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janeiro 07, 2014

O Beijo pt. 1


Desci as escadas do Centro Cultural com pressa. Já estava dez minutos atrasada com relação ao horário proposto pela Marina. Pra variar. O dia todo tinha sido corrido. Uma fila enorme se estendia pelo corredor no piso inferior e, ali no meio, identifiquei a minha ex-namorada e a sua nova da vez. Usava um vestidinho branco, solto, com gola canoa toda hippie, bem do jeito dela; enquanto a namorada estava com um shorts verde-escuro e uma bata também branca. Não era tão butch quanto as garotas que a Marina costumava namorar – entre elas, eu inclusa. Alcancei-as na fila, passando pelas demais pessoas.

_Cadê a Mia? – a Marina indagou, assim que as cumprimentei.
_Não sei. A gente combinou de vir separada...
_ Mas será que ela tá chegando? Eu já comprei o de vocês.
_Obrigada, linda – peguei-os ingressos da sua mão e olhei ao redor – E não sei, meu. Achei que ela já ia estar aí!
_ Falta cinco minutos pra começar...
_Mas que porra, mano. Vou ligar pra ela...

Assim que peguei o celular, notei um SMS de dois minutos antes da Mia, que dizia: “to num dia dos infernos, pqp. desculpa. ja to chegando”. Lhe escrevi de volta com as nossas coordenadas e a apressei. “E aí?”, a Marina perguntou, já apreensiva. “Ela já está vindo”. Restávamos eu, ela e a tal Vivian para socializar na porta do teatro pelos cinco minutos seguintes. Vejam bem, não era como se eu não gostasse das namoradas da Marina – ok, talvez eu não gostasse mesmo... –, mas aquela era uma situação desconfortável. Toda vez. Tudo bem que essa em particular eu já detestava menos do que a Bia, por exemplo. Não que fosse muito difícil. Mas eu me esforçava:

_E vocês, estão bem? – comentei com ela, me obrigando a ser simpática.
_Estamos... – a Vivian sorriu, meio sem saber como agir comigo.

Nós duas mal trocáramos uma palavra na noite m que nos conhecemos, no Flamingo. Eu não fazia ideia de como ela era.

_E faz o quê já, um mês?
_Quase dois.
_Hum.
_Não. Faz mais de dois, Vi... – a Marina calculou por detrás dos seus óculos pretinhos – ...quando foi, você lembra... – virou-se para mim, me cutucando – ...aquela vez que eu fui lá na sua casa e a gente ficou bebendo? Sabe? Que tava eu, você, o Fer e a Mia; ele ainda morava lá?!
_Nossa, pode crer. Morava. Faz mais de dois, então... – me espreguicei enquanto falava e a minha voz se alterou um pouco, tornando-se mais grave e lenta por um instante; me virei então para a Vivian, em tom de confissão e ri – ...cê precisava ver, meu, a Marina falando de você aquele di...

Tomei um tapa bem na altura do estomago, antes que pudesse terminar a frase.

_Quê? – achei graça, olhando para a cara de indignada da Marina – É verdade, meu.
_Não começa!
_Mas tava, ué. Se derretendo toda lá, contando do primeiro beijo de vocês – revirei os olhos, a envergonhando de propósito – Ai, e o carro... a sintonia, a intensidade... Mimimi, oh, meu deus...
_Cala a boca, mano! – a Marina sorriu, achando graça, e murmurou constrangida – Não foi assim, tá.
_Hum... – a Vivian a abraçou, entrando no jogo – Ah, é, é?
_Não escuta ela, cara. Isso é ciúmes.
_Ciúmes de quê, mano?! – me defendi.
_Eu sei lá! Você por exemplo levou, tipo, cinco meses para me beijar... Convenhamos! – a Marina me criticou de leve, já zombando, filha da mãe.

Ok. Tá, tá. Era verdade. Tinha mesmo sido lento entre nós. E eu admitia a minha parcela de culpa naquilo – acho que demorei para aceitar o fato de que queria mesmo ter algo com a Marina. A primeira vez que eu a beijara não fora portanto uma decisão impulsiva ou uma daquelas vontades que não se consegue segurar, como no caso dela e da Vivian, que se pegaram já logo no primeiro encontro. Muito pelo contrário: todo mundo já sabia há meses que ia rolar entre nós e nunca rolava. O que, em si, já era muito diferente da forma como eu costumava me relacionar com as garotas. À época, em meus plenos quase dezenove anos e recém separada – isto é, afobada e direta.

Rolou na casa da Dri. Eu conhecera a Marina uns meses antes. A Dri namorava a Paula na época, que cursava o mesmo ano de Jornalismo que a Má na faculdade. Foi ela que a “trouxe” para o nosso grupo de amigas. E iniciou-se aí um processo longo. Eu gostava de vê-la. De trombar com a Marina por aí. De início ela era apenas alguém – com seus ares de independência; sempre articulada e interessante – com quem eu gostava de conversar, passar as minhas tardes ao lado na casa das meninas. Se tornara frequente ver nós duas isoladas num canto ou discutindo intensamente qualquer assunto político-existencial. Toda vez que me surpreendia com a sua presença em meio aos nossos rolês, eu sorria, inevitavelmente. E ia cumprimentá-la.

Mas há algumas semanas isso mudara. Nós duas sabíamos que tinha algo entre nós e nada era falado. Em momento algum. O que criara uma dinâmica estranha – porque nunca era combinado, não nos falávamos ou víamos fora das rodinhas. Eu sequer tinha o seu telefone! As únicas vezes que rolava era quando nos encontrávamos em festas ou ao acaso. E nas últimas delas ficara evidente para todo mundo, pelo jeito como nos tocávamos ou sentávamos ao lado uma da outra, carinhosamente, que havia algum envolvimento entre nós. Ainda que nunca tivéssemos, de fato, nos pegado.

É: sem beijo. Por ora.

10 comentários:

Liv disse...

Má <3

Anônimo disse...

A parte 2 conta o primeiro beijo delas????? QRO MTO!!!!!! *-*

Anônimo disse...

AAAAHHHHHHHHHH!!!!! PFVR <33333

Anônimo disse...

gente, como pode a Marina ser TÃO apaixonante assim? <3

Anônimo disse...

Eu todo empolgado esperando a Mia aparecer ;(

Anônimo disse...

kd beeeeijo?

Anônimo disse...

a Marina é pra casar! <3

Ianca' disse...

Marina é a mulher da minha vida

Anônimo disse...

aconteceram todas essas coisas e só fazem 2 meses que o fer foi embora?

quando fm e marina se conheceram marina estava na faculdade de jornalismo? mas elas não eram novinhas? digo, menos de 17 anos provavelmente.

tô confusa.

( the girl fucking Mia ) disse...

Sim! É que cada dia no blog leva uns 50 posts, hahahahaha. Mas, por exemplo, faz 1 semana a balada que elas foram e o Fer mandou SMS. E antes disso fazia 1 mês que ele descobrira! É que eu sou lerda pra postar e parece que foi há uma eternidade, hehehe.

A Marina tinha 20 quando namorou com a FM e ela é um ano mais velha, a FM tinha quase 19 quando elas ficaram a primeira vez. A primeira namorada séria, a FM pegou com 16 anos e depois foi namorar com 17, ficou 2 anos com ela... Meses depois conheceu a Marina. Quer dizer, a FM já tinha ficado com várias minas antes de namorar com a Nana e também entre ela e a Marina. Aí ficou 11 meses com a Má e depois não tem muita coisa detalhada no blog, hahaha, mas foi mais ou menos isso. A que eu acho que ela conheceu mais nova foi a Dani!