_Relaxa... – balancei a cabeça e aí olhei para o que quer
que fosse que a Mia estava tomando, achando certa graça – ...mas cê num acha
que devia pegar leve, não?
_Isso?
_É.
_Ah, meu... – riu – ...tá tranquilo.
_Sei. O que tem aí nesse copo, afinal?
_Num faço ideia.
_Jesus... – passei a mão no rosto e comecei a rir também – ...puta merda, Mia.
_Quê?!
_Nada...
_Hum. E você, não tá bebendo por quê? – achou graça – Agora só te vejo aí tomando água, cervejinha...
_Ah, sei lá. Eu tava fazendo muita merda. Aí prometi para a Marina que ia dar uma trégua...
_Hum, sei.
A Mia arqueou as sobrancelhas na menor menção à sua
arqui-inimiga, e nós rimos. Como uma piada antiga. Era gostoso estar ali com
ela, assim. Sem drama. Trégua. Me fazia sentir que havia alguma forma de
deixar tudo aquilo para trás, algum dia – que o tempo ia passar e que algumas
coisas deixariam de ser importantes. Sei lá. A Mia deu mais um
trago e me ofereceu, enquanto as caixas de som estouravam qualquer banda punk
latino-americana. Peguei o cigarro da sua mão e levei à minha boca por um
momento, numa tragada rápida, o devolvendo logo depois.
_Bom... – ela segurou o filtro entre os dedos e me olhou, ainda
se divertindo com a minha cerveja, numa referência mais a si mesma que a mim –
...pelo menos assim cê não dá vexame por aí, né.
_Que vexame? – a provoquei – Adoro que vomitem na minha mão, meu.
_Argh... – riu, colocando a mão no rosto rapidamente – D-desculpa.
_Tranquila. Tô acostumada... – fiz graça – Já cuidei de tanto bêbado que, puta merda.
_Dei muito trabalho?
_Não. Só a hora que te coloquei no chuveiro que, mano, jurei que cê ia cair. Cê num tava conseguindo ficar em pé, meu. Foi foda. E assim, né, depois de trabalhar o dia inteiro, não é como se eu tivesse muito animada para ficar debaixo de água gelada... Mas acontece, né?
_Hum... – ela tragou mais uma vez, com um sorriso de canto de boca, encarando meus olhos – ...é.
_Quê?
_Nada. Só... sei lá, e-essa parte eu queria lembrar mais.
_Ah, queria?! – dei risada – Foi bom pra você, então?
Falei brincando. Todavia, a Mia ergueu o queixo, me
observando de volta. E soltou a fumaça para cima, enquanto a minha pergunta
pairava no ar sobre nós duas, solta. Sem resposta. E eu juro – juro –
que se não tivéssemos cercadas por tantos amigos do Fer naquela porra daquele
inferninho, ela tinha vindo. Tinha colado o corpo no meu, tinha me beijado como
se o tempo não tivesse passado um só dia. Cacete. Mas aí alguém passou
entre nós, entrando na cozinha. E ela se controlou, por mero contexto.
Observando a minha boca, com a sua entreaberta.
E depois de encarar o perigo nos seus olhos, eu abaixei os meus – encerrando o que quer que fosse aquilo antes que começasse.
_Acho que... – desconversei – ...v-vou achar o Benatti, ainda não falei com ele. Vamos ver, né... – forcei uma piadinha, me virando para ir para a sala – ...se ele já largou do saco do seu namorado.
_Isso?
_É.
_Ah, meu... – riu – ...tá tranquilo.
_Sei. O que tem aí nesse copo, afinal?
_Num faço ideia.
_Jesus... – passei a mão no rosto e comecei a rir também – ...puta merda, Mia.
_Quê?!
_Nada...
_Hum. E você, não tá bebendo por quê? – achou graça – Agora só te vejo aí tomando água, cervejinha...
_Ah, sei lá. Eu tava fazendo muita merda. Aí prometi para a Marina que ia dar uma trégua...
_Hum, sei.
_Que vexame? – a provoquei – Adoro que vomitem na minha mão, meu.
_Argh... – riu, colocando a mão no rosto rapidamente – D-desculpa.
_Tranquila. Tô acostumada... – fiz graça – Já cuidei de tanto bêbado que, puta merda.
_Dei muito trabalho?
_Não. Só a hora que te coloquei no chuveiro que, mano, jurei que cê ia cair. Cê num tava conseguindo ficar em pé, meu. Foi foda. E assim, né, depois de trabalhar o dia inteiro, não é como se eu tivesse muito animada para ficar debaixo de água gelada... Mas acontece, né?
_Hum... – ela tragou mais uma vez, com um sorriso de canto de boca, encarando meus olhos – ...é.
_Quê?
_Nada. Só... sei lá, e-essa parte eu queria lembrar mais.
_Ah, queria?! – dei risada – Foi bom pra você, então?
E depois de encarar o perigo nos seus olhos, eu abaixei os meus – encerrando o que quer que fosse aquilo antes que começasse.
_Acho que... – desconversei – ...v-vou achar o Benatti, ainda não falei com ele. Vamos ver, né... – forcei uma piadinha, me virando para ir para a sala – ...se ele já largou do saco do seu namorado.
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