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janeiro 25, 2014

3 fases

_Tá... muito ca... lor... – a Mia erguia o rosto em busca de ar, rindo – meu... – eu apoiei a minha testa contra o seu pescoço, a sua pele estava completamente suada – ...caralho.
_Tá mesmo. Puta merda. Eu preciso de um cigarro...
_Meu, você é muito clichê... – ela me zombou e eu deslizei meus lábios na curva úmida do seu ombro, em um beijo rápido, achando graça.
_Foda-se. Preciso, mano. Vamos sair, por favor...

Estávamos ali dentro há pelo menos dez quinze minutos, enfurnadas entre batidas abafadas e beijos imprestáveis, mãos bobas. Ou nada bobas. Orgasmos práticos, alucinados.

_E aí... – a Mia ergueu a sobrancelha e o zíper, simultaneamente, do seu shorts – Quanto você acha que estão nos odiando lá fora?
_Sei lá. Muito. Na real, eu tô tão bêbada que nem ouvi porra nenhuma...
_Ah, mas vai ter uma fila de minas furiosas... – ela observou e eu a beijei contra a parede da cabine.
_Olha a minha cara de quem dá a mínima... – ri.

Peguei a minha blusa, largada sobre a tampa da privada, e abri a porta do banheiro antes de a vestir. A Mia ajeitou a regata preta, também, saindo atrás de mim. Uma fila enorme de pessoas se acumulava do lado de fora, conforme eu cobria o sutiã, colocando a blusa no corpo. Segurei a mão da Mia ao sair e caminhamos para a pista. “Vamos pra fora”, disse no meu ouvido e desviei das pessoas, indo à sua frente naquele caos. Um cara tocou o meu ombro, do nada. Detestava quando elogiavam as minhas tatuagens com as mãos. Argh precisa encostar?

Nos apertamos entre os fumantes do LAB, a noite estava tão quente quanto as demais naquela semana. E a movimentação embriagada parecia agravar ainda mais o espaço estreito. Cotoveladas, risos exagerados e gestos impensados; as brasas perigosamente acesas. Caralho – “foi mal”. Sem querer queimei uma garota ao meu lado, duas vezes, ao abaixar a mão para agarrar a Mia, que estava apoiada na parede. Sorri, pedindo desculpas. Mas ela me encarou atravessado. Só fomos encontrar a Marina uns minutos depois, meio dançando e meio falando pelos cotovelos com a Vivian, lá perto da entrada. Começava agora a demonstrar sinais de todo o álcool ingerido.

_Onde v-vocês foram? – perguntou, arrastando a voz, e sorriu ao nos ver.
_Por aí – ri e a encarei –. Cê já tá bêbada, né?!
_Só um pouco...
_Um pouco?! – a Vivian tirou sarro, olhando-a – Faz dez minutos que ela não cala a boca sobre... como era o nome?
_E-esfiha!
_Não. O outro.
_Qual? Almofadinha. O-ostra...
_”Almofadinha”.
_P-periquita... – a Marina seguiu tagarelando.
_Não, era esse. Era “almofadinha”!
_Por favor – eu comecei a rir da cara dela –, diz que você não chama disso? POR FAVOR, MEU.
_Que foi? É fofo!
_Ah, Marina! Porra. “Almofadinha”, mano?! Não é pra ser fofo, caralho. Você vai comer a parada!
_Então, m-meu... esfiha! É perfeito. Tem até o... o formatinho – fez um gesto com as mãos e empurrou o óculos, ajeitando-o sobre o nariz, bêbada.
_Não. Nada a ver.
_Esfiha de peixe, só se for... – a Vivian brincou e eu fiz uma careta, indignada.
_Mano, cês duas tão numa brisa muito errada...
_Ah! E você chama do quê por acaso? – a Marina me provocou, já quase cambaleando, à minha frente.
_Sei lá, porra. De nada! Só coloco no prato e como!
_Do que vocês tão falando, cara? – a Mia questionou e eu ri.
_Ah! E não tem nome? Quando cê vai num restaurante, por exemplo – a Marina continuou, argumentando –, como v-você faz... pra pedir os p-pratos, hum?
_Meu, DO QUE CÊS TÃO FALANDO??
_O nome não é importante se só tem uma coisa no cardápio...
_Como não é importante? Cê tem que chamar de alguma m-merda pro garçom s...
_Eu não envolvo caras no processo, Marina.
_Você entendeu meu argumento!
_Gente, que esfiha? – a Mia continuava perdida, interrompendo alcoolizada, com o cabelo desarrumado do “passeio” que demos no banheiro – Que almofada?? – as suas tatuagens à mostra na regata – Do que vocês tão falando??
_De boceta – a Vivian esclareceu, fina.
_Ah...
_Deus... – eu achei graça, segurando o seu rosto, e a beijei – Eu esqueço como você ainda é héterozinha.
_Ai. Nossa – a minha ex resmungou, então, encolhendo os ombros –, nem falem. Eu odeio essa palavra.
_Hétero?
_Não – a Marina riu, me olhando – A outra. Se bem que hétero também não me agrada... – brincou.
_Boceta?
_É. Pára! – ela me empurrou com o corpo – Não fica falando assim.
_Meu, e falando em hétero... – a Vivian comentou, mudando o tom – ...tinha um babaca aqui dando em cima da Marina. Acredita? Agora ele sumiu, mas, mano...
_De você?

Perguntei, me tornando imediatamente inquieta. E a Marina notou.

_Não. Não foi. Foi de nós duas... E não aconteceu nada!
_Mas ele ficou te enchendo? O que ele fez?! – eu já me irritava.
_Ficou.
_NÃO ficou – a Marina censurou a resposta da Vivian, olhando na sua direção, na mesma hora –. Ele só estava brincando, foi brincadeira. E ele nem ficou tanto temp...
_Não, imagina. Não ficou tanto tempo! Você levou só uns cinco minutos pra se livrar do imbecil. Ficou pegando no seu cabelo. Pedindo pra assistir a gente, pra gente se beijar. Mor, ele era um nojento!
_Quem é o cara?
_Não tô mais vendo ele...
_Ó! Pode parar, as duas – a Marina se intrometeu; eu e a Vivian já havíamos engatado uma conversa acalorada prestes a ir à caça – Ninguém vai fazer nada aqui, ouviu? Já passou.
_Eu não vou fazer nada. Eu só quero saber que foi o cara.
_Eu te conheço há seis anos, flor. Você não quer “só saber”. E eu NÃO VOU te falar quem era.
_Ele tava de blusa vermelha. Da Abercrombie, acho...
_Pára de incentivar ela! – a Marina deu um tapa no braço da Vivian e a Mia riu, só então se manifestando.
_Gente, vamos comer em algum lugar? Eu tô com fome...
_A gente já vai – ignorei o pedido, me voltando à Vivian –. E aí? Você tá vendo ele?!
_NÃO. NEM RESPONDE. A GENTE VAI AGORA!

A Marina declarou, puxando a atual namorada e a mim pelo braço, em direção ao caixa. Eu comecei a rir. A Mia nos seguiu, indo atrás, e colocou os seus braços ao redor da minha cintura. Abraçando as minhas costas, com carinho. “Deixa que eu levo”, falou à Marina. E eu me senti escoltada, vocês estão exagerando.  Eu só queria bater um papo, porra. “Amigável”.

8 comentários:

Anônimo disse...

F.M. caminhoneira querendo saber quem era o cara que estava dando encima da Marina, tive quase um momento "I want see blood!"

Anônimo disse...

Aquele momento em que VC quer quebrar a cara do filho da puta de tava tentando agarrar a sua amiga. Ainda bem que não sou só eu :)

Ianca' disse...

Aaaaaaaaaaah que tb me irritou.

pathy disse...

Mas sempre tem um escroto desse na balada. ODEIO!!!!!!
E gente, boceta e pronto! Hahahahhahaha

Anônimo disse...

Ri demais do papo delas! #quemnunca

Anônimo disse...

Banheiros eita hahaha

Anônimo disse...

eu chamo de "menina" hahahaha.

Anônimo disse...

Queria ver a fm brigando ): hahahaha