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outubro 25, 2013

A ilha

As paredes me espremiam ali, agachada num banheiro sujo. As costas contra a porta da cabine. Mas que porra – cerrava os olhos com força e os abria, caralho. Atordoada. Olhava então para os ladrilhos, embriagada; e o vaso e todos aqueles papeis empilhados sobre a lata, largados, molhados no piso. Num escuro que me forçava a vista. Naquela meia luz de merda. Sentia o espaço ao meu redor ser devorado. Cada vez mais. E mais. Por uma crescente ansiedade. O desespero de existir e machuca-lo. E aquilo ia me apertando. Comprimindo cada célula minha. A minha garganta; a minha visão; os meus olhos, físicos, em si. Esmagando meus pulmões. Inferno! Tentava focar na minha respiração. Numa tentativa estúpida de qualquer controle – do ar, pelo menos do ar, mano, que metia corpo adentro, que expirava. E inspirava. Repetidas vezes. Mas o cheiro de mijo impregnava em mim; a imundice das noites paulistanas. E aí me subia uma vontade engasgada de vomitar. Eu sou uma porra de um gênio mesmo. Revirava os olhos. E pressionava o rosto contra as mãos, suando frio ali dentro. É. Seria engraçado se não fosse trágico – todo aquele meu relacionamento recorrente com banheiros e pisos sujos de balada; e a situação de merda, o tempo todo, com quem realmente importava na minha vida. Seja quem fosse.

Empurrei a parte detrás da cabeça contra a porta, me preparando psicologicamente para levantar. Conformada. Não devia ter bebido. Nem fumado. Uns. Não devia ter feito nenhum dos dois. E não devia ter aberto a porra do celular. Sério. Que merda eu tava pensando? – me ergui do chão, um tanto cambaleante. E me inclinei sobre a privada, velha de guerra. Teria metido os dedos goela adentro, para ver se me livrava de parte daquele veneno voluntário, mas não conseguia me lembrar se colocara ou não a mão no chão. Argh. Que se dane – deixa pra lá. Resolvi sair. Com o pouco de consciência que me restava. Sem arriscar ou forçar porcaria alguma para fora de mim. Mantive tudo em minhas veias. E destranquei a porta da cabine. Apoiei a testa contra ela por um instante, antes de sair, e tirei o celular do bolso.

ler o nome do Fer na tela já me fazia contorcer. De culpa. De raiva. De, sei lá. Era horrível saber que o feria. Digitei o melhor que meus dedos alcoolizados conseguiam – “eu amo ela,) e amo vc. tanto porra. E ñ qria q fosse essa merda,ñ sei q fazr fer.” e enviei, sem pensar a respeito. Saí. Lavei as mãos e o rosto; e me livrei daquilo. Foda-se. Estava pronta para a segunda fase de todos os meus surtos emocionais e babacas – a raiva. A absoluta falta de bom senso. De comedimento. Às vezes passava tanto tempo me dilacerando internamente e tentando recuperar o fôlego, em banheiros fechados, minúsculos e porcos, que tudo o que precisava depois era expirar, soltar todo o ar que acumulara. A decência (pouca) de dentro de mim. Eliminar qualquer boa moral. Comer quem viesse pela minha frente. Gritar. Dançar. Encher a cara, fazer merda. E era imaturo, que se dane, eu não ligava. Não era pensado, nem refletido. Era visceral. Uma vontade física. E muito real. Desviei de uns e de outros, sem cautela. Corria os meus olhos agora pelo aglomerado de pessoas no Emme. Cadê a porra da Mia?

_Vem – puxei então ela pelo pulso, assim que trombei com aqueles fios desalinhados morenos, dançando imprestáveis entre a multidão e toda suada. O Du e o Gui agora se agarravam em uma decisão passível de arrependimentos. A mão do segundo sobre, é, do primeiro. Sem sinal do promoter. Estava abafado e barulhento na pista – Vamos.

Cortamos caminho entre desconhecidos; atordoadas e, eu, sem paciência. A Mia trançava as pernas naqueles shorts indecorosos, dos quais suas tatuagens arriscavam despontar. Descendo pelas suas coxas em traços magníficos. Me debrucei sobre o caixa. “Nós estamos indo embora?”, ela riu. Não lhe contara sobre a mensagem. E nem pretendia. Pra quê? Até onde ela sabia eu apenas me metera no banheiro por tempo demais. Ficaria assim – ou assim decidira a minha bebedeira, por ora. Pagamos sem resmungar. Uma hora de balada não nos dera oportunidade de gastar tanto assim. Meia garrafa de vodka na fila menos ainda. Eu só queria dar o fora – para longe do Igor e para o mais perto possível, uhm, dela. Sentia uma irracionalidade violenta.

Saímos para a calçada. Completamente bêbadas e chapadas. Não havia um pingo de bom senso na forma como aqueles caras conduziam os “esquentas” no meu apartamento. Algumas pessoas fumavam, ali, detrás de uma grade – em uma espécie de zoológico humano, boêmio. O som que vinha da outra esquina era intolerável. Bar de playboy. Atravessamos a rua, a avenida logo em frente. E eu andei, encarando o fluxo de carros. Acendi um cigarro, agora segurando-a pela mão. Nenhum maldito parava para nós. A Mia se divertia com o meu surto, “a gente sequer consegue pegar um táxi?”. “Eu tenho dinheiro”. Era melhor do que andar até a Augusta e ser assaltada, pensei. Mas nem um puto passava – e eu não tinha calma, os meus pés caminhavam incessantes. Nada. O coração acelerado. Não consegui esperar nem cinco minutos.

_Isso! Vão à merda! – gritei, bêbada; para o nada, para os carros na rua – Isso é São Paulo, CARALHO?! NÃO TEM UMA PORRA DE UM TÁXI, MEU??! São duas da manhã... DUAS!!
_Cala a boca, sua louca... – a Mia ria, tão inconsequente quanto eu, e eu a puxei.
_Quer saber... que se dane!

Me seguiu por uma das ruazinhas perpendiculares. Joguei o cigarro ainda aceso no asfalto e a encostei contra um muro. De cimento, sem sutilezas. As suas mãos me encontraram quase simultaneamente. Com avidez. Me puxava pela cintura, por debaixo da camiseta. E eu a segurava de volta, num beijo sem precedentes. De tão absurdo, tão intenso. Eu estava fora da minha sanidade. E descontava nela. Que se contorcia. Sorriu para mim, em meios sorrisos, entre um beijo e outro; o calor distribuía-se. Entre nós. O seu corpo pressionava a pele dos meus dedos contra a superfície áspera do muro – o cimento lascado me fazia pequenas ondulações ardidas, conforme as minhas mãos tomavam os seus braços. E nos agarrávamos, numa atração passivo-agressiva; eu contra ela e vice-versa. Num impulso; irracionais. Naquele jogo que jogávamos tão bem. Quis consumi-la. Inteira. E não por ser ela, mas por ser agoraentende? Na minha mente fazia sentido.

Os carros passavam ruidosos ao fundo. Escondidas numa viela largada de Pinheiros. Eu a beijava. A minha consciência escapava por entre os meus dedos, preenchidos com a sua pele e o seu gosto e a forma como se movia. Poderia ter sido qualquer uma. Mas era ela. E ela me procurava, acariciava a linha do meu maxilar com o seu toque, a sua boca. Me segurando o corpo. Com vontade. “Eu memorizei todas”, murmurou de repente. “Todas as vezes que você disse ‘vem’ – para mim”, ela falou no meu ouvido e me beijou a lateral do pescoço, lentamente os ombros. Me provocando. A sua língua descia, lasciva. E me tocou então a pele, com a sua, pressionando por um instante o rosto contra o meu colo aberto. Como se parasse, num peso involuntário. E sussurrou: “E eu fui”. Toda vez. Ela sentia o meu coração bater.

Ali. Ele desacelerou. De tudo. Por qualquer motivo que fosse. Da raiva que sentira minutos antes, de toda a adrenalina. Garota, se você soubesse – a observei. Agora com um carinho devastador. Ela tinha os olhos castanhos suavemente fechados; deslizei os meus lábios nos seus, erguendo o seu queixo. E a olhei em lassidão. A luz amarelada da rua delineava agora os seus contornos delicados. Magnífica. Se soubesse, garota; que sou eu quem te segue. Aonde você for.

outubro 16, 2013

E as concretizações

Em meio a este caos – o Du fez que ia sair, ir até o bar, e eu gritei à distância para que nos trouxesse uma dose dupla de whisky; a Mia se agarrava a mim, atracada ao meu pescoço, me chupando a pele indecorosamente; conforme o pobre do Guilherme iniciava a discussão de um relacionamento inexistente, berrada contra o The Kills que ainda saía das caixas de som, com o tal promoter que nos colocara para dentro, agora injustiçado pela promiscuidade deliciosa alheia –, senti o meu celular vibrar. E abri. Era uma mensagem, encarei o visor por cima do ombro da Mia.

SUA FILHA DA PUTA!! Vc tem mta cara de pau de sair com a Mia na porra da balada. MTA!! Q. VCS EXPLODAM!!!!!”, eu li. E o meu coração parou: era o Fer.

Fried my little brains

Os porraloucas começavam a se acumular na calçada. Em meio a Pinheiros. Conforme esperávamos na fila do Emme, a garrafa de vodka do Gui se esvaziou. “É ele!”, alguém gritou ao meu lado e outra voz respondeu: “ela!”. “Ele! Ele, certeza!”. “É ela!”. “CALA A BOCA, É UM CARA!”. “NÃO É!”. Olhei por cima do meu ombro e vi duas garotas, já trêbadas, discutindo a identidade de uma pessoa parada mais adiante, perto do meio-fio. Até uma quarta cortá-las – entre o “ele” e “ela” esgoelados – e perguntar à terceira, em questão. “Sou os dois...”, piscou para uma das que começara o assunto, de longe. Indicando que já as ouvia antes disso. E ela sorriu em resposta.

Até eu sorri, meu, como eu amo São Paulo. E toda sua pansexualidade.

Quarenta minutos depois e a garota se agarrava à tal pessoa da calçada, já do lado de dentro, num canto escuro qualquer do Emme. O Gui havia sumido com um dos funcionários – que ele conhecia há alguns meses e quem nos colocara para dentro de graça. Provavelmente noutro canto bem escuro. E em plena luz (ou luzes) da pista, por outro lado, estávamos a Mia e eu embriagadíssimas, concentradas no maior amasso de toda a nossa vida pública. Completamente alucinadas, depois de termos nos voluntariado para acabar com a garrafa, antes que acabasse a fila.

_Alguma sorte? – ri e olhei por cima do meu ombro, os braços ao redor da Mia.
_Não, tá osso... – o Du resmungou, se aproximando de nós na muvuca e competindo com o som alto – Ou já peguei, ou não quero pegar. Ou pior ainda, é hétero...
_Ei! – protestou.
_Sem ofensas, Mia.
_Bom... – a beijei então e disse, entre um beijo e outro, a segurando pela cintura – ...já não é tão hétero assim.

E começamos a nos pegar, inebriadas. Ao que o Du logo contestou – “vai, esfrega mesmo na minha cara!”. Ele gritava. “Não é justo! Isso devia ser ilegal com os amigos!”. As suas mãos tentavam nos separar, comecei a rir ainda mais. E ele puxou a Mia para perto dele – “você”, disse bêbado, enroscando os braços e todo o corpo no dela, “vai dançar comigo, sua magnífica!”. A Mia o encarou, encantada. E os dois se encaixaram, em meio à pista de dança. Eu meio dava carta branca, avisei-os que ia ao banheiro. Ok. Talvez deixá-los sozinhos não fosse a melhor das ideias, de fato. Mas não era nada comparável ao que viria a seguir – o que me fez voltar às pressas, segundos após sair.

_Mia! – voltei, chamando-a; o meu coração estava acelerado – O Igor... ele tá aí!
_O... ahn?! Quem? – ela pareceu confusa, ainda sorrindo e sem entender.
_O Igor, caralho! O IGOR!!
_Que Igor? O Igor, “Igor”?! O Ig? – arregalou os olhos, subitamente.
_Hum.... “Igor”. Ele é gay? – o Du se intrometeu.
_Não! N-não. Não é! Ele... – respondi, aflita – Ele é amigo do Fer! Meu amigo. Sei lá! Ele anda com todo mundo, ele, mas que merda. Ele não podia estar aqui!!
_Mas você acha que ele viu a gente?
_Não sei...
_ACHA?! Onde ele está?!?
_E-ele está num dos camarotes, eu n-não... eu não sei! Não sei! Ele NÃO PODE ter visto. Isto vai dar merda... – o fluxo em minhas veias disparou – ...vai, vai dar merda... – eu comecei a surtar, a minha antecipação misturava-se a todo o álcool de forma não muito saudável – ...caralho! O Fer não pode saber d-disso, de nada disso. MAS QUE PORRA! O QUE ESSE BABACA TÁ FAZENDO NO EMME??? QUE MERDA ELE TEM PRA FAZER AQUI???
_Hum, e então... ele é gay, né?

O Du emendou, completamente alheio ao teor da situação. Rindo. E eu mandei que calasse a boca. A Mia – sabe se lá por quê – desatou a rir junto. “Bonito!”, comentei, irônica. Como se isso não te afetasse, né? E ele achou ainda mais graça. “Deixa de ser paranoica, velho! Relaxa”, o Du gritou na minha direção, “qual a chance dele ter visto vocês?”. “Como assim? Faz VINTE minutos que a gente está se pegando aqui!”. “E daí?”, argumentou e eu revirei os olhos.

Os dois riam. Tinham álcool demais no corpo para se manterem sérios – e eu os encarava indignada, era revoltante. “Vocês são um par de idiotas, sabia?”, argumentei, “isso é muito tenso! E se ele vier falar alguma coisa??”. Pronto. Começaram a gargalhar ao meu lado. Eu desisto, eu não entendo. Zero empatia.

_E-eu... – a Mia tentava controlar o riso, em meio à pista – ...eu sei que é... – o Du ria tanto que cambaleava, se apoiando nela – ...sério, e-eu... – eu observava os dois, começando a achar graça também naquele absurdo – ...eu não sei por que eu tô rindo! Eu não sei! É uma merda, é o... o Ig, cara!
_Você é uma besta. Nós vamos nos ferrar, você vai ver... – ri.
_E-EU SEI!

Àquela altura já havia me rendido. Idiotas, eu ria. A Mia me puxou, então, dedo a dedo pela camiseta. E eu balancei a minha cabeça – mas nem pensar. A última coisa que eu queria era dar motivo para o Igor vir tirar satisfação comigo, conosco. Mas admito que meus pés já estavam bêbados demais para resistir à sua direção. A Mia começou a subir pelo meu corpo. Desgraçada. Ela me olhava com aqueles olhos castanhos, tentadora. E me beijava o pescoço, deslizando as mãos camiseta acima.

Eis a velha Mia que eu conheço.

Eu seguia imóvel, enquanto ela me causava problema, sutilmente. A Mia se divertia. Comecei a olhar em volta e nem sinal do Igor – onde o maldito se meteu? Enquanto isso, o Gui ressurgia das cinzas ao lado do promoter, um moreno magro e alto, sem tatuagens. E onde vocês estavam? Bem – não tinha certeza se queria a resposta para esta pergunta. Havia de envolver banheiros e detalhes desnecessários da vida sexual alheia. “O que está acontecendo aqui?”, ele percebeu a movimentação, se aproximando. “Ela está me rejeitando!”, a Mia sorriu para o Gui, com os braços ao redor do meu pescoço. “Não estou!”, ri. “Está, sim”, ela então me encarou e insinuou um beijo. Provocando. E eu recusei.

_Viu?! Está negando, porra! – a Mia se divertia, tocando o foda-se na situação.

O Du virou-a então na sua direção e lhe tascou o beijo mais bicha que já vi na minha vida. “Eca. É noite da heterossexualidade no Emme ou o quê?”, o Gui fez uma cara de nojo e eu ri. “Sai de cima dela, vai, ô”, empurrei o Du para longe, “PANACA!”. A Mia apertou o passo para o meu lado e deu-me um beijo. Este sim, de verdade. E no meio disto tudo, o Du tascou outro beijo no Gui. Dos não tão bichas assim. O promoter ficou olhando sem entender porra nenhuma. Claro! Eu notara os dois com o canto de olho e rapidamente comecei a rir – o Gui arqueou a sobrancelha para o Du ao se afastar. “Você tem problemas”, balançou a cabeça. E o Du achou graça.

“Meu problema é falta de homem decente nessa porra”, resmungou.

Os Receios

_Você acha que eu ando brigando mais do que o normal? – sussurrei para a Marina, apreensiva, conforme ela observava a nova tatuagem, finalizada, no espelho.
_Como assim?
_Ah, a Lê... – abaixei a cabeça – Os meus pais, o Gui. Sei lá. Não brigando, “brigando”, mas não sei. Tô com medo de estar virando aquelas velhas chatas, sabe?
_Flor, vou dizer isso com todo carinho do mundo: mas – ela sorriu – você sempre foi chata.

Eu comecei a rir. E a empurrei para o lado – tonta.

_E a Lê estava errada. Ela não deveria ter falado da Clara...
_É. Mas os... meus amigos, sabe, eles estão todos ficando do lado do Fer. Eu sinto isso! E, o que é pior, eu até entendo. Não quero ainda por cima ser uma babaca com quem restou. E, e se n-não sobrar ninguém?

É. E o receio não era pura paranoia. Não contara nada para ela, mas, mais cedo naquela semana, incomodada pelo silêncio “virtual” e cogitando que talvez os meus amigos tivessem realmente se afastado, enviei uma inbox para o Rafa Benatti. Estava no computador da produtora, não ouvia de ninguém há semanas. O chamei para ir tomar uma na Augusta, como quem não quer nada. E foi só quando cheguei em casa que recebi a uma resposta curta, que dizia – “ñ rola. ia ser mancada com o fer, meu... cê mandou mal. desculpa. se cuida!”. E foi então que se tornou oficial: as pessoas sabiam.

E o que quer que o Fernando estava falando de mim para elas, com certeza, não era bonito.

A Marina piscou para mim, ainda que não entendesse, como se dissesse “não se preocupa com isso”. Detrás dos seus óculos pretinhos. E eu sorri. De quem mais preciso se eu tenho você? A olhei no espelho então, admirada: “agora sim, hein... ficou gata, Má!”, disse, me referindo à nova tatuagem. O desenho tinha ficado realmente – realmente  deslumbrante nela! A Marina se virou na minha direção, agradecendo, e logo brincou – “vou contar para a Mia o que você anda dizendo para outras por aí...”, apontou o dedo para mim. E eu achei graça. Me dava um sentimento morno toda vez que percebia que a Mia – sim, a Mia – era minha garota agora, aos olhos dos outros.

Na saída, encontramos a Lê, que fumava um discretamente na calçada, e gastamos alguns minutos para decidir se íamos ou não fazer algo – ao passo que eu roubava umas tragadas do baseado dela. O sábado já escurecia. Solteira e animada – como demonstrado anteriormente, num claro desrespeito às minhas exs –, a Lê estava a fim de ir numa balada. Daquelas bem lésbicas. Já a Marina queria encontrar a Vivian num restaurante, em Santa Cecília. E isto é um ‘não’ coletivo, então?, pensei, observando-as falar sobre os planos da noite. Comecei a rir.

Acabou que não ficou nada decidido. Nos separamos e a Marina me deixou na esquina da Augusta com a Paulista. “Me liga se forem fazer algo...”, sorriu, antes de eu fechar a porta do seu carro. Teria me levado até em casa, chegou até a oferecer algumas vezes, mas eu recusei – poupando-a assim do trânsito das casas de strip da região. Desci a Augusta a pé. Estava ansiosa para chegar em casa: tinha horas de estúdio de tatuagem, acumuladas em adrenalina no meu corpo – como mera observadora passiva – para descontar no da Mia. Naquelas coxas, na forma como os seus olhos imploravam pela minha boca. Subindo no elevador, as minhas veias já gritavam, imprestáveis.

_Ei. O que você está fazendo aqui? – me surpreendi, então.

Lá estava ela, a Mia, entre o Du e o Gui e outros dois amigos deles, sentada no meu sofá assim que passei pela porta da frente. Minhas preces foram atendidas. Olhei as suas pernas de fora num par de shorts indiscreto – cacete. “Os meninos me deixaram entrar”, ela riu, entre eles.  Tinha na cabeça um chapéu do Du que eu vira largado pela casa dias antes. Eu juro que nunca vou me enjoar dessa garota. “Estávamos te esperando, piranha”, o Gui deu um gole da Absolut em sua mão. “É?”. A Mia consentiu com a cabeça: “eles querem ir no Estúdio Emme”, sorriu, “vamos?”.

_Posso falar com você um segundo? – pedi.

E fiz um gesto com a cabeça, para que ela me seguisse até o corredor. Nem a pau. A Mia se levantou e veio. Os garotos tagarelavam ao fundo. “Que foi?”. Hmm. A encostei vagarosamente contra a parede, aproximei o meu rosto do dela e sussurrei – “é que eu... tinha... outra ideia”. Ela achou graça, colocando os braços sobre os meus ombros. E me encarou – “você sabe que vamos ter que sair do apartamento algum dia, não?”. “Sei. Mas hoje não”. “Hoje temos companhia...”. “Eu te faço companhia”, sorri para ela. A Mia apoiou a cabeça contra a parede e me puxou para perto dela, num beijo, mordendo o meu lábio lentamente.

_Eu quero ficar com aquela vodka primeiro... – brincou e pensei, vai se foder – ...depois quero você.

E concordar foi, claro, uma péssima ideia.

outubro 05, 2013

“Brincadeira”

Falando nela. “Alguma chance de eu te ver hoje?”, soltei a mão da Marina por um instante para digitar no celular. E assim que enviei, a Mia logo respondeu por impulso – “agora?”. Eu ri. Bem que eu queria, garota. O máximo de diversão no meu local atual vinha sendo envergonhar a Marina para o tatuador. Com histórias sobre a Mia, a propósito. Larguei o corpo contra o encosto da cadeira, concentrada em digitar. “No estúdio ainda... mais tarde?”. O zumbido da maquininha continuava e a tatuagem coloria-se progressivamente. Começamos a conversar. Sem tirar os olhos da tela, avisei à Marina que a Mia lhe mandara um beijo.  

_E eu não ganho um?
_Esqueci, Lê – abri a mensagem seguinte, a Mia perguntava indecentemente se a marca que ela deixara da última vez, um vermelho na minha coxa esquerda, continuava em mim –. Não falei que você tava aí também... – respondi sem prestar atenção e ri, digitando de volta.
_Ah, a propósito – a Lê perguntou –, e aquela mina que cê levou lá em casa uma vez?

Hum?!

_A Clara?! – a Marina ergueu o rosto, encarando a Lê, que estava a alguns passos atrás da maca.
_É. Qual é a dessa daí agora...?
_Como assim? – estranhei.
_Ah, cê sabe... – a Lê riu.
_Não “sei” – o sorriso sumiu imediatamente do meu rosto –. O que tem ela?
_Ah... Sei lá. Tem alguma regra? Agora que vocês não tão mais, tipo, sabe...
_Ai, senhor... – a Marina suspirou.
_A regra é: tocou nela, você morre. Cê entendeu, Letícia?! – avisei, pausando a mensagem, séria – Não quero nem ficar sabendo dessa merda, meu... O que é isso agora?!
_Ok. Tá. Mas supondo que eu encontre ela na balada, sem querer...
_Escuta aqui, a Clara pode tirar a roupa na sua frente e implorar, engatinhar, andar de joelhos, não me interessa: você não encosta uma porra de um dedo nela!
_Calma. Tô só perguntando... – deu com as mãos do ar, se fazendo de “inocente”.
_Não tem graça, Lê – a Marina interferiu –. As duas se gostavam.
_Ah, vá... vocês sequer namoraram!
_O que infernos isso quer dizer? – eu ficava cada vez mais séria, incomodada com a “brincadeira”.
_Velho, espera, você tá brava DE VERDADE?! – ela se divertia; e eu me lembrava, ah lembrava, de onde os seus olhos estavam naquele jantar inteiro, uns meses atrás – Calma, não falei que ia fazer nada... Só tava brincando! – a Lê ainda ria – É que aquela garota... era, porra! Com todo respeito, claro. Mas quando cê trouxe ela, juro, puta que pariu. Foi foda. Não que a Mia também não seja, sabe, assim, eu acho a Mia incrível e tudo mais e ela te faz feliz e tal e vocês têm essa história, mas... mano... – ela falava da Clara, minha Clara, e eu me irritava cada vez mais, quase não conseguindo permanecer sentada escutando – ...sério. Eu pagava um pau – podia ver os seus pensamentos, deliberados pela sua mente filha da puta – Onde cê arranja umas dessas? Precisa compartilhar a fonte cazamiga, meu.
_Isso, Letícia! Vai! – a Marina brigou com ela, tentando sem muito sucesso se manter imóvel sobre a mesa de tatuagem – Vai nessa! Aproveita e joga a Mia no meio também! Vai melhorar mesmo a situação! Muito esperto da sua parte, realmente...
_Bom, quanto a isso... cê você pode ficar tranquila. Eu não curto essas paradas suas aí, de pegar hétero...
_Não, né, você espera EU CONVERTER E AÍ VOCÊ COME... – resmunguei na sua direção, numa indireta ríspida; e me levantei da cadeira, como se fosse sair para fumar – NÃO? NÃO É ASSIM?! Não foi assim com a Marina??

Desgraçada, busquei o meu maço no bolso. O clima se tornou estranho rapidamente.

_Meninas, por favor, sem discutir... Ela só está te provocando, linda. Ignora. Você conhece a Lê... – a Marina logo interferiu – ...e você – virou o rosto na direção da maldita –, já deu, ok?! Chega.
_Você precisa aprender a controlar essa sua boca, Letícia... – a encarei também, com raiva.
_Eu não estou entendendo qual a grande ofensa aqui, foi só uma pergunta. Quê?! Faz uma cota já. Não posso achar bonita? Vai querer controlar cada uma das minas que cê pegou no passado? E logo você ainda, não vai sobrar mulher na cidade... – riu.
_Nossa, hein, boa. Prêmio de comentário mais original do ano... – balancei a cabeça e disse, irônica – ...nunca ouvi essa antes! – revirei os olhos, um pouco mais calma –. Sério, Letícia, vai se foder! Aposto que você ia vir voando bater na minha porta, puta da vida, se eu quisesse comer a Ju...

A Ju – ah, a Ju. A Ju não era a “Ju”, nossa amiga Ju. Essa Ju era a Ju da Lê. A Ju que veio antes da Lê solteira. Da Lê atual. Aquela Ju. A Ju dos cachos morenos e assuntos tediosos. A Ju esportista. Foram oito meses de Ju. E não qualquer Ju. A Ju que a Lê amava. Essa Ju. Desesperadamente. A Ju namorada. A Ju da Lê. Uma Ju que controlava, uma Ju insegura. Uma Ju de meses a fio sem vida – particular ou social, nada. A Ju que não pagava aluguel. E, ainda assim, mandava em todos os cômodos da casa. Até nos alheios. A Ju dos pitacos, das caras feias. A Ju sanguessuga. Amor da vida da Lê e tudo isso. E isso não é amor – amor é outra coisa. Não como a Ju. Não assim; não opressor, co-dependente. Eu detestava a Ju. Não havia uma chance, nem remota e nem pagando, de eu um dia comer a Ju. Não essa Ju, pelo menos.

_Tá. Talvez até ficasse incomodada, mas...
_”Talvez”? – a Marina começou a rir alto.
_É. Mas – a Lê retrucou, agora mais nervosinha – não é como eu corresse algum grande risco, também, né... Essa aí e a Mia não vão mais separar, não pelas próximas três décadas!
_Ah, por você – pisquei na sua direção e sorri –, eu abro uma exceção...

outubro 03, 2013

Bubo virginianus

Rodei a cadeira. A cabeça largada para trás, por cima do encosto, e o corpo meio de qualquer jeito. Ansiosa para fumar. “Pára”, a Marina implorou sobre a maca, “você não está ajudando”. Ela estava com tontura e me ver girando dificilmente melhorava a situação. O tatuador nos encarava pacientemente, esperando a pressão dela voltar ao normal. “Mano, você devia cobrar a hora-parada que nem taxista”, a Lê comentou com o cara – um mineiro que tinha tatuagens por toda a extensão dos braços e um penteado de Elvis –, perambulando pelo estúdio enquanto observava os quadros dele na parede. A Lê estava inquieta também, esperávamos há quase quinze minutos. Eu ri. Ela estava com um colete jeans desfiado e uma regata branca por debaixo, raspara um moicano alguns dias antes e eu a observava. O cabelo ainda cobria as laterais da cabeça, mas estava curto. Realmente curto.

Rolei então a cadeira na direção da Marina, ali deitada, alcançando a sua mão – “quer mais água?”. “Não”, ela respondeu e avisou o cidadão que estava pronta para recomeçar. Quase todo o traçado já estava feito; era uma coruja que escolhêramos juntas, mais cedo naquela semana. Na parte interna do braço – a dor era visível nos olhos pressionados, com força, da minha ex-namorada. Eu segurava a sua mão. “Quantos por cento?”. “Oitenta”, sussurrei para ela e sorri, numa tentativa de acalmá-la. A Marina abriu os olhos e me olhou – respirava com parcimônia, em suspiros breves. E lá se iam mais vinte minutos. Ao terminar o restante do contorno, decidimos eu e a Letícia instaurar um “intervalo” para o cigarro. A Marina ficou para iniciar a segunda sessão de tortura.

_Ela tá sofrendo – a Lê riu da desgraçada alheia, já do lado de fora – Mas também, pô, eita lugarzinho que foi escolher!
_É...
_Bom, vai ficar legal, pelo menos... – acendeu o seu cigarro, eu ainda tirava o plástico do meu maço.
_Vai. Mas mano, eu tenho que me controlar. Não posso ficar olhando muito... – ri – Acho que tenho problema, na boa... Juro, é involuntário. Não posso ver mina sendo tatuada assim...
_Orra. Ela é sua ex! Essas paradas é melhor nem começar...
_Eu sei. Não vou. Não estou! É que é muito automático... – peguei o seu isqueiro emprestado –sério, me dá um tesão tão absurdo, chega a ser ridículo... Tenho que ficar olhando para a cara de sofrimento dela, para ver se acalma os meus ânimos – brinquei.

A Lê ergueu a mão, me dando um tapa de leve na cabeça. Eu ri. E não – não era a Marina em si. Apenas o ato. A tinta preta, a pele sendo marcada, o sangue e a sujeira, a porra toda. Encostei contra a parede do lado de fora estúdio, dando a primeira tragada.

_É. Preciso ver se a Mia não quer dar um rolê, depois daqui...
_Boa menina – a Lê achou graça da solução e deslizou os dedos pela lateral da cabeça, nos cabelos curtinhos –. E como cês tão, aliás?
_Bem. Muito bem, porra. Nossa! Nem dá para acreditar, vai fazer um mês já... – calculei por um instante, duvidando eu mesma do tempo que já se passara desde a noite em que o Fernando descobrira – ...eu tou completamente idiota por ela. Meu, sério, não achei que pudesse ser mais obcecada por essa garota. Tanto assim.
_Vocês duas vão acabar casando...
_Cala a boca! Não. Não consigo nem fazer ela dizer que me ama, e se ama – ri, comentando com ela –, se eu arrancar um “namorada” que seja num futuro próximo eu já fico feliz.

“Tá certo”, ela disse, soltando a fumaça no ar. E de qualquer forma, aquilo sequer incomodava. Aquelas três últimas semanas haviam sido tão surreais – e tão perfeitas – que a única coisa que eu poderia pedir da Mia era para que continuasse do meu lado. Desde o rompimento deles e aquele fim de semana conturbado, com os meus pais e a mãe dela – e uma visão desagradável do Du sem roupas –, nós duas passamos a viver num espécie de mundo alternativo, à parte da realidade.

A Mia vinha evitando a família o máximo que podia. Com medo. Sem ter certeza quem sabia e de quê – desde a “temporada” que passara no meu apartamento, a lei em sua casa vinha sendo a de silêncio absoluto –, a questão permanecia provisoriamente enterrada. E com o seu TCC em vias de ser entregue, faltava-lhe ainda tempo. Nos víamos em períodos esburacados. Mas a cada oportunidade que tinha de escapar do clima estranho da sua casa, ficava comigo na minha. Nada era falado. Nem entre nós, oficialmente; nem entre ninguém – apenas subentendido. E conforme os meus próprios amigos começavam também a captar o que acontecera, as pessoas iam progressivamente se afastando de mim – e migrando provavelmente para o lado do Fernando da história. Isso, sim, me incomodava. No fundo, nós duas sabíamos que aquela falsa estabilidade não duraria muito mais.

_Nossa! Que demora, vocês fumaram o maço inteiro ou o quê?! – a Marina resmungou e eu fiz uma careta para ela, sentando numa maca vazia do outro lado do cômodo – Não. O que você está fazendo? Senta aqui comigo.

Me levantei – droga – e caminhei até ela, ficando ao seu lado. E da sua pele, sendo tatuada.

_Está doendo muito, sério. Me sinto num açougue. Ele está me matando!
_Já, já termina, linda... – ri.
_Mesmo. Eu não sei quem de vocês foi a infeliz que me disse que o preenchimento doía menos, mas, nossa...
_Ih. Essa discussão é mais velha que a do ovo e da galinha.
_E por falar em galinha – a Lê comentou em voz alta, um tanto distante de onde estávamos na sala –, essa daí abandonou o poleiro, viu. Acho que nunca ouvi ela assim, toda apaixonadinha. Bicha!
_Vai à merda, Letícia.
_É, para você ver, né. O que uma Mia não faz... – a Marina sorriu, entre um reflexo involuntário e outro de dor – Acho que até a sua expressão mudou, sabe, flor? Você está diferente. No bom sentido, parece mais feliz. Mais leve. Não sei explicar...
_Bem... Eu estou mais feliz mesmo... – murmurei.

O som da maquininha seguia ininterrupto. A Lê continuou falando, ao fundo – não prestei bem atenção no que dizia. Encarei a Marina por algum tempo. Acho que, de todas as pessoas, ela era a que melhor entendia o que eu estava vivendo. A dimensão da minha conquista. E ela sabe – havia um contentamento silencioso entre nós, um sentimento bom. Observei o seu braço por meio segundo, os marrons e amarelo de tinta se misturavam, borrando a sua pele fininha. Só eu para achar isso excitante, haja problemas psicológicos. Voltei a prestar atenção então no que a Letícia dizia, caminhando com os braços à mostra num canto mais adiante do estúdio. Ela comentou:

_...e a hétero, hein, já tá comendo? Ou ainda não?!
_Lê! – a Marina arregalou os olhos para o comentário, constrangida pela presença do tatuador ali.
_Ah, a Mia nunca teve dessas – ignorei a minha ex –. Sempre foi tranquilo. Tem umas que esperam um ano até se acostumar com a ideia, né. Mas a Mia é muito curiosa, sei lá, ela nem liga. Vai mesmo sem saber o que fazer – ri –, foi assim desde o começo, muito foda! Ela tem uma sexualidade que, porra, na boa, eu... eu fico louca.
_Vocês poderiam não falar sobre isso aqui?
_Tá. Deixa só eu contar essa, Má! – pedi e continuei de propósito, a provocando – Eu estava com ela no apartamento, Lê... E a Mia tem umas, meu, sério. Escuta só. Era de tarde, esses dias aí, e a gente tava na sala sem fazer nada, não tava se pegando, nem nada. Eu ia sair. Tava colocando o tênis e falando com o Gui no telefone, nem reparei. Perguntei qualquer coisa para ela, no meio da conversa, tipo, se ela queria que eu comprasse um maço, nem lembro. E tava ouvindo o Gui falar, quando ela simplesmente segura na minha mão e coloca dentro da calça dela, enfia na calcinha. Assim, como se não fosse nada! Me observando, manja, com aqueles olhos castanhos...
_Ahm. E você?! – a Lê não conseguiu conter um sorriso, escutando a história.
_Eu, porra, eu?! Eu desliguei na hora. Nem falei tchau pro outro no telefone! – comecei a rir; e o tatuador seguia focado no desenho no braço da Marina, provavelmente com os ouvidos na nossa conversa.
_Foda, meu.
_Ai, mas... – a Má murmurou – ...não é estranho? Sem nem um beijo, nem, sei lá?
_Quê?! “Me come primeiro, me beija depois”. É o melhor tipo que tem... – falei bem alto, para constrangê-la, piscando brevemente para a Lê que ria do outro lado do cômodo; eu exagerava propositalmente – Fui sair só duas horas depois daquele apartamento.

outubro 02, 2013

[ UPDATES & ENCONTRO! ]

Oi, gente (:

Eu sei! Desculpa. Não tenho tido tempo algum de respirar #vidasocialmorreu e sem dinheiro, trabalhando horrores, vida adulta de merda e enfim. Amanhã (tecnicamente hoje, quarta) acho que consigo parar para escrever e postar aqui. Até lá, queria mostrar para vocês algumas das coisas que ocupam o meu tempo. 

Sim – os culpados.

Caso não saibam/lembrem, eu faço vídeos em stop motion (animação). E nas últimas semanas, estive gravando um novo! Estes são alguns dos mais recentes:




O projeto chama As Três Gêmeas. Quem quiser pode seguir a gente no Facebook e no Instagram! Vou amar. ♥ Outra coisa que queria falar é sobre o encontro do final do ano, em São Paulo. Já virou tradição comemorar o aniversário do Fucking Mia na Augusta, né, meu? Assim as leitoras se conhecem, filosofam alcoolizadas etc. Tudo lindo! Será em dezembro.

Marquei bem antes para quem é de longe poder se programar (todo ano temos umas que voam, pegam bus, carona etc.). O evento no Facebook só é visível para quem participa do grupo, para eu ter controle de quem nos vê. Se você ainda não está lá, é só entrar! Mesmo se não for, porque aquele grupo é puro amor e feminismo. E tagarelice! A maior parte por culpa minha, que não calo a boca.


E se quiser ir, mais motivo ainda, porque vamos organizar tudo por lá (lugar, horário, empréstimo de sofá etc.). Ah! Não precisa ficar tímida, a maioria não se conhece, rs. E é isso!

Post amanhã, se tudo der certo. Me perdoem (:

Beijos,
Mel M.