março 12, 2011

Me olha, garota

A porta do elevador se fechava lentamente. E eu permanecia ali, plantada no meio do corredor. Por favor. Do outro lado, encostada na parede do elevador, a Mia mantinha a cabeça baixa, como se olhar para o chão fosse mais suportável do que me encarar naquele momento. Não faz isso, garota. A porta avançava centímetro por centímetro, como um erro que ninguém corrigia. Por favor. Prestes a descer e a levar embora sem me dizer uma única palavra. Nada além de um “eu preciso ir”, murmurado e covarde. É só isso que você tem pra me dizer?, o meu coração apertava ao vê-la ali, os seus olhos inchados, os meus, me sentindo uma completa idiota.
 
Qualquer coisa. Fala qualquer coisa, porra. Me manda à merda, diz que não me ama, que tudo entre a gente foi um erro, mas fala, caralho, eu a observava, conforme os últimos centímetros de vão se estreitavam. E como eu queria – enfiar a mão ali, impedir que aquela fresta se fechasse. A beijar contra a parede, não deixar que fugisse, que evitasse minhas palavras. O que eu disse um minuto antes, é, numa declaração romântica malsucedida de merda. Mas eu não conseguia me mover. Nem desistir. Então a olhava, olhava e olhava, como se isso fosse o suficiente para fazer aquela porta parar. Como se o desespero no meu olhar fosse capaz de a segurar ali por mais alguns instantes – e talvez fosse, se a Mia erguesse a porra do rosto e me encarasse.
 
Mas ela não olhou. Ela não fez nada.
 
Se refugiava num silêncio desesperador e a vontade de chorar crescia em mim. Não vira as costas. Não me deixa aqui, minhas pálpebras abertas imploravam. E até tentei controlar – mas, no segundo em que o elevador terminou de fechar, as lágrimas me apertaram a garganta. Um arrependimento insuportável invadiu meu peito. Caralho. A realidade parecia suspensa. Engoli seco. Machucada e sem resposta, andei de volta pelo corredor, batendo a porta do apartamento com força atrás de mim. O Fernando continuava no quarto, podia sentir o cheiro do baseado vindo debaixo da sua porta, me lembrando do quão insignificante eu era. E a quem ela escolheu.
 
Inferno. Com raiva, me tranquei no meu quarto. Prestes a desmoronar. Não queria ver o mundo por um mês. Foda-se, foda-se tudo, tentei me distanciar da sensação, mas não conseguia me aquietar, andando de um lado para o outro em frente à janela. Apoiei a cabeça contra o vidro e fechei os olhos, tentando respirar fundo. Por que eu fui falar?, a angústia me alcançou de novo, as lágrimas também, eu estraguei tudo.
 
Apanhei um cigarro em cima da mesa do computador e o acendi, ainda tentando me acalmar. Escutei o meu celular tocar. “Vc me ama msm?”, li o SMS da Mia. E traguei uma vez. Soltei a fumaça em seguida, os meus olhos molhados, olhando para a sua mensagem como se as letras pudessem me cortar. “Amo”, digitei de volta e larguei o celular sobre o parapeito da janela. Eu sabia que ela não ia responder.

4 comentários:

  1. é incrivel como Mel coloca as músicas certas nos momentos certos. hahahaha, ficou ótima essa música entre esses dois posts :D

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  2. thereza ohana disse...
    é incrivel como Mel coloca as músicas certas nos momentos certos. hahahaha, ficou ótima essa música entre esses dois posts :D

    Realmente! Concordo, concordo!



    E obrigaaaaada pela música da minha semana de carnaval! HAHAHAHA
    (In the next room deles msmo tbm é muito esse blog! HAHAHA)
    Aliás. A OST3 vai estar ótima, hein! :O

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  3. ooown *-* ♥
    Conheci agora :P

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  4. musik perfeitaa...


    tah td alternativinha heein Mel kkkkkkk

    bgs

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