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outubro 16, 2010

Dispensando rolê

De alguma forma, quando o ponteiro menor chegou à nona casa do relógio, eu me encontrava a caminho de casa no banco da frente de um carro. Um corsa preto e detonado, que há meses eu não via. Fumando com o vidro aberto, conforme atravessávamos a Av. Pompéia em direção a Jardins, e congelando a motorista. Bêbada, claro. Enquanto ouvíamos Stooges no último volume e xingávamos uma à outra por conta da porra da janela.

Eu gostava quando as minhas amigas decidiam parar de namorar e voltavam repentinamente à vida social, dispostas a sair todos os dias e todas as noites da semana, sabe como é. E a Lê tinha acabado de terminar com a sua namorada pé-no-saco, a mesma lesma morta com quem ela havia se encasulado por longos oito meses – para o meu desgosto. Ou seja, ela era uma companhia certeira e perfeita para aquela noite.

Chegamos à Frei Caneca tão logo o trânsito nos permitiu – argh, São Paulo – e estacionamos muito mal estacionado em uma vaga estreitíssima a duas quadras do meu apartamento. As quatro long necks de Itaipava divididas no barzinho perto da casa dela enquanto eu me atualizava prolongadamente acerca do seu término com a garota já haviam batido no meu estômago vazio e subido consideravelmente à minha cabeça. Contudo, o vento gelado – rua acima – tratou de me deixar sóbria.

Entramos no apê com as luzes já acesas e ela fez qualquer comentário maldoso sobre a sala – que, de fato, estava uma zona. Larguei-a lá para tomar um banho rápido e trocar a roupa sem graça do trabalho. Passei pela porta aberta da cozinha e vi o Fer, só de bermuda, fritando qualquer coisa no fogão, de costas viradas para o corredor. Pedi não muito educadamente para que ele arrumasse a bagunça que havia deixado em cima do sofá. Caso contrário, lhe disse, a minha visita não teria onde se sentar.

Quarenta minutos de água-toalha-armário-secador-jaqueta-e-tênis depois e eu estava pronta para acompanhar a Letícia até o Inferno se fosse preciso. Mas, digo, figurativamente falando... não a balada a poucas quadras dali.

Ou, bom, vai saber...

Minha mais recente obsessão era um novo par de Nikes preto e vermelhos, que eu usava para cima e para baixo, combinando-o com uma camiseta vintage dos Rolling Stones e skinny jeans. Então saí para a sala, claro, me achando pra caralho. A Lê me esperava lendo qualquer revista jogada em cima da mesa, ali em pé. Agora, sem o seu respectivo casaco, reparei em uma manga fechada ao redor do seu braço direito.

_Que foda, cara... – disse, impressionada, pegando na tatuagem para olhar direito – ...quando você fez?!
_Faz uns quatro meses... não, espera. Cinco.
_Numa sessão só?
_Não, foram duas. E custou os olhos da cara.
_Nossa... Ficou demais, meu!

De repente, o Fer entrou na sala – agora devidamente vestido –, com cara de quem estava atrasado, e se meteu entre nós para vasculhar a mesa, que estava atolada de papéis.

_Ou, você viu minha chave?!
_Não... não tá na cozinha, talvez? – perguntei.
_Não – disse, sem me olhar, e passou a procurar pelo sofá – caralho, viu. Já era pra eu tá passando na Mia... você vai hoje, né?
_Nem vou – expliquei, fingindo descaso de forma convincente – a gente vai comer no Vitrine com umas amigas agora e depois... sei lá.
_Tá me tirando, né?! – ele olhou pra minha cara, interrompendo a busca.
_Não, por quê?
_Por que você não vai lá, meu? – ele questionou, revoltado.
_Ah, cara, sei lá... não to afim de ir na Sarajevo. Já disse parabéns pra ela na terça, já tá bom.
_Pô, mano... que sacanagem. A Mia me perguntou mil vezes se você ia essa semana e você fazendo cu doce aí, porra. Ela mó queria que você fosse. Cola lá, meu, nem que seja só pra dar um oi. O Vitrine é ali do lado, a gente vai chegar lá pela meia-noite...
_Ah, Fer... não sei – respondi, relutante, e ele me olhou sem paciência – vou ver... não tô muito afim de ir, não.
_Tá. Você que sabe. Preciso sair – disse, continuando a procurar.

Assim que achou a maldita chave, passou apressado e saiu batendo a porta. A Lê me olhou imediatamente, confusa, sem entender o porquê de eu ter mentido três ou quatro horas antes quando lhe liguei desesperada e afirmei estar absolutamente carente de um programa para sexta à noite. O que não fazia o menor sentido para ela agora, tendo em vista que a Sarajevo era – declaradamente – uma das minhas baladas favoritas.

_Eu... – hesitei em explicar, meio de saco cheio, sem realmente querer ter que tocar no assunto – ...peguei essa mina dele.
_Cara – ela arregalou os olhos com a minha declaração e começou a rir – você tá sempre na merda, hein.

12 comentários:

cigarrosdebaunilha disse...

Não dá pra não rir da desgraça da TGFM. LADSÇÃPL´WLS~LD0PQKPADOSK

E, ai, cada vez eu amo mais a Mia. Coisinha fofa dos infernos :((( ♥

Carime disse...

hahahaha, adorei o post de hoje! ;) Será que ela vai? :p

@carlitaelias disse...

hahahahaha Essa menina é muito enrolada, mas eu gosto dela..rsrs
Eu acho que ela vai acabar indo...bebada..rs

Duds disse...

ADOOOOOOOOOOOOOOOOORO ♥_♥

Anônimo disse...

Com certeza vai aparecer sim .. bêbada e vai fazer mais merda .. asiuhdashduasdhusad ..

AdoroO

Bú !! disse...

Iiii muita gente ta começando a saber que ela pegou a Mia, isso nao é bom nao!! =P

- Tucca disse...

Isso ainda vai dá merda :x
E a Mia que não consegue mais conter a necessidade dela de tá perto da FM? Linda *-* Adorei, Mel. Parabéns (:

Ivett disse...

Ih! É muito bom mesmo, amigos(as) sem namorados(as)! =X Esse povo que namora e some...tsc tsc...

l sayuri * disse...

oba... uma letícia na história... adorrroooo

Anônimo disse...

http://s3prod.weheartit.netdna-cdn.com/images/3049186/tumblr_l40svd3e2O1qzmaego1_400_large.jpg?1279428535

x)

Ed disse...

Eitxa situação conflitante...
Da uma passadinha, ou não?! És a questão,rsrrs

Foda-se, eu iriaaaaaaaaa...Na maior.

Post, quero maisssss...

Bjs MEuL....

@Edflavia_ems

Marina disse...

"você tá sempre na merda, hein." neh?! haushuahs