter que me controlar.

Abaixei o olhar brevemente para os seus dedos sobre a minha coxa e tornei a encará-la, agora sem conter um meio sorriso no canto da boca. Ali expostas. Os segundos perduravam nas nossas pupilas, fixadas uma na outra. E num universo gay onde a nossa sexualidade nem sempre é pública, o tipo de atração que se consegue comunicar com os olhos vai além da compreensão social. Vai nessa, vai, que eles vão perceber, eu a provocava, em pensamento. E ela não recuava, me observando de volta, atentamente. Instigada por cada resposta minha. Correu então a mão sobre o meu jeans. Filha da mãe. E sorriu, arqueando as sobrancelhas. Como se não ligasse. Para os arredores, cacete – olha onde estamos! E ela não olhava. Só para mim. Vai. Me desafia pra você ver... – eu não tinha nada a perder, sorria, não conhecia ninguém ali. Podia continuar aquele jogo com uma mão nas costas e nem ligava.

_Mas o que mais cê faz lá praqueles lados da Frei? – o Caio continuou, emendando o assunto, sentado do outro lado da mesa.

“É”, respondi, sem prestar atenção ou fazer qualquer sentido, ainda olhando incessantemente para a Mia. Sequer virei o rosto para ele. Quer ver quem desiste primeiro, garota?, eu sorri para ela. Nos observávamos como quem guarda um segredo. E eu me divertia, sem nem piscar. Incerta do quanto podia avançar. “Hein?”, ele insistiu. E eu me ajeitei na cadeira, confortavelmente. Agora ignorando-o. Segui encarando-a, como costumava encarar as garotas das baladas na 13 de maio, naquela comunicação silenciosa e crua. Numa tensão que só. A Mia riu. E mordeu um dos cantos do lábio, rapidamente. Se reajeitando também no lugar e ainda me observando, de volta. Eu estremeci.

Essa garota só pode ser viciada em perigo, mano, porra! Não existe satisfação maior na cara dela do que essa. Do que me provocar na sala com o Fer; do que me tocar ao lado da Clara, em segredo. Essa. Ôinferno na Terra! Deu com a pontinha da língua entre os dentes. E virou o corpo na minha direção, com delicadeza. Eu admirava, fascinada, cada gesto desinibido seu. Pronta para me trancar naquele banheiro imundo com ela. Apoiou o cotovelo no encosto da minha cadeira. E deixou a cabeça pender para o lado – os seus cabelos caíam em mechas, ao redor do seu braço.

_E o que é... que você gosta de fazer praqueles lados da Frei, hm? – repetiu a pergunta dele, subindo a mão até os meus fios bagunçados e colocando-os atrás da minha orelha.

De propósito – ah, sapatão de merda.

_E o que você acha?! – ergui então a sobrancelha, sua filha da mãe.

16 comentários:

Ianca' disse...

Joguinhos satânicos HAHAHAHAHA
Mia, minha, mia....

Anônimo disse...

HUHAUSHAUHSAUSHAU AMEEEEEEEI *---* AI AI ESSE OLHAR DA MIA E ESSA FM Q NUM PRESTAAAAAAAAAAAAAA!!!

Anônimo disse...

AH, SAPATÃO DE MERDA!!!! <3

hahahahahaahhaahhahahaha... obrigada, mel, por não me decepcionar! (e por aprovar comentários não relacionados ao blog. hahahaha) ;)

Muito bom, AMEI o post!

Anônimo disse...

Essa mia me tirando o ar

Pathy disse...

Mano, isso não se faz com sapatão que já tá ~altinha~ HAHAHAHAHHAHA
Go Mia, "acaba" com a FM.

Liv disse...

Como assim, ninguém da mesa pegou a coisa no ar?

( the girl fucking Mia ) disse...

Ah, Liv, eu não diria isso... Será? ;)

Cris FSantana disse...

Hihihi..
So cute! *-*

Anônimo disse...

Teta, culo o caca! HAHAHAHA FM DIVANDO.

Anônimo disse...

Dá um toque pra Mia chamar a FM pra ir ao cinema ver La vie d'Àdele ;)

Anônimo disse...

Que calor q deu aqui
Nossa já tava me contorcendo, imagina se tivesse na mesa, ia derreter hhehe
MIA DELÍCIA RINDO DA CARA DO PERIGO HMMMM

Juliana Nadu disse...

hahahhhahah Delicia Delicia!!! Nossa!! esse post foi a descrição do meu ultimo comentário sobre a Fernanda Maria!! hahahah adorei!

Anônimo disse...

HAHAHAHA a Mia tem noçao do perigo e mesmo assim ela provoca, garota esperta ;)

Anônimo disse...

O que deixa a Mia mais sexy.. é esse vício por perigo!

Anônimo disse...

pqp,a Mia é realmente excitante,só de ler dá vontade de agarrar ela..ameeei o post Melzita <3..a continuação prometee ihuul

Beatriz Alves disse...

Essa Mia provoca aiai
Um dia esse blog me mata do coração