_Volta aquiiii... – pedi, amassando o rosto na cintura da Clara –
...vem.
_Tenho que sair em quinze minutos, Bo... – ela riu e afundou as mãos no meu cabelo, num carinho distraído.
_Mas cê já foi sábado passado, mano, não é justo. Ninguém pode ir pra você hoje?
Ela sorriu, balançando a cabeça. A luminosidade
no quarto machucava os meus olhos, numa ressaca desgraçada. Desci a boca pela
sua pele macia. Touch me, yeah. Até meus
lábios esbarrarem na linha da sua calcinha, retorcida na lateral do seu corpo. Make me feel like I am breathing. O seu
quadril, as suas coxas, iam me chamando. Feel
like I am human, again. Estiquei o
meu corpo na beirada do colchão, beijando suas pernas enquanto ela se olhava no
espelho – em pé ao lado da cama, arrumando o cabelo.
Meu amor por
aquela garota matava um pedacinho de mim. A parte que amava a Mia, é. Me
desviava de quem eu era. E quem era
mesmo? Quando estava com a Clara, nada disso me importava. Só ela. Caminhou
até seu armário, saindo do alcance das minhas mãos – que penderam no ar,
abandonadas. Afundei no cheiro dela no travesseiro, a escutando se mover pelo
cômodo enquanto se preparava para sair. Minutos depois, apesar dos meus
esforços românticos, segurando a Luna no ar e fingindo que falava, convencendo a
dona a faltar no trabalho, a Clara não ficou.
E aí eu
também tive que ir, não é
mesmo? O problema é que eu não tinha um puto na carteira e só me lembrei
disso quando cheguei na porta do metrô, contando moedinha na frente da
cobradora como se os vinte centavos que faltavam para a passagem fossem
aparecer milagrosamente no balcão. Inferno. Subi as escadas de novo e
resolvi encarar a caminhada de meia hora até a Augusta – uma tarefa ingrata sob
aquele sol e de ressaca. Argh. Cada passo era um arrependimento
pelos excessos da noite anterior. Mas assim que me aproximei do meu quarteirão,
depois de andar mais de três quilômetros, avistei um rosto conhecido do outro
lado da rua e abri um sorriso.
Sentado em frente ao prédio, fumando um cigarro, estava o traste
do Fer.
_Tenho que sair em quinze minutos, Bo... – ela riu e afundou as mãos no meu cabelo, num carinho distraído.
_Mas cê já foi sábado passado, mano, não é justo. Ninguém pode ir pra você hoje?
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