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agosto 13, 2011

Baixa Augusta

Fui bater na porta do quarto do Fer, no fim do corredor, segurando o cigarro entre os lábios. Esperei pela resposta, meio sem saco, apoiada com a mão no alto do batente. Não estava irritada com a Mia, dane-se a Mia, eu pouco me fodia para aquele rolo agora. O que me deixava inquieta era ainda ter que me ver em situações deste tipo, me dava uma indisposição desgraçada de sequer existir naquele apartamento nessas horas. E o filho-da-puta do Fernando não aparecia na porra da porta! Abre logo, caralho. Instante depois e nada do maldito – então, abri eu mesma.

Entrei e fui direto para o seu armário, sem paciência nenhuma, procurando a caixa em que ele guardava sua reserva de dinheiro do mês. Normalmente a colocava ali em cima, mas desta vez eu não estava encontrando. O Fer estava apagado na cama numa visão não lá muito agradável, com cada tatuagem e pêlo à mostra, digamos, sem uma roupa no corpo. Eu já estava acostumada a isso, infelizmente, devido à sua tendência de abaixar as calças toda vez que tomava um porre com os amigos. E, afinal, não era como se eu costumasse andar com a indumentária completa por aqueles cômodos e corredor.

Não acho a droga da caixa, fechei a porta do armário.

_Ei... – tirei o cigarro da boca e bati de leve no seu ombro, acordando-o – ...cadê sua grana?
_Quê?! – ele murmurou, espiando brevemente para ver quem era, aí acabou fechando mais uma vez os olhos, falando automaticamente comigo – Pega na gaveta, tá aí do lado... – suspirou sonolento, se virando com as costas contra o colchão, ainda de olhos fechados.

Segurei o cigarro mais uma vez entre os lábios, agora me curvando sobre a cômoda, na lateral da cama, e comecei a procurar nas suas gavetas. Acabei fazendo um pouco de barulho, com toda aquela minha delicadeza, conforme revirava mais ainda o caos do Fernando. Escutei-o respirar fundo ao meu lado, agora acordando de vez. Encontrei a caixa, enfim, e me levantei, pegando o dinheiro de dentro. O Fer puxou o lençol, se cobrindo meio de qualquer jeito, enquanto sentava apoiado contra a cabeceira baixa de madeira. Olhou para mim, em pé ali ao lado, e pegou um maço largado na cama, acendendo também um cigarro.

_Pra quê cê quer, hein, meu?
_Vou fazer um corre... – disse, ainda com pressa, colocando a caixa de volta onde a encontrei – ...eu paguei a última.
_Tá. Mas pega lá embaixo, viu, não vai aqui em cima que o cara tá vendendo tudo zoado essas últimas... – soltou a fumaça, coçando um dos braços – ...não vou com a cara daquele maluco.

Concordei e saí do quarto, colocando o dinheiro no bolso, aí atravessei o corredor até a sala para calçar o meu tênis. A Mia continuava sentada no mesmo lugar que estava 5 minutos antes, ficou me olhando quieta. Senti que queria me dizer algo – pra variar. Coloquei ambos os pés do All Star, sem lhe dar atenção, e apanhei o celular que havia deixado na mesa de centro. Dei uma checada então o bolso da minha jaqueta, largada em cima do encosto do sofá, procurando os meus fones de ouvido. Bati a porta sem sequer olhar para ela. E caminhei até o elevador, procurando algum som para ouvir no celular. Bowie, Bowie, cadê... Antes que desse por mim já estava, de novo, na rua.

Desci a Augusta quase inteira e o corre foi tranqüilo. Pouco depois das seis e meia, eu já me encontrava completamente desocupada nas redondezas. E agora o quê? Não queria ficar andando pelos cantos com 30g de maconha nos bolsos – só que também não fazia questão de voltar para o apê. Mandei uma mensagem para uma garota com quem eu havia saído umas duas vezes, e que morava por ali, mas ela me respondeu minutos depois dizendo que estava fora com os pais. Parei para tomar qualquer coisa em um boteco e pedi uma longneck, apoiada no balcão, enquanto decidia o que fazia. Liguei para o Gui e ele, sim, estava à toa em casa. Salve salve!

_Nem sei. Na boa, não sei mesmo, não entendo qual é a dela agora. Mas também, mano, não queria ficar aturando essas merdas... – comentei, enquanto enrolava um cautelosamente, já sentada na sala de estar dele.
_Olha, eu sei bem o que ela quer... – o namorado da vez do Gui, um moreno lindo chamado Ricardo, insinuou.
_Não, não é assim... – eu ri.
_Sempre é, gata!
_Ah, não... essa daí, não, viu... – o Gui argumentou a meu favor e deu um beijo rápido nele, antes de prosseguir – ...essa Mia aí é uma confusão só! Nunca dá pra saber o que ela quer, meu, eu bem tentei entender. Agora vem com esses papinhos aí, depois de te dar o maior fora?! Ah, não, amore... vem querer ser “amiga”, não!
_Nisso eu concordo – o Ricardo riu, se levantando.
_Ela quer atenção... – eu disse, deitando de costas no chão, e acendi tranqüila o baseado com um isqueiro coletivo do apê deles.
_É, né, agora que não tem mais...

Pois é... Dobrei um dos meus braços atrás da cabeça, apoiada no piso de madeira, pensando sobre a necessidade das mulheres de ser invariavelmente o centro das atenções. E quando não é assim? O Ri recolheu, à nossa volta no chão, as latinhas que já estavam vazias e o Gui pediu que ele lhe trouxesse mais uma na volta. Traguei outra vez, agora segurando a fumaça por um tempo, e então passei discretamente para o Gui. Ele, aproveitando a ausência do seu homem, deu uma bola escondido e logo olhou para a porta da cozinha, todo assustado. Eu ri na mesma hora; o Gui me divertia, cara.

_Larga mão de ser bichinha, porra!

7 comentários:

Anônimo disse...

Que momento inútil.

Anônimo disse...

Eu curto a relação dela com o Fer haha
Mel sua lindaaa, cada dia melhor isso aqui!!! Qdo acho que vc não supera, vc vem e se supera!! hahah mto amor cara XD

Anônimo disse...

Adooooooooooro esse Gui!

Laís disse...

os namorados do gui parecem todos uns gatos! ar-ra-sa!! e da um gostinho bom qdo vc posta a rotina dela, ñ soh problemas e crises e surtos! rs esse blog eh demais!

Anônimo disse...

Aahh, nada melhor que "queimar" o tempo de forma bem prazerosa...Salve o hedonismo, salve FM*! =P

*salve Mel

Ianca' disse...

A Mia merece desprezo z.z hahahahahahaha
Adorando essa nova fase ♥

Cris Ferreira disse...

Só eu que tenho dó da Mia?! =x