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dezembro 12, 2012

Pinheiros

Merda. Merda, merda, enfiei minhas coisas no bolso e saí para a rua, em direção ao ponto de táxi, já atrasada. A gravação tinha ido até tarde e eu precisava chegar no Largo da Batata em quinze minutos. Ia com a Clara na festa de uma amiga dela – uma tal de Natali que não conhecia. Peguei um táxi até Pinheiros e assim que desci, acendi um cigarro só para ter o que fazer com as mãos. A Clara ainda não estava lá. Argh. Mantive os olhos abertos, checando os bolsos com certa paranoia, enquanto tragava. Tinha sido assaltada a poucas quadras dali, uns anos antes, e sem qualquer motivo racional minha cabeça achava que ia acontecer de novo toda vez que estava nas redondezas.
 
_Cê não vinha a pé? – estranhei, assim que vi a Clara descer de um táxi também.
_Vinha. Mas, ah... – suspirou, ajeitando os ombros sob o meu braço – ...já tava tarde, achei melhor vir assim!
 
Abraçou o meu corpo e eu lhe dei um beijo rápido na testa, conforme andávamos para a rua da sua amiga. E é. É verdade que, no caminho até lá, hesitei sobre o que diabos estava fazendo com a minha vida, sobre os meus sentimentos. E o quanto era realmente capaz de lidar com aquela, ahm, situação. Ver a Mia sempre me bagunçava a cabeça, mas falar com a Marina mais cedo também me fez cair em mim. No caso, espatifada, bem no meio do meu caos emocional. E talvez aquele não fosse o melhor estado de espírito para me meter numa festa barulhenta na Sumidouro, não é?
 
Mas que se foda, virei dois shots de tequila assim que passamos pela porta e decidi que não – não ia me deixar levar pela minha própria confusão. Tão rápido a minha garganta parou de queimar, todavia, dose atrás de dose, logo percebi que talvez eu não estivesse tão no controle assim.

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