09. Bob
Dylan - "Where Are You Tonight?"
10. David
Bowie - "Starman"
11. Uh Huh
Her - "Another Case"
12. Juli -
"Perfekte Welle"
13. Hole - "Awful"
15. Maxïmo
Park - "Hips & Lips"
16. Muddy Waters - "Champagne & Reefer"
17. Ewan & Jerry, The Carib-Beats - "Oh Babe (Sick And Tired)"
18. The Beatles -
"Norwegian Wood" [2] [3]
outubro 01, 2012
OST 5 ♥
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setembro 28, 2012
And...
I was alone, this
Bird had flown”
(The Beatles)
A voz do Fernando invadiu os meus ouvidos. Estava apagada, deitada de qualquer jeito no sofá da sala – a coluna torta. Acordei com as suas mãos me sacodindo o cotovelo, erguido sobre o rosto para bloquear a luminosidade da janela. Movi o meu braço direito, o que cobria os olhos, alguns centímetros para baixo, abrindo as pálpebras com indisposição e encontrei o Fer ali, em pé do outro lado do encosto do sofá, me encarando. A minha cabeça doeu violentamente. Puta merda, me contorci e ele riu da minha careta. O meu corpo parecia pesar uma tonelada, afundado contra o estofado, a ressaca sugando as minhas veias secas.
_N-não sei... – murmurei, ainda confusa – ...fiquei com calor à noite, acho. Não lembro.
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setembro 26, 2012
Isn't it good?
E puta que pariu.
Os seus beijos, intensos e em transe, no entanto, acalmavam o aperto em minha garganta. E eu me via envolta num oceano de águas familiares, submersa nela, naquele momento. Naquele mesmo instante. Embriagada, não sei. Pelo seu cheiro, pelo seu jeito. Parte de mim me condenava, sim; mas a outra não dava a mínima – puxando-a pela cintura e a colocando no meu colo, sem hesitar. Sua boca me arrancava a razão, conforme as suas mãos arrancavam a própria blusa do corpo. Mais um beijo. E outro. E não, não era cauteloso tirar as roupas ali, mas o fazíamos mesmo assim, deliberadamente, e que se dane. Desajeitadamente, tentava descer as minhas calças por debaixo das suas pernas. E a Mia ria. Eu achava graça também – numa naturalidade de interromper a nós mesmas, nos divertindo como se o tempo não tivesse passado. Como você linda, garota, cacete.
Os meus pés empurraram e chutaram os All Star de si, o mais longe possível. E eu sorri para ela. Nos olhávamos, em sincronia. As maçãs do seu rosto contornavam suavemente a margem sob seus olhos, os seus cílios. E o calor da sua pele me engolia. Fechei as minhas pálpebras e tirei o seu cabelo da frente dos ombros, colocando-o para trás. Beijei, pouco a pouco, o vão na base do seu pescoço, a linha do seu colo. E podia sentir a sua pele mover-se sob os meus lábios, pendendo a cabeça para trás. Minha língua percorrendo o trecho sensível da sua garganta, os meus beijos se tornando mais famintos.
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setembro 21, 2012
O inverso
_Mas você não precisa deixar de vir, meu – intervi – Pode me visitar quando quiser, porra. Só passar aí...
_A Clara não tem que achar nada, o apartamento é meu.
_Tá. Mas...
_Mia, na boa, vem aí quando quiser.
_Mesmo?
_Lógico, besta... – inclinei a cabeça para o seu lado, abrindo os olhos por um instante, e deixei escapar um sorriso – ...assim... só não vir com esses shorts aí que estamos bem.
_E a propósito... – a Mia disse, com um ar meio de entrelinhas – ...como vai... – prosseguiu, deslizando sutilmente a mão no decorrer da própria coxa, de forma que alguns dos seus dedos ficassem sobre o meu jeans, descendo até o cigarro – ...a Clara?
_Hum. Tem certeza de que quer entrar aí?
_Cê que começou... – achei graça na situação e ela sorriu, imprestável.
_Tá. Do que cê quer falar, então?
Mas a verdade é que eu sabia, sabia, aonde aquilo estava indo – e sabia desde o instante em que o Fer levantara para ir dormir, sabia desde o começo. Desde o rum, desde as suas pernas sobre as minhas. E ainda assim não me movia, eu ficava. Irredutível. “Do que você quiser”, respondi. Um tanto inconsequente. Os seus olhos presos aos meus. E então, as pontas dos seus dedos começaram a subir de volta pela parte interna das minhas pernas, suavemente, numa brincadeira perigosa – puta que pariu. As minhas pupilas abandonaram as suas, observando o que as suas mãos faziam.
_Que mens...? Ah! Ahn-ahn, não. Nem fodendo... – ri, você não espera mesmo que eu te conte em que estava pensando enquanto comia a Clara; a minha voz já arrastada.
_Por que não?! – achou graça, de repente.
_Não. Agora não.
_Ah, me conta, vai...
_Não, meu.
_Por quê?! Você tava... – sugeriu, quase tão lenta quanto os seus dedos sobre as minhas coxas, cujo movimento ela agora também acompanhava com os olhos – ... pensando em mim?
_E se eu tava?!
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setembro 17, 2012
Receita pro desastre
_Foram cinco, seis... não! Cinco anos e... seis me... – comecei a calcular em voz alta, confundida pela quantidade de rum que se infiltrava na minha cabeça.
_Oito! Foram oito, meu.
_Não, Fer... OITO meses?! Nem a pau... – balancei a cabeça para ele, com convicção – ...eu tinha quase 19, tenho certeza! Faltam quatro meses pro meu aniversário ainda, não pode ser oito.
_Então foram sete. Seis não pode ser... – argumentou, sério – Mano, seis meses a gente teria que ter mudado em... espera, que mês a gente tá agora?
_Virou o mês e a gente já tava casado com a privada... – o Fer riu, dando duas bolas rápidas – ...essa aqui passava mal no vaso, eu ia ajudar e acabava gorfando no chuveiro, uma beleza.
_Cara, na boa, eu peguei gente que eu não sei o rosto até hoje... – achei graça e a Mia sorriu, nos observando tagarelar – ...se eu vir na rua hoje, juro que não sei dizer.
_Nem eu, porra... – o Fer riu – Não. Espera! Quem eu tava pegando quando a gente mudou?
_Nossa... Cê jura mesmo que cê espera que EU lembre? – comecei a rir do pedido absurdo quando, subitamente, me ocorreu num flash desagradável de memória – MANO! NÃO! Nããããão, ahhh! Você tava com aquela mina insuportável! Puta merda, Fernando. Essa era pior que a Julia, velho. Lembra? A, aquela lá, a que me odiava. Homofóbica do caralho!
_Ah, a Karina... – ele começou a rir, também.
_Nossa... – a Mia entrou de novo na conversa – ...por que te odiava, meu?!
_Ela tinha alguma coisa contra, sei lá. Mano, era só eu CHEGAR no apê, que ela revirava os olhos. Toda vez! E se eu tivesse com alguém, então, ela saía do cômodo. Puta mina idiota. Depois veio dizer pro Fer, não foi, que não achava que cê devia andar com “gente assim”. Muito babaca!
_Credo! – se revoltou, dando um tapa no ombro do Fernando – POR QUÊ cê tava com essa escrota?!
_Ah, sei lá... só tava, meu. A gente nem ficou tanto tempo assim, dei um pé nela depois que ela falou essas paradas aí...
_É. ”Sei lá”, né... – comecei a rir de novo, sabendo a verdade, e me virei para a Mia para fofocar – ...ela tinha, mano, juro...
_Fica quieta! – o Fer se meteu.
_Cara, a garota nã...
_Cala a boca! – me empurrou com o pé, interrompendo de novo.
setembro 12, 2012
Pré-Bacardi
_Ah, ele está nervoso... Com a história toda, né, não queria ter que sair... – ela respondeu e passou os pés descalços por cima do encosto, deitando-se ao meu lado e colocando as pernas com naturalidade sobre as minhas – ...mas eu disse que ele precisava aproveitar o tempo que tem aqui e não ficar pensando nisso, se torturando pelos cantos. Não é como se fosse o funeral dele, também.
_É...
Apertei o botão embaixo do controle, soltando um casco vermelho na pista. Ou sei lá que porra era. Já na segunda volta no Mario Kart e a minha respiração disparando, sem qualquer relação com o percurso. Sentia as pernas dela pesarem sobre as minhas. Desde quando tá tudo bem... fazer isso, porra?! Com essa intimidade toda?, a questionava em pensamento, sem abrir a boca. E brigava comigo mesma, não devia ter mandado aquela mensagem, não devia ter falado nada, cacete. É culpa minha.
Aquilo era ridículo e eu sabia – argh. Um movimento da Mia e lá estava eu, perdendo a minha cabeça no meio da sala. De novo. Quantas vezes mais preciso superar essa merda?, continuei jogando em piloto automático, enquanto convencia a mim mesma de que não significava nada. Que não era uma porra dum problema. Se o Fer vir a gente aqui, ele não vai pensar nada. É normal. As pessoas fazem isso o tempo todo. Não tem nada de errado. O problema tá só na minha cabeça suja. Pisquei forçosamente, na tentativa de afastar a culpa. E por que inferno eu me importo, afinal?, me revoltei, fodam-se as pernas da Mia. As duas! Dane-se. Não dou a mínima, eu tenho a Clara, cacete.
As coxas dela, todavia, continuavam ali.
_E você...?
_Hum?! Eu, o quê?
_Está... – a Mia questionou, me olhando – ...nervosa com tudo isso?
_E-eu... não sei.
setembro 09, 2012
"Feliz 2012"
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setembro 08, 2012
Ganja
_Ok – o meu melhor amigo me interrompeu, grosseiramente.
_Fer, por favor, e-eu... – me angustiei, sem saber direito o que falar.
_Não, não. Tudo bem! De boa.
_Mas eu não... m-merda, eu, e-eu não...
_Cara, foi isso que a gente combinou, não foi?! Então tá certo, porra.
_Mas v-você não... e-eu... Fer, é q-que... argh! – me enrolei, lesada, e me irritei comigo mesma – É q-que, sei lá... e-ele já tava, t-tava afim de vir logo e vai virar o mês também e aí eu pensei q-que...
_Relaxa. De boa, mano. É isso, vai fazer o quê... – resmungou, deixando escapar certa agressividade – Pode deixar que tiro minhas tralhas e libero o quarto pro moleque entrar.
setembro 04, 2012
Prazer, Du
_É. Moro com uma família no Santa Cecília, tenho um quarto alugado – o Du olhava os cômodos conforme a gente ia andando – Mas é ruim lá, meu, não tenho privacidade e ficam cagando regra. Não funciona.
_Não te deixam levar gente ou o quê?
_Ah, entre outras coisas... – riu, erguendo os óculos sobre a cabeça – ...mas, assim, já fodi meio Vale escondido enquanto eles ouviam louvor no andar de baixo.
Achei graça. Vamos nos dar bem. Chegamos, enfim, ao quarto que ele ocuparia caso resolvesse se mudar pra lá e eu afastei a bagunça do Fernando com os pés para que pudéssemos entrar direito. Expliquei que aquele era ligeiramente maior que o meu, então o aluguel não seria dividido exatamente na metade. E que a maioria dos móveis iam sair – tudo o que o Fer não fosse levar, ele ia tentar vender, então não ia sobrar muita coisa. Nem a cama.
_Então, daqui uns meses, acho. Assim que ele arranjar um trampo e juntar uma grana, se estabilizar, aí ele vem de novo. Mas dá pra ir conversando... – cocei a nuca, já voltando pra sala – Quanto tempo cê acha que ia precisar aí?!
_Ah, meu... uns sete, oito meses. Tô tentando uma bolsa na gringa, a ideia é fazer uma parte do meu mestrado fora, mas isso deve rolar só lá pra julho, agosto... O que der pra eu ficar aí antes já ia ser perfeito. O apê de vocês é do caralho, meu...
_Não. Ou melhor... – o Du riu – ...só por precaução, quais as regras?
_Olha, não muitas – ri também – A gente divide as contas e dá uma faxinada a cada semana, quinze dias, sei lá. Eu passo a maior parte do tempo fora, então nem vou ficar muito aí. Quando venho geralmente tô trancada no quarto... E de resto é bem de boa. Traz quem cê quiser, faz o que quiser, tô pouco me fodendo. Só não largar prato sujo por três dias na pia que tá tranquilo.
_Pode crer. E assim, é “legalizado”?
setembro 01, 2012
AM
Postado por • the girl fucking Mia • às 20:17 0 comentários
Marcadores: 4:20, Casa(Clara), Clara, Du, Gui, Luna, Mia, Trabalho
