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setembro 25, 2011

Re-direcionando

Tá. Olha, eu já ia estar agindo daquele jeito inconseqüente de qualquer forma. Aquela era a minha noite. Não é como se todas as rodadas de destilados e vai-e-vens de sem vergonhice lésbica fossem pura infantilidade minha, afinal, eu estava mesmo feliz pra caralho naquele dia, naquela noite. Contudo, e este é apenas um mínimo detalhe, o fato da Mia estar lá – digamos, a tão poucos metros de mim e toda desconfortável – tornava cada movimento meu mais divertido. E eu estava, acreditem, fazendo com que aqueles seus olhos castanhos vissem – e repreendessem – cada um deles.

_Cara, você não superou nem de longe esta garota...
_Ah, cala a boca, Lê! – ordenei, já completamente fora de mim, conforme esboçava um sorriso maroto e pegava os dois shots de tequila do balcão.

Que se dane a Mia. Bem verdade é que havia naquela noite, ali no Vegas, uma hétero muito mais interessante para mim do que ela vinha sendo naquelas duas últimas horas, com suas viradas de olho indiferentes e cortes categóricos às minhas tentativas de inteirá-la nas minhas conversas com o Fer. Outra “hétero”. E com quem eu, após me perder por diversas vezes na boca de outras garotas em meio à pista, havia me conectado de uma maneira que só é possível quando se tem mais tequila do que sangue correndo pelas veias e tudo parece ser uma epifania. Nos demos extraordinariamente bem, eu e a garota. Com todo o apoio dos seus amigos, aliás, que eram super simpáticos. E apesar dos meus nada modestos esforços, ainda não a havia conseguido beijar.

Com ambas as tequilas em mãos, retornei para o seu lado num círculo de pessoas a poucos metros de onde o meu círculo de pessoas-e-amigos estava. Brindamos brevemente – eu a olhava, claro, insistentemente – e viramos tudo de uma só vez. Rimos logo em seguida; na pista qualquer faixa do Billy Idol ressoava e o teor desceu queimando pelas nossas gargantas. Ela se aproximou do meu rosto, apoiando-se no meu ombro, e insinuou, brincando, que eu estava querendo embebedá-la com todas as minhas evidentes segundas intenções.

_Eu não preciso te embebedar para fazer o que eu quero com você... – respondi, de volta em seu ouvido, já um tanto insolente devido à bebida.

Ela, rindo, afastou-se do meu rosto e negou com a cabeça, disse que eu estava me achando. Dei de ombros e ela riu mais ainda. Nos divertíamos, invariavelmente. Volta e meia todavia, os meus olhos cruzavam – acidentalmente – com os da Mia, a poucos metros dali. Já a Lê havia sumido, correndo atrás de um rabo-de-saia recém descomprometido e que mais estava interessado em fazer ceninha para a ex-namorada do que em genuinamente querer a minha amiga. Drama sapatão, argh. Mulher é mulher em tudo quanto é canto, esse tipo de “joguinho” me enjoa até a boca do estômago.

Enquanto isto, eu e o meu magnífico-porém-persistente desafio da noite nos encontrávamos em mais uma rodada, com uma cerveja e drink em mãos. Respectivamente. O nome dela era Patrícia, Patti. Tinha seus míseros 19 anos, estudante de Design, com a conversa e as curvas fantásticas de uma garota de 25, bem-acompanhadas de algumas tatuagens old school que estavam me tirando do sério. Já o cabelo, castanho como me era de costume, estava preso num meio-rabo com dois palitos pretos e eu me encontrava absolutamente encantada com sinuosidade da frente única finíssima que encostava-se contra seu corpo. Tomei um gole, já ultrapassando a metade da garrafa, numa tentativa fracassada de esfriar a cabeça. Não rolou. E fiz graça para ela, então, arcando brevemente as sobrancelhas na sua direção. Ela riu, balançando a cabeça.  

_Eu sou hé-te-ro... – repetiu, de novo, como se eu não a tivesse ouvido nas últimas dez vezes que se antecederam.
_Todas vocês são... – retruquei, bastante segura de mim – ...até não serem mais, né.

E mais uma vez ela riu, me olhando; começava a ganhar um certo carinho por mim. Àquela altura do campeonato. E eu, uma certa impaciência para beijá-la logo. Decidi então que era hora de fazer algo a respeito e peguei-a pela mão, vem comigo, puxando-a através da pista. E ela disse que vinha, meio envergonhada. Mas foi, digo, veio. Em meio àquele mar de gente dançando post-punk inebriadamente, segurando atrás de mim a minha mão. Te mostro que estou certa, garota.

14 comentários:

Amanda disse...

"Todas vocês são até não serem mais" É BEM ISSO MESMO.
Ai, FM, esperta. Tô precisando demais de uma dessa na minha vida. Cadê?
Quero mais!

=*

Monica disse...

até eu com dó da menina Mia assistindo esse ritual de acasalamento HAHAHHAA

go ahead!

Anônimo disse...

A FM é areia demais pro meu caminhãozinho. A Mel também. Meu deus do céu, garotaaaas... apaixono!! Post baphonico!

Ma disse...

Iiiiiiiiiiiih 'Meu primeiro amor - Parte 2'
AAAAAAAAAH continua, por favooorrrrrrrr!

Muito bom! Muito bommmm! Mais mais mais mais maiiiiieeeessss!

Anônimo disse...

Mel, parabéns. Você escreve lindamente beem!

Raianny disse...

Uau!
Bem que a FM podia dar uma ajudinha pra todas as minas que estão indecisas e vão se descobrir agora, pra que professora melhor que a Fm?


Parabeeeeeeeeens Mel
show!

Andrea de Lima disse...

oh my fuckiiiiiiiiiing! tou ansiosa :)

lu disse...

Pelo menos dessa vez, Mel, faz a FM quebrar a cara, pls!?! :)

Juliana Nadu disse...

Aiiiiiii meldels!! comofaz pra aguentar até amanha!!? vc é muito má viu dona Mel!

Anônimo disse...

A entrada já foi apreciada, agora falta o prato principal...hehe

Anônimo disse...

Patrícia: está querendo
FM: vai conseguir
Eu: quero ver

Mel: não demore! =D

Anônimo disse...

ah nao meu, num faz a pobrezinha quebrar a cara!! ela so sofre nesse blog pelo menos nessas ela tem que se dar bem kkkkk

Ianca' disse...

Logo Patricia? u.u
Aiaiai

@tais_snowhite disse...

Uma substituta da Mia u_u