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maio 16, 2011

O Ponto Final 2

_Não, eu... – ela suspirou, como se eu fosse uma criança de dois anos – ... eu estou dando um exemplo. Lógico que eu não te traí! Você acha que eu não teria te falado, meu, em todos esses anos?! O que eu estou dizendo é que esse seu argumento é de que, se você me traiu, eu poderia muito bem ter te traído na mesma época e você não ia se sentir machucada.
_Ah, não é começa. Não é a mesma coisa.
_Não?! – ela riu, sem achar graça – Como isso, meu?!
_Porque não é. Eu e você, o que a gente teve... não é a mesma coisa!
_Não, tem razão, não é... não é mesmo. E sabe por que?! – ela começou a se exaltar, discordando – Porque nós, mulheres, nos deixamos afetar muito menos por infidelidade do que os caras... As mulheres são as primeiras a engolir, as primeiras idiotas a perdoar. Já o inconsciente coletivo masculino, né, por outro lado, não tolera uma olhada sequer na direção de outro cara que já vira uma catástrofe! O orgulho deles é muito mais frágil, meu, e o nosso, não. Não que isso seja certo, mas é assim. A gente agüenta, meu, a gente passa por cima, a gente fica relevando o erro dos outros... – ela me olhou, nitidamente querendo dizer mais do que estava efetivamente me dizendo – ...pelo bem do relacionamento.
_Ah, Marina, cala boca... – me revoltei; mano, que baboseira sexista – ...isso é absurdo!! Como é que você pode falar uma coisa dessas?! Não é pior ou melhor pra ninguém, isso é ridículo, meu... é a mesma merda pra todo mundo! Que diferença faz se foi um cara ou uma mina que tomou uma na testa? Chifre é chifre. As mulheres não aceitam melhor do que os caras, mano, nem a pau.
_Bom... Eu continuo aqui, não continuo?! – me provocou.
_Mas não por isso! – respondi, sendo grossa – O fato de eu ter te traído enquanto a gente estava junto, ou não, não influencia no relacionamento que a gente desenvolveu depois, meu. Não é assim.
_É, não pra você, né... – ela murmurou, revirando os olhos.
_O que diabos isso quer dizer?!? – levantei a voz, ofendida.
_Meu, na boa?! Às vezes, eu acho que você é igualzinha ao Fernando. Sério, eu não sei como você não enxerga isso! – ela se estressou comigo, do nada, e eu fiquei olhando-a sem entender porra nenhuma – Você tem essa mania, sabe, de achar que as suas merdas não importam, que todo mundo é obrigado a engolir o que você faz, mas é absolutamente incapaz de entender o que se passa na vida dos outros.
_Do que você está falando, meu?! De onde diabos surgiu essa conversa?!? Não era nem disso que a gente estava falando, porra!! – puxei um cigarro do maço, na pressa, sem prestar atenção direito e irritada – E quando foi que eu não entendi o que se passava com você, na sua cabeça, na sua vida, meu?! Eu sempre tentei t...
_Nada, esquece... – ela me interrompeu.
_Má... olha pra mim. Eu não fiz isso, fiz?
_O que eu quero dizer é que... – ela me ignorou, continuando – ...que eu acho que você está punindo o Fer por algo que talvez... que talvez não fosse tão diferente se fosse com você, sabe. Meu, você é a pessoa mais orgulhosa que eu conheço! E eu não digo isso porque acho que seja ruim, mas porque... cara, eu não sei como você não tinha um... um chilique desses, manja. Toda vez que via o Fer com a Mia! Sabe, como você segurava essa sua boca suja, não saía por aí derrubando a casa e gritando, xingando, fazendo aquelas cenas dramáticas que só você sabe fazer; pra depois ir pra balada e agarrar sete, oito meninas e aí comer uma qualquer só porque está brava com o mundo – ah cara, eu odiava, odiava quando a Marina falava exatamente o que eu mais detestava ouvir sobre mim mesma –; você é cheia dessas, meu! Aliás, quantas vezes você não recorreu à droga dessa sua lista telefônica aí só porque achava que, talvez, quem sabe, sei lá, “é possível”, vai saber, a Mia estava dormindo com o Fer em algum canto do universo?! Você realmente acha que você não faria nada, zero, do que o seu amigo aí está fazendo? Hum?! Sob as mesmas circunstâncias ou até menos, né...
_Tá, tá. Talvez, porra. Talvez eu fizesse mesmo! Mas, olha, eu te garanto... – acendi o cigarro, tirando-o logo em seguida da boca, e encarei-a – ...eu te garanto, meu, que eu nunca, nunca trataria a Mia, você ou qualquer outra garota do jeito que ele está tratando ela! Não importa, mano, nem que você tivesse dormido com quinhentas minas na minha frente. Você nunca ia ouvir esse tipo de coisa sair da minha boca. Ele está sendo um babaca.
_Ok: ele está sendo um babaca! Escuta, eu não estou dizendo que o Fernando está certo. Aliás, ele não poderia estar mais errado! Só que você também não está certa e a Mia menos ainda, meu. Nenhum de vocês está e eu não entendo porque diabos já se passou quase um mês inteiro e você continua aí, irredutível, sofrendo pelos cantos. Muda, meu; acorda. Muda aos poucos, sei lá, vai atrás, faz a vida à sua volta agradável de novo. Faz o que está ao seu alcance, se livra dessa birra tonta contra o Fer e convive direito nesse apartamento, vocês dois. Senão você vai acabar se isolando cada vez mais. Só... perdoa ele.
_Eu não... – argh, inferno! – ...eu não estou preocupada em perdoar ele, meu, eu... eu quero que ela me perdoe, porra. Você não entende isso, Marina?!
_Te perdoar por quê, meu?! O que raios você acha que fez de tão errado pra Mia? Eu não sei porque você tanto se culpa, cara!
_Sei lá, meu! Eu... eu pressionei ela... foi ...informação demais... no momento errado, eu... eu devia ter esperado, eu... – recomecei o meu drama recorrente, amargurada – ...eu não sei, Má, eu...  eu fiz um monte de coisa errada. Eu, eu não devia ter falado daquele jeito e não devia ter saído com a porra da loirinha também, não devia ter ligado pra ela de madrugada, ou qualquer outro dia, não devia ter desligado a droga do telefone, eu devia ter atendido, porra, enquanto ela... ela ainda queria falar comigo, n...
_Espera. Que loira?! – a Marina me interrompeu, já me olhando como quem acabara de validar o seu discurso de poucos minutos atrás sobre a minha inconstância deplorável de caráter.
_Não, ninguém... – resmunguei, sem querer falar sobre, emburrada por ter que admitir derrota nas entrelinhas – ...tá, olha, eu sou uma idiota. Eu sei disso. E eu sou mais idiota ainda quando se trata da Mia, eu... eu faço merda sem, sem nem querer fazer. O fato é que quando ela veio atrás, quando ela quis saber o que se passava comigo, por mais intolerável que fosse o motivo, eu... eu e esse meu... orgulho de merda... eu não atendi a porcaria do telefone. Não atendi e agora quem não me atende é ela! Puta mano, que ódio. Que inferno! Eu não atendi e agora ela caiu na real e... e tá aí... achando que a opção dela é a droga do Fernando!
_Mas, linda, você não pode forçar ninguém a te amar de volta. As pessoas não escolhem o que sentir. Você não vai ser a melhor opção a não ser que, por si só, a Mia veja você como uma opção para a vida dela, meu. Você não fez nada errado aí! Flor, desencana. É sério... Trabalha no que você pode melhorar desde já, meu, fica bem em casa e se anima. Sai um pouquinho. Esquece a Mia, vai... deixa ela ir atrás do que quer, deixa ela quebrar a cara, tomar as próprias decisões. Isso não depende mais de você.
_Não dá. Não dá, Má... Eu... Eu não agüento ver... ela assim, sabendo que ela tá mal desse jeito – a minha cabeça doía só de pensar – ela ouve um monte, meu, toda vez que eles brigam; você não faz idéia do que é não poder fazer nada, porra! Não posso nem saber como... como ela tá lidando com isso. Não posso ligar e conversar; não posso fazer porcaria nenhuma, não posso ver ela, eu... não, não dá.
_E você também não pode se responsabilizar por isso, meu, ela...
_Má, eu... – a cortei – ...eu amo ela demais. Demais. Você não entende... O que você faria, porra?! Se soubesse que a pessoa que você ama está mal pra caralho, está sofrendo, meu?!? Eu não consigo, mano, eu não consigo não pensar nessa merda!
_E... – ela suspirou, com pesar – ...e o que a Mia está fazendo por você?! Você não está, também, sofrendo??
_É, mas é diferente, meu. É diferente porque ela não me am...

Parei de repente de falar, segurei minhas palavras do nada. A Marina me encarava à espera da conclusão. Mas esta era uma frase eu não conseguia terminar.

(...)

Droga.

20 comentários:

Ma disse...

Primeiro foi um '...ufa' pela Marina. hahahaha
MEEEEEEEU, que final foi esse? Não tinha como ser melhoor! *-* Mas mesmo assim, ainda acho que a Marina vai ter que falar isso mais umas dez vezes até a FM absorver! :/
Espero mesmo estar enganada.. Não aguento mais o sofrimento dela! :{

Dois posts LINDOSLINDOS.
Parabéns! ;**

Amanda disse...

Ah, não acredito que a Marina não traiu... Mas essa desconversa dela no começo nem me convenceu, na verdade.
E, JESUS, a Marina é o gênio da vida. Ela fala tudo que eu penso e sabe não ser grossa... Mas acho que ela devia falar umas verdades que a FM não percebe, umas coisas quanto ao relacionamento delas duas.
O que eu acho é que a FM tinha que mudar de apartamento, morar com o Fer não tá dando mais. A situação ficou muito fodida pra amizade continuar. E deixar a Mia de lado pra ela voltar quando sentir falta, quando tiver com vontade.
Marina Marina Marina <3

Ma disse...

Sei nãooo. É 'O Ponto Final' meeeeesmo? hahaha

Gabizão disse...

É a falta de reciprocidade que faz o calo latejar...

Pathy disse...

PQP a Marinaaa.. <3
Tô pegando ódio da Mia, de novo!! e a FM heim.. Porra, acorda caralho!! :@

Anônimo disse...

FM escrota, merece passar por tudo isso mesmo e ainda o Fer descobrir que o chifre veio dela.

'duuda disse...

quero uma marina! sem mais :~

Aléxia Carneiro disse...

AHHH *--* Já tava com saudades!

Anônimo disse...

=~

Beatrice disse...

ai.. quero uma Marina pra mim!

Ma disse...

Mel, eu nao canso de elogiar o blog! Ta de tirar o folego essa história tensa.Estou amando.

Carol Carriel disse...

F.M burra pra k7 ...a Marina mor ligada na dela ainda em, eu acho U-u

Será?será que é o começo do fim da Mia pra F.M??!

P.s Marina é fofaa d+ d+ ...

Lih disse...

Tenho 3 coisas a dizer:

1- A FM tá começando a me irritar com esse melodrama dela de achar que só ela tá errada. Porra, ela não tá certa, mas tbm não é a unica errada. Ela tem que cair na real e desencanar um pouco da Mia, mostrar pra Mia que ela tá 'bem' pra ver se ela não cai na real e vai atras da FM.

2- Concordo com a Marina, a FM tem que tentar se resolver com o Fer. Não mentir mais, se caso ele perguntar algo. Mas pelo menos melhorar o clima na casa dela já ia fazer ela se sentir pelo menos uns 40% melhor.

3- Quero a Marina pra mim, essa linda.

Meeeeeeeel, tão lindos os posts.
Valeu a pena esperar taaaaanto.
Conseguiu dar um jeito na vida ai?! hehe
Beijos.
;**

Anônimo disse...

Adimito que no finzinho não pensei na mia, mas na marina. "O que você faria se soubesse que a pessoa que você ama está mal para caralho?" Abre os olhos FM, acho que tem outra história para dar 'ponto final' aí..
w

Ianca' disse...

ela não te ama... chorei!
porra Mia!

Fico lendo assim e odiando a Mia saka? kkkkkkkk tô virando teammarina

Anônimo disse...

Eu quero a Marina, pra caralho ! ;9

Anônimo disse...

Abre os olhos FM, acho que tem outra história para dar 'ponto final' aí..

Anônimo(a) cértíssimo(a)!

Anônimo disse...

olha! achei toda essa conversa beeeem chatinha, muito infantil a FM, narrativa repetitiva. Estava esperando tanto....

Anônimo disse...

Na boa, to ficando enjoada desse vai ou não vai todo. SÉRIO, MULHERES SÃO MUITO DRAMÁTICAS! Às vezes, só às vezes, queria uma atitude de verdade da Devassa, não impulsos momentâneos ou desculpas para uma falta de atitude.

Ludi disse...

Quero uma Marina pra mim!