Com certa dificuldade, empilhei o quinto copo por cima de
uma fileira com outros quatro. O Fer virava mais um e a gente tentava esvaziar
os seguintes, o quanto antes, tentando completar a pirâmide. Argh, a
aposta mais idiota que alguém que estava longe de casa e sem carro podia fazer,
onde eu tava com a cabeça? Aproximei mais um copo da minha boca e senti
o meu fígado estômago corpo todo se contorcer numa ânsia de quem
não aguenta mais uma só gota. Já bebi demais,
puta merda. Os moleques gritavam no meu ouvido e metade dos desconhecidos à
nossa volta assistiam, achando graça na disputa.
Suspirei. E virei de uma vez aquela desgraça.
Puta que pariu. Senti
tudo me voltar até o topo da garganta. Apoiei as duas mãos na mesa, respirando
fundo, e tentei me concentrar em não vomitar. O Rafa Benatti – o único idiota o
suficiente para topar enfrentar eu e o Fer naquela babaquice – assoprava pesado
no ar ao meu lado, numa pausa semelhante à minha. Já estávamos todos no limite.
Eu precisava beber pelo menos mais dois shots, seriamente perigando uma manhã
toda com a cara enfiada na privada, se quisesse vencer.
Encarei a tequila, ali sentadinha dentro do copo, à minha
espera. E que se dane, virei
mais um. Fechei os olhos, os apertando numa careta. Desgraça. Minha
cabeça caiu entre os meus braços, apoiados naquela mesa quebrada, no meio dum
dos muitos quartos da Trackers. Vou gorfar, caralho, v-vou, vou... desmaiar,
puta que pariu. Olhei pro lado e o Fer balançou a cabeça, me encarando de
volta, como quem arrega silenciosamente – a gente não ia conseguir. Sem
chance. O primo do Benatti batucava nas paredes, exaltado, o encorajando a
virar o último copo. Só faltava um para terminar a pirâmide. Quem virasse,
ganhava – os perdedores pagavam a conta.
_Não rola, velho... – o Fer murmurou, encarando o shot e
arregalando os olhos em desespero.
Os meus não desgrudavam da tábua da mesa, sentindo me revirar
tudo por dentro. Não. Não ia dar. Eu
ia realmente passar mal e, cara, não vai
ser bonito. Não conseguia lembrar quando beber assim se tornara tão normal
para a nossa geração. O Fer deu dois passos para trás, com as mãos para cima,
desistindo. Restava só eu e o Benatti – a última dose oscilava, intragável,
diante dos nossos olhos embriagados. Não.
Não dá, porra. Bati as mãos na mesa, entregando o jogo também.
E num impulso estúpido, o nosso corajoso oponente pegou o
copo e virou de uma vez. O primo entrou em surto. Comemorando aos berros, com
xingamentos nada amigáveis a mim e ao Fer, nos ofendendo, enquanto quase
sufocava o Benatti num abraço apertado de bêbado. Os moleques o sacudiam e
batiam nas paredes, declarando a vitória. Eu estava tão nauseada que sequer
conseguia achar graça naquilo, me virando para o Fer, embrulhada:
_Preciso de uma Coca, pelo amor de deus – pedi e ele me
abraçou de lado para me levar até o bar.
Mas nos perdemos no meio do caminho. E os minutos seguintes
foram permeados por náusea e risos e gritos um tanto desnecessários, pelo som
alto estourando nossos ouvidos, a pista lotada demais, numa velocidade
descomunal dos fatos, merda, nuns flashes bêbados de memória, as batidas
graves dos amplificadores, dançando, inebriada, sem nem saber onde estava, tomei
metade dum doce, não sei nem de que mão peguei, as luzes pintavam todo mundo de
vermelho e preto e um cara pintou a minha cara com uns riscos de guache,
completamente fora de mim, me agarrei com uma mina, que em seguida beijou o
Fer, os dois se enroscaram contra uma das paredes, as pontas dos meus dedos
passeavam soltas pelo ar, uma multidão de corpos se esbarrava, eu cambaleava e
me apoiava no Fer, agora sem a garota, e a gente ria muito, de absolutamente
nada, isto é, numa sequência confusa, sacudíamos a cabeça e a minha
pressão caía, eu esfregava a mão na cara, toda suja de tinta, sentindo um calor
desgraçado, eu vou desmaiar, meu estômago se contorcia, beijei mais
uma mina, senti a sua boca mordendo a minha e aí, cacete, uns
apagões, dançando com os olhos fechados e a boca entreaberta, a cabeça rodando,
caí em cima das pessoas, o Fer ria, que horas são, caralho, meus
olhos deslizavam pelo teto todo pichado, sem sentir mais meus pés e eu, e-eu...
...
7 comentários:
ahh \o/ enfim um novo post ;D, mtoo bom por sinal ;D e ai quando virão os proximos?? o.O
Tks!
sempre muito bom s2s2s2s2
Ai que saudaaaaade eu taaaava! *-*
Ahhhh. E gostei muito disso quase como era antes! hahahaha E a FM meio que superando as coisas... Ok, do jeito dela! heheheheh mas eu também sentia saudades disso.
GENTE, QUANTO MIMIMI HAHAHAHA
Continue, continuue! Mais post! Maismaismaismais! Hahahaha
Aaaaaah. E vii que tá de twitter novooo!
Booooa! Amei!
Beijobeijo! ;*
ai que saudade desses posts...
me sinto completa novamente!
hahahaha
quero maisss :D
Sabe quando leio um post teu, encontro um pouco do que leio nele(L.F.verissimo,M.Medeiros,M.Scliar,C.F.Abreu).Parabéns
Drinks pra esquecer! YEAH!
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