O rádio tocava Le Tigre no último volume e a voz da Kathleen Hanna
gritava “who took the bomp from the bompalompalomp?” vez atrás de outra,
ensurdecendo todo mundo, que agora tinha que rasgar a garganta para falar quase
tão alto quanto a música. A sala estava caótica. Num êxtase ruidoso – gente
demais para um apartamento de um só quarto em Pinheiros. E eu não conseguia entender
de onde saíam tantos copos, garrafas ou marcas redondas espalhadas pelas mesas
e cadeiras e pelo chão, cada vez mais imundo.
Olhei para trás e a Clara parecia ainda discutir com a Natali, a
alguns metros dali, relativamente exaltada – os meus olhos estavam subitamente
dispersos e minha cabeça disparava como se lutasse contra o meu corpo imóvel. Não
conseguia focar. Em nada. Em porra
nenhuma. Fechei as pálpebras e as reabri, entorpecida, ainda confusa.
_E o que você acha que eu tô pensando? – a garota riu da minha resposta.
_E-eu... – enrolei a língua para falar, meio atordoada – ...é um, um cara. “Fer” é um cara.
_Hum... – sorriu – ...interessante.
_Quê?
_Logo você, hétero.
_Não, mano... – ri.
_Não?
_Ele mora, quer dizer... morava comigo. É um amigo só.
Ela ergueu as sobrancelhas. E eu a observava, admirada, numa irracionalidade
alcóolica. Seus cachos pareciam formar desenhos suntuosos no ar hype da festa atrás de nós. Estava com
uns shorts dourados, sob a camisa preta transparente. Aproximou-se então do meu
rosto e disse em tom baixo “menos mal”, colocando a mão na minha perna. Virei o
rosto na sua direção, a encarando. Não dificulta
minha vida. Podia sentir meu corpo, minha cabeça fritar. A pior versão de
mim escalando pelas minhas paredes, me destruindo. Outra garota estava
literalmente desmaiada no sofá, a menos de dois metros de onde a gente estava. E
os minutos pareceram escapar do meu controle, de repente. A ínfima parte ainda
sóbria em mim me alertava de que a mina sentada ao meu lado provavelmente era conhecida
da Clara. E eu sabia que devia ter saído dali. Entretanto, o resto do meu corpo
parecia já ter esquecido o que eu estava fazendo naquela festa. E pior, com
quem.
Os arredores me invadiam os sentidos; a cabeça entupida de cocaína,
de tequila, afundada naquela poltrona. Senti suas mãos tateando o tigre tatuado
na minha costela, no escuro. E me entretive, a olhando. Não tinha intenção de
beijá-la – não realmente. Era só, sei
lá, acaso. Sentada ali ao seu lado, sem qualquer traço restante de sobriedade,
numa conversa que se desdobrava numas ambiguidades. Não sei explicar. Não pensei direito a respeito. Deixei rolar.
_...e umas flores aqui... – deslizei as minhas mãos por um dos
seus braços, a persuadindo a se tatuar também – ...algo que flua, sabe?
_Sei...
_Uma das minhas melhores amigas tatua... – afundei de novo no sofá, acendendo um cigarro meio de qualquer jeito – ...quando cê quiser mesmo fazer uma, me liga. Te levo lá, meu.
_Hum. Quer dizer... – ela sorriu com o canto dos lábios e se debruçou sobre a minha perna – ...que cê vai me dar o seu telefone?
_Bom, eu...
Antes que eu pudesse terminar de responder, a Clara veio voando na
nossa direção. Merda. Empurrou o meu pé para fora do joelho onde estava
apoiado, me desequilibrando. A garota também quase caiu do sofá, de tão na
ponta que estava. E tão em cima. Merda,
merda. Olhei para cima e encontrei os olhos enfurecidos da Clara, prestes a
me chamar de todos os nomes que eu bem merecia.
_E-eu... – enrolei a língua para falar, meio atordoada – ...é um, um cara. “Fer” é um cara.
_Hum... – sorriu – ...interessante.
_Quê?
_Logo você, hétero.
_Não, mano... – ri.
_Não?
_Ele mora, quer dizer... morava comigo. É um amigo só.
_Sei...
_Uma das minhas melhores amigas tatua... – afundei de novo no sofá, acendendo um cigarro meio de qualquer jeito – ...quando cê quiser mesmo fazer uma, me liga. Te levo lá, meu.
_Hum. Quer dizer... – ela sorriu com o canto dos lábios e se debruçou sobre a minha perna – ...que cê vai me dar o seu telefone?
_Bom, eu...
20 comentários:
Achei esse post muito massa, me senti nele, os diálogos fluíram de uma forma muito interessante, mew. E a Clarinha puta? Se fudeu! hahahahaha
AAAAAAAAAaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!
>.<
Obrigada! ;]
Briga de casal, que lindas.
OMG!!! Me diz como a pessoa dorme agora?? Como a pessoa sobrevive até o próximo post??!!
Arrasou Mel!! Mais uma vez...OBG!!
Quero ver o furdunço que vai rolar...kkkkkk
(ANA CURI)
Clara bêbada, já discutiu com a Natalia la e agora com a fm... se fodeu msm, sinto informar kkkk o prox. vai ser animal!!
SÓ DIGO UMA COISA: VISH!
ahuahuahuhau... e a clara, que nao era barraqueira, esta prestes a perder sua emaculada 'fama'...
F O D E U !
hahahhahahahhahahhaha
Um barraco de vez em quando faz bem hahahahha :D
Saabia qe a autora estava guardando uma carta na manga. Jajajahaha
Vai ser babadissimo agora hein.
Clara ja discutiu com a natalia/natali la , agora vai sobrar pra fm. Hahhhh
[caralho, emaculada foi foda. Imaculada. pls! my mistake!]
podia ter barraco... hahahahah <3 adoro
Barraco, barraco, barraco.. HAHAHAHAHAHAHAHA
O me fodi no final foi mto bom! hahahaha
kkkk. Ótimo post!
A-M-E-I o post. Sem mais, cara.
Esperando ansiosamente pelo próximo. *-------*
BRIGA, BRIGA, BRIGA \O/
Hahahaha
Quero muito ler o próximo post!
FM apela também!!
Ps: Mel tem algum outro link onde eu possa baixar o Fuckin' Mia 5? Tô tentando há algum tempo e não consigo...
Mariah.
eu sempre passo um tempao sem visitar o blog pra quando vier ter muitos posts e tu me vem com um final desse, mulher?? Poste logo o outro ou o barraco vai ser com uma tal de mel...
no dia do encontro a gente tava conversando com uma morenona black power sobre tatoos... no caso, a julia UAHSUAHSuhsA
Postar um comentário