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janeiro 13, 2014

E as filas furadas

Sair tornara-se estranho para mim nos últimos tempos. Eu me sentia deslocada na Augusta. É. O que por si só já soa absurdo e completamente contraditório à minha personalidade partyhardsãopaulo da Frei. Sempre me orgulhei do meu pertencimento àquele universo, às suas ruas sujas. Cotidiano para mim e para o Fernando, para os amigos que cultivamos juntos; aquela era a nossa vida. E esse era o problema. Era com esse passado recente e mal resolvido que eu agora arriscava topar, toda vez que pisava para fora de casa. Tínhamos colegas em comum que trabalhavam na Augusta; gente que conhecêramos pelos botecos; amigos e amigas que frequentavam a região assiduamente. E que a esta altura, provavelmente, me odiavam.

Desde a nossa briga, portanto, eu me afastei. Do lugar que eu mais amava em São Paulo. Das pessoas. Pois é. Com vergonha do que fiz e resumida à minha filha da putice. Ainda por cima com a certeza – infeliz – de que ninguém ficaria do meu lado. E não que eu discordasse da escolha. As minhas madrugadas começaram a ser passadas, então, no apartamento, com a Mia no quarto ou bebendo com o Du na sala; por vezes ia na kitnet do Gui ou ainda na casa das meninas, da Lê. Da Marina. Não que isto fosse ruim – não propriamente dito –, eram apenas outros quinhentos. Ninguém me pediu ou impediu. Eu é que me forçara àquilo. Fora o curso natural. Para fora do meu círculo de amigos mútuos com o Fernando. E para fora da Augusta.

Inconscientemente. Vivia agora em outra dimensão. Num universo paralelo, assim de repente. Em que a Mia era minha e os meus amigos não, a minha vida não. O meu passado ficara noutro mundo. Os meus dias ganhavam nova dinâmica. Deliciosa, sim; mas eu não ligava e nem via mais as pessoas usuais, que antes estavam na minha vida. E não tinha o Fer – isso era o mais bizarro. De tudo e todos. O mais doloroso. Ainda que a arrancada dele da minha vida tivesse sido tão violenta que eu não me sentisse propriamente na minha pele. Não chegara a processar a informação. O que era – de fato – não tê-lo. Vivia aquém. Num mundo meu e da Mia, no qual fumávamos maconha em calçadas com a Marina e a sua nova namorada, indo para uma balada qualquer. Lugar onde, aliás, a minha ex há muito não pisava. Era tudo meio deslocado. Desconfortável, desconfiado. E atraente, ao mesmo tempo.

Estava determinada naquela madrugada a fazer a Marina beber. É. Tomar o maior porre do ano. Ah, é hoje mesmo, planejei, assim que pisamos dentro do LAB. Ia se ver comigo, ela e aquela sua vida certinha sem excessos – a não ser o de palavras –; ah, se iam. Aquela talvez fosse a única oportunidade que teria em muito tempo. A Vivian juntou esforços comigo. Provavelmente interessada nos desdobramentos sexuais de todas aquelas caipirinhas de catuaba que a namorada tomava. Durante toda a noite, porém, a boca da Mia tirou o foco da minha missão. Me distraindo, terrivelmente. Eu me afundava nos seus beijos e me perdia no tempo. Naquela pista quente do LAB, fervendo todo o álcool que mandávamos para dentro.

_Pára! – a Marina brigou comigo, assim que as nossas tequilas aterrissaram no balcão – Eu não aguento mais.
_Você bebeu menos do que todo mundo aqui!
_Eu bebo menos do que todo mundo aqui. Naturalmente.
_Nem vem, mano. Agora é questão de boa educação, porra!
_”Boa educação” – ela revirou os olhos e riu, me apontando, juntamente com a Vivian – Vocês duas, meu, eu devia saber! Devia saber! Que iam ficar confabulando aí, uma com a outra contra mim. N-nenhuma de vocês... – ela suspirou, mais bêbada do que admitia e rindo – ...presta. NENHUMA!
_Prestar não é o meu objetivo na vida, Marina.
_Ah! E me embebedar é, né?
_Meu, é só para você não ser tão quadradinha. Ir soltar a franga lá na pista.
_Nossa, você faz soar muito atraente isso... – disse, irônica, e eu virei a minha tequila, colocando o copo vazio ao lado do seu, ainda cheio.

Fresca. “Bebe logo, mor!”, a Vivian me defendeu. As duas tinham uma dinâmica engraçada, pareciam se completar. De um jeito estranho e gostoso de se observar. Faziam birra e se cutucavam, conversavam um monte. Enquanto eu e a Mia nos agarrávamos. Incessantemente. Falar nunca foi o nosso forte. E não fossem as tatuagens, nos tomariam por duas adolescentes na certa. “Só mais essa”, minha ex levemente alterada declarou, virando a tequila com uma cara de limão azedo. E eu ri. Ela me entregou então o copo, junto com um olhar de “está vendo só?” debochado. Foi quando me dei conta de que a Mia havia sumido.

_Meu... – olhei a meu redor, já com a fala arrastada – ...cês, c-cadê a... Cadê a Mia? Cês viram??
_A-há! Ela foi no banheiro – a Marina se divertiu –, viu, observe a vantagem de se ter alguém sóbria no grupo.
_O quê? Saber o itinerário da privada?! – a Vivian riu dela.
_Mas foi mesmo? Você viu ela indo, Má?
_Não vi. Ela só avisou...

Saí. Na mesma hora. Merda. Sou uma idiota. Esperara por aquele momento a droga da noite toda e, é claro, quase deixara passar. Bêbada estúpida. Caminhei em direção aos sanitários, tentando vê-la de longe. A pista lotada dificultava o meu acesso – e a bebida um pouco mais. Perdera a conta das tequilas. Quando me aproximei e consegui identificá-la, a Mia já era a seguinte na fila. Fiquei de longe, só olhando. E assim que entrou, sem me ver ali, me coloquei na frente da sua porta. Uma mão em cada lateral da cabine. Vem, sai – eu me divertia, por antecipação. Ignorando todos os resmungos das pessoas que esperavam antes de mim.

Quando a porta tornou a se abrir, a Mia, que saía desatenta, se surpreendeu. Mal dera de cara comigo ali, a meti de volta para dentro. “Que você tá fazendo?!”, ela questionou e riu, bêbada, sendo empurrada contra a parede. Tranquei a porta. Com as mãos nela. E a beijei avidamente, lhe tomando até o tempo para respirar. Tudo. O que parece que estou fazendo, garota? Ela me agarrou o tecido do shorts, me pressionando contra o seu corpo. E eu abri o seu meu.

O que eu não fiz no Vegas, porra.

26 comentários:

Anônimo disse...

Ah, mas que sacanagem hein Mel! ):

Anônimo disse...

"Prestar não é meu objetivo na vida, Marina"
HAHAHHAHA
me identifiquei!

Anônimo disse...

meu deus????? Que final de post foi esse????? Kd meu ar? :O

Anônimo disse...

Kkkk ñ sei pq amei mas amei. amei ver a fm planejando o ataque! kkkkkk mt foda as duas! <333

Bárbara Leão disse...

AAAAAH que gracinha a Marina bêbada, parece que eu vi!
E essa ida ao banheiro... todas sabíamos o q ia acontecer!!!
=D

Ianca' disse...

TÁ DE SACANAGEM QUE A MARINA TB GOSTA DE CAIPIRINHA DE CATUABA??? BOTA LOGO O NOME DE MELISSA. (eu indignada)

Bêbadas não perdem a memória, então? FM é a prova viva disso hahahahahaa 3:)

Anônimo disse...

MEL, VOCÊ É FODA!

Anônimo disse...

Citaçoes favoritas: "Prestar não é o meu objetivo na vida"

( the girl fucking Mia ) disse...

Ianca, silêncio. Hahaha! Eu não sou a Marina. Ou melhor, a Marina não sou eu.

E quem está comprando as caipirinhas de catuaba para ela é a Vivian! Com segundas intenções. A Marina não tá pedindo nada... rs

#chatnoscomentários <3

Júlio disse...

Eu já tô perdido,nem onde comentar,o anterior explica minha teoria sobre o Fernando,esse que é isso o.o com todo respeito,sem aquela escrotice de fantasiar duas mulheres Mel tu quebra minhas pernas!!

Ianca' disse...

Eu fico só de olho nos sinais, deixe quieto. hahahahaha

Mas será que a tal catuaba é afrodisíaca mesmo, ou são só rumores como os ovinhos de codorna?

Anônimo disse...

UM HOMEM AQUI? OMG :O

Anônimo disse...

Kkk.. Porrann Mel...esse era p ser o final do primeiro.. Pq tipo.. Quero maisssss...
E amei o.. "prestar não é o meu objetivo na vida"...
Obg Mel!
(Mariana Curi)

Anônimo disse...

Fular filas pra encontrar a namorada no banheiro da balada... quem sempre? Hahaha

Júlio disse...

OH NOSSO DEUS!!! pq não MULHER?? Lembrando que leio o F.M pra auxiliar a convivencia pacifica entre uma mina/irma que me obrigou a ler de inicio,as vezes aqui parece um clã. hahaha dificil entender a linguagem de vcs.

Karla disse...

HAHAHAHAHA Oh experimento sociologico cê tá saidinho ein? Tudo mentira ele tá curtindo mais que qualquer uma aqui,todo cheio de ler e analisar cada situaçao coisinha mais linda de ver,hahahaha parei ;x gnt to tirando print e mostrando seus comentarios pra Renata velho! felomenal isso *----*

Anônimo disse...

ESSA MADRUGADA PEGANDO FOGO e a Melissa para do nada
muito errado isso

Pathy disse...

Carlho, Mel! Pq parar agora? Hahaha
Marina beba.. huuuum

Lolly disse...

AI MDS, MARINA BÊBADA CAINDO NO CHÃO PFVR S2

Anônimo disse...

cadê vestido na Mia pra facilitar?

Guru Virtual disse...

I like the way you write, girl! ;)

Dea disse...

desde o primeiro post que eu li do blog, sentada numa cama de viúva, naquele quarto quente pelo aquecedor que nos protegia do inverno Portuense, eu entrei na vida da FM. cara, é incrível como, mesmo ficando dois meses sem ler o blog, eu consigo me deixar levar pela história já na primeira linha.

eu estava sonolenta, peguei o notebook pra assistir um filme e resolvi abrir o blog. pronto! perdi o sono, não vi o filme e estou com um puta tesão da porra, hahahahahaha!

e o post anterior, meeeeeeeeu?! quando a Marina insinuou um "ménage à quatre"? pô, Mel! achei que finalmente fosse ter isso aqui (por mais bizarro que fosse esse quarteto, principalmente por conta da tal Vivian e sua mania de chamar a Má de "mor"). queria ver se teria alguns acontecimentos baseados em fatos reais, hahahaha ;)

ai ai... tou feliz demais por ter retomado a leitura. agora voltarei ao martírio da espera pelo post novo. hunf.

Anônimo disse...

parou aqui?

Anônimo disse...

ow, numa boa... tá um saco essa coisa de bbb lá no grupo... toda hora alguém comenta algo, e as meninas só falam dessa merda. não quero bancar a chata pseudointelectual nem nada, mas tô pensando seriamente em sair do grupo. minhas notificações estão desativadas, mas toda vez que eu vejo que tem algo coisa, eu corro lá pra ver se é algo interessante e sai sempre a mesma coisa: big brother. vou usar a máxima: os incomodados que se retirem.
(melissa, não precisa aceitar o comentário, é só um desabafo)

Chel disse...

Pelamordedeusminhanossasenhora!!!
MEEL!!! cade?? Voorta!
Faz quaase 10 dias que eu entro, religiosamente, todo dia na esperança de ter um post(duplo)novo... hahahah!

Anônimo disse...

Aaaaaaaaiiiii!!
Mais de 10 dias e nada de post, Mel? Quer nos matar de curiosidade? Kkkk
Larga dois em sequencia, aí, vai!