E ainda assim, a ideia não saía da minha cabeça.
_Olha, estranhamente não... – a Patti riu, do outro lado da linha.
novembro 24, 2011
Hipótese infundada
novembro 23, 2011
Hush! Hush!
Estiquei os pés sobre o apoio lateral do sofá e traguei mais uma
vez. Então olhei a mensagem dela, já pela terceira vez – “vc me deixa meio boba... como pode?”. Sorri. Dei uma bola e segurei
o haxixe no pulmão por alguns instantes, com o corpo largado contra as
almofadas. Aí deixei que a fumaça saísse. O sol começava a se pôr do lado de
fora da Frei Caneca, aos poucos preenchendo o cômodo todo com um tom
alaranjado. Ia tingindo os contornos da fumaça no ar. Era quinta. E eu não ia
ter que trabalhar até segunda. Já tinha pedido demissão e passara o resto da
tarde ali, conversando com a Patti, que agora fazia brotar um sorriso no canto
da minha boca.
Peguei o celular de novo e abri o campo para uma nova mensagem,
digitando o número do celular da Marina – decorado uns anos antes. “Qdo vc ñ
consegue parar de ler uma msg, eh pq ta meio apaixonadinha, neh?”, escrevi.
E hesitei. Argh, não. Por mais que a Marina fosse adorar receber esse tipo
de fofoca, eu não podia mandar
aquilo assim. Deletei tudo de uma só vez e recomecei: “mano, ñ consigo parar
de olhar a msg de uma mina”. Pronto. Mandei. E a Marina, claro,
respondeu no mesmo instante, antes que desse tempo de eu levar o baseado mais
uma vez à boca.
“QUE GAROTA????? :) :) :)”, perguntou, assim, em letras maiúsculas
e exageradas. Comecei a rir sozinha. Mas cê se empolga, hein. Ainda não tinha contado direito sobre a Patti para
ela, só mandei uma mensagem bêbada do Vegas, falando que consegui o emprego e
que estava comemorando aos beijos com uma mina na balada. Sem muitos detalhes. Dei
mais um trago e escrevi de volta, respondendo quem era. “Ah. Mas essa ñ é a
q vc conhece faz, tipo, um dia?”, ela me questionou. “E?”, soltei a
fumaça no ar, despreocupadamente.
O meu cabelo começava a bagunçar depois de tanto tempo largada ali
no sofá. Me curvei sobre a mesinha de centro e deslizei suavemente uma das
pontas do baseado na parede do cinzeiro, fazendo com que as poucas cinzas
formadas caíssem. Ainda estava com o celular em mãos, mas a Marina não me
respondia. Larguei-o sobre a mesa. Aí traguei mais uma vez e decidi parar
naquela – haxixe batia mais
forte. Mais um pouco e eu ficaria realmente chapada. É. Soprei a fumaça
para o lado e o apaguei no cinzeiro, apoiando-o na borda. O celular vibrou
sobre a mesa – “vc ñ acha q ta projetando um pouco, linda? :-/”.
Projetando
o quê, mano?!
Me ofendi. Bufei e afundei o corpo contra o sofá, olhando a tela
do celular. Não precisava desse
tipo de comentário, não vindo da Marina. Achei que ia ficar animada, porra.
Neste mesmo instante, o Fer entrou no apartamento com as roupas do trabalho,
carregando umas sacolas de mercado nas mãos. Me cumprimentou de longe e deixou
as chaves sobre a mesa ali ao lado, atravessando então para a cozinha. Pouco
depois, voltou pra sala. Começou a falar e eu me virei para olhá-lo, ali em pé,
atrás do sofá, tentando abrir um pacote com os dentes.
_E aí... – me perguntou, quase indecifravelmente, com a boca
ocupada – ...pediu demissão?
_Pedi.
_E foi de boa?
_Ah, mais ou menos. Meu chefe ficou puto, falou que eu tava largando ele na mão, e depois veio com um papo de que já tava pensando em me cortar mesmo. Foi um babaca.
Notei mais uma mensagem da Marina chegar no meu celular, largado
sobre a mesa, mas não peguei para ler. Não
quero saber. O Fer finalmente conseguiu abrir o seu pacote e se sentou na
poltrona, ao lado do sofá, olhando para o meu celular aceso.
_Hum... – o indicou com a cabeça – ...num vai responder?
_Ah, não, é a Marina me dando bronca...
_Ê laiá – ele riu, comendo uma bolacha – Quê que cê fez agora?!
_Eu? Nada! Ela tá achando ruim só porque tô gostando de alguém...
_Quem?
_Ah... – me espreguicei, enquanto falava, esticando o corpo contra o encosto – ...uma mina aí.
_Não, jura?! E cê resolveu inovar também em... sei lá... outras áreas da sua vida?
_Babaca – eu comecei a rir.
E peguei o celular para ler. “Flor, ñ se chateia. Eu só acho q vc
devia ir com calma e ver se... se é isso msm, sabe?”, a Marina escreveu. Argh.
Fechei o celular e o larguei na mesinha de centro, de novo.
_Mas conta aí... Que mina?
_Ah, aquela lá do Vegas... A Patti.
_Nossa, mano, mas cê já tá gostando dela?
Estranhou, arregalando os olhos por um instante. Quê?! Aí levantou
as sobrancelhas, dando de ombros – como se dissesse um “então tá” conformado.
Não entendia a porra da reação das pessoas à minha volta. Qual é agora?! Não era como se eu nunca tivesse me interessado por
ninguém, na minha vida toda. Ainda que, tá...
eu só conhecesse ela há um dia. Mas, e daí? Me deixa, porra. Finjam menos surpresa, menos relutância, me emburrei, afundada no sofá. Sejam educados, caralho.
Balancei a cabeça e parei de olhar na direção do Fer, desviando o
olhar pro chão. Isso é ridículo. Quem
são vocês pra ficar me julgando? Aliás, quem é a Marina pra ficar supondo
teorias a meu respeito? Sobre o que eu sinto ou não por uma garota? Eu tô bem,
porra. E tô bem há meses, resmunguei mentalmente para mim mesma. Agora
não posso me interessar por ninguém? É isso?! Vai se foder. O que tem? Eu gosto
de falar com a Patti. Gosto. E isso não quer dizer nada. Absolutamente nada. Não
é c-como se, como se a garota estivesse substituindo a porcaria da Mia na minha
vida, no meu coração. Inferno.
_Pedi.
_E foi de boa?
_Ah, mais ou menos. Meu chefe ficou puto, falou que eu tava largando ele na mão, e depois veio com um papo de que já tava pensando em me cortar mesmo. Foi um babaca.
_Ah, não, é a Marina me dando bronca...
_Ê laiá – ele riu, comendo uma bolacha – Quê que cê fez agora?!
_Eu? Nada! Ela tá achando ruim só porque tô gostando de alguém...
_Quem?
_Ah... – me espreguicei, enquanto falava, esticando o corpo contra o encosto – ...uma mina aí.
_Não, jura?! E cê resolveu inovar também em... sei lá... outras áreas da sua vida?
_Babaca – eu comecei a rir.
_Ah, aquela lá do Vegas... A Patti.
_Nossa, mano, mas cê já tá gostando dela?
novembro 22, 2011
SMS
“E se eu te chamasse pra sair um dia desses”, comecei
a digitar, “vc subiria?”. Apoiei as costas entre duas paredes do
elevador do prédio, com os pés cruzados em frente ao corpo. “Te dei a
resposta pra essa pergunta umas mil vezes ontem”, a Patti me respondeu. “Sem
segundas intenções, juro”. “Aham”. “Sem tequila?”, desci do
elevador para a rua e segui a pé para o metrô. Logo após alguns minutos, chegou
mais um SMS dela. “Mas oq a gnt ia fazer sóbria juntas?”. Como assim?, me ofendi. “Entao c acha
q ñ pode se divertir cmg sem tequila?”. “Talvez precise esquecer 1
pouquinho q vc eh menina, rs”. Comecei a rir, indignada, e virei a esquina
com o celular em mãos – “mas essa eh a melhor parte, garota... ;-)”.
Bati ritmadamente com os dedos no visor do celular, ansiosa, à espera da
próxima mensagem. “Eh.. Talvez seja :3”. Sorri na mesma hora. “Sai cmg, vai?”, pedi. “Mas oq
a gnt iria fazer afinal?”. “Oq vc quiser, ñ sei”, acendi um cigarro.
Já estava na entrada do metrô, mas enrolava um pouco, esperando a conversa
terminar para tomar a linha verde e ir pedir demissão no estúdio. Poucos
segundos após minha última mensagem, a Patti respondeu: “ok. mas preciso de
um plano... ñ posso simplesmente ir aí pra ficar c/ 1 garota! ;-x”. Sorri
com o canto da boca, achando graça no bloqueio todo – “ñ precisa vir aqui.
eu vou aí, rs”. Retruquei e me pus a pensar por um instante, sem muitas ideias.
Aí abri o navegador no meu celular, tragando mais uma vez enquanto buscava
qualquer desculpa para nos vermos. “Tá”, digitei segundos depois, “vi
aqui q vai passar O Iluminado amanhã na tv, serve?”. “Ñ da mto medo?”.
“Dá, rs”. “Mas e se eu ñ conseguir dormir dps?”. “Te faço cia,
uai”. “Hummm... talvez”. “Prometo me comportar”. “Promete?”.
“Sim, rs”. Levei o cigarro mais uma vez à boca, tragando uma última vez
antes de o apagar e entrar na estação. E assim que pisei na escada rolante da
Consolação, a sua resposta piscou na tela – “combinado!”.
Postado por • the girl fucking Mia • às 00:52 34 comentários
Marcadores: Patti
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