Esfreguei a mão no rosto, desconcertada. Puta merda, respirei
fundo.
Então olhei de volta para a Mia. Observando-a colocar aquela
sua boca ao redor do cigarro, como se nada fosse. E, caralho. Não queria
me deixar levar – não de novo –, mas quase conseguia sentir o seu calor
ao redor dos meus dedos, numa lembrança nada silenciosa de dias antes. A sua
respiração ofegante contra a mesma porra de sofá onde estávamos sentadas agora,
a música se misturando aos gemidos, o som ensurdecedor do meu coração batendo
no meu peito. Engoli seco. E senti a temperatura do meu corpo subir – “foi
assim, é?”.
A Mia sorriu. E aí tirou o filtro da boca, me encarando de volta:
_Tinha esquecido como era com você...
Senti meu corpo negociar com a minha cabeça, começava a perder o
foco. E olha, eu estava indo bem até então, não tinha qualquer intenção
de me meter nessa quando abri a porta para aquele inferno de mulher, mas... porra.
_Hum – apoiei a cabeça no encosto e perguntei, curiosa – E como
que é comigo?
A Mia deixou um sorriso escapar no canto da sua boca. Eu já não
conseguia tirar os olhos dela. Coloquei a mão sob minha própria camiseta, a
deslizando lentamente pela minha barriga – numa vontade inconsciente de tocar a
pele dela. Então a Mia se moveu na minha direção, deslizando os joelhos
pelo sofá. Devagar. E eu sabia o que aconteceria a partir daí, inferno,
assim como sabia dias antes quando o Fer foi dormir. Mas eu deixei, cacete.
Deixei. E com o cigarro anda aceso entre os dedos, ela subiu no meu colo.
Se curvou sobre meu rosto, como quem ia me beijar – sem realmente
o fazer. Com os antebraços apoiados no encosto atrás da minha cabeça, os seus
lábios se entreabriram, me instigando. Filha da mãe. A boca a
centímetros da minha, naquele ir e vir delicioso, sabe? Nuns segundos
que pareciam só aumentar a expectativa de um beijo entre nós, criando tensão. A
meio centímetro de mim, sussurrou no meu ouvido – “você sabe como”.
E sem tirar os olhos dela, eu comecei a abrir o meu cinto.
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