Antes, quando falei sobre trens, vejam bem, a questão... é que uma vez que saem dos trilhos, trens
requerem um esforço descomunal para serem novamente encarrilhados – e nós, bom, nós não tínhamos isso.
A sua boca deixou a minha; e os nossos corpos penderam no ar,
soltos contra o chão. Envoltas em demasia de rum. Os seus lábios percorreram a
lateral do meu rosto, arrastando-se pescoço abaixo – e voltaram para os meus. Prensadas
uma contra a outra, naquele piso de madeira, de maneira estúpida. Numa irracionalidade,
em meio à sala. Mas isso, isso era
diferente. Os beijos, as mãos. A forma como nos conduzíamos, bêbadas. Numa
avidez lúcida. E plena, não sei bem.
A forma como os seus dedos entravam em mim, como eu a segurava perto. Isso era
eu e era ela, nós duas; éramos nós, ali, conscientes do que fazíamos
– e fazendo-o, juntas. Não eram banheiros ou áreas de serviço, não eram
desafios ou agressões emocionais; acidentes de percurso. Não. Isso, isso era diferente. Isso éramos nós,
inteiras.
E puta que pariu.
Em um só movimento, tirei a minha camiseta e pressionei o meu
corpo contra o da Mia. E a sua mão subiu tensionada pelas minhas costas, pelas
minhas tatuagens; a outra ainda metida no meu jeans. Se movendo com a
arrogância de quem sabia o que estava fazendo, de quem já tinha me amado antes.
Os seus beijos deixavam a minha boca, mais uma vez, e eu sentia os seus lábios
tocarem os meus ombros, lambendo o decorrer da minha clavícula, afundando no
meu peito, mordendo cada traço marcado na minha costela. As suas mãos
deslizavam por mim, me molhando. E era como voltar doze, treze meses antes – ao
chão do seu apartamento. Mas não. Isso, isso
era diferente. E sentir ela tão próxima assim, de novo, me tirou do sério.
O meu coração apertou. Percebi todas as minhas emoções tomarem
conta de mim e subirem, de uma só vez, pela minha garganta. Me esmagando. Numa
vontade repentina e idiota de chorar. Vulnerável no chão daquela sala, o meu
corpo aberto e entregue a ela. À Mia. Crescia como um som ensurdecedor dentro
de mim, enquanto todo o cômodo restava em silêncio. Eu o traía, eu sabia, de novo. E me traía. Traía a
Clara também, traía tudo o que construíra, traía todas minhas decisões nos
últimos meses. O álcool me destruía a sanidade. Traía tudo, argh. A minha independência emocional, o
meu bem-estar. Traía as escolhas que fiz a tão duras penas. Mas o pior, o
horrível – o deplorável – é que eu gostava. Puta que pariu, como gostava. Gostava. De sentir cada grama do peso
dela em mim. Toda a extensão do seu corpo e da minha agonia. Porque, inferno, era o que eu conhecia. Era o que
eu queria, o meu lar. Como?! Como eu
posso gostar, porra?!
Os seus beijos, intensos e em transe, no entanto, acalmavam o aperto em minha garganta. E eu me via envolta num oceano de águas familiares, submersa nela, naquele momento. Naquele mesmo instante. Embriagada, não sei. Pelo seu cheiro, pelo seu jeito. Parte de mim me condenava, sim; mas a outra não dava a mínima – puxando-a pela cintura e a colocando no meu colo, sem hesitar. Sua boca me arrancava a razão, conforme as suas mãos arrancavam a própria blusa do corpo. Mais um beijo. E outro. E não, não era cauteloso tirar as roupas ali, mas o fazíamos mesmo assim, deliberadamente, e que se dane. Desajeitadamente, tentava descer as minhas calças por debaixo das suas pernas. E a Mia ria. Eu achava graça também – numa naturalidade de interromper a nós mesmas, nos divertindo como se o tempo não tivesse passado. Como você linda, garota, cacete.
Os meus pés empurraram e chutaram os All Star de si, o mais longe possível. E eu sorri para ela. Nos olhávamos, em sincronia. As maçãs do seu rosto contornavam suavemente a margem sob seus olhos, os seus cílios. E o calor da sua pele me engolia. Fechei as minhas pálpebras e tirei o seu cabelo da frente dos ombros, colocando-o para trás. Beijei, pouco a pouco, o vão na base do seu pescoço, a linha do seu colo. E podia sentir a sua pele mover-se sob os meus lábios, pendendo a cabeça para trás. Minha língua percorrendo o trecho sensível da sua garganta, os meus beijos se tornando mais famintos.
Agora que
te tenho de novo, garota, não te deixo mais ir, o meu coração protestou.
Ela se contorcia contra meu corpo – me comendo, numa sacanagem
crua, e os meus beijos iam perdendo o fôlego contra a sua pele, minha
respiração cada vez mais acelerada. Deitei o seu corpo sobre o piso de
taco, arrancando de uma só vez os malditos shorts e a sua calcinha. Minha
boca consumindo os seus contornos, o seu gosto. O seu suor, cada nuance dela na
minha língua. Cravando os dedos nas suas cerejeiras, nos narcisos. Encaixei as
nossas pernas, com certa grosseria, e apoiei um dos joelhos ao lado da sua coxa
– subindo em cima da Mia num movimento contínuo e arrogante. Ela me segurou com
ambas as mãos, cada uma de um lado do meu rosto, sorrindo, e me beijou, conforme
eu me pressionava contra ela. E é – àquela altura, eu sequer mais via os
trilhos do trem.
E puta que pariu.
Os seus beijos, intensos e em transe, no entanto, acalmavam o aperto em minha garganta. E eu me via envolta num oceano de águas familiares, submersa nela, naquele momento. Naquele mesmo instante. Embriagada, não sei. Pelo seu cheiro, pelo seu jeito. Parte de mim me condenava, sim; mas a outra não dava a mínima – puxando-a pela cintura e a colocando no meu colo, sem hesitar. Sua boca me arrancava a razão, conforme as suas mãos arrancavam a própria blusa do corpo. Mais um beijo. E outro. E não, não era cauteloso tirar as roupas ali, mas o fazíamos mesmo assim, deliberadamente, e que se dane. Desajeitadamente, tentava descer as minhas calças por debaixo das suas pernas. E a Mia ria. Eu achava graça também – numa naturalidade de interromper a nós mesmas, nos divertindo como se o tempo não tivesse passado. Como você linda, garota, cacete.
Os meus pés empurraram e chutaram os All Star de si, o mais longe possível. E eu sorri para ela. Nos olhávamos, em sincronia. As maçãs do seu rosto contornavam suavemente a margem sob seus olhos, os seus cílios. E o calor da sua pele me engolia. Fechei as minhas pálpebras e tirei o seu cabelo da frente dos ombros, colocando-o para trás. Beijei, pouco a pouco, o vão na base do seu pescoço, a linha do seu colo. E podia sentir a sua pele mover-se sob os meus lábios, pendendo a cabeça para trás. Minha língua percorrendo o trecho sensível da sua garganta, os meus beijos se tornando mais famintos.
44 comentários:
"E a minha língua consumia os seus contornos, o seu gosto."
Uau, que frase! ;)
Independência emocial. That's all that I needed...
Num adianta é outra coisa com a Mia, outra pegada. Esse post ficou TÃO lindo, Mel! ♥♥
Um post intenso e ao mesmo tempo delicado. A Mel consegue desenhar na minha mente uma cena de sexo, sem deixar o texto ser em momento algum, pornográfico ou vulgar.
Cara, tava morrendo de saudade das duas juntas. Sério.
É tão mais intenso, mais apaixonado, mais tudo. Awn *-*
Que delicado, que forte, que esperado
D:
Deixa eu me recuperar e eu comento
(mas isso não está me cheirando bem, viu. aí vem bomba)
"Isso não é bom?" CARA, ISSO É ÓTIMO. PUTA QUE PARIU.
It's fucking good! :P
não tem nada como essas duas. nada. amo. e tenho dito <3
Bommmmmmmm demais. Ai, ai. <3
linds, sem or.
cadê essas duas na minha cama agora? plmdds hahahaha
Este post tem tantas frases lindas.
o quarto parágrafo está absurdamente sensacional! sério, fantástico!!! parabéns!
o quarto parágrafo é praticamente um resumo do blog. hahaha.. foda!
PUTA QUE O PARIU
Mia <3
Agora sim, depois de tanto tempo esperando vem esse post perfeito
So good! So fucking good!
FM e Mia é incomparável!
Acho q o Fer vai pegar. Tomara q não! Hahahaha
TeamMia yeah yeah
Isso foi intenso e suave ao mesmo tempo. Meu muito bom esse post, realmente com a Mia é tudo diferente! Muito melhor e complicado ao mesmo tempo. Sei lá Mel, muito ótimo esse post! Sério. Não vejo a hora de ler o próximo, mas meu, justo na sala? O Fer tá bem louco mas se ele aparecer do nada fudeu tudo de vez!
não sie qual parte me emocionou mais <3
OMG!! Não dá nem para explicar como amei o post...meu coração tá até acelerado...
MIA<3FM
E tomara que o sono do Fê seja profundoooo...kkk
(ANA CURI)
queria que o fê virasse a bela adormecida e elas ficassem aí pela eternidade AHSUHAUYSHUIAHSUI amei amei amei esse post <333
Lindo, lindooo *------*
Gente isso foi tão lindo, tão intenso, tão ELAS.
<3
tou com dor no útero. na boa, você arrasou, Mel! mas continua, por favor... não pára! faz elas se pegarem assim atéééé o próximo post.
caralho, tou arrepiando até agora, hahahahahaha!
Sem palavras pra esse post! Sensacional! :)
Agora eu te tenho de novo, garota, não te deixo mais ir
Meu, que saudade que eu estava dessas duas! É a mesma essência desde os primeiros beijos, olhares e afins. Você é demais por manter este encanto sobre elas, Mel. Sempre aprendo contigo! Cada post com as duas juntas você se super e nos surpreende. Parabéns. ( @lau_disaster )
PQP!!! Vc descreve incrivelmente o sexo Melzita do céu!! Esse post conseguiu superar o da área de serviço que nunca mais saiu da minha cabeça.... rsrs mt foda!!
O quarto parágrafo foi praticamente uma descrição de uma discussão que rolou na fanpage outro dia sobre culpa..rs.. "Eu o traía, eu sabia; de novo. E me traía também. Traía a Clara ainda, traía tudo que contruíra, traía todos os últimos meses." Nossa!!! É muita traição pra uma pessoa só suportar... eu não conseguiria! na moral!
ps: esses posts são de matar viu!! só o universo sabe agora quando vai terminar essa agonia!!
muuuuuuuuuuuuuito foda!! valew pelo post!
Ahhhhh eu acho que o Fer não vai pegar... e pressinto visitas inusitadas ao ap... hahahhahaha adoraria!! shaushausa
Respira, respira...wow!
Que saudades disso, meu. Intenso. Pude ver toda a cena, praticamente. Simplesmente FODA!
Lindo, lindo!
...e era, come era, PUTA QUE PARIUUUUUUUUUUUUUUUUUUOOOOOOOOOO..."
hahahahhahaaa AAhhhhhhhhh tô extasiada com esse post g-zuisssss você tem um dom, esse dom...O DOMMM \o/
Eu amo isso. De verdade.
"Cause we're living in a world of fools,
Breaking us down
When they all should let us be,
We belong to you and me..."
[Na versão cute do Frusciante]
Anônimo, adorei! Amo as versões do Frusciante, já quase usei a dele para "Song To The Siren" aqui do blog <3
'Song to the Siren'!! ♥
Just a masterpiece...
Ela é tão... ah, não sei como dizer.
Fnalmente as duas juntas de novo!
Adoro!
Nossa Mel... arrasou no post! ;)
Ah sim... e mega identificada com o 4º parágrafo! Perfect!
Caraaaalho, caralho, caralhoo!!!
Q saudade! Isso foi mto bom!
A Mia é a fruta proibida da FM. Ela sabe todos os perigos, mas a fruta a encanta e ela precisa comê-la.
Adorei a delicadeza do inicio e a grosseria do final. Ahazou, mel. Cada vez mais elas percebem o quanto o sentimento delas é superior a racionalidade e a qualquer outra coisa.
*o* *o* *o* *o* *o* *o*
Quero mais, tô com vontade
Olha, Mel, se quiser continuar a cena por pelo menos uns 15 posts, juro que não me oponho! rs
Formidável, apenas.
P.s.: Meu coração até dói de pensar na Clara... Por que a FM tinha que ter relações tão bacanas com ambas?! Assim fica difícil, pô!
Puxa vida, fi-nal-men-te a FM e a Mia juntas de novo!
Mel, parabéns! O post está maravilhosamente bem escrito, super gostoso de ler, dá pra sentir exatamente o que está acontecendo, o que estão sentindo.
Agora pode continuar, quero maisssss!! kkkkkk
Eu de novo...
Não consigo parar de pensar nesse post como uma cena de um filme...
Acho que a música 'Angels - The XX' ficaria tão perfeita. Pra mim ela meio que mostra um pouco de jeito que você descreveu como a FM enxerga a Mia.
É, este post realmente mexeu comigo ;)
Irado!
quando eu li ' A voz do Fernando...' TRAVEI! JURO!
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