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junho 24, 2011

In the Big Machine now

Equilibrei, com certa dificuldade, o quarto copo sobre os dois primeiros de uma fileira de três. Serviam como base e eu tentava esvaziar os seguintes para colocá-los em cima. Shots de tequila, claro. A aposta mais idiota que alguém pode fazer em plena balada, longe de casa e sem carro. Aproximei o quinto copo da minha boca e senti o meu fígado estômago se contorcer de ânsia. Vou ficar bêbada demais, caralho. O Fernando e os outros moleques gritavam no meu ouvido e do Pedro, o meu digno oponente. Metade das pessoas à volta nos encaravam, achando graça. Suspirei. E virei de uma vez aquela droga.

Puta que pariu.

Senti tudo me voltar até o último centímetro da garganta. Que idéia de merda. Apoiei as duas mãos no balcão, respirando fundo, e tentei me concentrar. O Pedro assoprava pesado no ar, ao meu lado, numa pausa semelhante à minha. Estávamos empatados e ambos já no limite. Eu precisava beber pelo menos mais uma, seriamente perigando uma manhã toda abraçada com a droga da privada, se quisesse vencer. Encarei a tequila, e seus 40% de álcool dourado, sentada dentro do copo à minha espera. Inferno. Observei-a, ali e engoli seco. Ah, que se dane...

O Pedro me olhou, descrente. Agora faltavam dois para completar o meu castelo – e três para o dele. Meus olhos não desgrudavam das últimas duas doses, me revirando tudo por dentro, por mera antecipação. Não. Deixei a cabeça cair, entre os braços esticados, apoiados no balcão. Não ia dar. Eu ia passar realmente mal, cara, isso não vai ser bonito. O Fer batucava, exaltado, na tábua do bar, declarando a minha vitória. E a dele, óbvio. Os perdedores bancariam a brincadeira, isto é, e todos os outros garotos haviam apostado no Pedro. Somos um bando de idiotas, pensei. Não conseguia lembrar quando beber assim, sem controle, tornara-se tão normal.

Foda-se, dei de ombros. Agora o álcool demoraria uma semana para sair do meu corpo, eu sabia. E eu não me incomodava, na verdade. Os dois últimos shots, contudo, oscilavam intragáveis diante dos meus olhos embriagados. Não, não dá. Bati as mãos de repente no balcão, entregando o jogo. Por um instante, o meu corajoso oponente pareceu contemplar uma tentativa de empate, mas logo desistiu, embrulhado. O Fernando entrou em surto. Comemorou, com xingamentos “amigáveis” à oposição, e quase me sufocou num abraço apertado de bêbado.

_Me vê uma Coca, pelo amor de deus – pedi ao barman e o Fer pagou.

Os minutos e goles seguintes pareceram permeados por risos e gritos um tanto desnecessários, digo, um com o outro; seguidos de uma pista de dança lotada demais, a velocidade descomunal dos fatos, uma seqüência confusa, merda, garotas quaisquer ali no meio, flashes bêbados de memória, as batidas graves dos amplificadores, uma ligação imbecil para a Marina a fim de dividir minha recém-conquistada liberdade, sabe, como eu estava excepcionalmente feliz, saindo da fossa, e aí sequer ouvi o que ela disse de volta, depois as pontas dos meus dedos passearam soltas pelo ar, os corpos se esbarravam, eu cambaleei e me apoiei no Fer, começamos então a rir muito. De absolutamente nada, isto é.  

Sentamos mais adiante, na lateral. O riso desmanchou-se dos nossos rostos, como era natural, e minha barriga já doía de tanta contração. Lentamente, deu-se espaço para um estado contemplativo, bastante bêbado. Agora estávamos parados, inebriados, ainda fora de controle, mas metidos na nossa própria viagem. Tranqüilos. A recuperar o fôlego, não sei. Passavam-me pensamentos aleatórios, inofensivos pela cabeça, confundindo-se com as luzes confusas que dançavam, deslizavam suaves pelos meus olhos. Tomei um gole final da minha Coca e abaixei a base da latinha vazia sobre o meu jeans; observei as garotas na pista de dança.

_Você... – perguntei, sem pensar – ...sente falta dela?
_Hum?!
_...sente? – insisti.
_De quem?
_Da Mia... – confessei o seu nome nos meus pensamentos, sem querer – você... você não pensa nela?

Me encarou, como se não entendesse porque diabos eu estava falando daquilo, naquele momento. Mas então a expressão nos seus olhos mudou e ele encostou, suspirando, no banco.

_Não.

Olhei para ele, na mesma hora, secretamente intrigada.

_Ah. Acho que sim, sei lá... – contradisse-se, logo em seguida.
_Hm...

Não quis falar nada. Menos ainda confessar que eu, talvez ainda mais do que ele, também sentia. Não da Mia que vira aquela tarde, esta talvez não, mas da que continuava na minha cabeça. Irreduzível em mim. Os fios do cabelo dela movendo-se delicadamente sob o vento da sacada do apartamento dos seus pais, em Higienópolis, ela fumando e eu a assistindo encantada. Esta era a imagem que tinha da Mia. Da minha Mia. Da última vez que ficamos, de fato, juntas.

Senti o meu interior vazio. Num instante rápido, indesejado, de consciência. Eu estava bêbada demais, fora de mim. E a balada, de repente, me pareceu clastrofóbica. Um caos ensurdecedor, desnecessário. Conseguia ouvir o Fer respirar ao meu lado, contudo, o seu braço encostado no meu. Estava repentinamente quieto, pensativo. É... então é assim, me conformei. E aí levantei para encontrar a garota de demasiados minutos antes.

7 comentários:

Anônimo disse...

ahh \o/ enfim um novo post ;D, mtoo bom por sinal ;D e ai quando virão os proximos?? o.O

Lu disse...

Tks!

Aléxia Carneiro disse...

sempre muito bom s2s2s2s2

Ma disse...

Ai que saudaaaaade eu taaaava! *-*
Ahhhh. E gostei muito disso quase como era antes! hahahaha E a FM meio que superando as coisas... Ok, do jeito dela! heheheheh mas eu também sentia saudades disso.
GENTE, QUANTO MIMIMI HAHAHAHA
Continue, continuue! Mais post! Maismaismaismais! Hahahaha

Aaaaaah. E vii que tá de twitter novooo!
Booooa! Amei!

Beijobeijo! ;*

'duuda disse...

ai que saudade desses posts...
me sinto completa novamente!
hahahaha
quero maisss :D

sissi disse...

Sabe quando leio um post teu, encontro um pouco do que leio nele(L.F.verissimo,M.Medeiros,M.Scliar,C.F.Abreu).Parabéns

Anônimo disse...

Drinks pra esquecer! YEAH!