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agosto 08, 2012

Dois pais e um amigo gay

No meio da semana, o meu pai me ligou. No exato momento em que eu me desdobrava, descoordenadamente, entre o enviar de um SMS para Marina e a desajeitada tarefa de segurar a mochila para frente ao sair pela catraca do metrô. Logo agora, pai? Coloquei o celular entre o ombro e o ouvido, apoiando-o enquanto usava as mãos para fechar o zíper da mochila. Vesti as alças novamente nas costas. A minha voz soava como a de alguém distraído ou agarrado a uma parede de escalada.

_Depositei mais duzentos pra você, como está indo a mudanç... – ele interrompeu a fala, assim que agradeci, meio ao caos – ...onde você está?
_Saindo do metrô. Só um segundo, pai.

Subi as escadas num impulso e acendi um cigarro já do lado de fora, na frente da Estação Sumaré. Com o filtro na boca, tornei a colocar o telefone no ouvido; a noite estava agradável e bastante movimentada. O incentivei a continuar – “fala”.

_A sua mãe está preocupada com quem você vai enfiar neste apartamento para morar com você. Ela disse qu...
_Ela sempre diz, meu. Ela odeia a Augusta!
_É, mas talvez seja uma oportunidade para você repensar isto. Achar alguma coisa mais perto do trabalho, pegar uma kitnet.
_Não quero, já falei para vocês. Eu gosto de morar lá – argumentei, conforme olhava para o lado antes de atravessar a Oscar Freire – E outra, o Fernando vai voltar também. Eu só preciso de um tempo, vai ser suave... dois ou três meses. Ele continua procurando emprego, esta semana foi numa entrevista aí.
_Ainda assim, não sei se é boa ideia você deixar qualquer um ir morar com você. Depois a pessoa é estranha, mexe nas suas coisas, sei lá... pode levar gente perigosa pro apartamento, você sabe como essas coisas são.
_Não vai ser qualquer um, né, pai! Tô avisando só os amigos, eu coloquei um recado no meu Facebook esta semana, mandei mensagem pra um ou outro. Alguém vai aparecer!
_Bom, enfim... você sabe o que faz – ele resmungou, contrariado; e ouvi a minha mãe gritar algo ao fundo, lá vamos nós... – A sua mãe quer falar, peraí.

Suspirei e revirei os olhos, ainda descendo a Rua Amália. Virei na Alves Guimarães, já me aproximava do prédio da Clara. Um verde-água de apenas três andares, com varandas minúsculas, a dois quarteirões dali. Quanto antes chegasse, antes me livraria da voz repreensiva da minha mãe. Ela começou:

_Você ligou para a sua prima, como eu te pedi?
_Não.
_E por que não?!
_Mãe, pela milésima vez, eu não vou morar com a Nádia. Ela fica na porra do Morumbi! Que merda eu vou fazer lá, me diz?! – me estressei com a insistência, há dias que ela me enchia a respeito – Você acha mesmo que a gente ainda tem alguma coisa em comum?!?
_Não vejo por que não, vocês duas eram tão grudadas...
_Quando eu tinha 9 anos, né... – e a minha prima ainda não havia se transformado numa auto-obcecada hétero, típica, destas que escuta tanto sertanejo universitário que faz até a Dani parecer uma opção melhor – Não, não dá mais; mudou. Imagina agora eu aparecer com uma garota no flat da menina, que maravilha ia ser. Dá pra deixar isto pra lá?
_Você também não precisa agir deste jeito.
_Ahn, fala – me incomodei com o comentário –, de que jeito?!
_Não foi o que eu quis dizer e você sabe.
_Tá, tá. Olha, mãe, preciso desligar... tô chegando no prédio da Bi já, depois a gente se fala. Fala ‘obrigado’ de novo pro pai, tá? Beijos!

Ela concordou e eu desliguei antes mesmo de terminar o primeiro quarteirão. Voltei então à minha mensagem para a Marina, tendo já esquecido o que direito eu ia lhe aconselhar, e desejei boa sorte no seu encontro, que era naquela noite às nove e meia. Toquei a campainha ao chegar no prédio e terminei o cigarro às pressas, subindo depois pelas escadas. Tão logo a Clara abriu a porta, arranquei a camiseta preta que eu estava usando e a larguei no chão. Ela sorriu, me beijando, enquanto desabotoava a minha calça e descia o meu zíper – o seu SMS, quarenta minutos antes, havia sido bastante específico quanto ao objetivo da minha visita. Sexo. E ia acontecer ali mesmo, no meio da sala. Sorri, imprestável.

Em menos de dois minutos, o meu rosto já estava metido entre as suas magníficas coxas, ambas deitadas no carpete, com a sua calcinha amassada na minha mão direita e o vestido erguido até a cintura pela esquerda, quando o meu telefone começou a tocar de novo. Inferno. Parou. E então começou de novo. “Você quer atender?”. “Não”, murmurei, sem perder o foco nela, “são meus pais, deixa quieto”. Senti o seu corpo inclinar, droga. “Hum. Aqui está dizendo ‘Gui’...”, ela riu, com o celular já em mãos. Por que não deixou no chão? – revirei os olhos e sentei no vão entre as suas pernas, atendendo emburrada. “Temos tempo”, ela me disse movendo a boca em mímica, irresistível, e eu a beijei com vontade. O Gui já tagarelava, afetado, do outro lado:

_Putona! Revolvi seu problema! – duvido, pensei irritada e subi a alça do sutiã – Eu estou aqui na Fradique, advinha... numa mesa de bar... com três bichas maravilhosas e um boy que nunca viu uma bunda de verdade e só por isto não comeu nenhum de n... – oh céus, isto vai levar uma eternidade – ...ai, não me belisca! Pára! – ele se distraiu, por um instante; eu podia ouvir o restante da mesa rir, entre comentários e apelidos ofensivos trocados longe do telefone – ...e enfim, um deles tem um amigo... que eu conheci na Society, o Du, e ele está super precisando de um lugar para ficar. Ele quer fugir de uma pensão UÓ que ele fica, na casa de uma família lá no Santa Cecília, fracasso total, só até arranjar outra coisa melhor, sabe. Seria temporário mesmo. E aí eu vi seu recado e pensei em você! Já mandei mensagem para ele, ele disse que pode passar aí amanhã! – ele riu, convicto da boa ideia que tivera – Diz: você me ama ou não ama?!

Não, argh, não sei. Passei a mão no rosto, suspirando confusa. A verdade é que eu não sabia se era mesmo aquilo que eu queria. Todavia o Gui aguardava, empolgado, do outro lado da linha a minha resposta.

_Amo, amo... Escuta, passa o telefone dele pra mim por mensagem e eu vejo, depois a gente se fala. Tô no meio de uma parada aqui e é importante... tá? Te ligo assim que terminar, a gente conversa. Valeu por agitar, por tudo, mesmo.

20 comentários:

Anônimo disse...

Eu ri da "parada importante" hahaha

Já estava sentindo falta da Clara, essa linda <3

Anônimo disse...

Gui = empata foda. HAHAHAHAH

QUERO MAIS :(

Anônimo disse...

Que bonitinho os pais da FM preocupados. Espero que não dê problema com esse conhecido do Gui. Quero mais, Mel!

jamile disse...

ai quero uma clara pra mim =( hahaha

Dea disse...

e o Du já sabe que foi homenageado aqui no blog? hahahahahaha! quando comecei a ler o post, pensei: AH, NÃO! A MEL VAI MESMO ENFIAR O PRIMO MALA... daí a coisa foi acontecendo e eu: YEEEEEEEEAAAAH! adoro quando participo dos acontecimentos. e foi linda a nossa discussão naquela São Paulo ensolarada, dentro do carro, ao som daquelas minas de quem já não lembro o nome. LINDA! e adorei o extra das duas. só podia ter sido mais detalhado ;)

Camyla disse...

Claaaaara *-*
<3

Anônimo disse...

Ih, tô achando que não vai dar certo esse amigo do amigo gay.
Mas...e cadê a Mia?
hahahahaha
Sério, Mel, bota a Mia pra morar com a FM.
To com saudades daquelas duas JUNTAS!
As melhores...hahahaha

Anônimo disse...

No meio das pernas da Clara é uma parada importantissima hehehe

Uhhh boy novo no pedaço, oq sera que vai ser do apê??

Anônimo disse...

vish k parada importante né lol

Pathy disse...

Tô vendo que essa história de amigo do amigo vai render muitos posts baphonicos! HAHAHAHAH

P.S.: Ela parou pra atender o cel.. genteee! :O hihi

Anônimo disse...

Genteeeeeee!
Uma semana e nada de post novo?
Não mata a gente de ansiedade, Mel!
Deixa a FM terminar o...assunto com a Clara e traz ela pra Mia de novo! kkkkkkkk

Flavs disse...

Clara <3 <3 <3

Anônimo disse...

Mia <3 <3 <3

Gabs disse...

Cadêêê???? )=

Anônimo disse...

Nuuus Mel , c nao acha que ta na hora de postar não ? Hahaha .. Assim c mata o brejo =/

Jamile disse...

meel sumida cade?? tá tudo bem?? Vi uma frase e lembrei da FM e da Mia, olha só "enquanto você tenta me convencer a não gostar de você, eu tento te convencer a gostar de mim. e assim não funciona nem uma coisa, nem outra." é da banda soulstripper =)

Marrie disse...

16 dias sem postar..

não é muito tempo não?!

Anônimo disse...

Porfavor mel posta logo...
:(

Anônimo disse...

OK. Nenhuma continuação. Mas dá sinal de que está tudo bem. Não deixa a gente preocupada.
Muito carinho pra você

Anônimo disse...

Mel, estou agora sinceramente preocupada com teu sumiço. Post novo é o de menos...Voce esta bem? Mande noticias!
beijo!