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julho 31, 2014

It's baba boom time!

A meu ver, existiam duas opções. Ou a Clara ia mandar eu me foder assim que visse a mensagem; ou ia apagar logo de cara e me ignorar. Passados os vinte minutos iniciais desde que o meu sentimento de autopreservação cometera suicídio telefônico, presumi que seria mesmo a segunda opção. Ou existe uma terceira? Um cara interrompeu os meus pensamentos, pedindo para passar por mim no corredor do metrô. Dei licença a ele com certa má vontade – tem espaço suficiente para nós dois, babaca espaçoso – e me acomodei contra uma das barras de metal. Estava ficando tarde já.

Desci na República e caminhei sozinha em direção a uma das praças próximas, onde ficava o bar. Estava escuro na rua. Um tanto frio também, o que me fez arrepender de não ter trazido uma jaqueta. Preciso beber, planejei mentalmente, olhando por cima do meu ombro para um cara que me seguia. Para o meu alívio, logo cheguei à praça. E o lugar estava lotado. Era um desses rolês de rocksteady lotados de caras mods tatuados, do tipo que te faz pensar em pin-ups modernas e carros antigos. Fiquei na dúvida se ligava para o Fer, avisando que estava ali, ou se isso seria estranho. Não tinha certeza do quanto ele realmente estava ok com a minha presença no bar – e não queria abusar das circunstâncias. Fui tomada por uma leve ansiedade, nervosa. Entrei na multidão que se aglomerava na praça, desviando das pessoas e passando entre as rodinhas de conversa. Alguém ali fumava maconha. Mais de uma vez senti o cheiro, mas sem ver de onde vinha.

Quando o avistei. O Fer estava com o seu “uniforme” – jeans e camiseta branca –, as tatuagens à mostra e nitidamente bêbado. Tinha o braço ao redor de uma garota que eu não conhecia. Era bonita, devia ter a minha altura e a idade da Mia, talvez. Os lábios cheios. Parecia vir de uma mistura incomum entre nordestina e latina, não sei bem explicar. Usava um camisetão do Skatalites cortado nas laterais, com um sutiã preto por baixo, e shorts. E exibia uma rosa old school tatuada na lateral do pescoço, o cabelo moreno jogado por cima do outro ombro; incontáveis traços desciam pelos seus braços. Os dois se encaixavam perfeitamente na multidão.  

Ao lado deles estava o Tchiello – um amigo em comum entre o Fer e eu, que eu não via desde a época em que saía com a Patti... para se ter uma ideia, não é –, a ex namorada dele e um outro cara que eu não conhecia. Imaginei se os dois ainda se pegavam. O Tchiello e a ex. Aparentemente sim. O Fer foi quem me viu primeiro. E não se moveu – eu que fui até o grupo; tirando um cigarro do maço para ocupar as minhas mãos inquietas. O acendi. E cumprimentei todos só com a cabeça, à distância. O Tchiello imediatamente lançou um olhar de estranhamento para o Fer, praticamente checando se ele estava de boa com aquilo. Comigo, isto é. E o Fer balançou a cabeça, tranquilo. Me senti desconfortável.

Provavelmente sem entender a situação, o terceiro cara da roda se adiantou e apresentou a si mesmo. Chamava-se Beto e era um dos organizadores da festa, dono de uma coleção imensa de vinis. Disse que tinha discotecado no começo. O Fer fez um movimento então para apresentar a garota ao seu lado – sem muitos detalhes “essa é a Joanna”, disse apenas. E eu fiz um esforço tremendo para não mover um milímetro sequer da minha atenção ou olhar na sua direção. “Prazer”, respondi. Um tanto seca.

_Vocês se conhecem de onde? – a mina fez cara de poucos amigos, em resposta.
_A gente se conhece faz tempo...
_É. Faz onze, doze anos... – completei.

Ela pareceu descontente. Agia como a maioria das minas agem perto do Fer e de mim: como se eu fosse uma ameaça. Amiga, deixa eu te contar: o meu negócio é outro. Não que importasse muito dizer. Por algum motivo toda hétero que o Fernando trazia para sua vida suspeitava que, mesmo eu sendo sapata de carteirinha, na calada da noite, fosse para economizar água no banho ou esquentar a cama alheia, eu e ele transávamos. Era a suposição padrão. Eu já estava acostumada. Até a Mia – meses depois de me conhecer, aos risos – admitiu ter ciúmes de mim no começo. Para cê ver, né. A homossexualidade não era cogitada nem quando eu literalmente estava comendo elas com os olhos.

Heteronormatividade cega mesmo as pessoas. E a daquela menina não custou muito a me cansar. Não que ela fosse escrota – muito pelo contrário –, era super gente fina. Parecia realmente interessante. O tipo de mina de quem eu seria amiga normalmente. Mas fez questão de me tratar com indiferença a noite inteira. Ficou cercando o Fernando como se eu fosse a última palha entre a sua insegurança e o fogo no rabo alheio. Mal trocou uma palavra comigo nas horas seguintes e ele também não – o que consequentemente me forçou a fazer amizade com o Beto. Que se foda, pensei. Juntos, fizemos umas trinta viagens da calçada até o bar, abarrotado de gente, para pegar bebida. Em pouco tempo eu já tinha me esquecido do frio. Fumei um baseado com uns caras que não conhecia, amigos dele, e fiquei completamente chapada – a partir daí ri de toda e qualquer coisa que saía da boca do Beto. 

De tempos em tempos, checava o meu celular. Os dois. Sem resposta da Clara ou sinal da Mia.

_Posso sentar aí? – o Fer me perguntou.

Eu estava agachada em cima duma muretinha baixa de ferro àquela altura, dessas que ficam ao redor das áreas com grama na praça, fugindo um pouco do caos, quando o Fernando se aproximou. Acenei com a cabeça e ele se sentou ao meu lado. Segurava uma garrafa de catuaba aberta nas mãos, do tipo que se compra de ambulantes na rua. Deixou-a no chão entre as suas pernas. E pediu um trago do meu cigarro. Quando o devolveu, segundos depois, murmurou um “e aí?” de cabeça baixa, antes de soltar a fumaça. Eu estava muito louca – então não respondi. Ele subiu os olhos, observando os meus, vermelhos, e achou graça.

_Tá boa a festa, então? – ironizou.
_Ô...
_Cê tem mais aí com você?
_Mais o q-quê? – perguntei, sem entender.
_Erva – ele riu.
_Não. Nem era minha, f-foi... – tentei apontar, me orientando, mas a minha cabeça estava confusa – ...ah. Uns caras aí. N-na, na frente ali do bar, não sei onde foram parar agora.
_Deixa pra lá – o Fer pegou a garrafa pelo pescoço e me ofereceu – Quer?

Neguei com a cabeça. Muito sensata. A verdade é que eu precisava de uns minutos antes de meter qualquer outra coisa no meu corpo ou eu ia começar a perder de vez o controle. Já tinha arregaçado as mangas da camiseta de calor. Coisa que, sóbria, eu não faria. Olhei para aquela catuaba Selvagem e achei desperdício bebê-la assim. Apesar das objeções do Fer, me levantei e fui até o bar num pulo só, onde fizera amizade com um dos atendentes. Trafiquei então um copo plástico com açúcar, limão e gelo. Voltei orgulhosa do meu feito. E entreguei para o Fernando beber com a sua catuaba. Talvez num esforço meio exagerado de agradá-lo, eu admito. Ele aceitou e riu. Encheu o copo, me dando primeiro para experimentar. Tomei só um gole – e estava bom. Já devia ser mais de meia noite, alguém colocou Jamaicans para tocar na mesa de vinis.

_A gente quase não se falou no fim das contas... – comentei.
_É. É que a Jô é meio...
_É... – eu ri.

O Fer passou a mão na nuca. Sem olhar diretamente para mim, de cabeça baixa. E mrmurou: “o que cê achou dela, afinal?”.

_Uma merda – eu respondi.
_O quê?!??
_Desculpa – ele subiu os olhos até mim, rindo, e eu comecei a rir também –, mas achei uma merda mesmo. Numa boa... Eu detestei.
_Caralho, meu...

Ele gargalhou, indignado com a minha honestidade. Tomou ar e completou então – “bom... menos mal assim” –, antes de dar mais um gole. Como se aquilo colocasse o seu novo relacionamento fora de risco. Da minha zona de risco, isto é. Balancei a cabeça, achando graça na sua observação. E tornei a tragar. Os olhos do Fer seguiram a minha mão por um instante. E num segundo senti que ele queria me perguntar da Mia. Mas não o fez. Encarou as próprias mãos, ao invés, e levou o copo mais uma vez à boca.

16 comentários:

Anônimo disse...

Gnt a mina nova parece gata! To amandoooo o fer com a fm, ainda q tem uma tensao ai no ar por causa da mia e dos amigos..adorei o post td!! posta mais <33

Anônimo disse...

Simplesmente foda u.u

Anônimo disse...

FEEEEEER *-*

Anônimo disse...

UHUUU voltou o climinha bom do blog, sem muito mimi e mais banza <3
To voltando a gostar do Fer ;)

Anônimo disse...

Será que a Clara vai responder?

Anônimo disse...

Campanha #RespondeClara kkkk
Adoro a FM e o Fer, então amei esse post. Espero que eles continuem assim <3

Cris F Santana disse...

Estava com saudade do Fer..

Anônimo disse...

Aaaaah, Feeer... :~~

Bárbara Leão disse...

E eu só consigo pensar: ela mandou um SMS pra Clara, mano!!!
Será q ela vai responder! Socorro!!!!
O Fer é tão nhoim!!! ❤
Esperando...

Anônimo disse...

back to the beginning! <3

#respondeclara

Anônimo disse...

Mano, selvagem boa é selvagem pura!

Anônimo disse...

Adorando FM e Fer. Campanha #deletaSmsClara rsrsrsrs

Anônimo disse...

#respondeclara

Anônimo disse...

#RespondeClara
Ah, sei la.. nao curto mt o fer não... Deu abuso já.

Anônimo disse...

A clara tem q responder

Anônimo disse...

#respondeclara ♥♥♥