Umas cinco horas depois, abri a porta do apartamento com a
mochila nas costas e dei de cara com a Mia em cima do Fer no sofá. Fodendo. Literalmente
fodendo. Ela estava sentada no seu colo, as mãos dele em suas coxas, só de
camisetão e sem calcinha – aquela marofa desgraçada em volta e um Misfits
estourando o som da sala. Argh. Fala sério. Bati a porta propositalmente
alto atrás de mim, me anunciando antes de atravessar pro corredor.
_PUTA MERDA! – o Fer gritou, enquanto a Mia saía de cima e
eles se vestiam meio de qualquer jeito, às pressas – CÊ NÃO VOLTAVA AMANHÃ,
PORRA?!
_Não.
Dei uma olhada feia para ele, irritada. Não posso
circular no meu próprio apartamento agora, caralho? A Mia alcançou a
calcinha no chão, a subindo pelas pernas tatuadas. E então me olhou, um tanto sem
jeito – era estranho vê-la ali, daquele jeito, sabendo que dois dias
antes ela estava me mandando mensagem de madrugada. Abaixou o olhar,
constrangida. E eu entrei no corredor, dando as costas para os dois e me
trancando no quarto.
_Não.
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