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abril 08, 2011

Cansaço

Tentei me equilibrar na beira da calçada, entre as faixas brancas e as de cimento. Uma a uma, por baixo dos meus pés, leves e embriagados. Repetia uma melodia qualquer na minha mente, um tu-ru-tu-nu-nu-num sem sentido, acompanhando os meus passos como se numa dança. Um cigarro aceso pendia entre meus dedos; ambas as mãos suspensas no ar, buscando um ponto de equilíbrio pro corpo.

Eu estava dispersa, aquele dia não acabava nunca. O carro da loira se encontrava a duas quadras dali, estacionado, agora já quase isolado na rua: o restante dos baladeiros havia ido para casa, os poucos que restavam estavam largados nas mesas do Black Dog. O dia estava prestes a amanhecer. Por algum motivo, aquele seria o meu segundo nascer-do-sol em três dias ao lado de uma garota que eu mal lembrava o nome.

Metros atrás de mim, tirou a chave do bolso e eu vi a luz traseira do carro piscar subitamente, destravando-se. Seguia a frente dela, realmente distraída. Ou bêbada demais, sei lá. Encostei na porta do passageiro, meio cambaleando; e senti certo alívio em ter qualquer apoio para mim mesma. Os meus pés não obedeciam mais aos meus comandos, que maldição. Ouvi um baruho e olhei por cima dos ombros. A loira estava logo atrás de mim, ao invés de surgir do lado oposto, já com a mão na maçaneta da porta de trás do carro...

Ô, merda.

Encarei-a. Aí me virei e apoiei os antebraços sobre o carro, numa reflexão rápida. Preciso parar de falar tudo que me vem a cabeça..., eu achei graça. Balancei a cabeça, rindo, e traguei mais uma vez o cigarro. Então decidi, meio sem ter por que, encarar aquilo de uma vez.

_Tá... – a olhei de volta, bem nos olhos, e tirei as mãos de cima do seu carro; retornei dois passos pela mesma calçada, colocando-a contra a porta de trás, uma mão de cada lado do seu corpo no vidro.

Ela sorriu, de leve. Puxou a maçaneta com a mão e movemo-nos para frente, a porta foi se abrindo progressivamente atrás de nós. Aí ela entrou, escorregando para o fundo do banco, e apoiou-se contra a janela oposta. Fiquei em pé na calçada, observando. Puta merda, mano..., foi o meu último pensamento antes de cometer o que eu já previa que ia me arrepender de fazer. Mas ri mais uma vez e joguei o cigarro na sarjeta, entrando em seguida.

6 comentários:

Anônimo disse...

Gente, não faz isso. Eu to precisando muito de sexo. ahahhahahah

Carol Spenser disse...

FM não perdoa ninguém ;) hsuahushaushua'

Anônimo disse...

Enquanto a FM não perdoa e se da bem.. eu perdoo e me fodo. =(

Ela q tá certa. Ficar pensando em Mia, Mia, Mia.. vai ficar louca pq ela não se decide.

Continua, continua please Mel!

Anônimo disse...

Oh God.

Fucking mia, esquece a Mia e vem pra mim?

Anônimo disse...

Gente, não faz isso. Eu to precisando muito de sexo. ahahhahaha [2] DEMAIS

Monica disse...

tah ficando bom


prosseguiindo...