“VC TINHA Q TA AQUI!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!”, a Mia me
escreveu, bem assim, num exagero de exclamações. E eu ri, deitada à toa na
minha cama. A sua primeira mensagem foi seguida quase imediatamente por outras
duas – “PQP EH A COURTNEY!! <3 <3” e “MT FODA.. C TA ASSISTINDO
DAI???”. Esfreguei o rosto, me livrando daquela preguiça de fim de domingo,
e então me levantei para ir até a sala.
As luzes do apartamento estavam todas apagadas. O Fer fazia horas
que estava trancado no quarto, fumando maconha e ouvindo ska. Liguei a TV e me
esparramei no sofá, procurando algum canal que estivesse passando o show. Assim
que aquela deusa grunge desbocada surgiu na tela, larguei o controle ao meu
lado. E sorri. Aí peguei o celular para responder – “acabei de ligar aqui...
q inveja, meu. qria mto ter ido! :(“.
Não tive dinheiro para comprar o ingresso, meses antes. Agora
assistia a Courtney Love xingar todo mundo de cima do palco e achava graça,
imaginando a empolgação da Mia, que devia estar sendo esmagada entre milhares
de pessoas em algum lugar daquela plateia. Por que, inferno, essas coisas
custam tão caro? Toda vez que a infame vocalista do Hole pausava as músicas
para tagarelar – e não foram poucas –, mais dois ou três SMS piscavam no visor
do meu celular. Conversamos durante todo o show. Até que a banda saiu do palco
para fazer aquele suspense irritante que sempre antecede o bis. “Ñ!!! Ñ!!”,
a Mia me mandou, “PORRA..Ñ, ELES TEM Q VOLTAR E TOCAR AWFUL!!!!”.
Sem pensar, me escapou um sorriso no canto da boca.
Essa era uma das duas músicas que estavam no CD que fiz para ela,
um ano antes. Aquela cafonice apaixonada, sabe, com todas as músicas que
“perdi” para a Mia. Pois é. Esfreguei a mão na cara, agora, achando
certa graça. E digitei de volta – “ah, tem? rs”. Olhei para a TV e a
câmera sobrevoava aquele oceano de gente no festival. Meus olhos buscavam na
multidão, em vão. Dali a pouco, vibrou meu celular. “TEMMM NEH :3”.
Li sua mensagem e me afundei ainda mais no sofá, tirando um sarro de volta – “pq?
essa musica eh mo chata, meu”. Ao que a Mia prontamente me respondeu com
um “CALA A BOCAaa”. Comecei a rir. “Eles ñ vão tocar essa, mano”,
digitei então, a provocando. “TEM Q TOCAR!!”. “ñ vai, quer
apostar?”. “QRO! OQ EU GANHO?”. “Nd :P”. “CREDO..ESSE EH O
MELHOR Q VC PODE OFERECER?”. Balancei a cabeça e, assim que a Courtney Love
voltou para o palco, respondi – “vai acostumando, rs”.
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