“I wanna be your last, first kiss
That you'll ever have”
(Anberlin)
Eu fumava, um atrás do outro.
Os minutos passavam devagar, sozinha no meu quarto. A Clara
chegaria a qualquer momento e o apartamento tinha o seu silêncio perturbado
pelo som do Fer martelando a mesinha de centro da sala – um dos suportes estava
solto. E ali dentro, de um jeito intragável, a Mia não saía da minha cabeça. Desgraçada.
A beirada da janela já acumulava cinzas o suficiente para me matar. Dum câncer
no pulmão, do que fosse, qualquer
coisa é melhor do que essa merda. O meu coração dava voltas, inquieto. E os
meus olhos se fixavam na calçada imunda da Frei Caneca, naquelas árvores e nas
pessoas que eu nunca iria conhecer. Por
que não consigo simplesmente deixar pra lá?
Me incomodava como a Mia me afetava. Mas afetava – os seus beijos, o que fez com a outra garota no banheiro. E continuava me afetando quase dois dias depois do ocorrido, numa incapacidade de esquecer o que tinha acontecido na festa. Cacete. Me despertei daquele estado reflexivo, martirizante, ao ouvir tocar a campainha. A Clara chegou. Chega. Chega dessa merda. Apertei contra a madeira o último cigarro de uma série nada saudável e o joguei pela janela. Eu não ia tornar a situação pior do que já era e me recusava – r e c u s a v a – a transparecer o caos dos meus pensamentos para a Clara, que nada tinha a ver com aquela confusão toda.
Saí no corredor com um skinny jeans preto e de regata cinza. Passei
pelo Fer na sala, vendo-o terminar o reparo sem camiseta, com as tatuagens todas
à mostra – e me irritei com aquela demonstração desnecessária de testosterona,
sem paciência com ele. Com a sua mera existência, é. Abri a porta e a
Clara sorriu assim que me viu, me beijando e me resgatando quase imediatamente
daquela amargura. Parecia que fazia semanas que eu não a via.
_E aí... – virei e olhei para o Fer, o acelerando – Vamos?
_Vamos! – ele se levantou, largando o martelo sobre a mesa – Deixa só eu pôr uma camiseta lá... Aguenta aí!
Apoiei o corpo no batente da porta, observando a Clara na minha frente. E ela sorriu. Estava com saudades, garota. Senti o algodão da minha regata deslizar suavemente pelas costas da minha mão, metida debaixo da blusa, escorregando à toa sobre a minha barriga. A Clara e eu nos olhávamos, em nossas eternas reticências, e ríamos. “E aí, hein?”, ela fez graça, esbarrando a ponta da sua bota contra o meu coturno. Nutria um carinho descomplicado por ela, não sei. Nos gostávamos – e isso, de repente, me bastava para aguentar duas horas no teatro com a droga da Mia.
Talvez não seja tão ruim, me convenci.
Entramos no carro alguns minutos depois, os três, e dirigimos por uma São Paulo congestionada, em plena noite de quinta, até as ruas de Higienópolis. Ao estacionarmos em frente ao prédio da Mia, que eu bem conhecia, o Fer ligou duas vezes para ela. Sem sucesso. Desceu então do carro, já irritado, indo à portaria para pedir que interfonassem no apartamento. Aí voltou e se sentou de novo atrás do volante, batendo a porta.
_Inferno! – resmungou.
O meu braço estava ao redor da Clara, no banco de trás, quando a
Mia finalmente saiu pelo portão. Absolutamente linda. Filha da mãe. Era
como se fizesse de propósito – numa skinny e jaqueta pretas, com o cabelo
castanho jogado para o lado. Merda, me afundei no banco, sentindo a
raiva voltar. E a contragosto, a observei entrar no carro. Não parecia feliz ou
disposta a ir. Se sentou no banco, ao lado do Fer, mas não o beijou ao entrar.
O carro mal deu partida e ela se virou para trás, na minha direção.
Sem sequer se dar ao trabalho de disfarçar.
Me olhou com os seus olhos castanhos, amendoados. Descaradamente. Você não tá facilitando, garota. Me
ajeitei no banco, desconfortável, presa naquele carro com o Fer, a Clara, a Mia
e a porra da garota da festa, inferno, que agora não saía da minha
cabeça. Argh. Parecia querer me dizer
algo, a Mia, digo, mas eu não queria ouvir. Nem a pau. Virei
os olhos para fora do carro, fugindo dos seus. Senti que não ia conseguir não
transparecer o rancor entalado na minha garganta, que dirá aguentar uma noite
toda ao seu lado – e a gente mal tinha saído do seu quarteirão.
That you'll ever have”
(Anberlin)
Eu fumava, um atrás do outro.
Me incomodava como a Mia me afetava. Mas afetava – os seus beijos, o que fez com a outra garota no banheiro. E continuava me afetando quase dois dias depois do ocorrido, numa incapacidade de esquecer o que tinha acontecido na festa. Cacete. Me despertei daquele estado reflexivo, martirizante, ao ouvir tocar a campainha. A Clara chegou. Chega. Chega dessa merda. Apertei contra a madeira o último cigarro de uma série nada saudável e o joguei pela janela. Eu não ia tornar a situação pior do que já era e me recusava – r e c u s a v a – a transparecer o caos dos meus pensamentos para a Clara, que nada tinha a ver com aquela confusão toda.
_Vamos! – ele se levantou, largando o martelo sobre a mesa – Deixa só eu pôr uma camiseta lá... Aguenta aí!
Apoiei o corpo no batente da porta, observando a Clara na minha frente. E ela sorriu. Estava com saudades, garota. Senti o algodão da minha regata deslizar suavemente pelas costas da minha mão, metida debaixo da blusa, escorregando à toa sobre a minha barriga. A Clara e eu nos olhávamos, em nossas eternas reticências, e ríamos. “E aí, hein?”, ela fez graça, esbarrando a ponta da sua bota contra o meu coturno. Nutria um carinho descomplicado por ela, não sei. Nos gostávamos – e isso, de repente, me bastava para aguentar duas horas no teatro com a droga da Mia.
Entramos no carro alguns minutos depois, os três, e dirigimos por uma São Paulo congestionada, em plena noite de quinta, até as ruas de Higienópolis. Ao estacionarmos em frente ao prédio da Mia, que eu bem conhecia, o Fer ligou duas vezes para ela. Sem sucesso. Desceu então do carro, já irritado, indo à portaria para pedir que interfonassem no apartamento. Aí voltou e se sentou de novo atrás do volante, batendo a porta.
33 comentários:
hahahaha
que delicia a cumplicidade sapatonesca da FM com a Clara...
mais mais mais mais! Por favor, Mel! :D
Posso dizer? Eu não quero mais. EU PRECISO DE MAIS.
Tá muito bom cara, parabéns.
aiii meu coração, cade o proximo Mel??? Não faz isso comigo
A Mia esta mais bitch do q nunca, assim eu espero.
Que curto, Meeel! :(
Precisamos de mais logoo!
FM ta sentimental ultimamente, heim?! Haha
eu tbm olharia pra Mia.. ui, imaginei cena de filme agora!! hahahaha
Mais Mel, maaaaaaissss :D
"I wanna be your last, first kiss
That you'll ever have" hahahhahaha tão sugestivo *-*
FM ciumentinhaa...hahaha adorei
PELO AMOR DE DEUS MELISSA!!!!!!!
posta pelo menos + um pedaçico esse fim de semana meu, não nos deixe sáb e dom na seca, PLEASE... @-@
Mais!
Mais Mia! Saudades dela...
"[...] e nós mal havíamos saído do seu quarteirão."
HSUAHSUAHSUAHSUAHS
FM puta da vida e Mia mal intencionada. Juro que passou na minha cabeça um threesome entre Devassa, Mia e Clara. Hot hot hot.
Aguardo os próximos 'capítulos', rs.
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK gracinha essa mia
terminei o post com um sorriso, que eu não consegui conter! (: hahhaha
aaaaaaaah mata papai mel.
Começou a noite do teatro, ja estou visando varias coisas.
Todas ansiosas esperando cenas dos próximos capítulos.
Mel não deixa a gente esperando muito não, posta mais. *-*
Meu, tá mais do que na hora da protagonista tirar a sonsa da Mia da cabeça e investir só na Clara!!
Fiquei intrigada pra saber o q estava passando pela cabeça da Mia ao encarar a FM. Qual o segredo que ela quis contar???
Achoe q a Clara vai perceber o clima tenso e acabar interferindo na situação!
Acho que não adianta querer saber o que a Mia tanto quer dizer pelo olhar, já que ela quase nunca fala o que pensa, nem vou criar expectativas... Mas pensando aqui com meus miolos moles, poxa bem que ela poderia conversar a sós com a FM, se abrir sobre o tal enigma e com oportunidade a FM dar um mini chilique que venha a desencadear uma discussão sobre o que pode ou não, e até o que a FM quer, pq a Mia fez uma "imposição" sobre a Clara e a FM, "não respeitou" né?!
A Mia sempre consegue ser adorável por existir e deixar minha mente adocicada aiaiai
TENSÃO! esperando aqui!
Será que a Clara vai ficar com ciúmes? hmmm...
Meeeeeeeeeeeeeeellll cade esse barraco!!!!??!!??!
só falta isso mew!!!
ansiedade MODE ON pro barraco!
Meeeellll cade o barraco!?!?
ansiedade MODE ON pro barraco!!!
"Você não está tornando isto fácil, garota.." *--*
Team Mia Sempre! xD
Mel e seu dom de nos deixar morrendo de ansiedade pela próxima postagem! =p
Abraço!
Ha, metade das pretensões da FM fica por aí msm... logo, o próximo post será dos bons. Ainda com Fer, Mia e FM afinados para um barraco...Ah não perco msm!
Mia e seus olhos amendoados que tem tanto a dizer...e acaba guardando/ocultando sempre alguma coisa.
Espero que no proximo post isso mude um pouco.
Êêê Mia difícil, hein!
(y)
Vamos ter uma looonga tarde, né?!
Acho q a Clara vai ajudar MUITO a FM a passar essa tarde, creio q por causa dela vai ser menos tenso, pq elas se compreendem!
Amei os detalhes dos visus, parece q fica nítido, elas estavam todas lindas!!
Cade mais???
=D
Queria ver uma discussão, tipo a FM tirar satisfação com a Mia de pq não me quis e ficou com outra mina...e as duas se beijarem
MEl.......vc hein......gosta d torturar....
rsrsrs
tah incrivel mel....quero mais..por favor...
:*
Dúvido a FM se conter por muito tempo, uma hora ela não vai aguentar e vai tirar satisfação com a Mia.
Ou posso estar MUITO enganada não confiando no seu orgulho hahaha e na verdade alguéééééém aí não vai aguentar a indiferença, o desvio de olhares da e a presença da Clara..
Ai saco, nunca sei o que esperar dessas mulheres! :( hahahahahahaha
Me conta o que elas tão pensando? :~~~~~~
1bj
ó céus!! tô nervosa! hahahaha
tomara que role barraco!! HAHAHAHAHAHHA Mia and Clara "brigando" pela linda e seduzente FM! hihihi
Isso não vai prestar... Prevejo alguns arrependimentos após esse dia =\
something big is about to happen... O-M-G! looking foward. sabe coméquié: algumas frases soam muito melhor em inglês.
beijopostalogo!
Por que tanta demora... estou ansiosa.
Ahhhhhhh... poste logo, pelo amor.
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