O silêncio entre nós agora já não era mais constrangedor. Era uma
quietude sincera. Tranquila. Todas as nossas palavras – as minhas, pelo
menos – foram gastas e não havia muito mais o que dizer. Restou no ar uma compreensão
mútua, um respeito carinhoso. Ou talvez fosse apenas exaustão depois de tanta tensão
daquelas últimas semanas, não sei. O relógio da cozinha ressoava na
parede, conforme eu terminava o copo d’água que a Mia me ofereceu antes de eu
ir.saudade repentina. E tomei outro gole do meu copo.
_Olha... – achei graça – Não sei. Podia até mentir, dizer que é
rebeldia, mas acho que eu só gosto de balcões mesmo.
_Balcões, mesas... – listou, desatenta, apoiada contra a geladeira
– ...pias.
_Não, eu... – hesitei – ...acho que já v-vou indo.
_É, sei lá, achei que já não fazia mais sentido... – sorriu meio à
toa, falando baixinho, e cruzou os braços em frente ao corpo – ...você sabe, d-depois
de tudo o que você disse lá no quarto e o que a gente... combinou.
_É... melhor.
_É. Certo.
_Não... – relutei – ...deixa.
abril 21, 2012
Don't want nobody to follow me...
abril 19, 2012
Entre quatro paredes
_E por o quê... – murmurou, como se eu lhe devesse mais de uma dessas – ...exatamente?
_Pelas coisas que eu te disse, por como eu disse. Não era pra ter sido daquele jeito.
_Eu acho que nós duas nos arrependemos... – cedeu um pouco, mantendo os braços ainda cruzados.
_Olha, eu... e-eu nunca quis te magoar, nem agir assim... acho que e-eu, eu tava machucada também... com raiva, ciúmes, não sei, e-eu...
_Você me odeia.
_Não. N-ão... – lamentei e sentei na cama, num suspiro – ...a verdade é que... pelo contrário, eu, e-eu fui completamente apaixonada por você, por tanto tempo, Mia. E isso sempre foi muito confuso. Ainda é. V-você pode achar que foi tudo culpa minha, que foi sacanagem, mas eu nunca tive no controle, eu não conseguia... evitar, sabe? Eu... e-eu não queria gostar assim de você, não queria te pôr nessa situação, foder minha amizade com o Fer. Mas eu... t-te amava, porra, e... o que eu queria que você entendesse é q-que... quando... – respirei fundo, me forçando a dizer de uma vez todas as palavras que eu ensaiei na minha cabeça a caminho da sua casa – ...quando vocês terminaram, no ano passado, eu queria tentar. Eu queria tanto. Eu achava que a gente podia ficar juntas. E foi tão difícil ser ignorada daquele jeito, mano, você me cortou completamente. Você não deu a mínima. Sabe, e-eu não tinha pretensão de que você gostasse o mesmo tanto de mim de volta, mas... Isso?! Numa semana a gente tava se vendo loucamente e na seguinte, nada. Foi como se eu não existisse. E... nossa, isso me destruiu. Eu não conseguia entender! Eu te disse como me sentia, que te amava, e você...
_E-eu não sabia o que pensar, eu... – ela se chateou, me interrompendo por um instante – ...eu, não sei, e-eu sentia que você tava me afastando, n-na... naquela semana, antes de tudo acontecer. E aí você me aparece daquele jeito...
_De que jeito?
_Como se, s-se tivesse pegado meio mundo! O que diabos você queria que eu pensasse?? E-eu...
_Mia, não aconteceu. Eu te falei que não aconteceu – a cortei.
_...
_Escuta... Cê tem que entender que, q-que eu também estava lutando contra aquilo na época e você, v-você tinha o Fer, porra... E-eu... – engoli seco – ...eu podia perder vocês dois, entende? Mas você não sabe, n-não faz ideia de como eu me odiei depois... – abaixei a cabeça também – ...por, p-por não ter te dito antes. Por ter te levado a, talvez, achar que era só por diversão. Porque não era! Nunca... – a olhei, de novo, sincera – ...foi isso. Eu queria você. Eu te amei antes de fazer qualquer coisa a respeito, muito antes.
_E-eu... – minha voz entalou no fundo da garganta – ...eu vim dizer q-que... – me atrapalhei – ...que, não sei, q-que a gente não pode continuar assim. Se machucando, metendo os pés pelas mãos, sabe? Olha, a, a real é que não importa como eu me sinto, como você se sente, de todo jeito não acho que o que a gente tava fazendo era bom. Pra ninguém! – tentei argumentar racionalmente, sentindo o meu coração sair pela boca – Mia... e-eu sofri tanto, porra, tanto... para lidar com os meus sentimentos por você, com as nossas idas e vindas, com a minha desonestidade com o Fer, caralho, e quando terminou... acabou comigo. E-eu não conseguia superar, eu fiquei muito mal, e, e eu acho que você não tem ideia da dimensão do buraco que eu cavei, do quanto eu me destruí. Porque você não tava lá pra ver. Mas e-eu preciso te dizer, para você entender p-porque agora eu não c-consigo... não mais... – passei a mão sobre a boca, expirando forçadamente pelo nariz – ...sabe, os olhares, sua mensagem de madrugada, as nossas brigas... eu não consigo, Mia, e-eu não posso voltar por esse caminho. E eu sei que não é fácil para você também, agora eu sei, e... inferno... – franzi as sobrancelhas – ...cê num sabe como me mata te ouvir falar, sabe, como você falou no telefone no outro dia... e-eu... eu nunca quis te magoar assim, porra, e-eu... – o meu coração doeu, silenciosamente – ...eu não quero mais te ver passar por isso. Eu não quero mais passar por isso! V-você, você tá com o Fer, você ainda tá com ele, sabe, e eu, e-eu quero tá com a Clara. Eu quero fazer dar certo, meu.
_Hum, cê tem um jeito estranho de demonstrar isso... – murmurou, contrariada pelo nosso erro na parede do banheiro três dias antes.
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abril 13, 2012
Armistice
_Por quê? – o Gui logo tentou se inteirar – Que rolou com a Mia?
_E-ela... quer dizer, a gente meio que se pegou depois da sua estreia na quinta e, não sei, eu fiz merda, meu... – expliquei – ...acabou mal e, e ela ficou chateada, tentou conversar co...
_Não! – a Thaís interrompeu – Ela não “tentou conversar”, a amiga dela ligou pra te dar esporro. Foi ISSO que aconteceu! Como se cês tivessem na porra da quinta série!!
_Eita. Sério?
_É. Mas... n-não sei, ela... – respirei fundo – ...ela tava mal mesmo no telefone, Tha. Eu nunca vi ela chorar assim. E e-eu, sei lá, eu tava puta da cara, não escutei direito... não sei, e-eu... fui uma babaca. E, e eu gosto dela, apesar de tudo. Porra, fui apaixonada pela mina mó tempo, mano! É foda agora ouvir a Mia fal... – pausei – ...enfim, não sei. Só sei que não quero tratar ela assim. Não me sinto bem.
_Velho, para. Para! – me deu bronca – Nem entra nessas, cara. A Mia precisa assumir a responsa pelas decisões dela, não dá pra querer tudo. Fica aí falando que tá mal? A mina NAMORA seu amigo! Vai se foder! Se ela tá tão na merda assim por você, por que ela continua com ele?! – se revoltou – Porra. É muito fácil assim, né, caralho!
_Tá, mas... – hesitei – ...não sei.
_Cara, larga mão. Essa mina só te faz mal! Cê tem que ficar com quem te faz bem, mano. Com a Clara. Foda-se a Mia!
_É, amiga... – o Gui comentou – ...eu também acho. Mas se cê tá preocupada com como foi a conversa de vocês, por que cê não liga pra Mia? Tenta falar com ela numa boa, sabe, sem barraco. Só para pôr um ponto final. E aí cê pode seguir sua vida com a Clara... – aconselhou – Acho que vocês duas precisam disso, meu.
abril 11, 2012
Os placebos
_Eu não, vai que tomo choque! Nunca nem mexi nesse treco!
_Nota-se... – a Thaís riu.
_Velho, fiquei até quatro da manhã ontem trocando ideia com ela... – a Thaís passou a mão no rosto – ...se essa mina num tiver afim, mano, na boa. Não sei nem o que pensar!
_Ela tá afim, sim, meu! Vai rolar!
_Espera – o Gui se meteu – Cê tá na dúvida se uma mina que ficou falando com você A MADRUGADA TODA quer te pegar ou não?!
_Ah, mano, eu acho que ela quer... – hesitou – ...mas é que a gente só fica falando de tatuagem, porra!
_Velho, a mina trabalha quase dez quarteirões do estúdio e entra TODO DIA lá pra trocar ideia com você, Thaís! – argumentei, já fechando o chuveiro – Ela quer te pegar, sim.
_E se ela já deu o telefone dela, gata... – o Gui piscou – ...é porque quer dar uns beijos.
_Num foi exatamente ela que deu, fui eu que pedi, né?
_Eu não sei por que cê tá tão insegura, velho... – desci da escada e devolvi o cigarro – ...a mina obviamente te quer!
_Ah, sei lá. É só que... – deu um trago, insegura – ...eu tô realmente afim, mano. Não sei por quê! Fazia tempo que num me interessava assim por alguém, meu. E aí, sei lá, eu fico meio trouxa...
_Thaís, meu, vai dar certo. Nem esquenta!
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abril 10, 2012
S.O.S. Sapatão
março 25, 2012
Nove-décimos
_Tá tudo bem. Eu ia jantar com uma amiga – riu – Cê quer entrar?
_Não, meu, eu... já vou.
Isso, me detestei, parada em frente à sua porta, agora que a Clara vai pensar que eu sou louca mesmo. Me arrependi. De ter ido, de não ficar. Mas, espera... que amiga?! A encarei e ela me olhou de volta, sem entender meu comportamento. A minha atitude. Sou uma desregulada mesmo, pensei, ali, brotando no seu apartamento e ainda com ciúmes de uma amiga cuja existência eu sequer tinha conhecimento até dois segundos antes. O que eu tô fazendo, cacete?! Fiz que ia embora, mas no segundo seguinte mudei de ideia. E voltei, a pressionando contra o batente. Num beijo demorado.
_Bo?
_Sabe, eu... e-eu gosto mesmo de você... – confessei e ela me olhou um tanto contente, um tanto confusa com a declaração inesperada – ...gosto pra caralho, Bi, e eu, s-sei lá, eu não sou muito boa nisso. Mas... achei que cê devia saber.
Postado por • the girl fucking Mia • às 20:42 56 comentários
Marcadores: Casa(Clara), Clara
março 22, 2012
O que me importa
_Mano, eu não tenho mais nada pra falar com você.
_Não faz isso! – implorou – Eu não quis dizer nada disso! Não era pra, não era pra nada disso ter nem acontecido. Essa conversa, que... q-que saco! Eu... o-olha, eu... eu queria tanto, tanto só... só conversar direito com você. Eu tô me sentindo... – interrompeu, ofegante e confusa – ...não sei, eu...
_Não, não. É exatamente isso. É exatamente como você disse... sempre foi isso na, na porra da sua cabeça, não foi?! – a minha respiração se atropelava nas palavras e o meu coração apertava ainda mais – O problema sou eu, sempre fui eu. A culpa dessa merda toda é... MINHA! – ri de nervoso – Eu é que sou louca, não é, Mia??! E que fui enxergar o que não tava lá! Eu!! Eu que coloquei ideia na sua cabeça, que te corrompi, que te fiz fazer tudo aquilo e você, v-você não teve nada a ver com isso... NADA, não é?! – o jornaleiro da banca em frente me olhava como se eu fosse uma descontrolada, gritando ao telefone – Fui eu! Que decidi me apaixonar por você e que me coloquei nessa merda de situação. A culpa é minha!! – senti as lágrimas engasgarem na minha garganta, mas as engoli, com raiva – Cara, se... se é isso que você... v-você pensa que... aconteceu... entre a gente, na boa, Mia... vai se foder! VAI SE FODER!!
_Não é isso! Não! – se desesperou – Não é nada disso!! Eu...
_Olha, garota, o que você tá sentindo por mim agora... – a interrompi – ...não é amor... – me convenci, conforme falava aquelas palavras – ...é rejeição. Só isso.
_Não, não é!! Por favor, me escuta... não é isso!! Hoje, eu... e-eu fui lá na... – ela continuou – ...na Mi, porque eu... eu não aguentava mais, eu, e-eu não consigo parar de pensar em você... na gente... te vendo com a Clara, e-eu, não sei, eu só... e-eu só não queria que fosse assim, não qu... – sua voz se misturava com o choro – ...ontem, eu...
_Eu não quero saber, Mia. E não mete a Clara nisso! – ameacei – Porque eu e você não estamos juntas, eu não te devo porra nenhuma. Eu nunca devia ter te tocado, não devia ter nem olhado na sua direção! Ontem menos ainda!! – atravessei a rua de volta, acabando com aquilo – Fica longe de mim. Você e as suas amigas!
_Não! Não era pra... e-eu...
Petulância de uns
_Tenho! TENHO, SIM! – me interrompeu – SEI MUITO BEM A PALHAÇADA QUE VOCÊ FEZ ONTEM!! A Mia passou a tarde inteira chorando aqui em casa POR SUA CULPA!! Cê tem noção do que tá fazendo ela passar?!
_ O que EU tô fazendo ela passar?!? – tirei o cigarro da boca, já irritada – Cê tá muito louca, mano!
_Desculpa aí, mas cê acha que pode me ligar pra falar um monte de bosta?! – me revoltei – EU É QUE QUERO A MIA LONGE DE MIM, PORRA!! Tá maluca?!? E outra, a Mia já é grandinha e pode falar por ela mesma!! Se ela tem um problema, ela que fale, você não tem que se meter. Cê não tem A MÍNIMA NOÇÃO do que tá rolando entre a gente!!
_Eu sei O QUE EU VEJO! – pistolou do outro lado – É-é minha amiga chegando todo dia mal na faculdade, é isso que eu vejo, sofrendo e falando sobre você e você e você... E VOCÊ AINDA VAI E FAZ O QUE FEZ ONTEM!! Você... – pausou e eu senti o ódio no seu silêncio – ...meu, v-você...
_Olha aqui, eu...
_Você tá DESTRUINDO ELA! – me cortou – É ISSO QUE CÊ TÁ FAZENDO!!
_Eu não preciso ouvir essa merda.
Dei a volta e digitei o número da Mia, atravessando a rua.
_Então, é assim, né... – já fui logo acusando – ...agora cê põe suas amigas PRA ME LIGAR E FALAR BOSTA?! SÉRIO MESMO, MIA?? Cê vai querer jogar ESSE jogo comigo?!
_Eu nã... – pareceu pega de surpresa, se atrapalhando para responder – ...e-eu pedi pra, p-pra Mi não te ligar. E-eu... – a voz rouca a denunciava, como se tivesse, de fato, chorado a tarde toda – ...m-me, me desculpa.
_Como diabos essa mina tem meu telefone, Mia, porra?!?
_Eu nã... eu não... – respirou fundo, soando cansada – ...por favor, v-você precisa fazer isso?
_EU?! E O QUE EU FIZ?! HEIN?? O que é que eu tô fazendo? – me irritei, gesticulando no meio da calçada – Eu tava aqui de boa trabalhando, porra! E aí vem você com essa droga pra cima de mim?! Q-que MERDA você foi falar com essa garota, Mia? Inferno! Por que cê não aproveita e conta pra sua amiguinha que É VOCÊ que fica me procurando?? Hein?! Na frente da porra da Clara, do Fer?!?! – fui descontando nela, indignada – Não sou obrigada, cara!! A ficar ouvindo que cê tá mal, como se fosse eu a errada nessa merda, escutando bosta de uma idiota que não sabe PORRA NENHUMA!!!
_E VOCÊ QUERIA QUE EU FIZESSE O QUÊ?! – a Mia surtou de volta, machucada – EU... E-EU NÃO SABIA MAIS O QUE FAZER! COM QUEM FALAR!! – a sua voz desafinou, perdendo o controle – COMO VOCÊ ACHA QUE EU ME SINTO?!?!
_NÃO SEI! NÃO SEI, CARALHO! – briguei de volta – É O GRANDE MISTÉRIO DA PORRA DA HUMANIDADE! PORQUE NÃO FAZ O MENOR SENTIDO, INFERNO!!!
_EU ME SINTO UM LIXO! É ASSIM QUE EU ME SINTO!! – as suas lágrimas voltaram, do outro lado da linha – É ISSO QUE VOCÊ QUER OUVIR?? Eu me sinto um, u-um NADA pra você! E confusa e sozinha e, e presa nesta merda que eu não sei mais nem como começou e... e... e quando eu tento te falar... v-você vai lá... e faz o... o q-que quer comigo, sabe... – suspirou – ...e-eu t...
_MANO, E COMO VOCÊ ACHA QUE EU ME SINTO?! – retruquei, a interrompendo – HEIN?!? JÁ PAROU PRA PENSAR NISSO ALGUMA VEZ, CARALHO?? – o rancor nos cegando – VOCÊ PENSA EM MIM?? EM COMO VAI FODER MINHA CABEÇA TODA VEZ QUE VEM ME PROCURAR?? TODA VEZ QUE DÁ PITIZINHO DE CIÚMES?? PRA DEPOIS IR LÁ PEGAR OUTRA MINA NA MINHA CARA E AÍ VIR ME QUERER, INFERNO, VOCÊ ACHA QUE EU TENHO QUE FICAR AGUENTANDO TUDO??!? VAI À MERDA!!
_Não... n-não precisa ser assim... – retomou o tom baixo, como se engolisse os ânimos, arrependida – ...a gente nã... não precisa... merda! Não precisamos brigar, por favor...
_PRECISAMOS, SIM. PRECISAMOS, MIA! – continuei – E vamos continuar brigando porque você, você parece que NÃO ENTENDE, CARA!! NÃO ENTENDE O QUE EU PASSEI POR VOCÊ!!! O TANTO QUE SOFRI, POR MESES, pra no segundo em que eu fico bem, que eu tô feliz com outra pessoa, você vir E ME ENFIAR DE NOVO NESSA MERDA?? Como você tem... – perdi o controle – CORAGEM de falar isso de mim?! Que EU tô te magoando?? Foi VOCÊ que escolheu ficar com o Fernando, caralho! E agora tem a cara de pau de dizer que tá sofrendo, de ir chorar pra porra da sua amiga... EU SÓ ME FODI!! Eu só quebrei a cara por sua causa!!
_E ISSO TE DÁ DIREITO DE FAZER O QUE QUISER COMIGO?! DE FAZER IGUAL?? – se revoltou, subindo o tom de novo – É ASSIM?! Só porque você se machucou, só porque eu te magoei, você pode ir lá e me, m-me comer na porra do banheiro só pra depois me largar e... E IR DORMIR COM A DROGA DA CLARA?! – chorava, desesperada – PORRA, VOCÊ NEM OLHOU NA MINHA CARA! SAIU ANDANDO E FOI LÁ COMER ELA, INFERNO!! EU TAVA ALI DO LADO!! DO LADO!! VOCÊ ACHA QUE NÃO OUVI VOCÊS?? V-você... meu... como você PÔDE fazer isso??
_AH, TÁ! Por que você nunca fez, né?! Você nunca foi até o meu quarto e depois voltou correndo pros braços do Fer, não é?? – retruquei, gesticulando que nem uma louca no meio da rua – TODO ESSE TEMPO!! TODAS AQUELAS VEZES, PORRA! Que eu tive que sentar lá e engolir, assistir você com ele, todo santo dia, ouvir vocês rindo e trepando e brigando e conversando no quarto ao lado e o caralho a quatro, sem poder falar nada... NADA!! COMO VOCÊ ACHA QUE EU ME SENTIA?!?! – gritei, indignada com a sua hipocrisia – Ah, fala sério, Mia, não me vem com essa agora... ISSO você não pode falar!!
_MANO! EU NAMORO O FÊ!! EU SEMPRE NAMOREI, CARALHO! – se ofendeu – Cê faz soar como se EU tivesse procurado tudo isso, como se EU tivesse feito alguma dessas coisas de propósito, ido lá te procurar pra começo de conversa... FOI VOCÊ, PORRA!! VOCÊ FEZ ISSO COM VOCÊ MESMA!!
Postado por • the girl fucking Mia • às 03:24 31 comentários
março 20, 2012
OST 4 ♥
02. Frankmusik
- "3 Little Words"
03. Björk
- "Crystalline"
04. Cat Power - "Sea of Love"
09. Patti Smith -
"Dancing Barefoot"
10. Boy - "Skin"
11. Oasis
- "Stop Crying Your Heart Out"
12. Bebe - "Siempre Me Quedará"
13. Eskorbuto - "Mucha Policía, Poca Diversión"
14. Robyn - "Dancing On My Own"
16. La Roux - "Bulletproof"
17. Nine Inch Nails
- "Closer"
18. Violent
Femmes - "Breakin’ Hearts"
Postado por • the girl fucking Mia • às 12:55 9 comentários
março 16, 2012
(a way of) breakin' hearts
E você me acordou pra isso?! Post-it pra quê, né?
_Aham... – murmurei, sonolenta.
_Tá?! – insistiu – Deixei minha parte em cima da mesa da cozinha, vê lá.
_Tá, tá... – virei o rosto.
_CÊ PERDEU QUALQUER NOÇÃO DE LIMITE?! MEU DEUS! – gritou comigo – COMO VOCÊ TRANSA COM A MIA ENQUANTO O FER E A CLARA TÃO NO APARTAMENTO?!? ALIÁS, QUE MERDA DEU NA SUA CABEÇA PARA IR LÁ COMER ESSA MINA DE NOVO???? QUAL É O SEU PROBLEMA??
_Eu sei, eu sei... calma! – ri da sua reação, fazendo o isqueiro pegar – E meu, também não é como se eu tivesse planejado, né, só... sei lá, aconteceu, porra!
_“Aconteceu”?? “ACONTECEU”??? – aumentou novamente o tom de voz e eu me diverti com o escândalo que minha ex fazia – Sabe, imprevistos “acontecem”, chuva em Ubatuba “acontece”, perder o ônibus “acontece”, MAS NÃO SE ENTRA NAS CALÇAS DE NINGUÉM POR ACIDENTE!!
_Má, escuta... Dessa vez, não me arrependo! – podia sentir os seus olhos revirando do outro lado da linha – É sério. Eu sei que vai soar estranho, mas... a-agora eu sei, manja? Sei que não quero ficar com ela. Não mesmo.
_Ah é, porque ISSO nitidamente prova que cê já superou a Mia...
_Não! Eu sei... – ri – ...eu sei que tenho umas paradas pra resolver dentro de mim. Não tô negando isso. Só que agora, sei lá, eu... e-eu acordei tão bem com a Clá, sabe? E com a Mia, não sei, é tudo tão pesado, sempre. Me faz tão mal. E eu não quero isso, mano.
_AH, PRONTO! Quem te ouve falar assim nem parece que eu já não... – senti o telefone vibrar – ...te falei um milhão de vezes que a...
_Oi. Preciso falar com você.
_É a Michelle... – quem?, minha cabeça repassou todas as Michelles que eu conhecia – ...amiga da Mia. A gente se conheceu na casa dela, no ano passado.
_Ah, sei.
Como diabos essa garota tem meu telefone?
