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outubro 23, 2011

[ LESBIAN LOVE ]

Meniiinas ♥

Um anúncio IMPORTANTE: Agora o Fucking Mia tem uma parceria com a mais nova, mais babadeira, mais sensacional rede social lésbica do Brasil: a Lesbian Love. Sim! É gay, é fabulosa e é todinha nossa. Girls only, ok, porque gostamos assim. O anúncio da lindíssima parceria já era para ter sido feito no fim de semana passado, conforme havia anunciado no Twitter, mas tive alguns contratempos (também gostaria de ter postado aqui antes, perdão!). Mas agora, já com o post novíssimo abaixo, fica aí a dica! 

A partir de hoje vocês poderão encontrar o link para a LL sempre aí do lado, no menu do blog. Eu já me cadastrei, um moooonte de amiga já está lá causando (fato, rs) e esperamos vocês também! Vem, vem, veeem! Vale a pena conferir, meu. Sério. É uma gracinha! ;)


Seqüelas

“Gostei de te conhecer. E sorry de novo por ñ ter subido, rs. Mas adoraria pegar a balada, talvez sexta... até lá! um bjo, gata!” – e ali estava meu celular berrando nos meus ouvidos, ultrasensíveis graças a uma ressaca violenta, enquanto os meus olhos cansados se esforçavam para conseguir ler a mensagem da Patti. Oito e quinze da manhã e sabe-se-lá que horas cheguei ontem, argh. Com o raciocínio lento, danificado, tentei conciliar aquelas poucas palavras com o que restava da minha memória da noite anterior, o que também não era lá muita coisa.

Havia um espaço em branco, um buraco de tempo na minha cabeça. Recordava-me de ter voltado para a pista com a Patti e sua âncora magnífica, de termos dançado agarradas, de quando a beijei pela primeira vez depois do incidente com a amiga da Mia e lembrava ainda de um ou dois copos de whisky com energético compartilhados animadamente. Depois disto não tinha nada, zero. Espera, espera. Uma lembrança embaçada minha e dela encostadas numa parede suja da Augusta me veio, como num flash rápido. Nos beijando, corpos pressionados um no outro. Algo em torno de dois segundos de memória – não era o suficiente para eu me lembrar do contexto.

Subimos a Augusta juntas, calculei o óbvio. Por que ela não ficou? Reli a mensagem, agora mais desperta e tentei encaixar as peças soltas, mas algo muito vago acerca do desfecho daquela noite permanecia. Sentia como se estivesse esquecendo um fato muito importante, implorando mentalmente para que não fosse nenhum comportamento vexamoso meu. Do tipo eu, imprestável e mais bêbada que um gambá, implorando para a garota subir. Não. Todavia, as recordações remanescentes em minha cabeça me davam motivo suficiente para sorrir. Sentia-me sensacional naquela manhã, ressaca à parte. Meu humor sempre dependeu, e muito, das garotas. Quis responder logo para a Patti, mas precisava pensar melhor em quê, exatamente, primeiro e enquanto isso havia uma necessidade imperiosa em mim de tirar todo aquele líquido consumido no Vegas da minha pequenina bexiga.

Levantei da cama com a mesma blusa da noite anterior – já as calças haviam sido abandonadas ao lado da porta em algum momento daquela madrugada – e desloquei-me com certa urgência até o banheiro. Pressionei a maçaneta e, bam, porta trancada! Ahh, filho-da-mãe. Sabendo da proximidade que estava da privada, meu corpo deixava-se levar pela empolgação e eu me encontrava prestes a fazer xixi nas calças – mesmo que não as estivesse usando. Tentei mais uma vez a maçaneta, pulando de um lado para o outro em pleno corredor – não, trancada. Merda, mil vezes merda. Ouvi, então, a descarga e pensei: “agora vai”. Nada de novo. Um minuto se passou e nem chance da maçaneta abrir. Soquei então a porta com a lateral da mão, a fim de apressar.

_Vai logo, porra, eu tenho que mijar!! – gritei, apoiada no batente.

Exatos sete segundos depois, abriu-se enfim a porta e eu dei de cara com a Mia. É claro. Inferno. Movi-me para passar logo, mas ela por sua vez não se mexeu, bloqueando a droga da porta com o seu lindo corpo, vestido apenas num camisetão cinza desbotado. Só me faltava essa agora... Parei, encarando-a ali, e aí tentei mais uma vez, agora pelo outro lado. Permaneceu imóvel, intencionando um momento qualquer de seriedade idiota. Ótimo, vou mijar na calça... suspirei, impaciente. Olhei para ela mais uma vez, sem tolerância alguma para aquele joguinho, e ela me encarou de volta. Minha bexiga estava prestes a explodir. Ela não ia dizer uma palavra, a Mia, apenas fazer aquele drama silencioso de você-sabe-que-o-que-você-fez-ontem-foi-inaceitável. E eu não dava a mínima.

_Licença, eu preciso mesmo usar... – disse, grosseiramente, forçando-me adentro pelo vão entre ela e o batente da porta.

Abaixei a calcinha logo que encontrei-me dentro do banheiro, sentando aliviada e já distraindo-me em pegar o papel. Ia levar quatro segundos, no máximo, tamanha a urgência que já estava. A Mia ficou ainda, por um instante, parada ali na porta me olhando. Estava indignada comigo, brava, sei lá. Magoada talvez. Eu pouco ligava; estava sendo e havia sido escrota, mas pouco me importava. Não queria pensar nela agora. ­Foda-se.

Ela eventualmente saiu, deixando-me sozinha no cômodo – e voltou correndo para os braços do Fer, pensei, com certa implicância –, então pude continuar com o meu dia, que ia ser de certo importante. Voltei para o quarto e me troquei, coloquei algo que me desse um ar mais sério e procurei na gaveta do quarto pela minha Carteira de Trabalho. Aquele seria o último dia na merda do estúdio. Saí de estômago vazio – em parte por ressaca, outra por não querer dividir a mesa com o casal-maravilha. Almoço mais tarde com a Marina, resolvi às pressas.

outubro 15, 2011

Sozinhas, enfim

_“Patti”. Sabe, eu gosto desse nome... – sentei ao lado dela, fumando no degrau do lado de fora do Vegas.

_Gosta? – ela perguntou, me dando uma olhada rápida de canto de olho, e roubou o cigarro aceso das minhas mãos – hum, vi você conversando com outra “Patti” lá no bar.
_O nome dela não era Patti. E não precisa ficar enciumadinha aí... – ri, observando-a tragar – ...ela é só uma amiga.

Me olhou como se não acreditasse, na mesma hora; segurando-se para não rir.

_O quê?! – justifiquei-me – Fazia só... um “tempo” que não via ela!
_Tá bom... – ela riu, desconfiada – ...e então quer dizer que gosta de Pattis?
_Gosto, gosto do nome. É como “Patti Smith”... – sorri na sua direção; cara, eu gostava era dela naquele momento... ainda que parte do sentimento viesse do meu excesso de doses, gostava.
_Hum, e você gosta da Patti Smith?
_Mais do que gosto. Eu admiro ela... – a corrigi, olhando o movimento na Rua Augusta à nossa frente – ...de verdade, meu, ela está lá em cima na lista de mulheres que eu gostaria de ser. Patti Smith, Eileen Myles...
_Cara – ela riu, soltando a fumaça para o lado, ainda se fazendo de difícil para mim – na boa, a Patti Smith é horrorosa...
_Ah, qual é... mano, a mulher é um gênio!
_Tá... e horrorosa.
_Não. Não é, não.
_É. É, sim.

Parei e encarei-a por um segundo, indignada. Meio amasso gay na noite paulistana e, de repente, você é já expert?

_Você não pode dizer isso. Não pode, porra. Ela é minha ídola, caralho, não pode falar assim dela... – desacreditei, rindo, já com o cigarro novamente entre os dedos –  ...ela tem puta presença de palco, mano, tem aquela expressão, sabe? É intensa, porra, tem um jeito incrível de cantar e de escrever; as, as palavras que ela põe, que ela junta... saca? Ela é brilhante! Tem aquele lance no olhar, sabe, de quem, meu, sabe mais do que você jamais vai chegar nem perto de conhecer... – suspirei, tragando de leve – ...cara, gente assim nunca vai ser horrorosa. Nunca, longe disso.
­_Mas eu estou dizendo, tipo, fisicamente! É óbvio que ela é incrível e tudo mais, não estou argumentando isso, não vou discordar, mas... na boa... – riu – ...ela não é nem um pouco atraente.
_Por que não? Eu dormiria com ela... – a contradisse, deixando a fumaça deslizar para fora dos meus lábios, e entreguei o cigarro mais uma vez para ela – ...aliás, falando bem a verdade... se eu tivesse que escolher, acho que preferia comer a Patti Smith a você.
_Ahh, não! – ela me olhou, quase boquiaberta com o meu argumento, e riu – nem vem com essa! Não, não, não, não e não. Você só pode estar brincando! Mas não mesmo, cara. Eu duvido!
_O quê?! Você acha mesmo que não?! – ri também.
_Meu, eu tenho certeza que não!
_Comeria, cara. Nossa, super comeria!
_Ela. Ao invés de mim. Assim, como ela é hoje... Velha e acabada daquele jeito?!

Ri mais uma vez, achando graça na sua indignação, e apoiei a mão nos joelhos para levantar do degrau, ficando em pé na calçada. Aí virei-me na sua direção.

_Não estou dizendo que não te comeria, que você não me atrai. Muito pelo contrário. Mas tem muito mais pra se gostar numa mulher além disso, garota... – estiquei a mão para ela, que usou-a para se erguer, me olhando intrigada – ...o quê?! Tá surpresa, é?!
_De certa forma... – sorriu, agora encantada – ...assim, não te tomaria exatamente pelo tipo “sentimental”.
_Não é sentimentalismo, cara. Tesão vem em várias formas. Não vem?! Vem pra você da mesma forma que vem pra mim, meu... – encarei-a conforme argumentava, subindo devagar o degrau, em direção à porta do Vegas – ...o que eu estou dizendo é que também pode ser um lance intelectual.
_Tá, ok, pode. Só que aí você senta e conversa com a pessoa por horas... – passou pela porta comigo – ...sei lá, apresenta pros seus amigos, escreve um post sobre isso. Não dorme com ela!
_É... é que eu não sou do tipo sentimental – ri.

outubro 11, 2011

Mea culpa

O meu coração ganhou força, de um jeito estranho. Aquele músculo pulsando involuntariamente dentro de mim, tão pesado quanto as batidas que vinham de fora – de cada um daqueles amplificadores –, conforme eu entrava cada vez mais para o meio da pista. Entre todas aquelas pessoas e com só uma – maldita – na cabeça. Determinação é mesmo algo poderoso, não é. Cinco minutos antes, encostada contra o balcão do Vegas, sufocada até a boca com os recentes acontecimentos, eu não conseguia me conformar com a influência que a porra da Mia ainda exercia em mim, filha-da-mãe. Agora, eu já não dava a mínima.

Enfiei-me na multidão, insolente, à procura da maior confusão que eu pudesse encontrar. Qualquer que fosse, foda-se. A minha mente estava vazia; as doses de tequila disfarçavam a sobrecarga da respiração por debaixo da minha camiseta. Desviei de um grupo um tanto barulhento, que se esbarrava e rebolava ao som da música, ao passo que andava em direção à cabine do DJ. Tinha dificuldade em discernir as pessoas movendo-se à minha volta, estava bêbada demais também para me esforçar. Que se dane. Segui trombando com corpos desconhecidos, buscando a Patti ou qualquer péssima idéia em meio à toda aquela gente.

E foi quando dei de cara com a pior delas. Isto é genial, pensei. Sem remorso, andei mais uns dois ou três metros, em pequenas curvas, ultrapassando os outros à minha frente até chegar onde ela estava dançando. Encostei suavemente a minha mão em seu braço, conforme lhe cumprimentava; e ela disse “oi”, me olhando de volta, deixando que me aproximasse.

_Você não lembra de mim, né? – eu disse.
_Não, desculpa... – ela riu, lamentando; então olhou por alguns segundos bêbada na minha direção e aí, de repente, arregalou os olhos – ...não, não, espera! Você, cara... você tava no aniversário da Mia, não tava?!
_Sim... – sorri e então encostei em seu ouvido, explicando – ...eu sou colega de apê do Fer, moro com ele. Conheço eles faz mó cara. Eu lembro de você naquele dia; eu tava ali de longe e te vi, meu... pô, que legal. Muito legal te encontrar!
_Nossa, mas faz uma eternidade aquela festa! Como você ainda lembra de mim?! A gente mal se falou aquele dia, cê ficou lá com a sua amiga... – seguiu rindo, achando graça e já quase apoiando-se de volta em mim, embriagada.
_Ah, sei lá... – dei de ombros e ri também – ...só lembro. Acho que você ficou na minha cabeça.
_Como assim? O que ficou?! – ela riu mais.

Olhei para ela por uns dois segundos, fixo, ligeiramente imprestável – e absolutamente consciente –; e aí sorri, abaixando a cabeça.

_Nada. Não é nada...
_O quê?! – ela achou mais graça ainda, intrigada.
_Nada, meu... – retruquei, rindo – ...escuta, posso te pagar uma bebida?
_Quando? Agora?
_É... – ri.

Me observou por um instante, já completamente fora de si e meio à atordoação da pista, e então sorriu, dizendo que sim. Levei-a de volta através da multidão, até o balcão. E sendo bem sincera, a minha cota de héteros já estava estourando pela noite. Em condições normais eu já não teria mais paciência, não para insistir, mas ela estava praticamente fazendo todo o trabalho para mim. Baladeira e leviana, fácil até demais de divertir, um copo atrás do outro no bar do Vegas. Em menos de vinte minutos, e ela estava totalmente na minha, deixando-me pôr o braço e tão logo as mãos onde bem entendesse, conforme dançávamos na pista, impulsionadas pelas três ou quatro doses de pouco antes.

Os beijos foram apenas consequência. Assim como os olhares dos amigos dela, poucos metros de nós na movimentação, e não muito tempo depois os do meu melhor amigo, o Fer, bêbado próximo a uma das paredes da balada. Era questão de segundos agora até ele comunicar, provavelmente rindo, a Mia ao seu lado. Fechei, então, os olhos; e deixei cada célula filha-da-puta restante em mim fazer aquilo direito. Uma vez que ela tivesse visto aquele beijo demorado e eu provado qualquer que fosse meu ponto ali, eu poderia largar daquela garota insignificante e voltar os meus interesses para outra... âncora.

E assim foi, em uma tacada só. Assim que abri os meus olhos novamente, apenas minutos depois, procurei os castanhos da Mia no canto que dividia pouco antes ao lado do Fer e não encontrei nenhum dos dois. Soltei da garota na mesma hora.

outubro 02, 2011

Rancor meu, seu

_Você sabe muito bem por quê!
_Ah, sei?! – ri.
_Você, meu... – passou as mãos no rosto, nervosa comigo – ...você é inacreditável!!
_Mano... Cê tá louca, porra?! Do que diabos você está falando?!?

E aí me encarou, séria, claro. “Não é óbvio?”.

_Olha, Mia, até onde eu sei essa noite é minha, cara... e eu posso fazer o que eu quiser.
_Foda-se se a noite é sua! Foda-se! O problema... – ela se aproximou do meu ouvido, argumentando bêbada demais e sem paciência nenhuma mais – ...é que você está fazendo de propósito... – segurava-me forte pelo braço, aquilo estava começando a me incomodar – ...e, meu, você sabe muito bem!
_Estou fazendo de propósito, meu?! – questionei de volta no seu ouvido, agora irritada, afastei um tanto o rosto e encarei-a com indignação – Escuta... meu mundo não gira mais em torno de você, sabia garota?!?

Por um segundo. Por um segundo, vi os seus olhos se perderem na minha resposta. Me encarando de volta, quieta, sem entender. Não podia acreditar no seu discurso, assim, do nada; aquilo me enchia de uma raiva acumulada, inferno, combinada perigosamente com doses e mais doses de tequila. Pareceu, então, se ofender.

_E quem disse que é isso que eu quero?! – retrucou, ressentida.

“Quem disse”... Comecei a rir, nervosa, sem vontade de engolir mais uma palavra daquilo. Podia ver com toda clareza, por mais fora de si que eu ou ela estivéssemos – e era idiotice dela sugerir o contrário –, o mais óbvio desconforto transparecer pelos seus olhos em toda aquela porra daquela balada, cada maldito segundo, bastasse a minha presença. Pior ainda quando resolvi atracar de vez o meu barco na Patti. Hun, “quem disse”.

_Não quer, né? – encarei-a e comecei a rir, achando graça naquele absurdo.
_Olha, você não sabe nada da minha vida – rebateu, fechando a cara.
_É. E você obviamente não entendeu porra nenhuma da minha também... Não para vir aqui e se achar no direito de falar o que quiser pra mim.
_Vai à merda...  – murmurou, perdendo de vez a paciência e dando as costas para mim; enfiou-se na multidão, cada vez mais, e eu achei-a ridícula por um instante.

Vai se foder, mano, vai se foder. Desviei de um grupo de meninas que dançava à minha direita, que inferno, seguindo irritada em direção ao bar. Trombei com o Fer, porém, a menos de três metros de onde estávamos. Ele vinha desavisado com duas bebidas nas mãos e me olhou como se ainda tentasse entender porque diabos acabáramos de discutir e agora saíamos cada uma para um lado.

_O que acabou de acontecer ali?!
_Nada. Vê se controla sua mina... – disse apenas, com rancor, esbarrando nele para passar e sem querer dar mais satisfações.

Ficou parado sem muita opção, com os copos em mãos, me observando ir adiante. Trombei com mais pessoas do que gostaria pelo caminho, deixando atrás de mim um rastro de má educação involuntária. Meses, cara... Meses, meses e porra da Mia ainda me faz perder a cabeça, não faz o menor sentido, mano..., não conseguia me conformar como seguia me afetando, tomada por uma raiva desmedida, ...vai vir com essa merda agora, caralho, tomar no cu. Argh. Vê-la virar as costas para mim, se achando a certa na droga da história, me subiu todo sangue que eu sequer sabia que tinha à cabeça, mas que inferno! Não podia acreditar na cara de pau dela de vir me cobrar qualquer diabo que fosse. Ah, você perdeu esse direito, garota..., resmungava dentro de mim, indignada, conforme pedia a quinta ou sexta dose da noite.

Virei as costas contra o balcão, apoiando os antebraços na madeira atrás de mim, ao lado do copo. E então respirei fundo, tentando recuperar a calma e certa sobriedade que me fosse possível. Um, dois, três, quatro... e dez segundos. Olhei novamente para a pista movimentada, agora um pouco mais tranquila comigo mesma, e encarei o shot de tequila ao lado do meu braço. Sem mover-me muito de onde estava, alcancei-o com a outra mão e virei numa tacada só. Agora eu vou fazer de propósito, sua desgraçada.

outubro 01, 2011

Não é problema meu

Saímos da área do banheiro com as mãos dadas. Os seus dedos entrelaçados nos meus, enquanto nos desviávamos das outras pesssoas em direção ao grupo de amigos da Patti. “Namoradinhas de balada”, como chamavam. Nossas mãos e atenções não se soltaram no restante das horas de festa, observava certa satisfação transparecer em seus olhos ao desfilar um tanto embriagada pela pista do Vegas comigo ao lado. E achava graça em ser seu projeto gay. Que se dane, gostara dela. Os amigos estavam se deleitando com as nossas risadinhas, compartilhadas ao pé do ouvido a poucos metros do bar e da Lê que, quando aparecia, me enchia o saco por toda aquela conversa inesgotável a qual demos início desde que saíramos da cabine.

_Resolveu casar na balada, é?! – ela gritava, se divertindo, a uma distância considerável de nós; e eu era obrigada a relevar sua infantilidade amigável para a garota plantada ao meu lado.

Àquela altura da madrugada, eu já malemal cruzava os olhos com os da Mia, perdidos em algum lugar das redondezas na companhia do Fer e de um amigo em comum que encontramos por lá. As minhas intenções estavam ancoradas, agora, nas pernas magníficas da Patti, dançando comigo em meio à pista razoavelmente lotada. Voltava os olhos mais acima para os seus e sorria bêbada, imprestável para ela, que achava graça. Beijava-a ainda sorrindo e puxava-a mais ainda na minha direção, nos conformes do ritmo da música. Então ela colocava os braços ao redor de mim, apoiados nos meus ombros, e me beijava de volta.

Já afogada em repetidas doses de Jose Cuervo, excessivas, a minha mente era um branco absoluto. Branco pleno, não pensava em nada. Seguia fazendo, agindo como se a minha vida, minhas ações dependessem da próxima faixa que saísse daqueles amplificadores de pista. Sountrack kinda life. É. Sorri mais uma vez para a Patti, antes de beijá-la ao som de mais um hit a la new wave remixado. As suas costas nuas e perfeitas naquela frente única filha-da-mãe estavam me tirando do sério. Os seus beijos por outro lado eram mais lentos do que eu gostaria, apenas levemente; mas intensos.

Afundava nela cada centímetro de mim, indo contra o seu corpo, os seus dedos, a sua boca. Foda-se a heterossexualidade. Deslizei as minhas mãos pela superfície áspera do seu jeans preto, os olhos fechados em um beijo embalado na música ensurdecedora do Vegas, sentindo nas pontas dos dedos aquele pano grosso tornar-se aos poucos pele macia, as suas pernas, tomada de linhas old school em si desenhadas. Escorreguei a mão pela lateral de fora das suas coxas e segurei-as, agora firme, na minha direção.

Ela me beijou com vontade, empurrando-me ao meu limite, puta que pariu. Ali, quase perdendo de vez a cabeça e os bons modos, dane-se. Até que afastou-se, contudo, sorrindo, e abri os olhos sem entender bem o que se passava. Rindo, mandou-me ir esfriar os ânimos no bar. Ela ainda não era gay, disse, com bom humor. Desgraçada. Encarei-a por um instante, sem acreditar, e comecei a rir. . Virei-me, então, na direção do balcão e me forcei a conformar. Mas cuidado que eu volto pior, hein garota..., pensei, achando graça no pedido, e me enfiei na multidão.

_Meu... – a Mia me segurou de repente, conforme eu passava por outras pessoas meio à pista lotada, atravessando até o lado onde ficava o bar, segurando-me pelo braço esquerdo e nitidamente bêbaba, a ponto de perder o autocontrole – ...você tá sendo uma idiota!
_O quê?! – estranhei surpresa e então comecei a rir, em ironia – Ah estou, é?

Ela não me respondeu nada, ficou me olhando como se perdera a coragem por um instante e mal podia acreditar naquilo. Tirei o maço do bolso, entediada até a morte por aqueles dois segundos de silêncio dela, e ajeitei um cigarro entre os lábios.

_Vão te colocar pra fora se você fumar aqui, sua imbecil! – arrancou-o da minha boca na mesma hora e descartou-o, jogando-o no chão num movimento brusco.

Fiquei olhando-a, parada ali, já sem entender direito o que estava se passando; bêbada demais para reagir. Era meu cigarro, porra! Olhei o chão por um instante, vendo-o massacrado entre os pés alheios e senti um ódio infantil da Mia por tê-lo tomado. Tornei a encará-la, já automaticamente indisposta àquela ceninha e à conversa que se seguiria.

_Qual é a sua, garota?! – ela reclamou alto na minha direção, agora competindo com a música.
_Por quê? – ri, mais uma vez, e a olhei agressivamente – Hein, tô te incomodando?!