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fevereiro 06, 2014

A Gravidade

_Você tem que ver! – a Mia virou para trás, rindo, sussurrando para mim.
_Não – sorri –. Tô de boa...

Eu estava com as costas na parede da cozinha. Ela revirou os olhos ao meu lado, praticamente entrincheirada no batente da porta, mais adiante, entre nós e o corredor. Se divertia, bêbada. E tornava a olhar para a sala, em meio ao escuro. A encarei, conforme ela espiava as duas ali, a Marina e a Vivian, à distância. Achando graça em seu interesse. A Mia se surpreendia a cada segundo, quase, narrando: “elas tão mesmo se pegando!”. E eu ria, então a cutucava. “Pára de ficar olhando, vai...”, pedia, igualmente embriagada. E ela me ignorava.

_Vem – insisti, rindo – vamos pra lá.  
_Cara! Não é possível que você não queira nem dar uma olhada...
_Estou bem aqui. Sai daí você também, vai...
_Qual o problema? Tenho certeza que você já viu um milhão de amigos trepando... – cochichávamos no escuro.
_Já. Mas não fiquei olhando... – só errei de porta numa festa, chapada, e me desculpei imediatamente, oras... – Quando rolava, era sem querer.
_Duvido. Aposto que você já ficou assistindo o Fer e eu, nesse apartamento – riu.

Sim.

_Não.

Ok. Uma vez. E talvez os meus olhos tenham demorado mais do que uns segundos para desviar, mas desviaram. Eventualmente. E foi uma só vez, porra. Aconteceu uns anos antes, numa noite em que eu não devia estar em casa – tinha ido encontrar a Rô em Perdizes e ia dormir por lá, mas acabamos discutindo. Pra variar, né. Aí peguei um táxi de volta, tendo sido expulsa do apartamento dela. E ninguém me ouviu entrar; quando cheguei, a porta do quarto do Fernando estava aberta, eu notei no corredor já a caminho do meu quarto. Durou dez segundos. E praticamente só vi as costas tatuadas dele. Por cima dela. Tá. Não vou mentir. Não era agradável para mim ver o Fer comendo a Mia – assim como não seria nada agradável presenciar a Marina com a Vivian. Por motivos óbvios. E, nossa, como eu odiei. Ele. Ela. Toda a merda da situação. Mas os meus olhos me desobedeciam e demoravam, ali, dentro do quarto. Nos movimentos deles. Hipnotizada. Inferno. Essa imagem reprisaria mil vezes na minha cabeça naquela noite, à procura de qualquer memória da Mia. Da pele dela. Sei lá. É difícil explicar.

Com a Marina, por outro lado, o problema era bem diferente. “Não é a mesma coisa”, argumentei, “eu já namorei com a Má”. E dei mais um gole do rum, ainda com as costas no ladrilho da parede. “Você tá com medo da nostalgia”, a Mia me zombou então, aos sussurros, e eu a empurrei. “Cala a boca”, ri e a beijei rapidamente, “não é isso, caralho”. “É, sim”. “Não, não é”, insisti, “é só que é estranho ver ela dando pra outra pessoa”.

_Hum. Pois eu acho que você tá com medo de ver ela sem roup...
_Que mentira! A Marina não tá sem roupa, mano! – a interrompi, duvidando.
_Tá, sim! Olha lá...
_Fica quieta, velho... A Má nã..
_Mas tá! – me cortou – Eu vi ela tirando o vestido dois segundos atrás!

O QUÊ?! Me apressei até a porta na mesma hora, arregalando os olhos. Não é possível. A Marina passara praticamente todo o nosso namoro inteiro debaixo das cobertas. Ela não ia arrancar a roupa em plena atividade ilegal na sala de terceiros. Você não era assim quando nós saíamos, pensei, tentando ver algo no escuro. Mas lá estava ela. Me contrariando. O encosto do sofá entre nós só permitia que eu avistasse a parte de trás da cabeça da Vivian e os ombros para cima da Marina – provavelmente no colo da “nova” namorada –, virada de frente para o corredor. Não tinha roupa, nem os óculos. E beijava a Vivian avidamente, com as mãos na lateral do seu rosto. Fiquei sem reação. Quanto diabos você bebeu, porra? Me virei de volta para a cozinha – não posso ver isso –, por um breve momento, mas logo tornei a encarar a sala. Como num magnetismo, que eu sabia ser errado e não conseguia evitar.  Observava as duas se pegando. E a Mia tinha razão: elas estavam mesmo se agarrando bem no meio da minha porra de apartamento.

Que merda. Eu não tinha certeza de como me sentia a respeito daquilo. Não que eu me atraísse pela Marina. Ou pela ideia delas duas juntas. Nem um pouco, aliás. Mas não conseguia tirar os olhos das duas e isso me incomodava. Senti um estranhamento filho-da-puta. Em partes por ver o corpo dela assim, tão cruamente, anos depois de eu já não vê-la ou tocá-la. Movendo-se por cima de alguém que eu mal conheço, o que era pior, com os seus ombros descobertos se contorcendo. As suas pintinhas. A sua pele. Caralho. A cena rompia com toda minha memória emocional sexual nostálgica da Marina – deitada sem os seus vestidinhos na minha cama, brincando com as suas pernas entre as minhas. Boba e absurdamente sexy. E vê-la agora me induzia a pensar nela. Em como era. E em como eu me sentia. Era inevitável. Por que eu sabia exatamente cada gosto e cheiro que a Vivian estava experimentando naquele instante. E isso me perturbava tanto quanto o ciúmes de vê-las ali.

_Me diz agora, quem não tira o olho... – a Mia disse no meu ouvido, tendo perdido para mim o seu posto de entrincheirada na porta; a Marina curvava os ombros e subia lentamente sobre a Vivian, empurrando-a ainda mais contra o sofá, aos beijos e toques e porquediaboseuaindatôolhandopralá.
_Não tô.
_Sei. É. Vai nessa, ô Sra. Moralista...
_Fica quieta, não é! É só que... – interrompi a frase, observando a Vivian descer a sua boca aos poucos pela pele da minha ex, minha ex, caralho, em direção aos seus seios; e eu não tinha qualquer visão, graças ao encosto do sofá.

Desgraçada. Parte de mim queria interrompê-las e mandar aquela garota tirar as mãos da minha Marina. Tirar a boca. Tudo. Secretamente, porém, não queria que elas parassem. Apreciando cada segundo daquilo de um jeito nostálgico e confuso. Sensorial. E enciumado. Era tudo bizarro. Senti o corpo da Mia esbarrar contra o meu, apertando-se comigo no vão da porta para olhar. As suas mãos tocavam a minha cintura, pressionada no escuro contra mim. “A Marina fica bonita sem óculos...”, sussurrou.

Não. “Eu gosto com”. “Você gosta de todas”, a Mia riu, “não importa o jeito...”. “Não é verdade”, me virei na sua direção, rindo. Ofendida. “Não. Imagina...”. Ela se divertia. “Não mesmo”. “Ficou seletiva agora?”. Apoiei as costas contra o batente, a encarando por um instante. “Eu gosto de você”, falei, “sempre gostei”. “É o que dizem os boatos...”, ela riu, conforme eu a puxava na minha direção. “Fodam-se os boatos. Eu te digo”, a encarei. E ela me olhou fixamente de volta, atraída ao meu centro de gravidade. Sorriu. Dei um passo então, para frente, num impulso, obrigando-a a ir para trás. Pressionei o seu corpo contra o outro batente, no lado oposto. E a beijei, ansiosamente.

Se você soubesse, garota. Ela colocou os braços na minha cintura, se deixando envolver. Me envolvendo. E sabia. Havia um sentimento estranho em beijá-la ali, sabendo que a Marina transava com a Vivian a menos de dez metros; quatro corpos simultaneamente envolvidos num mesmo cômodo. De alguma forma todavia não pude evitar. Era absurdo com a queria, aquela garota. A Mia suspirava entre os nossos beijos – bêbada – e eles se tornavam rapidamente mais intensos. Numa progressão emprestadas delas; da situação, não sei. Começou a tirar a minha blusa. E logo fiquei de sutiã, arrancando os seus shorts à minha frente. A boca nela e as mãos para baixo. “A gente provavelmente não devia fazer isso aqui”, sussurrei; mordendo o seu lábio, o seu queixo, a beijando inteira com o corpo contra o dela.

Mas – àquela altura – as nossas roupas já estavam no corredor. “Elas não conseguem ouvir”, a Mia insistiu, entre fôlegos, me puxando para perto dela. A agarrei pelo cabelo, colocando a sua cabeça contra o batente. E a beijava. Sem conseguir me desviar daquela vontade. De tê-la. Ela. Filha-da-mãe. “Você me tira do sério”, argumentei, bêbada, “porra”. A Mia ria. E me tirava o shorts, a sanidade. Nos agarrávamos desajeitadamente numa tentativa falha de não fazer barulho. E a mera ideia de que elas pudessem nos ver me provocava. Em disparada. A Mia colocou então as mãos na lateral do meu rosto, me segurando, e me beijou demoradamente. “Eu sei que essa não é a melhor hora para te dizer isso”, sussurrou e pôs a boca no meu ouvido, “mas é que...”. Suspirou. E eu a beijei, como se lhe completasse a frase.

25 comentários:

Deia disse...

ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, nao para assssim naoooo MEl!!! poxaaaaaaaaaaaaaaa....

Anônimo disse...

Caraaaaaaaaamba! Melissa, eu te amo! <3

Anônimo disse...

Uhhhuuuuuuu!!!!!! Clap clap clap. Adoooro Marina, amo FM+Mia... e a Vivian, prazer em conhece-la. Maasss, que se essas 4 se pegassem ia ser bom, iaaaa!!! Hahahha

Anônimo disse...

Nossaaaaaato bom esse post, mel! Adorei as sensações confusas da FM em relação à Marina. Muito! E amei como ficou no ar esse "eu te amo" no final.

Anônimo disse...

Ahhhh, esqueci de conentar: mudou a fonte do texto, é? Acho q prefiro a de baixo.

( the girl fucking Mia ) disse...

Não! Isso acontece quando publico do Chrome, não do Firefox. Foi erro meu, na correria. À noite mudo de volta! Também gosto mais da outra... :)

Pathy disse...

MEU DEUS DO CEU 666'

Anônimo disse...

aaaaahhh awn *-* que mistura perfeita. só vc, melissa ;*

Anônimo disse...

OMG!!! Finalmente! ♡
Hahahahahahaha
Adorei mto o post. Obrigada, Mel! Parabéns!!


Acho meio nada a ver as quatro juntas. Mtooo, na vdd.

Anônimo disse...

Não para!!! Muito bom o post!

Anônimo disse...

Fantástico! Mais um, mais um, mais um rs

Gabs disse...

COOOOMO ASSIM? Isso é jeito de acabar um post dona Melissa!
Ai meu coração. <3

Anônimo disse...

mais, mais, mais!!!

Anônimo disse...

Senti uma vontade absurda de Fm e Marina nesse exato momento!

Anônimo disse...

QUE POST SENSA

Bárbara Leão disse...

Esse é o tipo de post q a gente só lembra que não tá respirando, no final!
aaaaaaaaahhhh
Cade o outro?????

Anônimo disse...

me perguntando se vai rolar um post às 4h20 pra eu ler enquanto fumo um...

Anônimo disse...

Ai que mané Marina,deixem ela com a mulher dela u.u cês não tão vendo a Mia querendo falar que a.m.a a Fernanda Maria <3 #doceilusao #vaique #arrochaMia

Anônimo disse...

“Tá. Eu sei que essa não é a melhor hora para te dizer isso”, sussurrou e pôs a boca no meu ouvido, “mas é que...” GENTE PRESTENÇÃO NISSO SÁQUI BRASEL!!!! Mel por Deusa poste logo,eu vou infartar de tanto F5 e nada :'(

Anônimo disse...

Mia já pegou Viviannnnn

Anônimo disse...

Aaaaah, tá, deixa a Mia terminar a frase, porrrrr favorrrr??
Se for o que todas queremos que seja, claro ;)
Essas mensagens subentendidas me dão nos nervos hahaha
Posta logo, Mel?

Anônimo disse...

E o lance do dildo q a Mia queria usar? Vai ter não? Kkkkkkkkkkkkkkkkk

Anônimo disse...

voltando pra faculdade e o que mais me interessa. é o que a Mia vai falar pra F.M *-* Mel não faz isso,posta logo mulher!

Anônimo disse...

mas gente, já passou. ela não vai falar dessa vez. elas se beijaram, e fim. haha...

Juliana Nadu disse...

Pqp falaaar o queeeeee??? Nossa!! Nossaaa!!