Foi que eu precisava. As suas
más intenções, as suas palavras desmedidas junto aos meus pensamentos sujos, soltos
pela cama. Tinha um efeito incendiário em mim, a voz da Mia, sussurrando
baixarias, desgraçada. Perdia o fôlego. Os seus lábios, o seu corpo todo,
pareciam contornar as letras que saíam da sua boca. Me tirando do sério. Por que você, meu deus, entre todas as
garotas?, me torturava, agora ofegante, com o rosto amassado contra o
travesseiro e sozinha. À mercê dela. E assim que terminamos a que se dava a ligação,
veio um silêncio sorrateiro. Ouvi-a respirar do outro lado da linha. O meu
corpo todo ainda pulsava, inebriado, bêbado e cansado, recuperando a sanidade.
Sorri. Por um breve momento, achando certa graça. E
suspirei, isso foi bom. Logo, porém, o escuro do
quarto pareceu crescer. Para cima de mim. Espalhei meus braços e pernas no
colchão vazio, sem dificuldade – tomada por uma densidade alcóolica, a endorfina
vibrando no meu corpo. Com o telefone ainda no ouvido e a presença sóbria da
Mia do outro lado. E... e não sei por que
porra não desliguei.
Aqueles. Aqueles segundos que se seguiam era quando
ficava perigoso. Ali, me dando conta de que ela, e-ela não estava lá. Aqueles eram
os segundos que, em outra realidade, seriam preenchidos pelas pontas dos seus
dedos, deslizando suavemente pela minha pele, nuns abraços, nuns carinhos
despreocupados. Como deveria ser. Cada segundo gritava agora pelo seu
corpo no meu.
_N-não é... – a minha boca soltou então, sem pensar direito – ...s-suficiente.
_O quê?
A Mia soou confusa, como se não tivesse ouvido.
_E-eu...
Pausei então. Minha linha de pensamento se engasgava
em si, bêbada. E eu suspirei, afundando o rosto no travesseiro. Merda. Deixei o celular de lado por um
instante – a parte sã que me restava sabia que eu não queria ter aquela
conversa. Tinham agravantes demais. Não conseguia, todavia, evitar senão me
sentir incompleta. Deitada, ali. A minha cabeça rodando, o formigamento
silencioso nas extremidades. As minhas veias ainda latejavam. E me veio à
cabeça algo que alguma garota, acho que a Dani, me disse anos antes – de
que existia uma expressão para orgasmos, em francês, la petite mort.
Era como eu me sentia agora. Depois de uma pequena morte. Aquele breve momento
em que você perde o ar, a consciência, se perde inteira. E eu, e-eu não, puta
merda, não queria mais me sentir sozinha assim quando voltava à vida.
_Você... – murmurei, uma angústia no peito – ...v-você devia tá aqui,
Mia.
Os meus pulmões sentiam todo peso da bebida. Sabia que o Fer ainda
estava capotado na sala, mas não conseguia evitar, havia seriedade na minha
voz. E a Mia notou, respirando fundo do outro lado da linha. Tinha meus olhos
apertados em consternação, o coração complicado. Me escuta, garota. Porque não quero mais foder, entende, te ver ou te
escutar, sempre pela metade, eu quero estar com você, inferno, por inteiro. Eu
te quero aqui, eu e você. E pela primeira vez, em muito tempo, me permiti
pensar tão apaixonadamente dela – embriagada até os ossos, exausta. Eu sabia o
que queria, mas não sabia como.
_E-eu... – a Mia respondeu, baixinho, e eu soube imediatamente que
os seus olhos também estavam fechados – ...também queria tá aí.
_N-não, você, v-você não tá entendendo... – hesitei.
_Estou, sim.
_O quê?
_N-não, você, v-você não tá entendendo... – hesitei.
_Estou, sim.
18 comentários:
assim, a FM e a Clara ficam lindas juntas, mas brother... a Mia é a Mia né! impossível não se apaixonar por essa linda :3~
amei o post, Mel <3
Que que isso? Me deixou sem folego... quase me senti ali, vivendo as duas, em suas intensidades, em suas nostalgias...
Intensamente, lindo...
Mew!! Acho que esse post foi um dos que mais descreve a densidade de todos os sentimentos flutuantes d Mia e da FM... aqui senti claramente o sentimento que a Mia nutre pela FM. Parece que os sentimentos da FM estão se encaixando de tal forma que vá ajuda-la a se desenroscar dessa história toda... sei lá... não que o desenrosco não tenha consequências drásticas... mas que tudo estará de forma mais clara...
Cara, senti um peso muito grande com esse post, sabe? Os sentimentos sobrecarregados, enfim... Acho que pude sentir um pouquinho, uma parcelinha do que a FM deve sentir. Que aflição, mew.
A Mia é a Mia. E não tem frase que a descreva melhor.
Intenso esse post, A FM está diferente. Maravilho palpavel as sensações dela. Intenso!
Amei.
Eu quero sempre maaaaaaaaaaaaaaaisssss.
Cara, que loucura. Como lidar com todas essas sensações? como resolver esses "conflitos" que as cercam? Melissa de Miranda, não de nó no meu cérebro.
:(
Cadê a Clara? pfvr!
Post mais que lindo! Mia realmente gosta da FM.
Nossa!! Simplismente sem palavras...
Passou perfeitamente a intensidade dos sentimentos...
Chego a me reconhecer quando fala do desejo de ter a pessoa ao lado...
*_* "E queria o seu cheiro ao meu lado. O toque das suas pernas, o colchão afundado no centímetro seguinte do meu corpo. Não pensava em mais ninguém. "
Parabéns e obg mais uma vez Mel!!
(ANA CURI)
Nossa..! Fazia um tempinho que n lia um post tão vagarosamente, n querendo que ele acabasse. Justo um tão curto assim!rsrs
Me encanta, qnd a FM mostra seus sentimentos mais verdadeiros. Sinceros. E as suas reflexões, tb. Como o costume com a culpa.
Amei, Mel!
FM <3
Mia <3
Fer <3
Gente, gente, geeeenteee...
Não adianta toda a "fofice" da Clara... O post mais emocionante, eletrizante, excitante e gostoso de ler é o que fala da FM e Mia.
Amor, amor...é inevitável, na minha opinião, que mais cedo ou mais tarde elas se rendam ao que sentem.
Só lamento pelo Fer, um menino querido...e um pouquinho pela Clara, né? Mas é a vida.
Parabéns, Mel. Lindo post.
"...como se o céu te empurrasse pra dentro de você."
Sério... descrição maravilhosa!
Demais Mel!
Ola, li alguns dos teus post e adoreiiiii
fiquei fã da tua escrita :)
bjs davi
Poxa, obrigada! :)
Aliás, obrigada a todas as lindas (e lindos!) que comentam aqui e interagem com o blog, comigo, com as personagens. Vocês fazem o meu dia! <3
Cada post e hipnotizante quando acabamos de ler, queremos continuar a espera k coloques mais :)
e vicianteeeeee :D
beijinhos davi
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