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outubro 18, 2012

Ainda bem, ainda bem

Observava o teto, largada no sofá desde que chegara ao apê, estupidamente induzindo a mim mesma uma espécie de tristeza silenciosa. Foi assim na viagem toda de ônibus de Santo Amaro para lá. Eu não era normalmente adepta de fossa. Não costumava lidar com as coisas assim – o meu método, na verdade, tendia a ser muito mais barulhento e autodestrutivo; eu ficava com raiva; transformava cada angústia em surto e batia a porta numa saída desenfreada para os bares da Augusta, para as camas de meninas que não me eram importantes. Ou então fumava um maço todo trancada no quarto. Sempre assim. Esta era, no entanto, a primeira vez em que me sentia realmente fora do meu elemento. Desamparada, sem ele.

E me forçava a ficar ali, no apartamento vazio, com a ausência incômoda do Fer pelo cômodo, como punição pelo o que na minha mente acreditava ter sido culpa minha. A saída dele, o nosso afastamento. É estranho como os seus pensamentos se voltam contra você quando se está triste. Por mais que eu acordasse sã na manhã seguinte, por mais que minha cabeça voltasse devidamente ao lugar; madrugadas têm esta maneira sorrateira de te tirar de contexto e envolver numa brisa irracional, estúpida; e você não consegue fugir. De repente eu me via como a razão para tudo o que dera errado na vida do meu melhor amigo – desde o relacionamento prejudicado com a Mia ao seu retorno humilhante à casa dos pais. A culpa era minha; toda minha. E eu me torturava, claro, com os pés em cima do sofá.

Ouvi a campainha tocar. Marina. Levantei com desânimo e arrastei o meu corpo alguns passos até a porta, sendo recepcionada por um sorriso cuidadoso dela. Ela sabia por que estava ali, eu adiantara ao telefone. Livrara-se do seu encontro mais cedo para ir ao meu socorro. E chegou, portanto, ainda bem arrumada; num vestidinho branco que eu a vira usar em outras ocasiões, com uma malha turquesa aberta porr cima, e os óculos pretinhos. Tinha os cabelos soltos, acastanhados e bonitos. Foi reconfortante vê-la em pé ali. “Você quer sair ou...?”, perguntou-me, antes de entrar.

_Não. Quero ficar aqui – respondi e dei um passo para trás, para que entrasse; fechando a porta em seguida.

A Marina largou a sua bolsa – destas largas de couro, marrom – no sofá e sentou-se, à espera, enquanto eu ia até a cozinha buscar uma cerveja. Estranho. Até então não andara pelo restante do apartamento; era esquisito pisar naqueles ladrilhos sem ter mais o Fer cozinhando algo no fogão ou esperando com o videogame ligado na sala para dividir o engradado. Não que ele sempre estivesse lá mas saber que ele não estaria mais fazia, sei lá, diferença. Peguei uma das latinhas e voltei. Estava pior do que havia ido, argh. Por que saí da sala? Sentei ao lado da Marina e ela esperou por alguns minutos até que eu falasse algo. Tudo aquilo pesava em mim.

_Foi... foi tão estranho, Má – suspirei, afundada contra o encosto; ela me escutava – deixar ele lá, vir pra cá. Eu nunca fiquei sozinha, cara. Eu nunca fiquei sem o Fer por perto – tomei um gole da cerveja, abrindo a lata entre as pernas – a gente se conhece há tempo demais; tá junto há, sei lá, doze ou treze anos.
_Mas ele continua aqui, flor...
_É diferente. Sabe... – lamentei, com a culpa entalada discretamente na garganta –  ...toda lembrança que eu tenho de qualquer merda que fiz na minha vida, de todos os lugares que eu morei, meu, ele tava sempre comigo. E agora eu tenho que pegar uma porra de um ônibus que leva quarenta minutos para ver o Fer, o Fer! E, tipo, se eu... Se eu quiser conversar, trocar ideia, sei lá, se eu tiver mal e o caralho a quatro, eu... eu não tenho mais ele pra falar comigo na cozinha, pra sentar aqui na sala. É uma merda, uma merda, na boa.
_Ele vai volt...
_E o pior – a interrompi, exaltada –; o pior é que eu... eu nem, nem me esforcei pra que ele ficasse! Eu sou uma idiota, cara. Uma idiota! Eu não me dei conta do quanto eu preciso dele, do quanto preciso dele agora, na minha vida, do meu lado; do quanto eu queria ele aqui, eu... argh. Eu podia ter feito tanta coisa diferente, Má. Eu, eu – senti vontade de chorar; a Marina me observava surtar –, porra, eu comi a mina dele! Sabe? Tem como ser uma amiga PIOR?! Eu sou uma imbecil, mano, uma puta descontrolada; que merda eu tenho na cabeça? Eu só machuquei ele, cara; eu só fiz merda atrás de merda. E ele sempre foi muito gente boa comigo, ele sempre cuidou de mim. Não é justo que ele tenha que passar por esse lixo todo e eu não, que ele que tenha que sair e ir pra casa dos p...

Me interrompendo, a Marina projetou os braços para frente e me abraçou com calma, tentando tranquilizar os meus ânimos que disparavam. Eu me sentia muito mal. Toda aquela história pesava em mim como um arrependimento terrível; como se tudo o que eu fizera para ele tivesse sido cruel e errado. Conversamos a noite toda. A Marina tinha os seus jeitos delicados, pacientes de me escutar e de me dar os seus conselhos. A tristeza, todavia, perdurava entre os meus pulmões. Apertando-me. “Você vai se sentir melhor de manhã”, ela disse, “e vocês dois vão se acostumar com esta nova realidade, até que possam mudar a situação para algo que funcione melhor”. Eu gostava de ouvi-la falar, sempre tão positiva.

Acabamos dormindo no meu quarto, naquela cama minúscula. A Marina ficou com o lado da parede, por escolha; ainda em seu vestido branco e descalça. Já eu, capotei com um dos braços caindo para fora do colchão; a cabeça ao lado da mesa de cabeceira. A noite estava quente demais para cobertores. Fazia, talvez, uns cinco ou seis anos que eu não dividia uma cama com a Marina. Nem se me esforçasse conseguiria lembrar da última vez que dormimos juntas, antes do fim do namoro. Nas poucas vezes em que fiquei na sua casa, desde então, me deitara no sofá a pedido seu e nunca senti realmente falta. O sentimento era bom, porém, ali com o seu braço agora ao redor do meu corpo. Os seus dedos leves tocando o meu abdômen. Os seus pés descobertos esquentando-se nos meus, ainda de meia. Era uma nostalgia – não sexual; apenas carinhosa –, me sentia confortável com ela. Ela era a minha segurança, não sei explicar.

Dormi. E dormi bem. Como não achei, aliás, que seria capaz naquela primeira noite ali, sem o Fer no quarto ao lado. Por algumas horas, pelo menos. E então o meu celular tocou, na mesma cabeceira que ficava a poucos centímetros do meu ouvido, despertando-me. Abri os olhos relutante, senti a Marina reajeitar-se ao meu lado. As suas mãos envolveram ainda mais a minha cintura, num reflexo inconsciente. Ergui a tela diante do meu rosto e tentei ler, ainda sonolenta; era um desfocado SMS. Da Clara. “Vc. tá no apê? Como foi la no fer? Tava em casa e achei q. tlvz quisesse cia. Passei no supermercado e comprei um Jameson pra encher a cara :) e t. animar!”. Sorri, como se não pudesse evitar. Movi-me então para o lado e digitei.

Estou, vem sim”.

21 comentários:

Anônimo disse...

AI MEU DEUS, A CLARA É TÃO PERFEITA MANO. MARINA IDEM. ACHO QUE SOU A ÚNICA QUE NÃO QUER FMXMIA dnv D: (Jessica Castro)

Marrie disse...

"estou, vem sim.."


ai ai ai.
vai entender essa menina.

Pathy disse...

Marina é tipo uma divindade. A melhor de todas. I ♥ Ma! hihi

FM já vai fazer o que sabe de melhor, f.o.d.e.r :D ( Literalmente e não literalmente. Se é que me entendem)

Ianca' disse...

Que coisa linda elas dormindo juntas *-* A Marina entrelaçando a cintura da FM inconsciente <3 Awn :D
Mas será que a Clara vai entender? hummmmm
Que estranho hahahaha

Tadinho do Fer ;/

Anônimo disse...

Mano, eu nao presto! ja to pensando putaria aqui. ohh God...

TekaSak disse...

Esse Jameson vai dar merda...

Anônimo disse...

Acho que vai rolar menage. Não sei quem é mais linda, clara ou Marina.

Vi disse...

Nossa! Eu já tava esquecendo do lance dessas duas (Clara e Marina). Essas fofas têm que ficar juntas, meu! :D

Anônimo disse...

dorme comigo essa noite então, marina?

Anônimo disse...

Tinha o lance da Clara e Marina, porra!

Ketlen K disse...

No meio do post eu pensei: "Que saudades da Clara". E finalmente vai ela aparecer! HAHAHAHA

jamile disse...

marina lindinha =)))

Anônimo disse...

Clara fofa ♥

Anônimo disse...

Clara nãããooo... chama a Mia.. Mia, Mia, Mia.. amo a Mia... quero a Mia...

Bruna disse...

Po... tadinha da FM, deve ser difícil escolher entre tantas boas opções! Entendo seu dilema!
Mas curti a idéia daqui de cima da Clara ficar com a Marina e a FM com a Mia, não seria má idéia! hahaha...

Anônimo disse...

Concordo com o comentário acima.
Clara e Marina, fofo...
FM e Mia...é isso aí, cara! Essas duas são foda, não posso imaginar FM sem ser com Mia!

Juliana Nadu disse...

Ai mew!!!

Que post mais doce!! A Marina é a grande culpada dos momentos mais fofos dessa história!! Amo quando ela aparece tão "celestial"... rsrs..
A Marina que é a mina dos sonhos na vdd... a Mia é a avassaladora, mas a Marina... Um dia quando as necessidades da juventude passarem entenderemos porque a Marina é a mina dos sonhos...

>.< Marina♥

Gabs disse...

Awwwwwwwwwn velho. A Marina é tão fofa, eu quero ela pra mim. ):

c' disse...

Aaaaaaaah paaaaara, a marina é fofa demais cara. Por favor alguem me diga agora aonde eu acho uma dessas gente. Que mulher imaginaria INCRIVEL.
A marina foi a melhor criação da mel, tenho qe dar meus parabens a ela: mel vc é f... , a marina é perfeita.
Sou dessas que um dia super torci por uma recaida de fm e marina , mas a amizade entre elas é tão fofa qe nao tem nem clima.
Agora é ver oq a clara vai achar dessa amizade toda né.

Anônimo disse...

Falaram bem as meninas acima.
A Marina é uma fofa e uma graaande amiga da FM, acho que não rola mais nada além disso entre elas.O que já não é pouco, pelo contrário!
A "maturidade" realmente faz mudar as condutas, as idéias do que queremos, por isso que acredito que FM e Mia têm tudo a ver uma com a outra neste momento.
E Clara...pois é...
Mas não adianta, sou team Mia!
bjo Mel!

Anônimo disse...

Mel, conta aqui pra gente a origem da Marina?